sexta-feira, setembro 18, 2009

O “truca-truca”


Ainda embalado pela ironia do poema que publiquei no último post, achei que seria bom acabar esta semana bloguística com um registo de humor refinado, inteligente e, neste caso, espontâneo.

Vou recordar uma história verídica.

Em Março de 1982, o Deputado do CDS João Morgado, defendia durante um debate parlamentar sobre a despenalização do aborto até às 12 semanas o seguinte:


“a posição que defendo em relação ao aborto é exactamente igual à posição da Igreja Católica que proíbe o aborto porque entende que quando se pratica o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho …”


Natália Correia, poetisa, intelectual, activista social e mulher inteligente, então Deputada do PSD, espantada com o que tinha ouvido, debruçou-se sobre a bancada e, logo ali no hemiciclo, tratou de escrever um poema que ficou célebre:


O acto sexual é para ter filhos – disse ele

já que o coito – diz Morgado –

tem como fim cristalino,

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.


Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! –

uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção

ficou capado o Morgado.


quinta-feira, setembro 17, 2009

Poeminha de Louvor ao “Strip-tease” Secular

De Millôr Fernandes

Poeminha de Louvor ao "Strip-tease" Secular


Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Os eternamente insatisfeitos

No último fim-de-semana assisti à inauguração de uma escola no Distrito de Santarém.


A obra, um conjunto de 3 edifícios localizados em diferentes freguesias do Concelho de Rio Maior, constitui um bom exemplo daquilo que se pode fazer quando a vontade de servir dos autarcas (independentemente dos partidos a que pertencem) e o interesse das comunidades é maior do que a politiquice palerma que tantas vezes se vê por aí.


Como se pode perceber na fotografia, tudo aquilo estava um mimo. As cores são alegres e o equipamento didáctico e de lazer são em quantidade e qualidade. Um regalo para o olhar e certamente um prazer para as crianças que os vão usufruir.


Ainda por cima, este conjunto de infra-estruturas levou mês e meio para fazer o projecto e recorrer a fundos comunitários e à Banca e sete meses apenas para executar. Tudo dentro do maior rigor técnico, onde nem sequer houve derrapagens orçamentais. Nem um dia nem um cêntimo a mais do que estava previsto.


Mais do que o suficiente para que os presentes estivessem satisfeitos e orgulhosos, certo?


Não, errado! Pois consegui descobrir entre a multidão alguém que estava indignado porque os cabides para as roupas das crianças estavam, na sua opinião, colocados um bocadinho mais alto do que a estatura média de miúdos de cinco ou seis anos.


É a velha mania de não valorizarmos devidamente aquilo que é bom e é bem feito e de salientarmos pela negativa uma coisinha que se consegue “inventar”, por mais insignificante que seja, só porque …eu sei lá, só porque sim.


Se eu vivesse em Rio Maior teria ficado vaidoso com o conforto e as condições duma escolinha como aquela. Só que, desgraçadamente, há gente que prefere valorizar o que está menos bem (e que é susceptível de ser melhorado) e de desprezar as capacidades de realização e tudo aquilo que serve (bem) o bem comum.


Feitios, como diria o outro.

terça-feira, setembro 15, 2009

Ricardo Araújo Pereira entrevista José Sócrates


Pela oportunidade, pelo bom humor e porque em Portugal é, provavelmente, a primeira vez que um Primeiro-Ministro se expõe num programa deste tipo, faço questão de passar dois trechos deste encontro improvável.


José Sócrates esteve muito bem e Ricardo Araújo Pereira foi excelente. Uma engraçadíssima entrevista onde também se falou de coisas sérias.





segunda-feira, setembro 14, 2009

Voyeurismo político


Terminaram os debates entre os líderes dos maiores partidos concorrentes às legislativas do próximo dia 27. Foram dissipadas algumas dúvidas que ainda nos inquietavam mas mantêm-se as imensas incógnitas sobre quem vai vencer as eleições e a forma como o país vai ser governado a partir daí.


Enquanto continuamos a reflectir, achei que seria interessante assistir a uns momentos de descontracção verificada antes do debate entre José Sócrates e Francisco Louçã.


Um voyeurismo político, se quiserem.



domingo, setembro 13, 2009

História de como ela gostava tanto de caramelos ou “contra os espanhóis, marchar, marchar”


Apesar de ter nascido em berço de ouro, desde cedo Manuela deixou-se encantar com as viagens que fazia com a família a Badajoz para comprar caramelos. Ir ao estrangeiro nesse tempo, nem que fosse só para estar do outro lado da fronteira e ter mais uns carimbos no passaporte não era coisa pouca. Espanha e os espanhóis, apesar das dificuldades que eles atravessavam nessa época, eram uma atracção.


Manuela cresceu. Durante os estudos soube que uma corajosa padeira desancou à pazada os castelhanos em Aljubarrota. Tomou-a como exemplo e decidiu ser como a Brites de Almeida – a partir dali caramelos e espanhóis nunca mais.


Mais crescida ainda foi política e, sabe-se lá como (por acaso eu sei) um dia foi administradora de uma instituição espanhola que, não vendendo caramelos, vendia aquilo com que se compram os mesmos. A vida tem destas coisas.


Arrependida de ter arrepiado caminho, jurou que voltaria a perseguir os estrangeiros. Vociferou contra os cabo-verdianos e ucranianos e, só para disfarçar, chegou a fazer acordos (ela fez mesmo acordos e não “acórdos”) com os espanhóis para levarem a cabo uma coisa a que chamavam TGV, uma espécie de carros eléctricos mas que andam muito depressa e que, provavelmente, trariam os caramelos para Portugal num piscar de olhos.


Nessa altura, já pessoa importante e até Ministra das Finanças do país, afirmou que esse tal TGV era decisivo e importante para Portugal. Na célebre cimeira luso-espanhola que se realizou na Figueira da Foz ficou decidido que o TGV teria a construção de quatro linhas, tanto mais que esse projecto iria estimular a economia em 1,7 por cento do PIB (eu não sabia bem o que era isso mas o meu vizinho do lado, que é caixa num banco, explicou-me que esse PIB tinha qualquer coisa a ver com a riqueza produzida, ou lá que é).


Vejam bem as voltas que a vida dá. Ela não gostava dos espanhóis mas fez-me amiguinha deles só porque é gulosa e porque queria que os caramelos viessem a ser vendidos (rapidamente) em Portugal.


Mas arrependeu-se, fez birra, zangou-se mesmo. Ontem, ouvi a Senhora Doutora Manuela dizer na televisão que já não quer o raio do TGV e que se está nas tintas para os espanhóis. Só não falou nos caramelos.


Desconfio que anda a fazer dieta.


sexta-feira, setembro 11, 2009

As lavagens



Mesmo sem ligar demasiado a alarmismos e pânicos doentios, a verdade é que a gripe A (ou Suína como continuam a chamar-lhe em muitos países), à velocidade que se tem propagado, prepara-se para atacar cada vez com mais intensidade. E o Outono e o Inverno que se aproximam, supostamente com temperaturas mais baixas, vão ajudar à festa.


Embora se saiba que existe uma encenação apocalíptica sobre as consequências provocadas pela doença - levada a cabo pelas grandes farmacêuticas para sacarem enormíssimos lucros - ainda assim, penso que a maioria da população se sente um pouco mais confortável ao ouvir o Governo falar em todo o rol de medidas que estão pensadas para travar a epidemia, todos os planos de contingência, todos os avisos e todas as precauções nas empresas, nas escolas, na administração pública e até nas equipas de futebol.


Em nome da prevenção, devem-se evitar os contactos sociais (mormente os apertos de mão e os beijinhos) e fugir dos locais com muita gente. A recomendação principal, no entanto, vai para a lavagem das mãozinhas sempre que possível. Lavagem, aliás, é uma das palavras mais pronunciadas actualmente.


Mas, pensem bem, e quanto ao dinheiro, ao seu manuseamento, o que devemos fazer? Querem coisa mais nojenta e que passa de mão em mão?


Solução: Lavar o dinheiro? Não, não se precipitem. É que, perante a lei, a lavagem de dinheiro é crime.


Ou será que estamos a falar de lavagens diferentes?

quinta-feira, setembro 10, 2009

Sempre fica a dúvida


Há uns anos, orientava uma acção de formação destinada a recém-admitidos numa empresa financeira. Como é costume nestas coisas, quis saber quem eram, de onde vinham e qual a formação académica de cada um. Maioritariamente eram jovens licenciados em Gestão, Economia, Direito e Informática, mas uma das formandas era licenciada em … Inseminação Animal.


Recordo que senti algum espanto em constatar que alguém tão preparado em matéria tão específica fosse trabalhar numa área que, em princípio, nada tinha a ver com aquilo para que tinha estudado.



Pois na semana passada li nos jornais um anúncio de emprego do Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional (IFDR), que tem a seu cargo a aplicação dos fundos europeus FEDER e Fundo de Coesão. E, como requisito, exigia-se formação superior em Economia ou Gestão mas também em … História ou Antropologia.


Afinal, então como agora, sempre existe a possibilidade de se poderem “encaixar” outros saberes em funções que, presumivelmente, apenas estariam reservadas aos especialistas em (neste caso) Economia e Gestão.


Mesmo sem ser desconfiado, tanta “generosidade” coloca-me algumas dúvidas. Se há montanhas de desempregados licenciados em Gestão e Economia porque carga de água é que o anúncio abre a porta a outras aptidões que pareceriam ser melhor direccionadas para outros misteres? Ou será que havia alguém a quem fora prometido o lugar mas que era formado em História ou Antropologia?


quarta-feira, setembro 09, 2009

Logo agora que os miúdos começaram a aprender inglês …



Recuperada da gripe (sazonal) que a afectou aquando da festa do PSD no Chão da Lagoa, Manuela Ferreira Leite decidiu fazer campanha na Madeira e acompanhada pelo seu anfitrião, Alberto João Jardim, passeou-se pelo Funchal num carro oficial do Governo Regional.


Quando alguns jornalistas “picaram” Alberto João chamando a atenção para o facto de que a “boleia” paga pelos contribuintes não combinava lá muito bem com quem tanto se intitula como o arauto da verdade e da transparência, sabem o que o Sr. Presidente respondeu? Sabem, sabem?


Desbocado como sempre, Alberto João, disse com ar altaneiro:



“Fuck Them”



Nem mais.



E é para isto que o Governo do PS achou importante que os miúdos do ensino básico começassem a aprender inglês?

terça-feira, setembro 08, 2009

Em busca das moiras encantadas

O calor intenso que se fazia sentir por volta das quatro da tarde não convidava a visita ao Castelo de Silves. A rua de empedrado irregular sempre a subir mais sugeria que me acolhesse à sombra acolhedora de uma esplanada. Mas um sexto sentido empurrava-me para cima com a esperança de encontrar, quem sabe, alguma misteriosa moira encantada.


O meu primeiro encontro, porém, logo à entrada do castelo, foi com a estátua imponente de D. Sancho, segundo rei de Portugal, também conhecido como “O Povoador”, que em 1189 conquistou Silves aos mouros. Dizem os locais que a estátua que em tempos “morou” dentro do castelo foi colocada depois junto à entrada principal “por ele não pagar a renda”. Coisas do povo.


Enquanto admirava a figura altaneira de D. Sancho passaram por mim umas quantas pessoas. Deu para perceber que não eram turistas, tanto mais que usavam roupas com alguma formalidade e os saltos dos sapatos das senhoras, tão altos e tão finos, eram os menos indicados para pisarem aquele tipo de calçada.


Apesar de ao longo dos últimos quatro anos ter passado demasiado despercebido, reconheci imediatamente quem liderava o grupo, o Ministro do Ambiente Nunes Correia. Acalorados, dirigiram-se para a sombra de uns providenciais chapéus-de-sol ali “plantados” para cobrir umas quantas dúzias de cadeiras, um palanque de onde iriam ser proferidos uns discursos e uma mesa com o inevitável beberete, onde se viam vários tipos de bebidas e os imprescindíveis croquetes e similares.


Fiquei ainda um pouco junto dos pacientes motoristas dos carros oficiais, para tentar perceber o que se iria passar ali. Foi assim que ouvi parte do discurso inicial, dito pela senhora Presidente da Câmara Municipal. Primeiro foram as saudações às entidades presentes (que eram tão escassas que as tais dúzias de cadeiras foram ocupadas pela metade), logo seguidas de um palavreado mal dito, chato e longo. Apercebi-me que a cerimónia tinha alguma coisa a ver com o Programa Polis, o tal que foi tão criticado quando o inventaram mas a que todas as autarquias estendem a mão para dele poderem receber o dinheiro que lhes permitam modernizar e embelezar as suas terras.


Foi quando, entre um bocejo discreto e um limpar de rosto, uma brisa ténue me envolveu suavemente. Voltei as costas àquela plateia e dirigi-me de novo ao castelo. Enquanto subia, jurei que um dia que fosse ministro iria dispensar de bom grado aquele tipo de encenações e empadinhas. Passei por D. Sancho I, entrei no castelo e fui em busca das moiras encantadas.


segunda-feira, setembro 07, 2009

Fui eu!


Movido pelos remorsos que não paravam de me inquietar e, porque não dizê-lo, pela incompetência da Polícia Judiciária que, até ao momento, não arranjou um único culpado credível, resolvi dar a cara para vos dizer que FUI EU que estive por detrás do afastamento da Manuela Moura Guedes.


Ao confessar a minha culpa quero pedir-vos desculpa pelo tempo que gastaram a fazer conjecturas sobre quem poderia estar por detrás da tramóia, supostamente o Primeiro-Ministro, o Governo ou, eventualmente, alguém do Partido Socialista. Tanto mais que em vésperas de eleições, dava um jeito do caneco que o PS e o seu líder fossem os maus da fita.


A verdade, porém, é que o fim do Jornal Nacional da TVI e (presumo) da Manuela Moura Guedes, teve o meu dedinho. Errou redondamente quem mostrou tanta convicção de que os culpados eram José Sócrates, o Governo, o PS, Zapatero e o PSOE, a Prisa e o diabo a sete. Lamento ter desiludido o Dr. Pacheco Pereira e o Dr. Paulo Portas, os analistas e politólogos encartados e os responsáveis de partidos políticos que afirmaram categoricamente que este “saneamento” tinha sido uma jogada do Partido Socialista para calar uma boca desbocada, perdão, a voz incómoda de Manuela Moura Guedes.


Mas meus amigos, alguém terá dado crédito a tamanha possibilidade? Certamente que ninguém em seu perfeito juízo poderia acreditar em tão grande burrice do PS ou dos seus acólitos (por certo que haverá por lá uns tantos que deixam muito a desejar mas daí a serem todos tolinhos vai uma grande distância). Mesmo assim, a pulga terá ficado atrás de muita orelha. Por isso e para que se acabe de vez com as especulações, aqui estou a confessar que o verdadeiro culpado fui eu!


Arrependido? Nem por isso. Aquele jornal da Manuela mexia-me com os nervos. Não gostava do conteúdo, do estilo, do sensacionalismo e da demagogia de tudo aquilo. Acho que foi um belo serviço público que prestei ao país. E quanto à alegada “asfixia democrática”, tretas meus amigos, já vimos esse filme quando o Santana Lopes mandou afastar o Professor Marcelo e a democracia e a liberdade de imprensa não sofreram beliscaduras.


A campanha eleitoral em curso poderá servir-se desse (mau) argumento, mas o que os cidadãos querem realmente saber é o que é que os candidatos dos diversos partidos se propõem fazer por nós e pelo país. Mesmo tendo em conta todas as “asfixias” e o desconto que lhes devemos dar …



sexta-feira, setembro 04, 2009

Questão cultural?


O Algarve é das regiões onde nos meses de Verão o comércio se anima extraordinariamente e quase morre nos restantes. Sempre me lembro de ouvir dizer que os algarvios trabalhavam três meses no ano e descansavam nos demais. E a verdade é que ao longo dos anos fui conhecendo algumas pessoas que “se enchiam” em Julho, Agosto e Setembro e gozavam dos rendimentos até chegar a próxima época estival.


Tirando os exageros, até se percebe que o trabalho seja maior nestes meses, que se invista num esforço acrescido quando a população aumenta exponencialmente, que se tire, enfim, maior partido dessa situação e se repouse quando o alvoroço acaba.


É por isso que não entendo porque é que os vendedores de Bolas de Berlim – que não acabaram como muitos diziam ou quando a ASAE (parece que) pretendia – que toda a santa semana palmilham os areais a vender aquelas pequenas maravilhas a que poucos resistem, desaparecem, pura e simplesmente, aos domingos.


Eu sei que há direitos sagrados dos trabalhadores e que um deles é o de folgarem uma vez por semana mas, caramba, estamos a falar de três meses (no máximo) de um esforço suplementar. Será que alguém ficaria prejudicado por trabalhar um pouco mais nesta época? Tenho a certeza que nem os donos das fábricas e pastelarias que as fabricam, nem os empregados que vendem as Bolas se queixariam por mais umas horas extras. “Penso eu de que …”, como diria o boneco do Contra-Informação.


Tanto mais que constatei que nesses mesmos domingos em que não havia Bolas de Berlim nas praias, os africanos que povoam as ditas, vendendo óculos de sol, artesanato e bugigangas várias, lá andavam tentando vender aos banhistas o que, ao fim da tarde e noutros lugares, comercializavam em amplas exposições a céu aberto.


Nos mesmos domingos em que os chineses permaneciam firmes nas suas lojas desertas, de ruas igualmente despovoadas, à espera de um único cliente que fosse.


E os vendedores das Bolas, meus amigos, onde estavam eles? Mesmo considerando que até poderiam ter feito bom negócio naqueles dias, a verdade é que o domingo continua a ser sagrado. Provavelmente por uma questão cultural.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O país dos falsários


Aí há tempos soube-se que muitos bilhetes de identidade pertencentes a miúdos entre os 12 e os 15 anos indicavam que todos eles tinham nascido em 1992, o que lhes conferia idade suficiente para entrarem – sem chatices – em casas nocturnas que exigem que os seus clientes tenham pelo menos 16 anitos. O suficiente, portanto, para beberem o que quiserem sem terem que responder às perguntas de porteiros mal-encarados.


E toda esta “vida airada” graças à falsificação dos BI, coisa que qualquer adolescente de hoje tem acesso, porque as tecnologias disponíveis permitem - “com uma perna às costas” – a obtenção dessas contrafacções em menos de meia-hora. O mundo da aldrabice que já muitos consideram normal.




Recentemente voltou a falar-se de uma prática de há muitos anos, a de se poder comprar trabalhos académicos e, nomeadamente, teses de mestrado já prontas.


O que nos faz pensar se poderemos confiar nos saberes dos nossos licenciados, mestres e doutores quando, muitos deles, conseguem atingir os seus propósitos com o trabalho realizado não por eles mas por outros. Para quê estudar, pesquisar, perder tempo com a aprendizagem e análise se podem facilmente conseguir, por uns míseros 1 500 euros, uma tese de mestrado?


Afinal, defender uma tese feita por outra pessoa não é crime. A lei apenas condena o trabalho plagiado.


Ética, deontologia, conhecimento, quem é que se preocupa com isso?



Como diz a letra do fado, “Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado”.

E tudo isto se passa num país de falsários ou, se quiserem, de salafrários, onde não existe uma mão pesada que puna a trafulhice.



terça-feira, setembro 01, 2009

Irresponsabilidades


A recente tragédia ocorrida na praia Maria Luísa, no Algarve, em que morreram cinco pessoas e três ficaram feridas, deixou-me perfeitamente perplexo.


É que toda a gente sabe que as praias com arribas apresentam um risco potencial de derrocadas. E esse conhecimento não veio apenas de agora, que aconteceu um acidente, há anos que se tem consciência disso. Ou seja, sabe-se mas ninguém liga.


As autoridades, o Ministério do Ambiente, as Câmaras Municipais, as Capitanias, os Institutos, enfim, quem quer que tenha a responsabilidade de zelar pela segurança nas praias “esqueceram-se” de o fazer. No caso da Maria Luísa, desde 2007 que os concessionários da praia alertavam essas tais autoridades para o perigo de desabamento. Debalde! Tiveram que morrer pessoas para que todos despertassem da letargia em que se encontravam. Pura irresponsabilidade.


Mas os utilizadores das praias também não estão isentos de culpas. Indiferentes ao perigo de lhes começarem a cair em cima umas toneladas de pedras e de terra, acolhem-se à sombra traiçoeira de uns penedos sujeitos a anos e anos de erosão e, mais grave ainda, chegam a tapar com toalhas os avisos que dão conta da possibilidade das derrocadas. Poucos dias depois da tragédia ter acontecido uma reportagem televisiva dava conta de umas dezenas de banhistas que, imprudente, continuavam a abrigar-se junto às falésias, dizendo que por ter acontecido uma derrocada não era motivo para se preocuparem, não iria começar tudo a cair. Inconsciência. Irresponsabilidade.


Mas esta falta de cultura de segurança, regista-se nas mais diferentes áreas e todos parecem ficar imunes às responsabilidades que cabem a cada um. Pior, quando se lhes pedem contas sobre as eventuais faltas cometidas, são ligeiros a sacudir a água do capote.


Como aconteceu recentemente em Vila Franca de Xira onde uma pessoa foi electrocutada porque se encostou a um cabo que supostamente não ofereceria perigo. Imediatamente a EDP e a PT trocaram acusações sobre quem tem a responsabilidade do sucedido. Os cabos estão espalhados por todo o espaço público, deveriam ser vistoriados periodicamente e não são e quando um percalço acontece a culpa é de ninguém. Mais uma vez, pura irresponsabilidade.


E eu começo a estar farto de ouvir dizer que “a culpa não deve morrer solteira”. O facto é que continua a morrer gente, apenas e só, porque o desleixo e a irresponsabilidade persistem.


segunda-feira, agosto 31, 2009

Em dia de festa



Recuperadas as forças, volto ao vosso convívio neste dia em que o “Por Linhas Tortas” inicia o seu 5º. ano de vida.


E em dia de comemoração, e por que não há uma sem duas, celebro também o aparecimento de um novo blogue.


A partir de hoje, e para além do “Por Linhas Tortas”, está também ao vosso dispor o “Baú” que podem encontrar em


http://www.bau-demascarenhas.blogspot.com/.



Conto com a vossa presença.


quarta-feira, julho 29, 2009

Até já


É verdade, chegou a hora de fazer uma pausa. Até os bloguistas necessitam de um tempo para descansar.


Vá lá, não fiquem tristes. O tempo passa a correr e prometo que voltarei no dia 31 de Agosto, data em que o “Por Linhas Tortas” faz anos.


Espero que fiquem bem.


Té já!

Portugueses não desistem de fazer férias lá fora


Afinal, depois de há tempos se ter sabido que uma boa parte dos portugueses não ia sair de casa este ano para fazer férias, as notícias ontem divulgadas pelos agentes de viagens parecem contradizer tal tendência.


Não só saem de casa como saem para o estrangeiro. Apesar da crise e apesar dos perigos de contágio da gripe A, a verdade é que os portugueses não desistem de fazer férias no exterior.


E os números aí estão para o demonstrar. O turismo para Marrocos e Turquia aumentou mais de 200%, para Cabo Verde 150%, para a Bulgária 130%, para Cuba e para a Jamaica 30% e para Espanha cerca de 20%.


E porquê toda esta correria para destinos mais ou menos longínquos, porventura bem mais dispendiosos, em vez de preferirem ficar por cá? As explicações são várias mas a que mais deve pesar na decisão é que se conseguem fazer oito dias de férias na estranja por uns módicos 750, 900 ou mesmo 1 000 euros por pessoa, consoante o destino e a duração da viagem.


E por cá? Com excepção da Madeira, que também registou um acréscimo de quase 23%, o nosso principal destino turístico – o Algarve – tem cada vez menores taxas de ocupação que nem o próximo mês de Agosto irá disfarçar.


Há muito que se reclama – e o “Por Linhas Tortas” tem feito eco dessa vontade – que os preços no Algarve têm que ser mais apelativos para os portugueses. Mas não só os preços. Têm que melhorar igualmente a simpatia e o atendimento por forma a que não nos sintamos como intrusos no nosso próprio país. Para além do mais, hotelaria e restauração devem perceber de uma vez por todas que os turistas do mercado interno estão cá o ano inteiro e os outros podem vir ou não.


E para que se entenda bem o que está em jogo, basta olhar para os preços que hoje eram publicitados na net por um dos maiores operadores do mercado. Dizem respeito a duas “ofertas light”, como lhe chamam:


- 899,00 euros por pessoa para Varadero, Cuba, em regime de “Tudo Incluído”. Ou seja, passagens aéreas, transfers e hotel de 4 estrelas com tudo incluído.


- 233,00 euros por pessoa para o Algarve, em hotel de 4 estrelas em regime de alojamento e pequeno almoço.


Sim, eu sei que ainda há uma diferença de 666,00 euros por pessoa. Mas se considerarmos as distâncias e tudo aquilo que se gasta com o transporte (cá), alimentação e a quantidade de águas e cervejas que se vão consumir por causa do calor, já viram que a diferença não é assim tão grande?


E depois, como diz um amigo meu “Há vidas mais baratas … mas não prestam”!

Sou ladrão e não gosto de trabalhar


Ainda tentei resistir mas não consegui. Depois de ter visto o vídeo no “Eixo do Mal” fui a correr ao You Tube e aqui está ele.







O que dizer de um “mangas” sem vergonha que afirma:


“SOU LADRÃO E NÃO GOSTO DE TRABAIÁ”


e argumenta:


“Se eu não roubar ninguém tem trabalho: polícia, repórter, escrivão, delegada, juiz ou promotor. Tudo trabalha através de mim que sou ladrão. Estou a contribuir para o bem de todos”.


Safado, sem-vergonha, é preciso ter lata.


Mas, vendo bem as coisas, não é que ele tem um pouquinho de razão?






segunda-feira, julho 27, 2009

O poeta é um fingidor



de Fernando Pessoa

"O poeta é um fingidor"

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

domingo, julho 26, 2009

Maldita gripe

E o que acham da falta de comparência (por alegada gripe) de Manuela Ferreira Leite na festa do Chão da Lagoa na Madeira junto do Alberto João Jardim?



É capaz de ter sido sensato por parte da líder do PSD, já que se sabe que a elevada radiação solar não é nada benéfica aos estados gripais.

Há gripes que vêem mesmo a calhar, caramba!



Isto começa a aquecer

A disputa para a Câmara Municipal de Lisboa já parece estar em pleno.

Primeiro foi o vídeo de António Costa a contestar afirmações de Santana Lopes

Logo de seguida veio a resposta (???) de Santana a António Costa

A luta vai ser renhida.

sexta-feira, julho 24, 2009

Olho neles


A GALP tem em curso uma campanha até ao próximo dia 4 de Agosto em que entrega um cupão a quem fizer compras iguais ou superiores a 30 euros. Com esse cupão os clientes habilitam-se não só a ganhar um prémio imediato como, também, aos prémios de um concurso final.

E os prémios são simpáticos. Pode-se ganhar de imediato bicicletas e 500 euros em combustível e, no sorteio final, um jipe e 5000 euros em combustível. Nada mau!

O busílis da coisa está, porém, no cupãozinho que, supostamente, deveria ser entregue quando o cliente lá deixa os 30 euros e que na maioria das vezes não é.

Esquecimento dos empregados, dirão. Pode ser que isso aconteça de vez em quando. Na maioria das vezes, no entanto, o "esquecimento" deve-se tão-só à ganância e à desonestidade de alguns profissionais que assim vão coleccionando os cupões para se habilitarem - ilegalmente - a prémios a que não têm direito.

E com a pressa com que sempre andamos, só damos pela falta do tal cupão - que talvez nos entregasse de mão beijada uns litritos de combustível - tarde de mais. Tão tarde que já não vamos a tempo de voltar para trás para reclamar o que legitimamente deveria ser nosso.

Olho neles. Fartos de "chicos-espertos" estamos nós.


quarta-feira, julho 22, 2009

A diferença



No texto que aqui editei ontem, dei a entender que não sou capaz de passar por entre as bancas do mercado da fruta das Caldas da Rainha e sair dali com as mãos a abanar. Acabo sempre por comprar uns quilitos da saborosa fruta da região. Mas não cheguei a escrever sobre os preços que ali são praticados.


É em mercados deste tipo que se vê bem como os consumidores dos grandes centros populacionais pagam preços bem mais altos do que aqui.


Dou-lhes um exemplo. Na véspera tinha comprado em Lisboa pêra rocha a 1,90 € o quilo e ontem a mesma pêra rocha (de calibre semelhante e aspecto exactamente igual) estava a ser vendida nas Caldas a 80 cêntimos.


E estamos a falar, tão-somente, de um euro e dez cêntimos de diferença em cada quilo, peso esse que tem, quando muito, duas dúzias de peras. Quem é que lucra com tamanha diferença?


Não, não respondam. Eu sei que vocês sabem.

terça-feira, julho 21, 2009

Entre bitoques e “tugas”



Para ontem tínhamos combinado fazer um pequeno passeio até à Foz do Arelho. O dia adivinhava-se quente mas as conhecidas manhãs enubladas da zona oeste e a leve brisa que se fazia sentir ajudou-nos a suportar o calor e a desfrutar melhor a beleza da região.


Antes porém passámos pelas Caldas da Rainha, onde gostamos sempre de regressar e ao seu mercado ao ar livre onde nunca conseguimos resistir à compra de fruta e dos bolos secos que muitos conhecem por “ferraduras”, “parrameiros” ou “bolos de casamento”.


Quando chegámos à Foz do Arelho eram horas de almoço. Apetecia comer um peixinho. Afinal, estávamos numa zona de mar, conhecida por ter bom peixe fresco. Só que às segundas-feiras não há peixe fresco e o pouco que havia tinha um aspecto pouco recomendável. O recurso possível foi a do velho (e duro) bitoque. Paciência, dias não são dias.


O que já não houve paciência foi para aturar uns “tugas” emigrados eu sei lá onde que, na mesa ao lado, falaram o tempo todo em francês, intervalando aqui ou ali com umas bojardas ditas em português vernáculo. Cromos que não perceberam ainda o ridículo em que persistem ao falar sistematicamente uma língua que não é a sua, que internacionalmente está morta e que julgam fazer deles os maiores de sempre quando se dignam visitar a santa terrinha.


Bem, mas tirando isso, ganhámos o dia. A Foz do Arelho estava magnífica. A contemplação feita de um ponto alto sobre a Lagoa de Óbidos e o Oceano Atlântico deixou-nos completamente extasiados e apetecia-nos ficar ali por mais uns dias para poder vaguear o olhar por tanta beleza natural.

domingo, julho 19, 2009

Insólito …


De uma forma geral, os portugueses não acreditam nos seus políticos. É verdade que o sentimento já vem de longe mas, quando se julga que já se chegou ao fundo, surgem novos factos que vêm alicerçar a ideia de que os políticos são todos iguais, não cumprem o que prometem e que não são sérios.


E, infelizmente, os exemplos são tantos que já nem as boas intenções de políticos novos são suficientes para limpar o labéu que outros criaram. São todos feitos da mesma massa e não há que confiar neles, é o pensamento dominante.


Daí o ficarmos embasbacados perante a atitude de uma figura ligada ao PS mas que se propõe concorrer à Câmara Municipal de Valongo como independente.


Maria José Azevedo resolveu ir ao notário registar o programa eleitoral que se propõe apresentar para que possa ser responsabilizada caso não venha a cumprir as suas promessas.


Correndo o risco de esta atitude não passar de uma bela jogada de marketing, acho que Maria José Azevedo merece, pelo menos, o benefício da dúvida. Quem sabe se a sua intenção é verdadeira e a única possível que possa devolver aos políticos a credibilização que lhes fugiu há muito?


Porém - temos que reconhecer – esta ideia de ir ao notário registar um programa eleitoral é, no mínimo, insólita.