segunda-feira, outubro 19, 2009

Bloqueios


Acreditem que o assunto de hoje nada tem a ver com o facto de muitos Amigos nossos não poderem aceder ao meu blogue “Baú” a partir dos seus locais de trabalho. Isto porque o blogue só apresenta vídeos do YouTube, cujo acesso não é autorizado em muitas empresas.


E a questão das empresas permitirem ou não que os seus colaboradores utilizem – durante o trabalho - as denominadas redes sociais é altamente polémica. A meu ver, pode até acontecer que todas as partes tenham pelo menos um bocadinho de razão. Tal como os partidos em dia de eleições, em que todos ganham.


Vejamos, então, os argumentos.


Dizem as empresas – quer as do sector privado quer as do público - que, pelo facto dos trabalhadores andarem a “viajar” pelos blogues, no twitter, no Messenger e quejandos, a produtividade é reduzida e pode até provocar problemas de segurança no que respeita à protecção de dados. Daí que estejam a adoptar, cada vez mais em todo o mundo, o bloqueamento das páginas da chamada Web 2.0, a internet dos blogues e das redes sociais.


Por outro lado, dizem os trabalhadores, e há um estudo da Universidade de Melbourne que vai no mesmo sentido, que a possibilidade de estarem “ligados” é fundamental para o bem-estar e equilíbrio dos funcionários.


E se a proibição é defensável, quando se sabe que as PME portuguesas suportam cerca de 1,5 milhões de euros por ano pela utilização da net por cinco minutos diários gastos pelos seus trabalhadores, custo esse que pode chegar aos 18 milhões se o tempo passar dos cinco minutos para uma hora, há também quem defenda que 20% do tempo passado no escritório, se gasto com a internet, pode fazer recuperar a concentração dos colaboradores e aumentar a produtividade.


Ainda bem que não tenho que decidir a contenda. Tanto mais que ainda sou do tempo em que o horário de trabalho – de oito e mais tarde de sete horas – eram mesmo para trabalhar com apenas breves instantes de intervalo, os suficientes para beber um café e para almoçar. E ninguém pensava, como alguns agora proclamam, que mais de 20 minutos seguidos de concentração são uma violência para o nosso cérebro.


A sensatez é um bem inestimável. Seria bom que todos pensassem em colocar-se, um bocadinho que fosse, na pele da parte contrária.


Bom senso e diálogo poderão ser as palavras-chave para a resolução do problema. E, claro, regras de funcionamento prévia e convenientemente estabelecidas.


Ah, e quanto a acederem ao “Baú”, se não podem fazê-lo enquanto estão a trabalhar, façam-no pelo menos quando chegarem a casa. São capazes de gostar.



sexta-feira, outubro 16, 2009

Inacreditável




Candidato nas listas do PSD por Braga, João de Deus Pinheiro renunciou ao mandato de deputado, logo no primeiro dia de trabalhos do Parlamento. Aliás, ao fim da manhã do primeiro dia.


Por motivos pessoais, disse ele ao Expresso. Não duvido que essas razões tenham sido muito fortes já que fez uma campanha para ser eleito, já que convenceu os eleitores a elegerem-no, já que não se importou em defraudar as expectativas de quem o elegeu nem a confiança da líder do seu partido que o nomeou para cabeça de lista pelo Distrito.


Cansou-se cedo demais de uma Assembleia que se prevê animada nos próximos tempos. E por cansaço, desilusão, desinteresse ou pelos tais motivos pessoais fortes, anunciou rapidamente a renúncia. Há quem diga que o verdadeiro motivo foi outro, a promessa de Manuela Ferreira Leite em dar-lhe a Presidência do Parlamento caso o PSD ganhasse as legislativas, o que não veio a acontecer.


Inacreditável, de qualquer forma. Mais um golpe que desprestigia a classe política portuguesa, já tão debilitada perante a opinião pública. E, neste caso, mesmo que ele tivesse todas as razões para ter dado o passo atrás, a vergonha e o brio do ex-ministro e ex-deputado europeu deveriam tê-lo obrigado a seguir aquele ditado brasileiro:


“Ajoelhou, tem que rezar”


Seria mais digno.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Transtornos


Há tempos que o assunto me inquietava. Como poderia continuar a aceitar a uma situação tão injusta que afectava centenas de trabalhadores, ainda por cima trabalhadores que ganham salários tão baixos (cerca de seis mil euros mensais mais 298 euros de “diária”)? Felizmente imperou o bom senso e a coisa resolveu-se. Ainda bem.


Na verdade, não era admissível, não era justo, que os eurodeputados há pouco eleitos continuassem a passar pelos incómodos provocados pelos tempos perdidos nas viagens. Até que foi decidido compensá-los por isso. Como? Dando-lhes mais uns trocos. Um denominado subsídio de “tempo perdido”, aquilo a que eles próprios chamam o “subsídio de transtorno”. E sabemos bem como as viagens causam imensos transtornos.


A solução que, naturalmente, peca por tardia, em termos económicos não teve grande impacto. Ao que sabemos, a rubrica orçamental teve um pequeno aumento de 32 milhões. Nada de especial, portanto, apenas um acréscimo de trinta e dois milhõeszitos de euros no orçamento para compensar os tais sacrifícios. Um pequeno aumento que ninguém estranha mesmo sabendo que na presente legislatura há menos 49 deputados do que na anterior.


Para mais não nos devemos esquecer que uma viagem até Bruxelas ou Estrasburgo pode durar, consoante o local de origem dos deputados, umas duas horas em média. O mesmo tempo que eu levo em dias de chuva e de tráfego completamente impossível para me deslocar até ao emprego que dista uns curtos 20 quilómetros da minha casa. Só que eu não recebo subsídios de compensação que me comprem uma reles embalagem de calmantes. Mas, também, o meu salário não se compara nada ao dos senhores eurodeputados. Infelizmente.

quarta-feira, outubro 14, 2009

"Olvidame"


Nunca fui muito chegado ao uso de t-shirts com desenhos ou frases estampados na frente ou no verso das camisetas, quando não em ambos os lados. Umas de tipo turístico, do género “Recuerdo de Punta Cana”, “Amo-te Ericeira” ou “Já fui muito feliz na Praia do Meco”. Outras com cariz puramente informativo como “Cada povo tem o Governo que merece” ou “Eu não votei no PS”. Outras ainda com chancelas publicitárias ou com assuntos a puxar pela imaginação mais ou menos criativa de cada um.


Como aquelas que vi num concorrido restaurante algarvio “A inveja mata, a sardinha trata” e “Já vou, Porra!!!” Ou aquela outra que era vestida por um jovem que dizia “Eu fui feito numa Bimby”.


Mas embasbacado mesmo foi como fiquei quando dei de caras com uma miúda muito, muito gira, que vestia uma t-shirt de um verde lindo sobre o qual tinha estampada a palavra “OLVIDAME”. Surpreendido primeiro, apalermado depois, o certo é que não consegui desviar o olhar daquele conjunto tão, como dizer, tão harmonioso.


O verde era magnético e as letras divinais. Bem desenhadas, fortes, desafiadoras e bem colocadas num enquadramento perfeito. O design não podia ter sido melhor conseguido e as letras O e E estavam, como percebem, e como diriam “nuestros hermanos”, “em su sítio”.


Um espanto, um desafio, uma provocação!


“OLVIDAME”, apesar da falta do hífen (melhor seria olvida-me) era claramente um pedido a que ninguém poderia obedecer. Mesmo que quisesse.


terça-feira, outubro 13, 2009

O Prémio Nobel


A atribuição do Prémio Nobel ao Presidente Americano fez-me lembrar um colega meu, por sinal um tipo inteligente mas pouco amigo de trabalhar e a quem não se podia pedir que cumprisse prazos que, em determinada altura, reclamava uma promoção ao nosso Director.


E porque ninguém lhe enxergava mérito suficiente para que ele fosse promovido por … mérito, ele argumentava que o prémio dever-lhe-ia ser entregue não pelo trabalho desenvolvido mas pelas suas (reconhecidas) capacidades.



Barack Obama ganhou o Nobel mas não obteve o aplauso unânime. Muita gente em todo o mundo pensou que menos de um ano de mandato à frente do país mais poderoso do universo não é tempo suficiente para justificar um galardão desta natureza. Pelo menos por enquanto. Talvez mais tarde …


Há quem, no entanto, afirme que a distinção pode ser interpretada como uma “mensageira de paz”, inspiradora, quiçá, de rumos mais consistentes na pacificação de certas regiões que teimam em sobressaltar as nossas existências.


O Afeganistão, o Irão, o conflito entre Israel e a Palestina são apenas exemplos de situações que já mereceram tomadas de posição firmes da Administração Americana. Mas os resultados são ténues ou ainda inexistentes.


Daí a minha convicção de que os esforços de Obama, embora meritórios e denotando uma grande coragem e determinação, são por ora insuficientes para que sejam merecedores desta tão alta distinção.



Por uma questão de princípio, sempre considerei que os prémios devem ser atribuídos aos que vencem e não aos que se limitam a ser jeitosos ou que, eventualmente, possam vir a ter sucesso.


Razão tinha o meu Director quando achou que não deveria promover o tal colega só porque tinha imensas capacidades. A promoção chegaria no dia em que ele resolvesse desenvolvê-las capazmente.






segunda-feira, outubro 12, 2009

Já ganhámos (outra vez)

Quem leu o texto que aqui publiquei em 28 de Setembro último, no rescaldo das legislativas, com o título “Já ganhámos”, terá constatado que eu não estava a referir-me às vitórias partidárias vibrantemente proclamadas por todos as forças políticas.

Desta feita, nesta nova versão do “Já ganhámos”, a que acrescentei o (outra vez) para disfarçar, também não pretendo analisar os resultados eleitorais das eleições autárquicas que ontem se realizaram. No entanto, não posso deixar de verificar que os maiores partidos, PS e PSD, conseguiram ganhar os dois.

Quem perdeu foi Fátima Felgueiras em … Felgueiras. O que vem confirmar que o povo é sábio, só que às vezes anda distraído.

Entendamo-nos, pois. O que eu queria dizer agora com o “Já ganhámos” é que no jogo do sábado passado, a nossa selecção principal de futebol conseguiu ganhar. Merecidamente, de resto, e mantendo a esperança de nos podermos classificar para o Mundial da África do Sul. Foi apenas isso.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Um olhar sobre o comportamento humano


Nunca tinha ouvido falar de Gilberto de Nucci. Porém, um e-mail que recebi fez-me conhecer este brasileiro que é médico, cientista, professor universitário e membro da Academia Brasileira de Medicina.


E embora não seja um filósofo, o seu pensamento, que transcrevo, sobre a imagem do comportamento humano é de uma grande sabedoria:


“Os homens caminham pela face da Terra em linha indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola detrás guardamos todos os nossos defeitos.

Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas ao nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que vai à nossa frente todos os defeitos que ele possui.

E julgamo-nos melhores do que ele, sem perceber que a pessoa que está atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito”.


Muito curiosa esta reflexão.


quarta-feira, outubro 07, 2009

De pé


Juro que até há pouco não entendia porque é que as pessoas aplaudiam de pé o final das representações de teatro e de ópera.


Eu acho que os artistas iriam ficar eternamente agradecidos mesmo que o público batesse as palmas sentadinho no remanso das suas cadeiras.


Mas não. Baixa o pano, a comoção salta e o público, como impelido por molas, levanta-se e aplaude arrebatadamente.


Pois só agora percebi essa necessidade colectiva de se erguerem de repente. Não é apenas para mostrarem o seu entusiasmo nem para distenderem as pernas encolhidas durante o espectáculo. Não, a verdade é outra.


É que quando se levantam uns quantos espectadores das primeiras filas, os que estão atrás deixam de ver o palco e, a partir daí, vá de se porem todos de pé. É o suficiente para que um teatro inteiro exulte – em pé - pelo espectáculo a que assistiram.


O que me falta compreender ainda é a razão que leva os tais espectadores entusiastas (e de pé), levados por uma emoção extrema, a gritarem até à exaustão “Bravô”, “Bravô”, “Bravô”. Bastar-lhes-ia dizer BRAVO à portuguesa, era mais nosso, mais genuíno. Enfim, na falta de melhor explicação, acredito que tudo não passe de um mero vociferar bacoco.


terça-feira, outubro 06, 2009

A justificação técnica



Depois de há poucas semanas ter caído uma falésia na Praia Maria Luísa, em Albufeira, que vitimou cinco pessoas, registou-se agora nova derrocada numa outra praia algarvia, a de Santa Eulália, desta vez e felizmente sem danos pessoais.


De repente, as rochas que tanto embelezam as nossas praias parecem ter entrado em colapso. Provavelmente pela erosão do tempo, pensava eu, que percebo pouco destas questões.


Pensava mal. Os especialistas já apresentaram uma explicação bem mais técnica e sofisticada. Segundo a Administração Hidrográfica do Algarve o desmoronamento das arribas deveu-se a, calculem, “fadiga do material”. Nem mais, palavra de perito.


É que estas coisas das palavras e do seu significado tem muito que se lhe diga. Os termos têm um sentido rigoroso e o seu uso não pode ser empregue à toa.


Na verdade, “Fadiga do material” não é a mesma coisa que erosão (corrosão lenta) das areias das encostas provocada por ventos e mares. Uma coisa é uma coisa e uma outra coisa é uma outra coisa, compreendem?




quinta-feira, outubro 01, 2009

“Cadê” o contrato?


Hoje pensei fazer gazeta. Sinto-me cansado, demasiado cansado. Não que tivesse feito um esforço extraordinário durante o dia mas, confesso, fiquei muito fatigado só por pensar no trabalho árduo que tiveram os Procuradores do Ministério Público ao entrarem em vários escritórios de advogados à procura de provas sobre o negócio da compra de dois submarinos conduzido, em 2004, por Paulo Portas, então Ministro da Defesa.


Os coitados continuam a procurar o rasto de 30 milhões de euros pagos, a título de comissão, por uma empresa alemã não se sabe a quem. Isto é, os investigadores andam na peugada de quem foi subornado.


Porém, a coisa não está fácil. Eu sei que há só três anos que o processo dos submarinos foi aberto mas o povo começa a não acreditar que se venha sequer a descobrir o fiozinho à meada. Pois se ainda nem encontraram o contrato de financiamento para aquisição dos ditos submarinos. Os investigadores bem vasculharam computadores e recolheram toneladas de documentos mas o tal contrato está definitivamente desaparecido. Ouvi há pouco no telejornal o Francisco Louçã sugerir que pedissem ao Dr. Portas que procurasse nas 61 893 fotocópias que tirou quando era o titular da Defesa se era capaz de descobrir o documento entre as outras fotocópias. Mas não sei se o Louçã estava a gracejar.


O que sei é que para ajudar à festa, num dos escritórios visitados, o trabalho dos especialistas teve um contratempo – um arreliador “problema informático” atrasou a busca. Bendito problema que veio na hora certa.


Reconheço os esforços das autoridades mas continuo a não perceber como é que depois de tanta investigação, ainda não se lembraram de convocar o Ex-Ministro da Defesa para depor.

Mas isso são conjecturas minhas. Afinal, sou um leigo na matéria.




quarta-feira, setembro 30, 2009

E então, nada …

Já em Julho do ano passado Cavaco Silva sobressaltou os portugueses com o anúncio de uma comunicação ao país. Ninguém sabia (nem pouco mais ou menos) o que se iria passar, se os espanhóis tinham invadido o Alentejo, se tinha sido descoberto petróleo em Peniche ou se ele se iria demitir. Resultado, Cavaco só queria informar o país que não estava de acordo com aquela história do Estatuto dos Açores apresentado pelo Governo. Interrompeu ele as suas merecidas férias para, afinal, dizer nada que verdadeiramente interessasse ao Zé-povinho.


Como não aprendi com o sucedido, o anúncio de novo discurso para a abertura dos telejornais da última noite voltou a deixar-me nervoso. Tanto mais que, desta vez, adivinhava-se que a “inventona” das escutas e da demissão do assessor presidencial iriam, finalmente, ser explicadas em pormenor. Mais, pressentia-se que, de uma vez por todas, os culpados teriam nomes e as muitas dúvidas que perpassavam pelas cabeças de todos iriam ser clarificadas.


Nada disso. O Presidente foi agressivo, confuso, deixou todos com mais dúvidas ainda e não deu azo a que houvesse contraditório, por mais pequeno que ele fosse. Depois do comunicado “fechou a loja” e todos ficámos com montes de perguntas entaladas na garganta.


Foi um discurso estranho com justificações demasiadas. Pergunta-se, tanta agitação para isto?

terça-feira, setembro 29, 2009

Impossibilidades


Quase a atingir o final da primeira década do século XXI, quando todas as tecnologias não param de se superar e de nos surpreender, não podemos deixar de ficar perplexos sobre situações anacrónicas que teimam em persistir.


Como esta de no ciclo eleitoral em curso estarem recenseados mais de 9,4 milhões de eleitores, dos quais – e segundo um estudo de dois investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – 930 mil eleitores registados não poderem votar, a maior parte por … já terem morrido.


Na verdade, sabe-se que a existência destes eleitores-fantasmas provoca um nível de abstenção acrescido (mais dez por cento que a abstenção “normal”) e pode, eventualmente, influenciar a obtenção (ou não) de uma maioria parlamentar. Como aconteceu, de resto, em 1999 quando este tipo de situação terá deixado António Guterres a um passo de ter a maioria no Parlamento.


Mas se esta questão não se colocou na eleição de domingo, porque é que eu fui falar no assunto? Apenas porque não aceito a eternização dum erro com base numa justificação no mínimo bizarra – “relativamente às pessoas mortas é tecnicamente muito difícil alterar os registos dos cadernos eleitorais”.

É que já nem falo daqueles que saíram ou entraram no país. Admito que a esses seja difícil controlá-los. Estou a referir-me apenas aos que morreram mesmo. Será que não existe forma de “abatê-los” nos cadernos? Meus senhores estamos na era da informática e neste campo não há impossibilidades. Pode ser mais caro, levar mais tempo mas, em querendo, tudo se faz.

O próprio secretário-geral da Administração Interna reconheceu em Agosto que há 107 mil mortos que não podem ser descarregados. Não podem? PORQUÊ?

Tem que haver uma solução. A de continuarmos a ter “mortos-vivos” que estão legalizados é que ninguém pode aceitar.




segunda-feira, setembro 28, 2009

Já ganhámos


Calma, calma. Com o “já ganhámos” eu não disse que o partido que apoio ganhou as eleições para as legislativas. Tão-pouco estou a dizer que o partido que apoio não ganhou estas eleições. Ainda menos disse que o partido em quem confio, ganhando ou não as eleições, devia fazer coligações com outras forças partidárias. Mas também não leram em lado nenhum que eu gostaria que o meu partido não devesse coligar-se. Não disse nada disso.


Eu sei que ficariam mais descansados se eu declarasse já e publicamente em quem votei mas, a esse respeito, direi apenas o que algumas figuras públicas costumam responder: “O voto é secreto”, ponto.


O que afirmei é que já ganhámos … um novo governo. Melhor, ganhou um partido que fará um novo governo, nada mais.


Mas, já agora e continuando a não revelar onde pus a cruzinha, digam-me lá uma coisa para ver se apostei no “cavalo certo”. Quem ganhou as eleições? É que as televisões anunciaram que CDU, BE e CDS tinham aumentado o número de votos e de deputados no Parlamento e por isso ganharam. O PSD, embora descesse na votação, ganhou também porque conseguiu acabar com a maioria absoluta dos socialistas. O PS conseguiu trinta e tal por cento dos votos expressos, sete e meio por cento acima do partido que ficou em segundo lugar e, consequentemente, venceu. Isto para não falar da abstenção (maior do que nas últimas legislativas) que ainda teve mais votos do que o PS que ficou em primeiro lugar. Então, quem é que, afinal, ganhou estas legislativas?


Bom, enquanto espero pelo vosso esclarecimento, e para que não digam que eu não vos conto nada, confidencio-vos (aqui só entre nós que ninguém nos lê) que fui convidado para assessor do Senhor Presidente da República. Como ele revelou que mostra alguma atrapalhação em falar aos jornalistas, contrataram-me para ajudá-lo a desenvolver a técnica de “falar, falar, para dizer nada”.




sexta-feira, setembro 25, 2009

Remédios para todos os males


A exemplo do que acontece com outras actividades, proliferam por aí muitos “profissionais” que se propõem resolver todos os nossos problemas. São quase sempre africanos negros, astrólogos, quiromantes e especialistas em artes ocultas e todos – sem excepção – professores ou mestres. Recentemente, foi-me entregue em mão um folheto pelo próprio Professor Facoli que se ofereceu para me ajudar, garantindo-me total sucesso na resolução de males que outros não conseguiram solucionar.


Dizia o prospecto:


“Grande cientista, espiritualista e curandeiro, descendente de uma antiga e rica família com poderes de magia negra e branca. Especialista em todos os problemas sentimentais, abandono do lar, separações, aproximação e afastamento de pessoas amadas, alcoolismo, drogas ou outros vícios maiores, doenças espirituais, maus-olhados, invejas, impotência sexual, negócios, e outros problemas ou preocupações graves, etc. Efectua trabalhos com CADEADO VERDE, técnica simples e eficaz e rápido que faz voltar ao domicílio conjugal uma esposa ou marido. 100% de resultado no espaço de uma semana. Consultas todos os dias das 09h00 às 20h00. Contacto …”


Dias depois recebi de um outro “especialista” que me pareceu não ser o mesmo (não sou muito dado a fisionomias) mais um folheto que dizia pouco mais o menos o mesmo. Pelo que, deduzi, que ambos façam parte do mesmo “escritório de astrólogos” e que, por isso, andem numa grande campanha de angariação de almas desesperadas.


Bom, mas o queria dizer é que encaminhei os tais folhetos para umas certas pessoas – e não insistam que eu não digo quem são – para que consigam melhorar dos males de que se queixam. Sobretudo com o auxílio da técnica do CADEADO VERDE que, sendo simples, é capaz de ser eficaz e rápida.


Cá por mim, vou continuando fiel ao chá “Hipericão do Jerez”. É um multiusos conhecido e não há maleita que lhe resista.





quinta-feira, setembro 24, 2009

Crónica um bocado nojenta

Hesitei em escrever sobre o tema que vos trago hoje, tanto mais que, para quem se lembra da coisa, “a coisa” propriamente dita é um bocado nojenta. E se é verdade que fez parte do dia-a-dia de um passado ainda recente, é igualmente verdade que nos custa acreditar que esse costume tenha sido considerado como um princípio higiénico a seguir.


Apesar das dúvidas e das pressões que foram feitas para não falar do assunto (não, não foram do Governo nem passou por aqui a “asfixia democrática”), decidi mesmo escrever sobre ele porque pensei que os meus amigos seriam levados a considerar que esta é uma típica crónica de final de verão, daquelas que são fruto de um pouco mais de sol na moleirinha.


Mesmo assim, devo dizer que a inspiração surgiu quando assistia a um concerto ao vivo dos “Deolinda”. Para quem nunca os viu actuar – e eu só os conhecia de ouvido – digamos que é um conjunto simpático, ela canta bem, é expressiva e os três músicos, todos de cordas e familiares entre si, têm uma sonoridade interessante, embora o conjunto me pareça situado – desculpem se ofendo as vossas sensibilidades e gostos – entre o popular e o “naif”.


Mas não quero fugir com o dito à seringa. Neste grupo, que agora está muito em voga, uma das coisas que achei mais divertida foi o facto de quase todas as canções serem previamente explicadas como se os presentes tivessem alguma dificuldade em perceber as letras. Em muitas delas o tempo gasto na tal explicação era praticamente igual ao tempo da própria canção.


A certo momento, a Ana Bacalhau, a solista dos “Deolinda”, empregou a palavra “escarrar”. Ouviram bem, “escarrar”, e é aqui que entra a parte um bocado nojenta deste texto.


Não vou entrar em detalhes sobre o significado do termo, deixo isso ao vosso cuidado, mas os mais velhos lembrar-se-ão daqueles recipientes em porcelana que se viam em muitos sítios - nas repartições públicas, nos consultórios médicos e em alguns cafés - conhecidos por “escarradores”. Um nome horrível e nojento, convenhamos, mas que, em alguns casos, até tinham uma aparência exterior bem janota, como se vê nos dois exemplares que estão “plantados” aqui ao lado, um da Vista Alegre e o mais rebuscado, do Rafael Bordalo Pinheiro. Um aparato para onde, ditavam os bons costumes da época, os cidadãos deviam dirigir o respectivo “escarro”.


“Bons costumes”, que, felizmente, foram sendo alterados com os tempos. Hoje os bons tornaram-se muito maus costumes e os cada vez menos frequentes seguidores de tal hábito (mesmo sem as tais porcelanas) são olhados com desdém e muitas vezes invectivados com apropriados impropérios pela sua conduta pouco (nada) higiénica.


Mas vejam como as coisas mudam. A pensar que li há tempos uma crónica escrita em 1933 que dizia, nomeadamente, o seguinte:

Pouca gente até á data se tem preocupado com o bem estar comum.
Existem meios de defeza a que a maioria das entidades não ligam aquela importância que deviam ligar e neste caso temos a utilidade do escarrador obrigatório nas casas publicas.

O uso do escarrador tem sido descurado no paiz.


Raras são as entidades que o utilisam. Aparte, algumas Repartições publicas, alguns barbeiros e não o vemos nas casas de espectáculos, nos hotéis, casas de hospedes, nas casas de pasto e nos diferentes estabelecimentos comerciais onde o publico aflui com mais frequência ...”


O português é o daquele tempo, os sublinhados são meus e minhas são as desculpas pelo conteúdo algo nojento da crónica de hoje.




quarta-feira, setembro 23, 2009

O ideólogo

José Pacheco Pereira saiu hoje a terreiro para afirmar publicamente que com a demissão do assessor de imprensa do Presidente da República, “Cavaco interferiu nas eleições … Cavaco Silva já está inevitavelmente comprometido com o resultado das eleições”.


Logo os partidos de esquerda se apressaram a dizer que esta “intromissão” presidencial esvaziou de vez a campanha do PSD. A “inventona” das alegadas escutas em Belém esfumou-se e isso pode ter prejudicado o partido social-democrata.


O mesmo pressentimento que deve ter sentido Pacheco Pereira, o velho ideólogo (ai, que saudades, já não dizia esta palavra há anos) primeiro do seu PCP-ML, o partido marxista-leninista de inspiração maoísta de que fundou a secção no norte do país nos bons velhos tempos e agora também ideólogo de Manuela Ferreira Leite.


Aliás, foi Ferreira Leite quem o foi buscar à cadeira de comentador político na televisão e nos jornais para a inspirar na sua acção política desde que chegou à presidência do PSD.


É, de resto, muito curioso, que Pacheco Pereira retorne à ribalta quando o partido atravessa momentos mais delicados.


Como quando aconteceu em Junho de 1998 quando subiu à tribuna da Assembleia da República para, depois de um prolongado silêncio parlamentar do PSD, proferir um discurso muito duro em que arrasou o governo de António Guterres e o PS.


A resposta veio no final do debate pela voz do então Ministro da Administração Interna, Jorge Coelho, que tecendo rasgados elogios à inteligência de Pacheco Pereira rematou da seguinte forma:


“O PSD quando está com problemas vai buscar Pacheco Pereira à prateleira. Pacheco Pereira funciona hoje como o Viagra do grupo parlamentar social-democrata”.


terça-feira, setembro 22, 2009

História mal contada

Sempre achei que frequentar cafés discretos na Avenida de Roma não era lá grande ideia. Não por serem uns cafés modestos mas porque a Av. de Roma já não tem o encanto de outrora, quando ela era uma das Avenidas Novas e o Café Vává albergava várias gerações de artistas e revolucionários e era, de alguma forma, o símbolo de uma certa inteligência urbana.

Pois, ao que parece, não foi isso que pensou o agora ex-assessor para a comunicação social do Presidente da República que hoje foi afastado do cargo pelo próprio Cavaco Silva.

E se calhar pensou mal. Se ele soubesse que aquele “eventual pedido” para publicação de um artigo no Público (para fazer crer que havia “alegadas escutas” em Belém mandadas fazer por um governo enxerido) e se soubesse que um “alegado e-mail” que comprometia o Presidente iria aparecer em vários jornais, certamente que o senhor ex-assessor de imprensa e homem de confiança de Cavaco, não se teria dado ao trabalho de ir tomar um café, num café discreto da Avenida de Roma.

O certo é que o homem ficou sem o emprego. O certo é que a história continua por esclarecer. Houve ou não escutas em Belém? Quem as fez, quem as ordenou, porque não houve esclarecimentos até agora do Presidente da República? Nem uma confirmação nem um desmentido sobre as denúncias das “alegadas espionagens”.

Os cidadãos têm o direito a saber a verdade. Mesmo que essa verdade passe apenas pela divulgação das razões que levaram ao despedimento deste assessor (“alegado mandante” da tal notícia), pelo aproveitamento político-partidário neste ciclo eleitoral que atravessamos ou, ainda, por um imbróglio bem urdido para “alegados e mais vastos ataques” a certos órgãos de comunicação social.

Para mim o assunto continua a necessitar de explicações.





segunda-feira, setembro 21, 2009

Certificação política


Na minha tertúlia de amigos falava-se este fim-de-semana sobre as próximas eleições. Conjecturavam-se cenários, delineavam-se políticas e discutiam-se as últimas sondagens, as compras de votos dentro dos partidos, as alegadas e tolas escutas em Belém, a paranóia da asfixia democrática aqui no Continente e as consequências que o projecto do TGV poderia acarretar para as gerações futuras. De repente, um dos presentes exclamou:


“Ah, isso é como lá na Ásia quando há cheias. Quando o rio sobe, o Bangla …desh”.


Assim, sem mais nem menos. Um trocadilho inteligente (!!!) que teve o condão de provocar a risota geral e desanuviar o ambiente.


Voltámos, no entanto, ao assunto das eleições mas, agora, abordando-o por uma outra perspectiva. O voto (que não é obrigatório no nosso país) deveria, ou não, ser uma prerrogativa de todos ou apenas concedida a alguns?


Era uma grande questão que até agora ainda ninguém tinha colocado. Afinal, se é necessário estar habilitado para se executarem certas tarefas porque não exigir aos cidadãos votantes uma certa preparação política, uma qualificação que fosse capaz de os preparar convenientemente para serem eleitores conscientes.


Disparate, disseram alguns. Então para se exercer o direito de voto vamos ter que criar uma espécie de certificação política?


Foi aí que a discussão começou a ficar mais acesa. Houve quem argumentasse que até para conduzir era necessária uma licença específica. Porque não para votar?


Um chegou mesmo a questionar se uma coisa desse género (a tal certificação) não seria de se aplicar também a quem pretendia ter filhos. E justificava que muitos dos casais (já com filhos) que conhecia não tinham a menor qualificação para assumirem essa responsabilidade.


Essa mesma falta de responsabilidade (política) que pode ser imputada a muitos eleitores. Vocês já viram aquelas entrevistas com os chamados “homens comuns” que passam na televisão? Muitas delas mostram bem que a maior parte dos eleitores vai lá pôr a cruzinha no boletim de voto por uma questão de simpatia pessoal com determinado candidato, porque certo partido lhes deu umas bugigangas giras ou porque ouviram um qualquer demagogo dizer que os iria beneficiar nisto ou naquilo. A alguns foi-lhes sacada a confissão de que estavam naquele comício mas não sabiam bem qual era o partido nem quem era o seu líder. Tinham-nos enfiado num autocarro e foram de passeio com umas sandes na bagagem.


O que nos levava a questionar onde é que, afinal, a consciência política se situa no meio disto tudo?


A noite ia caindo e o grupo começou a dispersar-se. Porém, fiquei com a ideia que esta história amalucada de uma certificação política para quem vai votar - por mais utópica que pareça – ficou a bailar na cabeça de todos nós.

sexta-feira, setembro 18, 2009

O “truca-truca”


Ainda embalado pela ironia do poema que publiquei no último post, achei que seria bom acabar esta semana bloguística com um registo de humor refinado, inteligente e, neste caso, espontâneo.

Vou recordar uma história verídica.

Em Março de 1982, o Deputado do CDS João Morgado, defendia durante um debate parlamentar sobre a despenalização do aborto até às 12 semanas o seguinte:


“a posição que defendo em relação ao aborto é exactamente igual à posição da Igreja Católica que proíbe o aborto porque entende que quando se pratica o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho …”


Natália Correia, poetisa, intelectual, activista social e mulher inteligente, então Deputada do PSD, espantada com o que tinha ouvido, debruçou-se sobre a bancada e, logo ali no hemiciclo, tratou de escrever um poema que ficou célebre:


O acto sexual é para ter filhos – disse ele

já que o coito – diz Morgado –

tem como fim cristalino,

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.


Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! –

uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção

ficou capado o Morgado.


quinta-feira, setembro 17, 2009

Poeminha de Louvor ao “Strip-tease” Secular

De Millôr Fernandes

Poeminha de Louvor ao "Strip-tease" Secular


Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Os eternamente insatisfeitos

No último fim-de-semana assisti à inauguração de uma escola no Distrito de Santarém.


A obra, um conjunto de 3 edifícios localizados em diferentes freguesias do Concelho de Rio Maior, constitui um bom exemplo daquilo que se pode fazer quando a vontade de servir dos autarcas (independentemente dos partidos a que pertencem) e o interesse das comunidades é maior do que a politiquice palerma que tantas vezes se vê por aí.


Como se pode perceber na fotografia, tudo aquilo estava um mimo. As cores são alegres e o equipamento didáctico e de lazer são em quantidade e qualidade. Um regalo para o olhar e certamente um prazer para as crianças que os vão usufruir.


Ainda por cima, este conjunto de infra-estruturas levou mês e meio para fazer o projecto e recorrer a fundos comunitários e à Banca e sete meses apenas para executar. Tudo dentro do maior rigor técnico, onde nem sequer houve derrapagens orçamentais. Nem um dia nem um cêntimo a mais do que estava previsto.


Mais do que o suficiente para que os presentes estivessem satisfeitos e orgulhosos, certo?


Não, errado! Pois consegui descobrir entre a multidão alguém que estava indignado porque os cabides para as roupas das crianças estavam, na sua opinião, colocados um bocadinho mais alto do que a estatura média de miúdos de cinco ou seis anos.


É a velha mania de não valorizarmos devidamente aquilo que é bom e é bem feito e de salientarmos pela negativa uma coisinha que se consegue “inventar”, por mais insignificante que seja, só porque …eu sei lá, só porque sim.


Se eu vivesse em Rio Maior teria ficado vaidoso com o conforto e as condições duma escolinha como aquela. Só que, desgraçadamente, há gente que prefere valorizar o que está menos bem (e que é susceptível de ser melhorado) e de desprezar as capacidades de realização e tudo aquilo que serve (bem) o bem comum.


Feitios, como diria o outro.

terça-feira, setembro 15, 2009

Ricardo Araújo Pereira entrevista José Sócrates


Pela oportunidade, pelo bom humor e porque em Portugal é, provavelmente, a primeira vez que um Primeiro-Ministro se expõe num programa deste tipo, faço questão de passar dois trechos deste encontro improvável.


José Sócrates esteve muito bem e Ricardo Araújo Pereira foi excelente. Uma engraçadíssima entrevista onde também se falou de coisas sérias.





segunda-feira, setembro 14, 2009

Voyeurismo político


Terminaram os debates entre os líderes dos maiores partidos concorrentes às legislativas do próximo dia 27. Foram dissipadas algumas dúvidas que ainda nos inquietavam mas mantêm-se as imensas incógnitas sobre quem vai vencer as eleições e a forma como o país vai ser governado a partir daí.


Enquanto continuamos a reflectir, achei que seria interessante assistir a uns momentos de descontracção verificada antes do debate entre José Sócrates e Francisco Louçã.


Um voyeurismo político, se quiserem.