Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

A Inveja

"Inveja não é querer o que o outro tem (isso é cobiça), mas querer que ele não tenha. Essa é a grande tragédia do invejoso..."


Esta uma das premissas de Zuenir Carlos Ventura, jornalista e escritor brasileiro entrevistado por Carlos Vaz Marques, na TSF (no seu programa “Pessoal … e transmissível), na qual apresentava o seu novo livro “Inveja – Mal Secreto”.


Numa conversa muito interessante, Zuenir afirmava que se questionasse um número significativo de pessoas sobre se alguma vez já teriam desrespeitado algum dos sete pecados capitais – inveja, luxúria, avareza, preguiça, ira, soberba e gula – a resposta seria afirmativa para quase todos eles. Ou seja, já teriam pecado em todos menos na inveja. Isto porque regra geral o invejoso tem uma percepção distorcida de si mesmo. Invejoso, eu? NÃO!


Embora, como vimos, haja uma fronteira muito ténue entre a inveja e a cobiça, atrever-me-ia a citar uma frase que vi escrita algures e que dizia pouco mais ou menos isto:


a inveja é a primeira amiga do alheio. Afinal, não deixa de, assim como o ladrão, tentar tomar o que é do outro”.


Não conheço a obra de Zuenir Ventura mas, confesso (já que falámos de pecados) que fiquei curioso.


Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Afinal havia outro

Antes que comecem com graçolas de gosto duvidoso, é melhor dizer (para que não restem dúvidas) que não sou particularmente apreciador das cantorias da Mónica Sintra e que só me fui lembrar da canção “Afinal havia outra” para lhe surripiar o título que me apareceu adequado para a crónica de hoje.



Dito isto e depois de, alegadamente, o nosso Primeiro andar a tentar controlar a comunicação social porque, ao que parece, não convive bem com as críticas que ela lhe faz, descobriu-se agora que uma outra personagem, igualmente importante no nosso cantinho à beira-mar plantado, também não gosta lá muito dos comentários alheios sobre a sua pessoa. Daí a ter tomado certas atitudes foi um instante.


Refiro-me, em concreto, à bulha (esta também é uma palavra de que eu gosto e que parece estar a perder-se) entre o seleccionador nacional de futebol, Carlos Queiroz, e o jornalista desportivo da SIC, Jorge Baptista, em plena sala VIP do Aeroporto de Lisboa.


Do que aqui aconteceu só as razões que levaram à trocas de palavras e agressões podem ser consideradas como “alegadas” porque, aquilo a que assistiram as pessoas presentes foi a uma cena de pancadaria à séria, das antigas, que até meteu polícia e tudo.


Uma coisa parece certa e daí temos que tirar as devidas ilações. Certa gente cá do bairro quando não gosta de alguém, ou do que ela diz, não se amofina nada em partir para cima dela com quantas ganas tem. Umas cuspidelas e uns socos, uns mimos para a mãezinha do malandro que o enfrenta ou então, a tentativa de os afastar dos empregos que têm nos jornais ou televisões onde não param de chatear com críticas que podendo ser justas acabam por cair mal à brava. Atenção, a coisa nem sempre resulta mas vale a pena a tentativa, sobretudo se a rapaziada cá fora não vier a saber o que de facto aconteceu. Estão a ver?


Recapitulando a matéria. Então não é que depois dos holofotes estarem dirigidos a Sócrates descobre-se que “Afinal havia outro?”.


Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

A Máquina de Fazer Espanhóis


De importante, importante mesmo, o que eu hoje quero dizer-vos é que o Museu Nacional de Arte Antiga vai acolher no próximo dia 10 de Fevereiro o lançamento do quarto romance de valter hugo mãe (isso mesmo, escreve-se com letras minúsculas), o vencedor do prémio Saramago em 2007.


O livro tem um título sugestivo: “A Máquina de Fazer Espanhóis”. Um livro que promete tanto mais que, como afirma Lobo Antunes, “a maior parte dos livros são escritos para o público, este é um livro escrito para os leitores”.



Mas esta referência ao lançamento deste livro “A Máquina de Fazer Espanhóis” não é inocente. Sem conhecer ainda o romance, a simples ideia de uma máquina que pode fabricar espanhóis apavora-me. Claro que nada tenho contra os “nuestros hermanos”. O que me preocupa é se a tal máquina começa a produzir espanhóis do tipo Joaquín Almunia, o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos que é espanhol e que, como bom vizinho que é, acaba de nos dar uma mãozinha para nos afundar ainda mais, como se isso fosse necessário.


Depois das opiniões das agências de rating só nos faltava o Sr. Almunia e as suas declarações sobre a competitividade e o endividamento de Portugal, numa tentativa (bem conseguida) de nos pôr ao mesmo nível dos gregos.


Não necessitávamos dessa ajuda. Já sabíamos que a coisa estava mal mas a intervenção do Comissário teve um efeito de tal modo negativo e imediato nos mercados internacionais que o preço do crédito concedido ao nosso país subiu num ápice.


Bem podem os nossos governantes bradarem que “as declarações de Almunia foram infelizes e enganadoras”. Aliás, a Comissão Europeia já veio esclarecer que, afinal, “nunca pretendeu comparar a situação económica de Portugal com a da Grécia”. Mas o mal está feito e as consequências aí estão.


A desconfiança sobre Portugal está lançada. E, como se não bastasse tudo o que aconteceu, os políticos nacionais, de todos os quadrantes, fizeram questão de demonstrar com arrebatadora irresponsabilidade, que podiam piorar ainda mais a situação com uma inesperada crise política por causa da Lei das Finanças Regionais e, concretamente – sejamos claros – por causa da Região Autónoma da Madeira.


Não merecíamos tanto!



Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Imaginação

Rosa Lobato Faria morreu na última terça-feira. Para além de actriz, escritora, compositora e poetisa de grandes méritos era uma mulher de extrema simpatia e afabilidade.

Em 23 de Janeiro de 2008 tinha aqui sido publicado um poema seu “E de novo a armadilha dos abraços”.

Hoje, e como singela homenagem a Rosa Lobato Faria, um outro lindíssimo poema



“Imaginação”



A imaginação é magia e é arte

que nos faz inventar, sonhar e viajar.

Com imaginação podemos ir a Marte

ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.

Com imaginação nunca estamos sozinhos.

A imaginação é um voo, um lugar

onde temos amigos, onde há outros caminhos

nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.

Inventa uma cantiga, um poema, um desenho

um arco-íris, um rio por entre malmequeres;

esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.

A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.


Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

As “calhandrices”

Não tivesse o caso contornos que podem revelar-se muito graves e que têm a ver com a liberdade de expressão, diria que esta é mais uma manobra que serve para nos distrair da periclitante situação em que se encontra o país.


Mas o que aconteceu merece a devida reflexão. Um jornalista (Mário Crespo) escreveu um artigo de opinião sobre uma conversa que decorreu num restaurante entre o Primeiro-Ministro, dois outros Ministros e um alto funcionário da SIC em que, alegadamente, terá sido dito que Crespo seria um "débil mental" e que constituiria um "problema" que tem de ter "solução".


Essa crónica devia ter sido publicada na segunda-feira no Jornal de Notícias e não foi. Por censura? Por falta de contraditório? Não sabemos, o curioso, porém, é que o JN não quis publicá-la mas a crónica acabou por ser tornada pública, aparentemente sem o autor saber disso, nos sites do jornal Público e no do Instituto Sá Carneiro que é do PSD. Ele há coincidências …


Coincidências à parte, a verdade é que a conversa decorreu em privado e o que lá foi dito só foi “ouvido” por terceiros. Não existem provas que confirmem o que quer que seja.


Assim, não é de estranhar que as dúvidas surjam de todos os quadrantes.


Por um lado, sabe-se que o prestígio de Mário Crespo foi conquistado por ser um jornalista competente e sério. Eu próprio gosto da maioria dos seus trabalhos e considero-o independente. No entanto, temos que reconhecer que ele tem sido nos últimos tempos muito crítico em relação ao governo socialista e ao seu líder.


Por outro lado, ninguém esquece os casos recentes de alegado silenciamento da comunicação social – dirigidos a Manuela Moura Guedes e José Manuel Fernandes - em que, suspeita-se, tenha havido o dedo de Sócrates que, é voz corrente, lida muito mal com as críticas da comunicação social.


E o Governo a “este processo de intenções” responde simplesmente que “não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices". As tais calhandrices!


Enfim, enquanto se espera pela reunião do organismo regulador dos media (a ERC) que vai discutir hoje, quarta-feira, a posição a tomar face ao artigo de Mário Crespo com acusações ao Governo, a fogueira vai crepitando com alguma intensidade.


Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

As apressadas opiniões das Agências de Rating

Acho que ainda vou a tempo de escrever mais uma coisinha sobre o Orçamento para 2010. Ou melhor, sobre as apressadas opiniões sobre o OE divulgadas pelas agências de rating que foram tão lestas em manifestar-se.


Pouquíssimas horas depois de Teixeira dos Santos ter entregue o cartãozinho electrónico com o OE na Assembleia da República, já os diligentes elementos dessas agências estavam a dar o seu abalizado parecer sobre o mesmo. Sem sequer terem tido a preocupação de considerar o estabelecido no PEC (o Programa de Estabilidade e Crescimento) que o Governo vai entregar em breve em Bruxelas e onde vão ser indicadas as medidas a adoptar para equilibrar as contas públicas portuguesas e, consequentemente, a forma como se pretende baixar o deficit até 2013.

Competente esta gente!


Apesar dessa competência, todos nos lembramos de assistir ao imenso falhanço das suas previsões quando atribuíram notações altas a economias de certos países que, pouco depois, se desmoronaram como castelos de cartas. Apesar disso, continuam a ser tidos em conta pelos investidores e são as suas opiniões que prevalecem e fazem tremer os Estados.


Com o seu apressado juízo sobre o OE acabado de apresentar, sem considerarem as medidas que vão ser propostas no PEC, o que o mais elementar bom senso recomendaria, algumas dessas agências que “não esperaram para ver” começaram desde logo a dificultar as já difíceis condições do nosso país no acesso ao crédito e ao preço que terá que pagar quando o conseguir. É que advertências extemporâneas deste género podem causar danos irreparáveis à nossa economia.





Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Orçamento de Estado para 2010 – A minha contribuição


Nestes últimos dias não se tem falado de outro assunto que não seja o Orçamento de Estado para 2010. Não é, pois, de estranhar que este humilde cidadão queira igualmente dar uns palpites sobre a coisa. Farei isso com todo o gosto mas hoje, dado o adiantado da hora, não alongarei muito as minhas lúcidas teorias de comentador atento e contribuinte venerador e obrigado.


O Orçamento acabou por passar como era óbvio, com a abstenção do PSD e do CDS. Há muito que se adivinhava que a vontade daqueles partidos era mesmo a de deixar passar o orçamento, em nome de uma pretensa responsabilidade para com o país mas afirmando, todavia, a firme discordância com as políticas do Governo. Ou seja, depois de três meses de empatas, os dois partidos de direita disseram que não concordavam com o OE mas, apesar disso, viabilizaram-no com a abstenção de ambos. Com uma “abstenção construtiva” como lhe chamou o CDS.


Embora não me tenham pedido opinião sobre o assunto, e dado que a coisa vai mesmo para frente, patriota como sou, quero estar na primeira linha dos que vão ajudar a que este exercício orçamental se cumpra e seja um sucesso. E desejo que a minha contribuição seja inscrita, naturalmente, do lado da receita.


Assim, nos “Impostos Indirectos” penso alinhar em quase todos: no IVA, sobre os produtos petrolíferos (ISP), sobre o álcool e bebidas e sobre os de circulação. Nos “Impostos Directos” não escaparei ao IRS (com muito gosto, claro) e para os que são incluídos nas “Outras Receitas Correntes” farei um esforço para não defraudar as expectativas que os meus queridos governantes depositam nos seus explorados contribuintes.


Foi por essa razão que paguei ontem uma multa de (mau) estacionamento, de trinta euros que irão integrar os 734,4 milhões de euros previstos neste orçamento. É pouco, eu sei mas, grão a grão, enche a rubrica “Taxas, multas e outras penalidades” o papo.


Paguei a multa, repito, mas apenas e só porque, como disse, sou patriota (ou parvo, como quiserem). É que o Papa em breve estará de visita a Portugal e o mais certo é que haja uma amnistia que “limpe” uma série de multas deste tipo, como costuma acontecer.


Contudo, o curioso da história é que os meus trinta euritos que vão ser contabilizados este ano dizem respeito a uma (possível) infracção ocorrida em 2008. Mas isso é outra questão que poderei voltar a ela em próximo capítulo.