domingo, julho 12, 2009

O medo é que guarda a vinha

Já aqui tenho manifestado por diversas vezes que devemos ser rigorosos naquilo que escrevemos e dizemos. As palavras têm um significado próprio e quem as escreve ou profere tem que ter o cuidado necessário para não levar as pessoas a pensarem que “a estrada da Beira é o mesmo que a beira da estrada”.



E isto aplica-se a toda a gente e, naturalmente, por motivos óbvios, às figuras públicas que têm que ter um cuidado acrescido para não afirmarem hoje o que ontem juraram ser de outra maneira. Mas isto é uma outra questão, à qual se pode ainda acrescentar o jeito para a coisa ou a falta dele.



Vem isto a propósito das recentes declarações da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, quando pretendia responder às críticas de que apesar dos exames de matemática deste ano terem sido demasiado fáceis as notas se terem quedado por uma média muito modesta. O que, segundo a Ministra, foi culpa da comunicação social.



“os jornalistas dizem que os exames são fáceis, o que leva a um menor empenho dos alunos no estudo e, por sua vez, a piores resultados nos exames”, disse.



Apesar da afirmação poder parecer um tanto ou quanto estapafúrdia, a verdade é que esta situação pode até ser verdadeira. Eu também acho que os exames de matemática têm vindo, sucessivamente, a ser mais fáceis. Porém, se toda a gente começar a adivinhar que os exames vão ser canja, para que é que os estudantes vão necessitar de se aplicar mais? E, porque não fazem grande esforço, as notas só poderão ser más. É a história da “pescadinha de rabo na boca”.



Aliás, lembro bem que quando andava no secundário tínhamos uns quantos professores que eram tão exigentes que o único jeito que nos restava era mesmo estudar e muito. Recordo uma tal “Miss Patrício“ docente de inglês do Liceu de Oeiras que povoava os nossos piores pesadelos, sobretudo antes dos exames.



Como se costuma dizer “O medo é que guarda a vinha”


quinta-feira, julho 09, 2009

Tantos para quê?


Ao tentar descobrir determinado vinho nas imensas garrafeiras dos supermercados, acontece-me muitas vezes ficar impressionado pela quantidade de marcas diferentes que existem no nosso país. E, note-se, refiro-me apenas ao vinho nacional.


Perante as novas marcas, procuro descobrir qual é a sua origem, as suas castas e todas aquelas informações que me possam convencer a comprá-los. Mas tanta diversidade causa muita confusão ao consumidor, a ponto de ter dificuldade em escolher.



Vi uma explicação para o caso na Revista Única do Expresso, pela leitura de um artigo de um especialista na matéria, João Paulo Martins. Segundo apurou junto de um conhecido produtor de vinhos, a justificação é a seguinte:



“o consumidor é pouco fiel e cansa-se das marcas e, por isso, é preciso mudar, ainda que o vinho seja o mesmo”.



Longe de querer discutir as questões de estratégia comercial, a explicação parece-me um tanto ou quanto bizarra. Antes diria que mais se me afigura um embuste. A fidelização dos clientes, qualquer que seja o produto, consegue-se quase sempre pelos níveis de eficácia, de desempenho e de excelência. Os vinhos não deveriam ser excepção.



Se conheço determinadas marcas e se sou apreciador dos seus paladares não tenho dúvidas em escolhê-los de acordo com as ocasiões.



Sem prejuízo das novidades que podem trazer diferença ao mercado, o que questiono é “mas tantos vinhos, para quê?”


Uma óptima ideia


Ora aí está. Porquê pagar mais se poderemos ter o mesmo com menores gastos.



E a ideia é o verdadeiro ovo de Colombo.



Se já era mais acessível viajar nas companhias aéreas de baixo custo, as conhecidas “low cost”, daqui a pouco ainda vai ser mais económico.



Segundo fez constar, a companhia irlandesa Ryanair está a estudar a possibilidade de vender bilhetes de avião a passageiros que estejam dispostos a viajar de pé em rotas de pequeno curso (até hora e meia de voo) e em aviões adaptados à nova realidade. A troco desse pequeno incómodo os custos poderão ser reduzidos em 20%. Bom, não é? E melhor, as pessoas não viajarão forçosamente de pé uma vez que terão à sua disposição bancos idênticos aos de um balcão de bar.



Este é a notícia boa. A má é que, em contrapartida, poderá haver taxas adicionais a pagar (os baixos custos muitas vezes não são assim tão baixos). Pensa-se que serão os passageiros a levar a sua própria bagagem até ao avião, que haverá a cobrança de uma libra para a utilização da casa de banho durante o voo e que será introduzido um “imposto de obesidade” para os passageiros com excesso de peso.



Enfim, são os custos da … redução de custos.



terça-feira, julho 07, 2009

Pensem nisto …


O vídeo de hoje deve fazer-nos reflectir.



São imagens que sugerem palavras como intolerância, incompreensão, desamor, ingratidão, solidão, egoísmo e que fazem parte do quotidiano de muitos de nós.



Imagens que colocam a questão de sempre. Se para com os novos a disponibilidade é grande, porque não com os mais velhos? Quando é que nos vamos preocupar com eles e dar-lhes o carinho e a atenção que merecem?



É que, como tenho repetidamente escrito



“Os velhos necessitam de muito pouco mas precisam tanto desse muito pouco”




segunda-feira, julho 06, 2009

Que alívio!



Desde há algum tempo que andava preocupado com a possibilidade de hoje poder acontecer alguma coisa em Portugal ou no Mundo, no justo momento em que Cristiano Ronaldo estivesse a ser apresentado no Estádio Santiago Barnabéu como jogador do Real.



Uma festa que, como se esperava, teve repercussões extraordinárias a nível global. Jornalistas de todo o planeta deslocaram-se a Madrid e inúmeras estações de televisão abriram os seus telejornais com directos que duraram longos minutos. De tal forma que fizeram crer que nada de importante se tinha passado hoje. Para além da festa madrilena, claro.



Estava, portanto, tudo combinado ao pormenor e mal pareceria que qualquer coisinha pudesse vir a estragar a apresentação deste prodígio do chuto da bola que vai ganhar 13 milhões de euros por ano.



Imaginem só que o célebre debate da Nação da semana passada, que ditou o afastamento de Manuel Pinho, tinha sido efectuado hoje. Que projecção teria a cena dos corninhos? Nenhuma, por certo.



Ou o que teria acontecido se alguém se lembrasse de fazer, precisamente hoje, um golpe de Estado? Não foi por acaso que os militares das Honduras derrubaram o presidente eleito uma semana antes.



Ontem a judoca portuguesa Telma Monteiro conquistou a medalha de ouro do Grand Slam no Rio de Janeiro. Se tivesse sido hoje, os noticiários teriam falado no assunto? Deixo a resposta convosco.



Na verdade, o futebol, não só o jogo mas o marketing à sua volta e o histerismo desproporcionado das multidões, sobrepõe-se a tudo o mais. E bem fizeram aqueles que tencionavam dar nas vistas por um qualquer motivo em antecipar ou adiar o momento.



Que alívio! Felizmente tudo correu bem. O mundo esteve sossegado hoje e pôde assistir em paz e alegria à chegada do novo número 9 do Real Madrid.



domingo, julho 05, 2009

Mau, não estaremos a exagerar?


Quando comecei a ler a notícia confesso que fiquei satisfeito por saber que os portugueses – todos os portugueses – já tinham, se quisessem, a possibilidade de se reunir sob um mesmo tecto. Não exactamente no mesmo local mas num espaço com as mesmas características.



Ou seja, os 105 centros comerciais que hoje existem no país têm uma área global de 3,4 milhões de metros quadrados, uma área correspondente a 340 campos de futebol e podem albergar toda a rapaziada que mora por cá.



E estou só a contar com o espaço hoje ocupado pelas lojas. Porque quanto aos corredores, parques de estacionamento, armazéns, hipermercados e quejandos, esses espaços nem conto com eles, ficam de reserva não vá haver convidados de última hora.



Portanto, estava contente com o facto de os portugueses terem espaço suficiente para se “refugiar”, caso tivessem necessidade.



Porém, o meu sorriso extinguiu-se quando, a determinada altura, dei de caras com a informação de que está previsto que sejam construídos até 2011 mais doze centros comerciais em todo o país. Mais doze, leram bem.



Eu sei que o conceito dos centros comerciais, os shoppings como se chamava no princípio, caiu no goto cá da malta. São confortáveis, bonitos, bem iluminados, está tudo à mão de semear e, mesmo que não se façam compras, sempre se pode usufruir de umas agradáveis (???) tardes de sábado juntamente com mais uns milhares de pessoas que não tiveram melhores ideias para passar o dia. Sei lá, um passeio por uma mata, uma ida até ao mar, respirar ar puro, desfrutar a natureza ou uma parvoíce parecida.



Pergunto, construir mais uns milhares de lojas e corredores para além dos que já existem não será despropositado? Não estaremos, por acaso, a exagerar?

sexta-feira, julho 03, 2009

Só mais uma coisinha sobre… Manuel Pinho


Peço desculpa por voltar ao tema mas o "gesto" do Ex-Ministro da Economia passou depressa de "extraordinariamente lamentável" para tema principal de toda a oposição e da maioria dos analistas de serviço. Por isso, merece mais um pequeno comentário. Como se previa, não bastaram as desculpas apresentadas por José Sócrates aos deputados e ao Presidente do Parlamento nem a demissão do próprio Manuel Pinho. De tal forma que se continua a malhar forte e feio no Governo e no Primeiro-Ministro.


Já dissemos que a cena não deveria ter acontecido mas a verdade é que aconteceu. Houve falta de respeito, foi um acto leviano, irreflectido, indigno, infeliz, insólito, o que quiserem. Mas chega, o caso foi resolvido, bem e com prontidão. Acabou.


Mas acabe-se também com tanta hipocrisia. Sobretudo quando se sabe que muitos outros casos foram tão ou mais graves que o presente e não tiveram repercussões que se assemelhem a este.


Para terminar, uma vez que o assunto está morto e enterrado, é bom que olhemos para o que aconteceu com outros olhos, de preferência de uma forma mais bem-disposta.


E, como é hábito, os humoristas portugueses não perderam tempo.





Não nos podemos levar pelos impulsos



Já tenho dito que os maus exemplos dados por figuras públicas são extremamente perigosos de poderem contaminar os mais incautos.


Ainda ontem dava-se aqui conta do episódio em que Cristiano Ronaldo pontapeava o vidro de um automóvel de uma admiradora que o pretendia filmar.


Pois provavelmente por contágio daquela situação, aconteceu que durante o último debate da nação desta legislatura, uma provocação, um aparte maldoso (e injusto, por certo) do deputado comunista Bernardino Soares fez “levantar a tampa” ao stressado Ministro da Economia que balbuciou qualquer coisa que não entendemos, ao mesmo tempo que dirigia um gesto em que pretendia mostrar um simulacro de chifres.


Se bem que eu não conheça o contexto em que foi produzido, acho que Manuel Pinho não ficou nada bem na fotografia e que o tal gesto, não digo que fosse insultuoso mas foi, seguramente deselegante, inoportuno e desnecessário.


Um político tem que saber reagir às adversidades e aos combates e infâmias que lhes são dirigidos. Tem que ter o traquejo suficiente para aguentar as investidas por mais duras, ofensivas e injustificáveis que elas sejam. Não pode, portanto, ceder a qualquer tipo de provocações que o façam exceder-se da forma que Pinho o fez.


Bom, condenada que foi a atitude por todos os partidos da oposição, pelo governo, pela bancada parlamentar que o apoia e pelo presidente da Assembleia da República, pedidas as desculpas do Primeiro-Ministro (e de Pinho, através do PM) a coisa parecia estar resolvida. Mas não está.


A três meses das legislativas a oposição vai tentar capitalizar o deslize do Ministro da Economia e, por arrasto todo o Governo, a quem acusa de completo desnorte e de já não dizer coisa com coisa.


Mas, meus amigos, essa de misturar um deslize de um Ministro com o comportamento de todo o Governo faz-me lembrar a fábula do lobo e do cordeiro em que o lobo afirmava “bem, se não foste tu, foi o teu pai”. Não me venham agora dizer que o Sócrates é que também teve a culpa deste episódio.


A atitude foi injustificável e condenável, já o disse. Mas julgar todo o trabalho de quatro anos do Ministro (que algumas coisas deve ter feito bem) por ter cometido uma tolice gestual de momento, parece-me, de facto, excessivo.


No futuro o que há a fazer é bem simples. Impedir que os jornalistas estejam equipados com câmaras de televisão e máquinas fotográficas. Ou seja, interdição absoluta de aparelhos de imagem. Ou julgam que se os “chifres” não tivessem sido apanhados alguém se teria preocupado com o assunto?

quarta-feira, julho 01, 2009

Desconformidades

A fazer fé num estudo recente, 57% das famílias portuguesas vivem com menos de 900 euros por mês. E, segundo o mesmo estudo, os portugueses – essas mesmas famílias – vivem felizes. “Pobretes mas Alegretes”, como se dizia dantes. Custa a acreditar que pessoas que mal conseguem sobreviver sintam tamanho estado de espírito.




Em contraponto, Cristiano Ronaldo que ganha bem mais que 900 euros por mês (quero dizer, por hora), parece andar desorientado. E a prová-lo aí está a notícia de que agrediu uma jovem de 17 anos só por que esta o terá perseguido com o intuito de o filmar. De tal forma o jogador ficou perturbado que saiu do seu Ferrari e partiu a pontapé o vidro do carro onde estava a menor, ferindo-a com os estilhaços.




Quase que apetece dizer que o dinheiro não dá felicidade. Ou colocadas as coisas de uma outra maneira, é capaz de haver uma desarmonia entre o conceito de felicidade e o dinheiro.




Onde está a verdade?







Ainda na semana passada respondi a um comentário feito a uma crónica aqui publicada, onde eu afirmava que a questão da verdade que cada um reclama para si é muito difícil de avaliar. Como saber qual das diferentes verdades em presença é, de facto, “a mais verdadeira”?



Com frequência deparamos com pessoas e instituições – perfeitamente credíveis e respeitadas - que se arrogam como defensores de determinados princípios e posições, em defesa das suas verdades.

Vejam o exemplo do recente “manifesto dos 28”. Vinte e oito conhecidos economistas, alguns dos quais ex-ministros das finanças e da economia, manifestaram-se a favor da suspensão de alguns grandes projectos financiados pelo Estado, preocupados que estão com o endividamento excessivo e com as pesadas consequências que daí resultarão para as próximas gerações. A sua verdade, sem dúvida.



Dias depois, eis que surgiu um outro manifesto, o “manifesto dos 51”. Cinquenta e uma personalidades, distintos economistas, engenheiros, sociólogos e professores universitários defendem que o combate ao desemprego passa obrigatoriamente pelo investimento público, nomeadamente o direccionado para os tão polémicos “novo aeroporto de Lisboa”, “TGV” e a denominada “3ª. auto-estrada Lisboa-Porto”. A sua verdade, incontestavelmente.



Por isso é que digo que é muito difícil saber-se qual é a verdade. A VERDADE, a coisa certa, feita com sinceridade e boa-fé.



Só que, provavelmente, não haverá apenas uma verdade. E é aí que entramos numa zona ainda mais difícil de julgar mas onde, e à cabeça, aparecem conceitos tão simples (e tão complicados ao mesmo tempo) como o compromisso e o bom senso.



segunda-feira, junho 29, 2009

A solução


A história conta-se em duas palavras.



Quando construíam uma estrada de acesso à vila de Pevidém (concelho de Guimarães), engenheiro e mestre-de-obras encarregados da tarefa, ambos homens teimosos e de personalidade forte a ponto de nunca darem o braço a torcer, decidiram levar avante as suas ideias e, contra o que manda o mais elementar bom senso, mandaram executar duas estradas a partir de determinado lugarejo. Ambas tinham quatro quilómetros de extensão até à vila mas os traçados foram desenhados quase paralelamente a partir de um certo ponto, uma pelo lado direito e outra pelo esquerdo.



Como podem perceber …



Claro que a história é ficcionada mas bem poderia ter sido verdadeira. De qualquer forma o que achamos é que Pevidém dispensava a dupla placa. Com esta confusão pode ter acontecido que muitos dos condutores que pretendiam seguir até à vila, de tão baralhados que ficaram ao chegar àquele local decidiram, pura e simplesmente, voltar pelo caminho de onde vieram.

“Privilégios”


Uma das notícias que neste fim-de-semana mais me chamou a atenção foi a que revelava que o fundador e Ex-Presidente do Banco Comercial Português, Jardim Gonçalves, continua a utilizar um avião privado pago pelo Banco e, espanto maior, conta com uma segurança própria de 40 pessoas que é paga igualmente pelo BCP.



Claro que todos os privilégios que usufrui (estes e outros) foram assegurados no tempo em que Jardim Gonçalves era, ainda, o Presidente. Portanto, e aparentemente, não há razões para se suspeitar de qualquer ilegalidade. Mas, convenhamos, tantas regalias de luxo parecem não ter razão de ser.



E o que é que os accionistas do BCP acharão de tudo isto? Provavelmente que a situação é, no mínimo, descabida.



Como o dinheiro não é meu, até percebo que neste ano e meio em que o senhor está reformado, tenha feito várias viagens particulares no Falcon que tem à sua disposição. Tanto mais que essas viagens foram efectuadas no âmbito de uma cláusula aprovada anteriormente - "segurança e protecção na saúde" (????).



Agora o que me faz mais confusão é a desproporcionada segurança que é concedida ao ex-presidente e, agora, arguido do “Caso BCP”. Quarenta seguranças? Justificar-se-á tanta gente para o proteger? Afinal, o que é que Jardim Gonçalves tanto receia?


sexta-feira, junho 26, 2009

À espera de Ricardo Araújo Pereira



Depois da derrota do PS nas Eleições Europeias de 7 de Junho, o eterno porta-voz do Partido Socialista, Vitalino Canas, foi substituído por João Tiago Silveira, um jovem político de 38 anos que é, também, Secretário de Estado da Justiça.



É verdade que o novo porta-voz tem bom aspecto mas isso é capaz de não chegar. A sua dicção é deficiente e parece não ter o jogo de cintura, a graça e espontaneidade obrigatórias para quem desempenha funções deste tipo e que tem que lidar diariamente com repórteres chatos e, por vezes, incómodos.



Vamos esperar para ver se esta aposta de José Sócrates na renovação do partido não passa de uma efémera lufada de ar fresco.



Mas, considerandos à parte, Tiago Silveira é uma figura que tem tudo para ser facilmente caricaturado. Tenho a certeza que o Ricardo Araújo Pereira não tarda em aparecer por aí com mais um “boneco” engraçadíssimo.




quinta-feira, junho 25, 2009

História mal contada

Soube-se ontem que a Portugal Telecom pretendia comprar 30% da Media Capital (que controla a TVI que, por sua vez, não pára de afrontar o Governo e José Sócrates).

Convém, porém, esclarecer os que não estejam tão à-vontade com o assunto, que o Estado (que tem um governo liderado justamente por José Sócrates) tem uma pequena participação accionista na PT.

Pequena – apenas 500 acções – mas que, apesar de diminuta, faz toda a diferença. É que essas poucas acções, chamadas da categoria A, também conhecidas por “golden share", conferem ao Estado o poder de eleger um terço do número total de administradores, incluindo o presidente. Mas não só. Permitem, ainda, ao Governo vetar alterações de estatutos, aumentos de capital ou emissão de obrigações e outros títulos de crédito e ter direitos especiais na definição da estratégia e políticas para a empresa na definição de compra e venda de empresas.

Com estes poderes todos cabe na cabeça de alguém que o Governo não foi informado pela Administração da PT da intenção de compra? Ninguém acredita, pois não?

Bem pode José Sócrates jurar que desconhecia a eventual aquisição. Pode até dizer o Estado não se mete em negócios de privados, mas a verdade é que toda a gente é levada a pensar que ali “anda mão do governo” para fazer calar uma voz incómoda.

A não ser que, com tanta suspeita, o negócio tenha morrido já.

Afinal, cordeiro ou lobo?

No debate de ontem na Assembleia da República viram, por acaso, um cordeirinho que dá pelo nome de José Sócrates (o tal que, dizem, mudou de estilo)?

Eu que assisti a toda a sessão, só consegui ver um Primeiro-Ministro todo empertigado e de dedo no ar, ao jeito que lhe conhecemos há muito.

Onde é que está a tal mudança?

Como diz o provérbio “O que o berço dá, a tumba leva”

quarta-feira, junho 24, 2009

Contraditório

Quando, no mesmo dia, se dá de caras nos jornais com duas notícias cujos títulos indicam

- Associações de Pais fazem balanço positivo de ano lectivo, e

- Sindicatos fazem balanço muito negativo do ano lectivo

o que é que somos levados a pensar?

Tanto mais que este "ano lectivo", o de 2008/2009, é o mesmíssimo que tem provocado tanta confusão e polémica.

Resta saber o que acham os professores. Mas aí, o meu dedinho adivinhador segreda-me que já sabe a resposta

segunda-feira, junho 22, 2009

É um escândalo!

Antes de mais devo dizer que tenho uma grande admiração quer pelo economista quer pelo homem. Há muitos anos que respeito Silva Lopes e foi, exactamente por isso que, quando recebi o mail com o título desta crónica e com o que mais lá vinha escrito, antes de desatar a escrever a minha indignação, procurei informar-me sobre o que havia de verdade nesta mal-amanhada lixeira.

E fui encontrar esse esclarecimento ao lugar exacto onde constava que o Dr. Silva Lopes era o novo Administrador da EDP Renováveis, no próprio sítio da empresa na net.

Aos 77 anos, o licenciado em finanças pelo ISCEF José Silva Lopes, ex-Administrador da Caixa Geral de Depósitos, ex-Director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Finanças, ex-Ministro das Finanças, ex-Ministro do Comércio Externo, ex-Governador do Banco de Portugal e ex-Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral (de onde saiu, ao que consta, com uma indemnização de quatrocentos mil euros), está finalmente na situação de reforma mas devidamente aconchegado por diversas pensões de reforma que acumula. Contudo, descansou por pouco tempo. A EDP Renováveis foi-o buscar e vai, por certo, pagar-lhe mais uns generosos milhares de euros.

Não é a sua competência que está em causa, claro. Mas, para quem tem publicamente assumido a posição que deveria haver uma maior moralização da sociedade, uma melhor distribuição de riqueza e, inclusive, uma redução dos salários mais elevados, esta contratação não deixa de ser estranha, no mínimo.

E, confesso, de Silva Lopes esperava outra atitude. Nunca pensei que, logo ele, se deixasse enlear nesta teia de ex-políticos que vão assumindo, sucessivamente e sem pudores, tachos atrás de tachos.

domingo, junho 21, 2009

Lobo ou cordeiro?

Era inevitável abordar aqui o tema da suposta mudança de estilo do Primeiro-Ministro José Sócrates, verificada após a derrota das recentes eleições europeias.

“Partidarites” à parte, o que julgo mais interessante questionar é o que de facto terá mudado, se é que alguma coisa mudou. E até agora não consegui perceber qualquer alteração nem de estilo nem sequer, e principalmente, de substância no discurso de Sócrates.

A entrevista que concedeu à SIC Notícias não é suficiente para conseguirmos vislumbrar um novo José Sócrates. Aliás, deixa-nos um tanto ou quanto “abazurdidos” como é que ele que até tinha estado de tarde no Parlamento em acesa discussão com a oposição, num debate que venceu (é o que dizem os analistas), enérgico e acusador tal como sempre o conhecemos, conseguiu umas horas depois, transfigurar-se num ser delicado e doce onde só faltou vermos a auréola por cima da sua cabeça.

Não se iludam, porém, nem vão atrás das frases sempre inspiradas de Paulo Portas que dá a entender que o “animal feroz” se transformou em “português suave”, nem na professoral afirmação de Francisco Louçã “quem tem duas caras não tem cara nenhuma”.

Aquilo a que assistimos na SIC foi a uma entrevista mole, feita por uma jornalista branda, sussurrante e sem chama, tudo num cenário harmonioso e calmo e onde as provocações ficaram à porta do estúdio.

Assim sendo, Sócrates foi igualmente calmo, bem-educado e bem longe do tal “animal feroz” que dizem ser. Isso aconteceria sem dúvida se a entrevista tivesse sido conduzida por Judite de Sousa ou por Ricardo Costa. Aí sim, as chispas teriam saltado e por certo não teríamos tido a oportunidade de ver a tal auréola por cima da cabeça do Primeiro-Ministro.

De resto, penso que só os ingénuos acreditariam que a poucos meses de eleições, qualquer governante cometeria o suicídio de se sujeitar a uma metamorfose. Não há tempo para isso e as pessoas não veriam com bons olhos que, de repente, depois de uma derrota eleitoral e próximo de mais duas eleições importantes, alguém se desse ao trabalho de tentar passar por aquilo que não é.

E depois, com toda a franqueza, para que é que serve uma eventual mudança de estilo de Sócrates se as suas políticas, ao que parece, não irão ser alteradas? Afinal, em breve iremos votar em políticas (em programas) e não em personalidades. Ou não será?

quinta-feira, junho 18, 2009

Coisas que me irritam

Mesmo para pessoas que, como eu, tenham um feitio relativamente acessível (um pouco de prosápia também não é assim grande pecado), existem coisas que não conseguimos aceitar.

Por exemplo, o caso das famílias numerosas que - só porque têm o (péssimo) hábito de tomar banho todos os dias e gastam, naturalmente, muito mais água com esses banhos e com as montanhas de roupa que têm que lavar - são taxados no escalão mais alto de consumo de água. São considerados perdulários, da mesma forma que uma pessoa que vive só e leva duas horas no duche com a água sempre a correr.

Então, não deveria ser tomado em consideração o número de pessoas que habitam num agregado? Uma espécie de rendimento per capita do consumo de água. Fazia todo o sentido, não acham?


Da mesma forma fico irritado com a lei que impõe aos cidadãos que paguem uma “taxa audiovisual” para financiar a rádio e a televisão pública, uma taxa camuflada a lembrar umas outras que pagámos noutros tempos, respeitantes à rádio e à televisão.

Eu que não utilizo o rádio em casa ou no carro mas que se, porventura, me dá na gana, faço-o através da internet. Eu que pago televisão por cabo para ter acesso a uma série de canais, entre eles, os públicos, porque razão tenho que pagar serviços que não utilizo?

E, a cereja em cima do bolo, alguém me explica a razão porque é que as escadas dos prédios, simples lugares de passagem (e a maior parte das vezes nem isso porque os elevadores dão um jeito enorme) são obrigadas também a pagar a dita taxa?


Lá está, são coisas que me irritam!



quarta-feira, junho 17, 2009

A importância das coisas


Se pensarmos bem, tudo na vida é relativo.

Mas há limites. Se não acho mal que uma placa toponímica, por exemplo a da Avenida Fontes Pereira de Melo, seja toda ela escrita com o mesmo tipo de letra (e do mesmo tamanho) e se admito que, a mesma placa, possa indicar Avenida FONTES PEREIRA DE MELO (com maior destaque para o nome e menor para o arruamento), já me custa muito aceitar que na indicação inscrita se leia AVENIDA Fontes Pereira de Melo, onde, nitidamente, o que sobressai é a “AVENIDA”.

Acreditem que não é por nada em especial, mas não me parece lá muito bem que o objecto (o nome, a pessoa, a data) a homenagear seja menorizado (com uma letra de menor tamanho ou com relevo inferior) em relação ao tipo de arruamento (praça, azinhaga, rua, avenida, etc.).

Mas foi o que encontrei em algumas das artérias de uma cidade algarvia.

Vejam só













Acham isto normal?












terça-feira, junho 16, 2009

Não, eu não bebo …

Que anúncio é este que passa insistentemente nas nossas televisões?






“Não sejas ovelha. Bebe B! Groselha”?

Eu acho que também poderia ser “Não sejas bébé, bebe capilé”

Ou, talvez, “Não teças o linho, bebe antes vinho”.


Amigo Porcos no Espaço, tu que és especialista nestas matérias, podes ajudar-nos a explicar o que é que se passa?


segunda-feira, junho 15, 2009

A notícia da semana

Mais do que se ter especulado sobre os resultados das eleições europeias e mais do que se ter falado das marchas populares de Lisboa e das noivas de Santo António, a “notícia da semana”, aqui e em todo o mundo, foi a transferência milionária de Cristiano Ronaldo do Manchester para o Real Madrid.

Noventa e quatro milhões de euros foi o que os espanhóis pagaram aos ingleses para poderem contar com o português maravilha na sua equipa, com o qual - e com uns quantos mais que vão custar outros tantos milhões - pensam voltar à ribalta do ponta pé na bola.

Mas não pensem que o facto me preocupa por aí além. Pouco me incomoda saber qual foi o valor da transacção, tão-pouco que o Ronaldo vai ganhar qualquer coisa como 25 mil euros por dia nos presumíveis 6 anos de contrato. Concordo com o que dizia o “number one”, José Mourinho, “se quem compra está satisfeito, se quem vende está satisfeito e se o jogador está satisfeito, eu também estou satisfeito”.

Afinal, tratou-se de um negócio - de muitos milhões é certo - mas apenas de um negócio que, numa época de grande crise económica e financeira, veio demonstrar que ainda existe a tal dose de confiança que muitos diziam andar arredada. E a dois níveis. Primeiro, porque o Real acredita em absoluto que o retorno do investimento são favas contadas. O segundo, porque a banca (a mesma que restringe o crédito a empresas e a particulares) confia plenamente no clube madrileno, apesar de ele ter um passivo de 500 milhões de euros.

Porém, para quem ficou escandalizado com as cifras a que esta transacção chegou e, nomeadamente pelos 25 mil que o Cristiano vai ganhar por dia (dez milhões de euros por ano mais coisa menos coisa), convém recordar que outros desportistas, de outras áreas, recebem anualmente bem mais do que o CR7. Por exemplo, Tiger Woods, no golfe (cem milhões/ano), Oscar de La Hoya, no boxe (43), Federer e Nadal, no ténis (mais de 30) e por aí adiante.

O que não descansa as nossas consciências, admito. Sabe-se que o futebol é um negócio que movimenta milhões e que, como disse alguém, “é um produto fantástico que dá às pessoas aquilo que elas querem – emoções”. Mesmo assim, somos levados a pensar se faz algum sentido pagar a estes desportistas de elite todo este dinheiro, enquanto que o mundo se vê a braços com um desemprego que não pára de subir e famílias, empresas e até os países continuam a lutar para sobreviverem?

segunda-feira, junho 08, 2009

E depois vão queixar-se de quê?

Confesso que ainda acalentei a esperança, ainda que ténue, de que mais pessoas fossem votar ontem. Não me perguntem porquê. O mais certo é ter sido por pura ingenuidade mas admito que cheguei a pensar que os apelos do Presidente da República e dos principais líderes partidários pudessem “comover” os eleitores de que esta eleição tinha uma importância fulcral para as nossas vidinhas cá do burgo, porque a verdade é que é lá longe que quase tudo se decide.

Mas não, a rapaziada acordou tarde, um bocado molenga, comeu uma feijoadazita acompanhada com um tinto a condizer e, depois, não esteve para se deslocar até à assembleia de voto para depositar a papeleta na urna. Apre! Ainda por cima numa caixa cujo nome não augura nada de bom.

E ainda houve os outros que meteram uns dias de férias para irem a banhos ao Allgarve ou para viajarem até à santa terrinha.

E vai daí, só 36,5 % dos eleitores inscritos foram votar. Quer dizer, mais de 60% baldaram-se à sua obrigação, ao seu dever cívico e deixaram aos outros a tarefa de decidirem quem é que queriam ver em Bruxelas. E depois queixem-se que os que lá estão (independentemente da cor partidária), não zelam pelos seus interesses.

Antes fizessem como eu, que fui votar. Exprimissem a sua vontade, manifestassem o seu querer, ainda que ele se pudesse traduzir num voto branco ou nulo. Mas abster-se, francamente.

Nestas eleições, uns ganharam e outros perderam (contrariando o que sempre acontece, que ganham todos) mas quem de facto perdeu foi o regime democrático que, com 35 anos, já merecia um outro tipo de comportamento dos cidadãos.

Dirão que nos outros países da União Europeia aconteceu o mesmo. É verdade mas, ainda assim, conseguimos ter uma maior abstenção que a média comunitária que se cifrou em 43,4% contra os nossos 63,5%.

Mesmo não gostando dos políticos (ou não confiando neles), ou por causa disso mesmo, o voto é a melhor forma de expressarmos a nossa vontade. Se não o fizermos, mais tarde queixar-nos-emos de quê?

domingo, junho 07, 2009

E as férias deste ano estão já planeadas?

As notícias más não param de chegar, cada uma pior do que a anterior e quase todas a anunciar que a crise ataca sem dó nem piedade.

Soube-se, há pouco, o resultado de um inquérito efectuado pela Comissão Europeia que diz que os portugueses são dos europeus que menos planeiam fazer férias este ano e que mais de um terço já decidiu ficar em casa.

Eu que não tenho muito jeito para os números, pus-me a fazer contas e, se não errei no “e vai um”, um terço dos “portugas” ainda são qualquer coisa como três milhões de pessoas. Um pouco mais, na verdade.

Ou seja, três milhões de portugueses vão ficar de férias em casa por opção ou por dificuldades económicas.

Contudo, os outros dois terços, com maiores ou menores disponibilidades, ainda conseguem “ir vivendo”. Foi exactamente isso que constatei na semana em que andei a vaguear por aí. Os restaurantes e marisqueiras mais conhecidos estavam à cunha e os hotéis tinham uma taxa de ocupação bastante confortável.

E ainda bem, digo eu, porque se assim não fosse, eram mais umas quantas empresas a fechar as suas portas e uns milhares de trabalhadores a irem bater à porta dos Centros de Emprego.

quinta-feira, junho 04, 2009

Ficção ou utopia?

Contaram-me a história como verdadeira mas para o caso tanto faz. O cenário é o de uma pequena vila e estância de veraneio algures em França onde chove e nada de especial acontece. Aliás, uma história que bem podia passar-se no nosso país.

Lá nessa vila (como cá no nosso cantinho) a crise estava a sentir-se fortemente e toda a gente devia a toda a gente.

Subitamente, um rico turista russo entra no átrio do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 € sobre o balcão, pede a chave de um quarto e sobe ao 3º andar para ver o aposento, na condição de desistir se lhe não agradasse.

O dono do hotel pega na nota de 100€ e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100€; o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100€ que devia há algum tempo; este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os 100€ a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100€ e corre ao hotel onde devia 100€ pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes. Neste momento o russo abastado desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100€. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve nestes movimentos de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido. Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes habitantes da pequena vila costeira encaram agora o futuro cheios de optimismo.

Não, a história não é, de facto, verdadeira. Mas já pensaram como seria bom que em Portugal acontecesse uma coisa deste género? O Estado a pagar a tempo e horas aos seus fornecedores, estes a pagar aos seus empregados, ao Fisco e à Segurança Social, os trabalhadores com os salários em dia a consumir mais, as empresas já com liquidez a investir com determinação e assim por diante.

O dinheiro apenas a circular e a dinamizar a economia.

Seria ficção ou utopia?

quarta-feira, junho 03, 2009

Num Dia de Verão

Diz a Wikipédia que “Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa. Foi um poeta ligado à natureza ...".

Segundo alguns “pessoanos”, “Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos” que só se importa ver de forma objectiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza”.

Então, de Alberto Caeiro,

“Num Dia de Verão”

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa

E espreita para o calor dos campos com a cara toda,

Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa

Na cara dos meus sentidos,

E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber

Não sei bem como nem o quê...

________

Mas quem me mandou a mim querer perceber?

Quem me disse que havia que perceber?

____________

Quando o Verão me passa pela cara

A mão leve e quente da sua brisa,

Só tenho que sentir agrado porque é brisa

Ou que sentir desagrado porque é quente,

E de qualquer maneira que eu o sinta,

Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Um outro tipo de vítima

Já aqui escrevi diversas vezes sobre violência doméstica. Violência sobre mulheres, idosos, crianças, pais. E sobre as diversas formas de violência - física, coacção, injúrias e agressões de todo o tipo.

Mas nunca aconteceu escrever acerca da violência sobre os homens. Porque esse tipo de crime não existia ainda? Não, apenas porque não é tão vulgar falar-se em agressões domésticas quando o homem veste a pele da vítima.

Pertencer-se ao denominado “sexo forte”, ter em geral maior força física e, não menos importante, passar pela vergonha de ser exactamente o “macho” a sofrer a ignomínia dos maus tratos era, até há pouco, impensável.

Mas deixou de ser. Só em 2008 mais de seis mil homens denunciaram às autoridades casos de violência doméstica e 600 recorreram à APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Dir-se-á que, apesar de tudo, são as mulheres que continuam a ser as mais atingidas por este flagelo. É um facto. O que não significa, porém, que fiquemos indiferentes ao que se passa noutros grupos onde idênticos problemas se registam.

E se é verdade que nos homens as agressões apresentam vestígios físicos de menor exposição, por outro lado as sequelas motivadas pela violência psicológica são extraordinariamente mais difíceis de ultrapassar. E quase sempre impossíveis de provar quando exista queixa.

Mesmo assim, os casos conhecidos de homens molestados pelas mulheres e companheiras mas também por outros familiares, nomeadamente filhos, não param de aumentar de ano para ano.

Fala-se, então e finalmente, de um outro tipo de vítima – o homem – que passou a constar do grupo de risco sujeito a violência doméstica.


terça-feira, junho 02, 2009

Todos de parabéns!

Já que na quinta-feira passada vos recordei que neste último fim-de-semana se ia realizar a primeira recolha de alimentos deste ano promovida pelo Banco Alimentar Contra a Fome, nada mais natural do que dizer-vos agora quais os resultados obtidos.

Pois nesta 35ª campanha, os 15 Bancos Alimentares Contra a Fome existentes no país recolheram um total de 1.935 toneladas de géneros alimentares, ou seja, mais 18% do que o conseguido na campanha de Maio do ano passado.

Numa altura de profunda crise económica, os portugueses voltaram a fazer prova da sua tradicional solidariedade. Mesmo com as enormes dificuldades com que as famílias se debatem, ainda assim, o povo português soube ter o tal “pequeno gesto” que vai fazer toda a diferença.
Com esta generosidade será possível distribuir, já esta semana, géneros alimentares a mais de 1 600 Instituições de Solidariedade Social que os irá entregar a cerca de 250 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confeccionadas.

Estamos, pois, todos de parabéns. Uma vez mais.

domingo, maio 31, 2009

Os Barões e o Justiceiro

Para aqueles que andam distraídos com o que se passa na justiça (mesmo para os que vociferam a sua indignação contra uma justiça lenta, cara e para poderosos) e para os que ainda não compreenderam o que está verdadeiramente por detrás das numerosas guerras que o Bastonário da Ordem dos Advogados – Marinho Pinto – vem travando com os diversos intervenientes no sector, deixo-vos com a transcrição de um artigo do jornalista João Garcia, a quem cumprimento, publicado no Expresso de 23 de Maio, intitulado “Os Barões e o Justiceiro”.


“A vida dos advogados mudou. Os senhores de elegantes fatos às riscas, que entravam nos tribunais com óculos de armação em ouro, de brilhantes pastas de cabedal castanho e beca dobrada sobre o braço direito foram substituídos por jovens clientes de pronto-a-vestir barato e mochila de lona às costas. Os primeiros ainda existem, talvez até estejam mais ricos e poderosos, mas contam cada vez menos no universo da profissão; os segundos são cada vez mais.
A advocacia deixou de ser, para a maioria, uma profissão liberal. Hoje, os advogados são, em regra, trabalhadores dependentes (mal) pagos a recibos verdes.
Não é de estranhar, portanto, que o Bastonário dos Advogados tenha deixado de ser um sócio fundador de uma das grandes sociedades e tenha passado a ser o candidato dos “sem-terra” da profissão – sem poder nos escritórios, mas com valioso voto na Ordem.
Passa por aqui a guerra que está instalada: o justiceiro Marinho tem pela frente os barões da advocacia”.


Goste-se, ou não, do jeito como Marinho Pinto efectua as suas intervenções, a verdade é que muita gente se reconhece nas acusações do Bastonário.

Pode condenar-se a forma mas não, seguramente, o conteúdo.

A frontalidade e a clareza (polémicas quase sempre) e a coragem como denuncia situações, órgãos e cargos fazem-nos acreditar que ainda há esperança de, um dia, virmos a ter uma justiça justa, servida por pessoas sérias. A bem dos cidadãos.

quinta-feira, maio 28, 2009