segunda-feira, março 15, 2010

Não está na altura de estabelecer alguns limites?


Já devem ter reparado que os fins-de-semana parecem não me fazer lá muito bem. Isto porque, nalgumas segundas-feiras, as minhas crónicas transparecem algum azedume, quando não, uma ira profunda.


É que, às vezes, os casos são de arrepiar. Vejam só se alguém pode ficar indiferente perante a atitude intolerante dos pilotos da TAP que querem fazer greve se não lhes derem um aumento acima dos 8%. Mais concretamente, 8,88% para os comandantes e 8,55% para os restantes pilotos.


Tenho muito respeito pelos pilotos e deposito neles toda a confiança quando viajo nos aviões que conduzem. Mas isso não adormece o meu espírito crítico nem me impede de ver que no nosso país, onde a maioria dos trabalhadores não vai ter aumentos este ano (e alguns não os têm há anos), estes senhores querem um “aumentão” claramente desproporcionado relativamente aos demais concidadãos e ao estado das finanças públicas portuguesas. Sim, porque não podemos esquecer que a TAP é uma empresa que é detida integramente pelo Estado.


Perguntar-me-ão, mas os pilotos não deveriam ganhar muito bem porque são profissionais altamente preparados e têm um grande risco e responsabilidade? Respondo com um rotundo SIM. Mas não nos devemos esquecer das outras áreas de actividade onde os respectivos trabalhadores têm igualmente grande risco e responsabilidade e os seus vencimentos não se comparam, em nada, aos dos pilotos.


Já agora, sabem quanto ganham por mês os pilotos da TAP? Ganham, em média, 8.600 euros (os mais novos 5.000 euros e os comandantes seniores 10.000 euros)? E sabem qual é o vencimento médio em Portugal? Qualquer coisa como 894 euros.


Por isso me revolto. É indigno que em Portugal, numa empresa pública onde os restantes trabalhadores da mesmíssima empresa vão ter um aumento de 1,8%, os senhores pilotos ameacem fazer uma greve de seis dias (cirurgicamente na altura da Páscoa) se não forem satisfeitas as suas reivindicações. Uma greve que poderá causar à TAP um prejuízo de 30 milhões de euros.


Será que de empresa tecnicamente falida quererão uma empresa que vá mesmo à falência?


sexta-feira, março 12, 2010

O que é Simpatia (a uma menina)


Um poema do poeta brasileiro Casimiro de Abreu (1839 - 1860)


Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atracção.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gémeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Os dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agôsto,
É o que m'inspira teu rosto ...
- Simpatia - é - quase amor!

quinta-feira, março 11, 2010

Quando e como dar um presente

No passado fim-de-semana recebi um presente de aniversário. Lembro-lhes que faço anos em Dezembro. Portanto, quase três meses depois do dia certo, um familiar que já não via há tempos, entregou-me o bendito presente que, de resto, muito apreciei. Mas independentemente de quando ou o que recebi, a questão que me merece a reflexão de hoje é o presente em si mesmo. O que eu quero dizer com isto é que quando damos qualquer coisa a alguém, nos aniversários ou fora deles, devemos ter presentes certos critérios e não o:

- tenho que comprar qualquer coisa, por isso vou ali à FNAC (por exemplo) e trago o primeiro livro/disco que me vier à mão;
- vou ser diferente e vou comprar uma coisa completamente inédita, quiçá uma gravata com a fotografia de um jogador do Glorioso, mesmo que saiba de antemão que ela nunca vai ser usada porque o aniversariante é de um clube rival; ou
- vou levar uma coisa de que eu gosto e pronto.

E o busílis coloca-se exactamente porque:

- não basta comprar uma coisa qualquer porque, afinal, é a intenção que conta;
- se sabemos à partida que a prenda vai ser inútil, mais vale que se perca algum tempo extra para escolher uma coisa mais adequada ou que, pelo menos, tenha algum préstimo;
- não se definiu claramente a quem é que a oferta tem que agradar mais, se a quem a oferece ou a quem a recebe.

O que pretendo dizer é que, na minha perspectiva, tem que haver alguma imaginação, alguma inovação, algum trabalho de pesquisa, algum interesse em surpreender o destinatário da oferta. É a ele que a prenda tem que agradar ou ser útil. Só ser diferente é pouco. Ficamos pela metade se conseguimos apenas surpreender ou se a prenda agradar mais a nós do que a quem se oferece.

Claro que não estou a referir-me em concreto à pessoa que me deu o presente de aniversário. De quem veio, eu sei que todos os anos, há muitos anos, eu recebo exactamente a mesma coisa, sem tirar nem pôr. Esperem, não estou a ser justo, às vezes a coisa muda de marca.

O que não muda é o facto de eu adorar receber os cumpimentos de parabéns no próprio dia em que faço anos e, se possível, logo de manhã. Nem tão-pouco muda a minha ideia de que a oferta dos presentes deve ser efectuada nesse mesmo dia e, de preferência, que venham ao encontro da minha personalidade e dos meus gostos.

A mensagem está dada.




quarta-feira, março 10, 2010

É indigno. É desumano

Há uns anos estive em trabalho em Maputo. Foi logo a seguir ao fim da guerra civil, quando os efeitos materiais e morais do confronto eram bem visíveis por toda a parte. Moçambique era na altura considerado um dos países mais pobres do mundo e eu tive a oportunidade de constatar as enormes dificuldades sentidas pela população no seu dia-a-dia, porque o dinheiro não abundava e porque nada funcionava em condições.
Lembro-me que num dos prédios mais altos da cidade, havia pessoas que moravam nos andares mais elevados e que não podiam vir à rua simplesmente porque os elevadores estavam parados por falta de manutenção.

Corria o ano de 1994, vivia-se numa situação de pós-guerra, num país demasiadamente pobre em África.


Ontem li uma notícia publicada num jornal cá do burgo que dava conta que em Almada há pessoas que há uma década não saem de casa por falta de rampas nos prédios em que vivem.

Deficientes, idosos que têm dificuldade em movimentar-se e pessoas que estão confinadas a cadeiras de rodas, todos estão enclausurados nas suas casas há anos porque os contrutores e as entidades que deveriam licenciar e fiscalizar as obras se esqueceram do pormenor "insignificante" de incluir no projecto as necessárias rampas de acesso. Só degraus e escadas demasiado inclinadas, ainda por cima perigosas, por escorregadias, quando chove. "Erros frequentes na construção de edifícios" é como justificam o caos em que vivem.

Só os bombeiros conseguem - e com dificuldade - transportar os doentes a uma consulta, à fisioterapia ou a um hospital.

E de nada servem as múltiplas queixas e petições que os moradores estão fartos de enviar às instâncias oficiais. As autarquias continuam sem dar resposta às justas reivindicações de quem lá mora e se sente enterrado vivo.

Estamos em 2010 num país da Europa. Não existem motivos que justifiquem tamanha situação. É indigno. É desumano.




terça-feira, março 09, 2010

O PEC

A coisa complicou-se de tal forma que agora têm que ser tomadas medidas drásticas para reduzir o deficit até ao nível previsto pela União Europeia. Medidas que, inevitavelmente, passam pelo bolso de todos nós.

Já prevíamos que isso iria acontecer mas, se dúvidas houvesse, José Sócrates e Teixeira dos Santos vieram ontem anunciar o que de mais importante foi decidido para tentar controlar as contas públicas até 2013. E o PEC, a apresentar em Bruxelas, tem que demonstrar inequivocamente que o nosso país vai dar passos firmes para atingir esse objectivo. É o que esperam os senhores da União Europeia, é o que esperam os patrões dos mercados internacionais que decidem se sobem ou descem os juros dos dinheiros com que nos endividamos e é o que esperamos nós, ao tentar perceber se todos os sacrifícios que fazemos têm algum sentido.

Mas claro que o dinheiro tem que aparecer de algum lado. Assim, uma fatia desses muitos mil milhões que precisamos poupar, tem que ser recuperada pelo congelamento dos salários dos funcionários públicos, pela criação de um tecto máximo para benefícios fiscais e deduções no IRS, por um corte de 0,5% nos gastos com prestações sociais e pelo pagamento das auto-estradas que até aqui eram de borla.

Porque o Governo não pode mandar tirar fotocópias das (poucas) notas que ainda tem no Banco de Portugal nem vai – formalmente – fazer subir os impostos, a situação parece estar à beira de um beco sem saída.

Sócrates afirmou que espera conseguir um consenso político e social com os partidos da oposição sobre as medidas do PEC. E realmente fez um piscar de olhos à direita (ao adiar a construção de dois troços do TGV) e à esquerda (ao criar um escalão de 45% no IRS para rendimentos superiores a 150 mil euros), mas o Governo não teve a coragem de piscar o olho aos cidadãos. É que nós sabemos que o desemprego não baixará dos 9% até 2013 e desconfiamos que o pedido de sacrifícios não se fique por aqui.

segunda-feira, março 08, 2010

“Alice no País das Maravilhas”

Há muito que não assistia a uma estreia de um filme. Aconteceu na última quinta-feira, numa sala completamente esgotada, onde fui ver o muito aguardado “Alice no País das Maravilhas”, uma adaptação da história criada por Lewis Carroll com a perspectiva muito pessoal de Tim Burton que o realizou.

Quase 50 anos depois da primeira versão da história cinematográfica, aí temos a recriação de Alice, num filme com efeitos 3D.

Devo dizer, desde já, que não sou apreciador de filmes em 3D, agora tão em moda. Apesar de tudo, gostei deste “delírio” de Tim Burton que, afastando-se (como se esperava) da história original, apresentou uma Alice já com 19 anos, que foge a um casamento de conveniência e que mergulha num mundo fantástico de sonho e aventura, um negro mundo subterrâneo onde vai encontrar monstros e loucos, tudo à mistura com muita fantasia. Uma terra de maravilhas, mistérios e perigo, onde se trava uma luta entre o real e a ficção.

Como disse, gostei do filme. Mas, entre os meus companheiros, as opiniões dividiram-se. Houve quem achasse a realização banal e previsível, um pouco ao jeito da Disney, e houve quem tivesse ficado impressionado com tantos seres animalescos que, ainda por cima, por via do efeito 3D, vinham ao nosso encontro impetuosamente.

Apesar de para o espectador ser diferente a visualização de um filme que utiliza esta técnica dos outros considerados comuns, é bom que se diga que este não é uma película exclusivamente em 3D mas sim um filme em que esta ferramenta se harmoniza muitíssimo bem com a história que está a ser contada.

Para lhes despertar o “apetite”, aqui está um cheirinho (sem necessidade de colocar óculos especiais) do filme

sexta-feira, março 05, 2010

Joguem o Tetris, meus senhores

Se não me falha a memória, a memória é a segunda grande função do cérebro. E, segundo li, a teoria cognitiva desta capacidade intelectual não foi, até ao momento, tão desenvolvida como a da inteligência, dada a complexidade e tipos de memória existentes.

Daí que não devêssemos valorizar tanto certas “falhas” de memória dos nossos políticos que são tão martirizados quando apanhados nas tortuosas contradições que tecem (por falhas de memória momentânea, já se vê). E nós, cínicos confessos que somos, estamos sempre a postos para classificar tais “esquecimentos” de mentiras grosseiras, ditas por despudorados aldrabões.

A propósito do caso PT/TVI, Sócrates disse não ter sido informado do negócio e, mais tarde, de nada saber oficialmente. Em rigor, uma confusão ou um lapso de memória que pode acontecer a qualquer pessoa. Para mais, o Primeiro-Ministro já tem tantas outras coisas com que se preocupar …

Mais recentemente, soube-se que Paulo Rangel, um dos candidatos à liderança do PSD, já foi filiado no CDS, de 1996 a 1999, mas, segundo disse, não se recordava disso. "Nunca escondi a ligação ao CDS, apenas afirmei que não me recordava de me ter filiado". Estão a ver? Rangel não se lembra de ter conta aberta no CDS mas, por outro lado, recorda-se perfeitamente de ter escrito a carta de renúncia que enviou em 30 de Março de 1999. Ou seja, não tem a certeza se assinou mas garante que se desvinculou.

Do mesmo modo não se pode exigir a outros profissionais, por exemplo a engenheiros e mestres-de-obras, que se recordem do universo de procedimentos que têm que observar quando constroem casas. Há sempre a possibilidade de ocorrerem lapsos de memória, mesmo que, por causa deles, venham a resultar as derrocadas dos edifícios construídos. Como agora aconteceu no novíssimo Hospital de Cascais, inaugurado há uma semana, onde na zona de consultas externas caiu um tecto e se verificou uma inundação devido ao entupimento de um cano de água.

É o que eu digo, nestas coisas do cérebro, existem zonas ainda muito nublosas que fazem parecer estranhas certas atitudes. Por isso, recordo um artigo publicado numa revista científica que revela que jogar Tetris provoca efeitos positivos no cérebro.

Pois então, do que é que estão à espera? Joguem o Tetris, meus senhores.

quinta-feira, março 04, 2010

Os hábitos vão mudando



A propósito de turismo, um dos livros que estou a ler é 1 Km de cada vez” de Gonçalo Cadilhe. É um livro interessante, que se vai lendo aos poucos, e que nos dá conta de histórias por ele vividas por esse mundo.


Chamou-me a atenção um capítulo em que escrevia sobre americanos, descendentes de italianos, que pretendiam sentir-se menos americanos.


Dizia:


“O que significa sentir-se menos americano? Significa sentir-se mais europeu, desses europeus que são mediterrânicos, provençais, latinos e solares. Significa, por exemplo, tomar um aperitivo à hora dele, ao fim da tarde. Que tem um sentido oculto e profundo, na América – porque um aperitivo precede um jantar, essa coisa tão mediterrânica de sentar-se à mesa para uma refeição decente a horas “indecentes”, como às 8 ou às 9 p.m.. Os americanos, pelo contrário, não jantam – comem qualquer coisa ao fim do dia. O que quer que seja”.


Partilho, em parte, da sua tese. Nós europeus e sobretudo os latinos, gostamos de estar à mesa e não apenas para comer. É à mesa que confraternizamos com familiares e amigos, que fazemos negócios, que conquistamos amores. Costumo dizer que um dos prazeres da vida consegue-se, tão simplesmente, com um bom queijo, um bom vinho e uma boa companhia. Gostamos de jantar, de petiscar ou de tomar um copo. A mesa faz parte da nossa cultura.


Mas os tempos são outros e os hábitos estão a mudar. Já muitos portugueses se americanizaram e comem, também eles, qualquer coisa ao fim do dia. O que quer que seja. Por puro comodismo, para economizar, por dieta, por cansaço, porque se sentem bem com essa espécie de alimentação. Todas as motivações são válidas. E pelos relatos que vou ouvindo, estou em crer que bastante gente há muito que deixou de se sentar à mesa para comer uma refeição decente. Mesmo sendo latinos e europeus.

quarta-feira, março 03, 2010

Turismo de sofá

Há uns anos um vizinho confidenciava-me que tinha ido a Atenas em trabalho. Naturalmente perguntei se tinha gostado da capital grega e dos seus lugares mais conhecidos, tão carregados de História. A resposta veio pronta e completamente surpreendente:


“Em oito dias só saí do hotel uma única vez para visitar a cidade. De resto, fiquei pela piscina …”.


Nem queria acreditar. Então o fulano tinha a oportunidade de ir até ao outro lado da Europa e aproveitar a estadia para conhecer o Parthenon, andar pelas ruas da cidade, eu sei lá que mais, e ficava no hotel para banhar-se numa piscina que de Homérica pouco teria. Puro desperdício, pensava eu.


O tempo e as transformações que ele sempre trás, fez com que eu passasse a considerar o meu vizinho como um homem muito à frente do seu tempo. Mas só comecei a pensar nisso, quando se começou a falar em Couchsurfing, a maior rede social do mundo de alojamento gratuito, o chamado turismo de sofá. Um turismo que alberga “turistas” a quem já não interessa visitar os monumentos dos países que visitam mas que preferem tão-somente deslocar-se para conhecer pessoas de culturas diferentes, saber como elas vivem o dia-a-dia e viver isso com elas. Esse é o intuito, o resto já é passado.


Bem podem dizer-me que com a internet podemos visitar, e em pormenor, os lugares mais longínquos e inóspitos do mundo. É verdade que sim, só que, nada substitui o nosso olhar. O estar lá e o vermos as coisas com os nossos olhos é completamente diferente de vermos as mesmas paisagens ou locais em belíssimas fotografias ou pela net, ainda que essas imagens sejam de altíssima qualidade.


Eu que sou doutros tempos e que continuo a interessar-me por belas e exóticas paisagens e monumentos com história, olhados e admirados no próprio local, não consigo ficar indiferente ao facto de dois em cada mil portugueses estarem disponíveis para dormir em casa de desconhecidos fora do país e para acolher, em troca, estrangeiros na própria casa, oferecendo-lhes dormida e companhia.


Turismo de sofá? Não, para mim não, obrigado.





terça-feira, março 02, 2010

O “Devir”

Um dos resultados de tentar acompanhar as modas, apesar de já ter idade para ter juízo, é a admiração que provoco nalgumas pessoas bem mais novas que, quiçá, me julgariam a milhas de tais modernices.


Foi o que aconteceu há dias quando, depois de ter aderido ao facebook, um jovem amigo me enviou a seguinte mensagem: “Olá, é com grande satisfação que o recebo aqui na minha humilde página. Gostaria de felicitá-lo pela sua atitude perante a vida, pois só assim conseguirá acompanhar aquilo que muitos chamam de “Devir”.


Para além das palavras de amizade, o que me deixou um tanto ou quanto aflito foi o termo “Devir” que, num primeiro momento, julguei estar relacionado com qualquer actividade extra-terrestre.


Afinal não. Segundo a wikipédia (mais uma vez ela), o “Devir” é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. Traduz-se, de forma mais literal, nas palavras de Heraclito (filósofo nascido em Éfeso – 540 a.C./470 a.C. - e considerado o “pai da dialéctica”) em “a eterna mudança do ontem ser diferente do hoje”. Tão simples como isso.


Portanto, ao ser incluído nessa onda que gera a mudança que se verifica em cada dia e fazendo parte dos agentes que protagonizam o “Devir”, só posso dizer que me sinto feliz. ESTOU VIVO!

segunda-feira, março 01, 2010

Fidalgo Lavrador


A minha mãe contava que quando eu era bebezinho uma vizinha do prédio vaticinava o meu futuro dizendo: “Este menino vai ser um fidalgo lavrador”.


Lavrador não fui mas sinto que de fidalgo devo ter herdado alguma coisa, por pequena que seja, embora sem fortuna.


A minha riqueza consiste no prazer de conhecer pessoas e lugares interessantes. Como aconteceu no passado sábado em que fui almoçar ao Hotel Olissipo Lapa Palace, mais conhecido pelo Hotel da Lapa, em Lisboa.


Este ano alinhei de novo no desafio de ir almoçar/jantar a alguns restaurantes mais “in”, daqueles que participam na 3ª edição da Lisboa Restaurant Week by “Sabor do Ano” e que a troco de uns acessíveis 20 euros (19 para o restaurante e 1 para uma Instituição de Solidariedade Social) servem uma refeição completa, cheia de requinte, dentro de aquilo que normalmente se conhece como cozinha de autor.


É verdade que nem sempre as refeições correspondem aos mínimos que cada um estabelece como aceitáveis. Alguns chegam a provocar umas sonoras gargalhadas e uma vontade enorme de entrar no Mac mais próximo. Não foi o caso desta vez.


O Hotel da Lapa é um lugar muito agradável e sofisticado e o almoço foi simpático.


Começámos por uma


“Terrina de Fígado de Aves com Cogumelos Selvagens e Salada Fresca, Compota de Tomate Verde e Vinagrete de Citrinos”,


avançámos por uns


Lombinhos de Porco com Duxelle de Girolles em Massa filo, Cama de Grelos e Batatas Sautée”


e terminámos com um


“Parfait Exótico com Salada de Manga e Sorvete de Coco”.


Ainda provei uma outra sobremesa, “Flan Quente de Chocolate “Guanaja” com Coração de Framboesa e Gelado de Lavanda”.


Toda a refeição foi acompanhada com um excelente vinho branco geladíssimo e rematámos com café e uns “petit four” deliciosos, estes, oferta do restaurante.


Num dia desagradável de tempestade a pedir recolhimento, foi uma refeição perfeita, num ambiente requintado, com música ambiente de bom gosto e um serviço sem qualquer mácula, eficiente e simpático.


Se ainda forem a tempo (alguns esgotam num instante) vale a pena deixarem-se tentar por alguns dos restaurantes que participam nesta semana gastronómica. O preço é acessível, acabamos por contribuir para uma causa social e, caramba, nós também merecemos estes pequenos “luxos”, mesmo que não sejamos “fidalgos ou lavradores”.


De 24 de Fevereiro até 6 de Março


restaurantes.aospontos.com


sexta-feira, fevereiro 26, 2010

A Teoria da Conspiração


Por agora estão dispensados de lerem as minhas opiniões sobre as escutas ou sobre os polvos e os seus tentáculos que (alegadamente) se aprontam para asfixiar a comunicação social.


Hoje prefiro dissertar sobre a teoria da conspiração que, se o desejarmos, também poderemos aplicar ao tema que, como disse, não quero abordar neste momento.


Para melhor me documentar sobre a matéria, procurei na net e não foi necessário pesquisar muito para saber um pouco mais sobre o assunto.


Segundo a Wikipédia “a Teoria da conspiração é um termo usado para referir qualquer teoria que explica um evento histórico ou actual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos. As teorias da conspiração são muitas vezes vistas com cepticismo e por vezes ridicularizadas, uma vez que raramente são apoiadas por alguma evidência conclusiva … no final do século XX e inícios do XXI, as teorias da conspiração tornaram-se um lugar-comum nos meios de comunicação, o que contribuiu para o conspiracionismo emergente … Acreditar em teorias da conspiração tornou-se, assim, num tema de interesse para sociólogos, psicólogos e especialistas em folclore …”


Nem sempre as explicações da Wikipédia são as mais convincentes. Neste caso, porém, o resultado veio ao encontro do que eu próprio penso sobre tantas matérias que são publicadas na comunicação social. Vejamos duas delas:


- Caso Figo – Ninguém tem dúvidas de que o Figo, em troca daquele pequeno-almoço com o primeiro-ministro, ganhou um contrato milionário assinado nessa mesma tarde. Como se sabe o ex-jogador não tem nem nunca teve contratos chorudos com marcas ou empresas. Este foi o primeiro e, para isso, só lhe bastou “pequenalmoçar” com o Chefe e dizer publicamente que o ia apoiar.

Vocês acreditam mesmo nisto? Não ponderam, por um momento sequer, que o Figo é um cidadão sério, que tem as suas opções políticas e que este contrato não foi, necessariamente, a contrapartida de um favor? Ah, e quanto ao facto de ter assinado o contrato no mesmo dia do pequeno-almoço não poderia ter acontecido simplesmente porque o Figo não reside cá e quis rentabilizar o tempo? Não é aceitável que assim tenha sido?


- Caso jogo FCP – Braga – A dar-se o caso de eu ter visto o mesmo jogo do que as pessoas que agora conjecturam que ali “houve gato”, devo dizer-lhes que aquilo a que assisti foi a uma equipa (a do FCP) a jogar um belíssimo futebol e a humilhar a equipa bracarense que estava irreconhecível nessa noite. Em toda a partida só se viu FCP e o resultado final de 5-1 a favor dos dragões foi inteiramente justo. Só que, de imediato, as vozes se levantaram e logo veio à baila mais uma teoria da conspiração. Domingos Paciência, treinador do Braga é um produto do FCP, onde foi jogador um ror de anos e ele pretende ser o substituto do actual treinador dos azuis, Jesualdo Ferreira. Para mais, muitos dos jogadores do Braga estão lá emprestados pelo Porto. Posto isto, o que mais seria necessário para o “caldinho” estar montado?


Daí eu perguntar. Será que estamos a ficar paranóicos? Será que vemos em tudo a maldita “teoria da conspiração”? Ou será que, simplesmente, continuamos a ser burros?


Afinal, em que ficamos?



quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Minudências


Acreditem que já não tenho pachorra para ouvir as questiúnculas da comunicação social sobre as divergências e as contradições do número de pessoas que faleceram na Madeira naquela malfadada enxurrada da semana passada.

O que é que me interessa se o número foi de 40 ou 42 mortos e quais as fontes de onde são provenientes “tão díspares” estatísticas? O que é que adianta seguir a curiosidade dos jornalistas quando andam atrás de quem anda a trabalhar no duro só porque uma bomba que sugava a água deixou de trabalhar cinco minutos enquanto estava a ser mudada de sítio?

O que me importa, isso sim, é saber quais as medidas de apoio que estão a ser asseguradas às vítimas e o tempo que vai decorrer até a normalidade ser restaurada.

Essas são as notícias que eu espero ver nos telejornais e na imprensa escrita. Quero os factos, não as minudências.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Azar o meu!

Em 1960, tinha eu uns catorze aninhos muito inconsequentes, havia em Portugal 29,1% de jovens até aos 15 anos de idade e eu, como perceberam, estava incluído nessa percentagem. Era muita juventude junta mas, apesar disso, não havia Institutos nem Ministérios que se preocupassem connosco. Azar o meu! Toda a gente esperava que o processo de crescimento prosseguisse e, depois, logo se veria.


Em 2006, e para a mesma facha etária, a percentagem diminuiu para 15,5%. O número de jovens era substancialmente mais reduzido e, provavelmente por isso, foram criados organismos oficiais para cuidarem deles. Eu já não fazia parte desse número. Azar o meu!


Prevê-se que em 2021 a percentagem de jovens até aos 15 anos se situe nos 13%. Apesar da população até àquela idade vir a ter ainda menor expressão, acredito que para além dos tais organismos oficiais que já existem, possam ser criados mais uns quantos para ajudar os primeiros. Só que, nessa altura, e porque sou bem capaz de estar demasiado velho, já ninguém se vai ralar comigo. Azar o meu!


Moral da história: “Sou capaz de ter nascido uns quantos anos antes do que devia. Azar o meu!”

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Portugal desanimado


Embora nem sempre acompanhe as suas opiniões, reconheço-lhe a inteligência e a prosa brilhante e encanta-me a sua ironia. Refiro-me a João César das Neves, economista e professor catedrático.


Numa sua crónica publicada no Diário de Notícias, dissertou notavelmente sobre um certo país deprimido – Portugal.


É um texto que vem no seguimento do que tem sido escrito neste espaço nestes últimos tempos e que, de alguma forma, deveria despertar a nossa auto-estima mas que – receio bem – é capaz de nos provocar um efeito exactamente contrário.



Transcrevo, então:


“Portugal vive um momento decisivo da sua democracia. Esta é a altura para afirmar claramente o valor do nosso regime, da economia de mercado, da participação na Europa, da cultura lusitana. Esta é a altura para proclamar os valores fundamentais que nos regem e que nos unem como povo. Precisamente porque tudo parece negar essas verdades.

O Governo é cada vez mais incapaz de compreender, quanto mais resolver, a situação nacional. A oposição revela-se inábil para apresentar alternativa credível. Os grupos de pressão fecham-se em egoísmo paralisante e envenenam a vida nacional. A classe política, degradada pela incapacidade da administração e da justiça, embrulha-se em mediocridade, dedicando-se a temas mesquinhos e abstrusos. Até a Europa anda sem rumo e o mundo, mergulhado na crise financeira, não consegue consensos cruciais.

Não admira o desânimo, desinteresse, cinismo dos cidadãos. As novas gerações queixam-se do sistema sem futuro que os pais criaram na revolução e que os condena ao emprego precário. Multiplicam-se as queixas, escândalos, intrigas, fúrias, desconfianças. Apela-se a um Salazar que venha pôr isto na ordem. Portugal está desanimado.

Isso apenas indica que vivemos um momento axial da nossa história. Temos de perceber que o desânimo, desinteresse, cinismo, por muita razão que tenham, são o único verdadeiro problema. Os Governos viram e os ministros mudam. As oposições, grupos de pressão, classe política não passam de folclore. Mesmo a crise financeira e questões internacionais são acidentes menores. Olhando a História vemos que em todas as épocas nos aconteceram coisas muito piores, que foram ultrapassadas e acabaram por desaparecer. Portugal pode vencer todas as dificuldades, menos uma: o povo desanimado.

Temos de ver as coisas como elas são. Somos hoje um país rico. Claro que temos muitos problemas, pobreza, dificuldades. Como todos os países ricos. Os que se lamentam da situação actual já esqueceram os terríveis sofrimentos do tempo da guerra mundial, mesmo sem termos entrado, e da guerra colonial, em que entrámos 13 anos. Já não se lembram das enormes crises de 1970 e 1980 e dos medos na entrada na Europa. Todas essas coisas parecem longínquas, mas as gerações anteriores enfrentaram problemas muito piores e conseguiram trazer-nos até aqui. O nosso sarcasmo e desilusão é simples mediocridade. Queixamo-nos dos políticos que são patéticos. É bom não imitarmos a sua indignidade.

Porque o problema de Portugal não se revolve nas leis e no Parlamento. A dificuldade não está no Orçamento e portarias. A solução não passa pelos programas ministeriais e debates partidários. É através da acção diária de 10 milhões de pessoas, cada uma a tentar melhorar a vida, que o País avança. Não fazendo coisas espantosas, mas simplesmente tratando da vida. Os trabalhadores trabalhando e os desempregados procurando emprego; os empresários criando negócios e os consumidores comprando produtos; os funcionários cumprindo o seu dever e as famílias crescendo. Todos enfrentando os obstáculos que os políticos criam. A vida não se resolve na política; resolve-se na vida. Se os políticos não estragarem, já não é mau.

O nosso único erro foi acreditar quando os dirigentes disseram que iam resolver tudo. Os nossos responsáveis são maus e não cumprem. Olha que novidade! Há mil anos que nunca foram bons. Aliás, comparados com o liberalismo e Primeira República, os nossos incompetentes até parecem óptimos.

Portugal não acredita no futuro. Esse é o único problema de Portugal. Hoje no mundo globalizado, de fronteiras abertas e concorrência feroz, as oportunidades estão abertas a todos os que as quiserem aproveitar. China, Índia, Leste da Europa e tantos outros lutam com confiança e força e ganham espantosamente. Portugal, ao seu nível, pode seguir o mesmo caminho. Só precisa de querer.

Precisa de trabalhar em vez de se endividar; de empreender em vez de reivindicar; de poupar e investir em vez de esperar do Governo. O único real obstáculo é o desânimo”.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Limites


Na verdade, de tanto ter manifestado a minha revolta em crónicas anteriores aqui publicadas, já não fará grande sentido voltar ao assunto. Mas, que querem, às vezes dá-me uma raiva que me tolda a mente e zás. Vá de escrever de novo na tentativa de encontrar outros indignados entre quem me lê.

Desta vez, a minha perturbação foi motivada por notícias que não devem deixar indiferentes quem quer que seja. Ainda mais, num momento em que muitos sentem que o país caminha para o abismo.

Vejam, então, se conseguem ficar apáticos ao saberem que um ex-administrador da PT, sem currículo profissional que o justifique, ganha num só ano o que um técnico superior principal da Administração Pública (que é o topo da carreira) leva a ganhar em 20 anos?

Ou será que conseguem entender porque é que uma novel deputada do nosso Parlamento, que tem a sua casa em Paris mas que foi eleita pelo círculo de Lisboa, está recenseada em Lisboa e a morada que consta no seu Bilhete de Identidade é Lisboa, pretende que o Estado lhe pague 1200 euros todas as semanas, custo do bilhete de avião em executiva Lisboa/Paris/Lisboa?

Será que ficam indiferentes a situações como estas? Não acredito. Há limites que o bom senso, a ética e a justiça recomendam. E, se ultrapassados, eles só podem ser considerados como insultos intencionais e provocatórios aos cidadãos.


sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Justiça célere


Para aqueles que andam sempre a malhar na justiça (e têm razão para isso) porque é lenta (lentíssima, melhor dizendo), digo-lhes, apenas, que não será tanto assim.

É verdade que os processos “Casa Pia”, “Freeport” e outros se têm arrastado para além do que seria desejável e a nossa paciência aguenta mas, pelo contrário, há indícios de que noutros casos a coisa vai bem melhor.

Por exemplo o julgamento que agora começou em Matosinhos, onde um colectivo de três juízes vão ter que decidir a sorte de dois rapazes acusados de roubarem um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky.

Apesar de se tratar de um crime tão grave – não esqueçamos que os larápios tinham surripiado nada menos do que um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky – a investigação foi rápida e em muito menos de um ano o caso já está a ser julgado (por um colectivo de três juízes) e a leitura do acórdão ficou marcada para o próximo dia 22 de Fevereiro.

Dir-me-ão que o “Ganita” e o “Pistolas”, assim são conhecidos os meliantes, estão acusados de um crime de roubo punível com pena de prisão até oito anos, o que de acordo com o Código de Processo Penal deve ser julgado por um colectivo. Tudo bem, é verdade que sim, do ponto de vista formal. Mas, caramba, não houve qualquer homicídio ou outro crime igualmente grave. Está-se tão-só a julgar dois rapazolas que porventura queriam petiscar e a quem lhes faltava justamente o essencial, uns tragos de whisky e umas amêndoas para acompanhar.

Neste caso, como se vê, a justiça funcionou bem e célere. A investigação foi rápida (pudera, foram apanhados em flagrante e presos), o processo andou de forma lesta e a leitura da sentença vai ser proferida em breve. Num Estado de Direito é o que se exige.

O único senão, na minha perspectiva, tem a ver com o do exagero da acusação e da composição do próprio tribunal. O que, de resto, até talvez se compreenda se pensarmos que os réus não são políticos, financeiros, gestores nem alguém suficientemente conhecido na praça. Trata-se apenas do “Ganita” e do “Pistolas”.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ninguém consegue entender

Mais do que com as escutas e do controlo da comunicação social por parte do Governo que, convenhamos, estão um bocado mal contados, o que indigna realmente os portugueses é o facto de em 2009 – quando o pico da crise desabou sobre nós sem piedade - os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal terem lucrado quatro milhões de euros por dia. Nem mais.

Como é que alguém consegue entender que numa altura em que o país atravessa uma situação económico-financeira muito difícil, o desemprego cresce preocupantemente e a generalidade das empresas está em estado lastimoso, a banca atinja lucros de tamanha grandeza?

Vem nos livros que quanto mais profunda é a depressão de um país maiores são os lucros do sector bancário. Ainda assim, é difícil aceitar que – quando a economia mundial está de rastos e, em Portugal, as empresas fecham a um ritmo alucinante e os salários e pensões são insuficientes - o conjunto do BES, BCP, BPI e Santander tenha tido resultados líquidos de 1,4 mil milhões de euros, mais 14% do que no ano anterior.

Todos sabemos que a banca é uma das alavancas da economia e é natural que tenha lucros. Concordarão, no entanto, que a dimensão desses lucros, face à realidade do país, é desajustada e obscena.

E por ser o sector que mais beneficiou dos dinheiros públicos, deveria ser-lhe exigida pelo menos a mesma solidariedade e participação nos sacrifícios que são pedidos aos cidadãos e às restantes empresas.

Quatro milhões de euros por dia de lucro? Como é que se consegue entender uma coisa destas?





quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O país que não existe


Acreditem que já não aguento toda esta polémica à volta do Sócrates e sobre a sua eventual ingerência e manipulação da comunicação social. Ainda ontem ao fazer um zapping em vários canais de televisão, em todos eles se debatia a questão e se opinava se o Primeiro-Ministro tem, ou não, condições para continuar à frente do Governo.

E foi curioso ouvir a vários especialistas, de diversos quadrantes, frases que tinham invariavelmente expressões como “alegadas”, “a ser verdade”, “a confirmar-se”, “presume-se” e quejandas.

Ninguém tem certezas de nada (nem a Justiça, como ouvi a um dos comentadores) mas o veredicto está tomado. Sócrates “pretensamente” concebeu um ardiloso plano para, através dos seus “boys” e das empresas que o Estado controla, manipular a informação em Portugal.

Penso que ninguém põe em causa a liberdade de expressão nem, tão-pouco, a liberdade de imprensa. E se dúvidas houvesse bastava estarmos atentos a todo o tipo de opiniões que são expressas a toda a hora em jornais, rádios, televisões e blogues. O que se questiona, isso sim, é se o Governo através de um “suposto” polvo de enormes tentáculos está a tentar uma manobra de grande envergadura para controlar vários órgãos de informação.

Daí a esconjurar-se o Procurador-geral da República, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, os Gestores de várias Empresas Públicas, o Governo e, principalmente, José Sócrates foi um instante, “pintando-se” deste último, um retrato de (como vi há dias numa revista) “um homem desavindo e vingativo que desencadeia processos ilegítimos para obter fins inconfessáveis”.

Porém, para além das suposições, interpretações, deduções e opiniões baseadas em artigos meticulosa e competentemente trabalhados pelos jornais, pouco mais temos. Os factos, aquilo que a Justiça poderá considerar relevante para um eventual procedimento criminal, quanto a isso, nada.

E Portugal – será que ninguém pensa nele? – continua a afundar-se nos mercados internacionais devido a esta crise política (provocada por políticos cá do burgo) que apenas pensam nas suas estratégias pessoais e, como se fosse necessário, com a ajuda das intervenções públicas (e para que todo o mundo pudesse ouvir) do Comissário Almunia e do agora candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel.

Toda a oposição está em pé de guerra para derrubar Sócrates mas o país não está, por ora, em condições de pensar em novas eleições. Aliás, adivinha-se que a própria oposição também não pretende apresentar no Parlamento uma posição de censura contra o Governo.

Enquanto continuamos a olhar para esta telenovela sem fim à vista, com a ribalta a brilhar todos os dias com o aparecimento de novas e escaldantes notícias sobre a ingovernabilidade do país e a falta de crédito do Primeiro-Ministro, não podemos deixar de nos espantar que José Sócrates (que muitos consideram já um “cadáver político”) continue a subir nas sondagens. Na última que saiu no Expresso desta semana, Sócrates voltou a registar uma subida de dois pontos em relação à sondagem do mês anterior.

E, das duas, três: ou os inquiridos são um bando de idiotas cujas opiniões são absolutamente vazias de conteúdo, ou as sondagens apenas servem para alimentar uns quantos desocupados ou, afinal, este país não existe mesmo.


sexta-feira, fevereiro 12, 2010

“Invictus” – Uma sugestão para o fim-de-semana


Não sei se “Invictus” é um filme magnífico. Mas sei que saí da sala com a sensação de plena satisfação. “Encheu-me”, como costumo dizer.



Trata-se da evocação da vida de um homem absolutamente extraordinário que eu admiro muito – Nelson Mandela –, onde se verifica que a sua inteligência e bom senso conseguiram unir, através do rugby, uma nação profundamente dividida e onde as enormes assimetrias entre os “colonizadores” brancos e os nativos pretos se faziam ainda sentir apesar do apartheid já ter oficialmente terminado.


Uma luta que Mandela teve a coragem de levar a cabo, com perseverança e confiança, contra os maiores obstáculos que tinha pela frente. Sempre fiel a um lema que, aliás, é bem expresso logo no início do filme:


“Agradeço a todos os deuses que possam existir

Por meu espírito invencível

Eu sou o dono do meu destino

Eu sou o capitão da minha alma”


Como disse, gostei do filme embora não o considere “a obra maior” de Clint Eastwood, que o dirigiu. Mesmo assim, um grande filme com magistrais interpretações de Morgan Freeman (na pele de Mandela) e Matt Damon.


Enfim, “Invictus” é o nome do filme que sugiro que não percam.

Para lhes “abrir o apetite” aqui está o endereço onde podem ver o trailer do filme

http://www.youtube.com/watch?v=WV5PhkhUFZI