terça-feira, janeiro 26, 2010

Um erro que persiste

Sempre achei louvável que países e cidades homenageiem aqueles que lá nasceram ou viveram e que, de alguma forma, se destacaram nas suas actividades. É um reconhecimento importante, embora com o passar dos tempos as placas pouco ou nada digam aos mais jovens. Ainda assim, um prémio justo.


Esta semana ao visitar a Guarda, ao passar por uma rua do seu centro histórico, dei de caras com uma placa que indicava que ali tinha nascido um seu muito ilustre filho – Rui de Pina - cronista e diplomata, nascido em 1440 e falecido em 1522.


Só que – e repararem bem na imagem (que não é famosa) – a data da morte inscrita na placa é 1940.


Enalteço o reconhecimento que o Município quis fazer a tão ilustre personagem mas, convenhamos, por muito bom (e saudável) que fosse, Rui de Pina certamente não conseguiu viver 500 anos.


E a placa lá continua, sabe-se lá desde quando, sem que a autarquia tenha tido o cuidado de rectificar o erro. Ainda por cima no centro do Centro Histórico da Cidade da Guarda.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Chamem-lhe milagre …


Isso, se não tiverem outro nome, chamem “milagre” ao facto de, ao fim de onze dias após o terrível sismo que devastou o Haiti, ter sido retirado dos escombros um homem com vida.


Já depois das operações de busca terem sido oficialmente suspensas, a teimosia e a obstinação da família (que disse ter ouvido a sua voz) e da equipa de socorrista que o salvou foram determinantes para o resgate de Wismond Exantus.


Este jovem de 25 anos resistiu onze dias, façanha nada comum neste tipo de tragédias, e sobreviveu, segundo ele, porque bebeu Coca-Cola e cerveja e comeu bolachas a que conseguiu chegar nas ruínas de uma mercearia onde ficou soterrado, num pequeno buraco onde mal se podia mover.


“Não gritei, simplesmente rezei”, disse.


Perante tamanha perseverança e fé não posso deixar de acreditar que, neste caso, realmente aconteceu um milagre.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Distracções


Há dias num restaurante reparei que um senhor sentado perto de mim limpava cuidadosamente o prato, os talheres e o copo com um guardanapo, provavelmente para assegurar que todos os utensílios iriam ficar irrepreensivelmente imaculados antes de começar a almoçar. Só que, pouco depois, vi que limpava a boca ao mesmíssimo guardanapo que tinha utilizado para a loiça. Distracção do senhor, pensei.


Numerosas pessoas ao espirrar colocam a mão em frente do nariz e da boca para proteger quem lhes está próximo. Porém, imediatamente a seguir, essas pessoas tão cuidadosas são capazes de cumprimentar alguém com a mesmíssima mão conspurcada que tinha acabado de receber a saraivada de bactérias provenientes do espirro. Por distracção, digo eu.


Mas para quem pense que as distracções são apanágio das pessoas simples e sem história, recordo uma outra história que se conta de Albert Einstein, o célebre físico alemão (Prémio Nobel da Física em 1921) que ficou conhecido por ter inventado e desenvolvido a teoria da relatividade.


Pois Einstein era, como quase todos os génios, muito distraído. Conta-se que num certo jantar, tinha como sobremesa umas belas cerejas e, para lavá-las, pediu uma taça com água. Einstein lavou demoradamente as cerejas, comeu-as e, uns minutos depois, bebeu toda a água da taça.

Para que vejam. Até os génios não são imunes a estas abstracções.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Gourmet para quê?


Devo confessar que o título da crónica de hoje me foi sugerido pelo meu filho, muito embora eu tivesse já pensado escrever alguma coisa sobre o assunto.


Ao longo dos anos, e de forma intuitiva, fui-me apercebendo que muitos dos produtos que me queriam impingir (leia-se vender) eram completamente falhos de substância mas, no entanto, vinham muito bem apresentados e, muitas vezes, rotulados com um nome estrangeiro. Um pouco o que tem acontecido ultimamente com os chamados "produtos gourmet". Mesmo sabendo o que essa palavra significa não dispensei a consulta à wikipédia que me disse exactamente o que eu estava à espera. Que “Gourmet é o nome que se dá à cozinha ou produto alimentar (incluindo bebidas) que estejam associadas à alta cozinha”. Melhor dizendo, e para sermos rigorosos, os produtos ligados à “Haute Cuisine”. Assim é que é.


E isto ajusta-se a quase tudo. O conteúdo pode ser o mesmíssimo mas o que interessa é a forma, a roupagem, a apresentação da coisa.


Uma simples marmelada, se apresentada numa embalagem de plástico é apenas mais uma marmelada. No entanto, se dentro de um frasco com um design sugestivo e vestido com um lacinho a condizer, passa à categoria de marmelada gourmet. A mesma marmelada mas apresentada de um outro jeito e, claro, com um outro preço.


Até já há vinhos gourmet. E águas, calculem, as águas que jorram das mesmas fontes mas que são engarrafadas em recipientes vulgares ou em garrafas sofisticadas. Lá dentro, porém, a água é rigorosamente igual.


Chegou-se ao ponto – a loucura tomou conta da rapaziada – de já haver quem compre casas só porque têm varandas gourmet. Se não perceberam, eu repito, varandas gourmet que são assim como … não sei bem explicar.


Balelas, puro snobismo. Experimentem os “experts” da nossa praça fazer uma prova cega dos produtos, um normal e outro gourmet, e vejam se conseguem distingui-los. Claro que não. Não, não conseguem diferenciá-los. Como não conseguem dizer, depois de os saborear, qual a “flute” que contem Moet & Chandon e a que tem o nosso Murganheira. Como não conseguem fugir à fúria incontrolada da moda que os empurra para os tais artigos gourmet.


Calculem que um outro dia numa loja gourmet de um centro comercial, vi uma desprotegida banana, uma reles e pequeníssima banana da Madeira com uma etiqueta ao lado a dizer “Banana Gourmet”.


Oh meus amigos, poupem-me!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Sócrates, “o atum”

Já chamaram todas as coisas ao homem, disseram dele cobras e lagartos, implicaram-no em processos, uns atrás dos outros. O que é que querem mais, o que mais vão inventar para o crucificar?


TUDO. As mentes perversas não estão completamente satisfeitas e foram, desta vez, um pouco mais além. Fizeram de Sócrates (o primeiro-ministro, o José) “atum em posta”. Triste fado! Ter que acabar enlatado em óleo vegetal, ainda que em caixa de abertura fácil. Quem poderia imaginar tal crueldade?


Tanta gente, acreditem. Agora, para além de marcas tradicionais como o Tenório e o Ramirez (este último tão apreciado que chegaram a ser encontradas latas de conserva na despensa de Hitler) também podemos encontrar no comércio o “atum em posta Sócrates”.


“Melhor a morte que tal sorte”, digo eu. Mal por mal antes associá-lo ao homónimo ateniense que foi um dos fundadores da actual Filosofia Ocidental. Teria, pelo menos, maior glória.






terça-feira, janeiro 19, 2010

Urgentemente


Eugénio de Andrade (1923 – 2005), pseudónimo de José Fontinhas, é um dos grandes poetas portugueses.



Um belo poema de Eugénio de Andrade, “Urgentemente”



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

A Portugal ou ao Estado?

Não tive oportunidade de ler o artigo de Medeiros Ferreira publicado no Correio da Manhã da última quinta-feira mas, através de um blogue que costumo acompanhar, deduzi que a ideia que ele propunha para o combate ao endividamento do nosso país é, espero não estar a dizer algum disparate, levar os portugueses a investir as suas poupanças em certificados de aforro ou num qualquer outro produto de dívida pública.


E porquê? Basicamente porque as notações das agências de rating não têm sido favoráveis e o crédito que Portugal consegue no exterior está cada vez mais caro e difícil de obter. Então, porque é que Portugal não começa a pedir empréstimos aos próprios portugueses através da emissão de dívida pública? Nomeadamente de certificados de aforro ou de obrigações do tesouro, com taxas atractivas que possam superar as dos depósitos a prazo bancários. Seria uma forma viável de fugirmos um pouco aos financiamentos externos e a um preço porventura bem mais em conta.


Mas, atenção, a ideia de Medeiros Ferreira era, segundo penso, que os portugueses emprestassem a Portugal e não ao Estado que, reconheçamos, não tem dado grandes provas no que concerne à gestão das massas públicas. A tal ponto, que já há quem considere que o Estado “não é uma pessoa de bem”.


Acho a ideia óptima, sou até capaz de fazer um esforço para tentar arranjar uns trocos para ajudar o meu país mas, antes, gostaria que alguém me esclarecesse duas questões:


- Afinal qual é a diferença entre emprestar a Portugal ou ao Estado? Portugal não é um Estado, uma Nação que tem um Governo cujas instituições administram o bem público? Se emprestarmos dinheiro a Portugal quem é que o vai gerir, qual o Ministério, Instituto ou Fundação que o vai administrar? O tal empréstimo a Portugal não se transformaria, na prática, num empréstimo ao Estado?


- E como iria reagir a banca (a quem os Governos tanto temem e veneram) - face à debandada dos depósitos a prazo que tem em carteira - à nova opção de poupança dos portugueses? Que contrapartidas exigiria aos seus clientes e ao Estado (ele, uma vez mais)?






sexta-feira, janeiro 15, 2010

Desassossegos


Hoje vou ser politicamente incorrecto e, de certeza, ignorante. E tudo porque não me entra na cabeça que uma pessoa que é ameaçada e roubada e que, em legítima defesa, responde para proteger a sua integridade e os seus bens, seja acusada de crime e se arrisque a ir parar à choldra.



Foi o que aconteceu, há dias, a um certo ourives que viu invadida a sua loja por um grupo de meliantes e que teve a “infeliz” ideia de resistir às ameaças e ao roubo do ouro que tinha para venda. Reagiu com a sua caçadeira aos tiros disparados pelos assaltantes e atingiu um dos bandidos que veio a falecer.



O que sobressai desta história é que a quadrilha em questão fez um assalto, ameaçou, roubou a ourivesaria e dois carros por carjacking e o Ministério Público acusou os quatro patifes por três crimes de roubo agravado e posse de arma proibida, ficando três em prisão preventiva e um em prisão domiciliária.


Já o pobre ourives foi acusado de homicídio privilegiado, um crime previsto na lei para os casos em que a actuação surge num estado de “emoção violenta e desespero” e que é punível com prisão entre um a cinco anos.


E a minha estupefacção é tal que me interrogo como deverei agir se um dia vier a ser assaltado ou puserem em risco a minha vida, dos meus familiares ou amigos? Deverei ficar quietinho à espera que os malandros sejam apanhados e condenados a uma pesada pena … suspensa, ou posso pensar - se tiver coragem e meios suficientes para tanto - em dar uma valente sova a esses indivíduos?


Como disse, não me conformo com este tipo de situações. Pessoas que não pediram para ser assaltadas, molestadas, violentadas a serem condenadas a penas que, no limite, podem ser mais pesadas ainda das que as dos próprios assaltantes e agressores.


E vocês, meus amigos, não ficam inquietos?


quinta-feira, janeiro 14, 2010

Desencontros de palavras


Chiste é uma daquelas palavras de que eu gosto e que, certamente, será incluída no rol de uma secção de palavras especiais, caso um dia me proponha a fazê-la.


E lembrei da palavra porque me recordo quando, noutros tempos, se oferecia, por exemplo, um sabonete, ainda que muito perfumado e bem engalanado de laçarotes, a pessoa que recebia o presente dizia, como chiste, como pilhéria (outra palavra que poderá fazer parte da tal lista): “Sabonete, hum … estás a insinuar que não costumo lavar-me?”


Era uma graça que fez escola e que se tornou habitual em certa época mas que não significava nada mais do que isso – uma graça. Porém, os “desencontros” de palavras sempre foram muito comuns e não perderam a actualidade. Se bem me lembro, já aqui escrevi sobre os tão banais desencontros de palavras, bem demonstradas pelo cumprimento “Viva, como está?” em que a resposta é, quase sempre, “Então, viva como está?”.


Hoje, ouvi outra situação que me pareceu bem demonstrativa desse desencontro ou da simples distracção das pessoas. Ia a passar quando ouvi duas senhoras, já em fim de conversa, a despedirem-se: dizia uma “Dona Ermelinda tenha um muito bom ano” ao que a outra respondeu “Muito obrigada, um bom fim-de-semana também para a Senhora”.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Pobreza e Desperdício

Há anos que faço voluntariado e conheço razoavelmente o nível de pobreza (alimentar e não só) que atinge cada vez mais pessoas no nosso país. E sei também que ao mesmo tempo que existem pessoas comprovadamente carenciadas, continua a haver muito desperdício.


Vejo isso no dia-a-dia mas, mesmo assim, fico chocado quando são publicados na imprensa os números que reflectem essa mesma miséria e aquilo que não se faz, e devia fazer, para minorar a injustiça social.


Em Portugal, em 2009, o Banco Alimentar Contra a Fome apoiou instituições que distribuíram ajuda alimentar a 267 mil pessoas, mais 18 mil do que no ano anterior.


E, enquanto essas pessoas – e o número está a aumentar assustadoramente - necessitam tanto dessa ajuda, continua a verificar-se o desperdício de alimentos em boas condições de consumo que vão parar ao lixo onde muitos vão depois vasculhar, tentando assegurar a sua sobrevivência.


A falta de legislação específica para a doação de bens por parte das empresas e a ausência de consciência social de uma boa parte do tecido empresarial, preocupado como está com questões que têm a ver com a sua própria continuidade, são os principais factores apontados para a existência desta situação. Os excedentes de produção, aqueles bens que não chegam a ser comercializados, são para os agentes económicos apenas lixo enquanto que, se devidamente encaminhados, seriam fundamentais para outros.


Segundo as Nações Unidas mais de 50% dos produtos alimentares produzidos no mundo não são vendidos e acabam por ser deitados fora. O suficiente para alimentar cerca de 50 milhões de pessoas.


É urgente encontrar soluções. Estados, organizações não-governamentais, a sociedade, cada um de nós, todos temos a obrigação de tentar dar a volta a esta calamidade. Não se pode continuar a assistir ao desperdício diário de alimentos quando tantos continuam a preencher e a engrossar o denominado “mapa da fome”.



terça-feira, janeiro 12, 2010

Melhor do que ser Ministro …



Diz-se por aí – e os exemplos são tantos que é capaz de ser verdade – que melhor do que ser Ministro é ser Ex-Ministro.


Na política nacional, o caso mais recente tem como protagonista a Ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que foi nomeada por José Sócrates para presidir à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, uma instituição de prestígio que visa fomentar as relações entre Portugal e os Estados-Unidos, promovendo o desenvolvimento económico, social e cultural português.


Não quero comentar a nomeação. Pretendo apenas registar o facto e dizer que embora não veja em Maria de Lurdes Rodrigues um perfil especialmente talhado para o cargo, ela saberá naturalmente estar à frente da instituição e com muito menos problemas e preocupações como as que a atormentavam quando tutelava o Ministério da Educação.


Lá por fora o panorama não é diferente. Soube-se agora que o Ex-Primeiro-Ministro inglês Tony Blair vai ser o próximo assessor do grupo de luxo Louis Vuitton, controlado pelo empresário francês Bernard Arnault. Não se preocupem, portanto, com a eventual situação financeira difícil de Blair. Não é caso para tanto. Tony Blair é já assessor do Banco JPMorgan Chase, do qual recebe 2,2 milhões de euros anuais e também assessor do Zurich Financial onde factura 555 mil euros por ano, fora os elevados valores que recebe pelas palestras que dá. E ele deve ter muitas coisas para dizer.


Portanto, meus Caros, melhor do que ser Ministro é ser Ex-Ministro ou Ex-Primeiro-Ministro. Não têm dúvidas, pois não?


Se, entretanto, souberem de alguma assessoria para um ex-trabalhador, agradeço que me avisem.


segunda-feira, janeiro 11, 2010

Afinal de contas …


Apesar das imensas preocupações com o deficit e com o endividamento externo parece que, afinal, o nosso país não está tão mal como isso. Segundo a revista “Internacional Living” e de acordo com padrões como o custo de vida, cultura e lazer, saúde, liberdade e segurança, Portugal é o 21º melhor país para se viver, numa lista de 194, melhor classificado até do que – pasmem-se - o Reino Unido, a Grécia, o Mónaco, a Suécia, a Polónia e o Japão. Os três países que estão no topo da classificação são a França, a Austrália e a Suíça.


A revista assegura ainda que Portugal dispõe de um dos melhores climas e é considerado um país livre, muito seguro e dono de um excelente sistema de saúde.


A verdade, porém, é que esta honrosa classificação, em que o nosso país obteve 73 pontos em 100 possíveis, apenas menos 9 pontos do que a vencedora França, não nos garante um melhor nível de vida nem nos deixa mais confiantes quanto a uma melhor justiça e educação ou um menor desequilibro entre ricos e pobres. No entanto, transmite-nos uma visão que vem de fora para dentro e que nos indica que nem tudo é mau por cá, como tantas vezes julgamos (“ah! isto só em Portugal” ou “se fosse noutro país …”) e que temos muitas coisas boas que nem sempre valorizamos.


E, reparem, que nos critérios tidos em conta pela “Internacional Living” não foram incluídas sequer coisas tão importantes como a gastronomia (vinhos e comidas do melhor do mundo) e a simpatia, hospitalidade e generosidade das nossas gentes.


Afinal de contas …

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Optimista?


Algumas pessoas têm-me perguntado quais são as minhas expectativas para o ano que agora se iniciou. Se estou, ou não, optimista quanto ao nosso futuro colectivo, já que algumas das crónicas aqui publicadas parecem dar a ideia de algum pessimismo. E a minha resposta é clara – apenas tento ser realista. Limito-me a analisar o que vejo, e aquilo que julgo ver, e o que concluo é que não tenho grandes razões para estar optimista.


Apesar disso, considero que sou, como diz a canção, um “optimista céptico”.


O mais certo, porém, é admitir que me revejo mais naquilo que Albert Schweitzer, teólogo, músico, filósofo e médico alsaciano (1875 – 1965) dizia ser o seu sentir:


A quem me pergunta se sou pessimista ou optimista,

respondo que o meu conhecimento é de pessimista,

mas a minha vontade e a minha esperança são de optimista”

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Ou tudo ou nada …


Ao ler as declarações recentemente proferidas por Cristiano Ronaldo, não pude deixar de pensar como, também o futebol, a vida é injusta. Glorificam-se os avançados que marcam golos, adoram-nos como Deuses porque são eles que contribuem definitivamente para o triunfo das suas equipas e raramente se enaltecem os defesas que dificultam o avanço dos adversários e, menos ainda, os guarda-redes que tentam impedir que os avançados contrários marquem golos. Sim, porque os avançados do outro lado também atiram para o golo.


E naquilo que deveria funcionar como uma equipa, afinal um todo, com glórias e derrotas conjuntas, o que normalmente acontece é que se louvam os avançados e culpam-se os que não marcam golos. Enfim, injustiças da vida.


Quanto às tais declarações do nosso geniozinho do pontapé na bola, resta destacar que a sua ambição passa apenas por “voltar a ganhar a Bola de Ouro” e a ser “o melhor futebolista da história”.


Assim é que é falar. A ser-se ambicioso não devemos ficar pelas meias tintas, deve-se querer o máximo. Como dizia a minha mãe “ou tudo ou nada, mulher do diabo”.



quarta-feira, janeiro 06, 2010

O Novo Acordo Ortográfico - Aviso

2010 foi o ano definido pelo Governo para o início do novo acordo ortográfico. Para se começar a escrever conforme o acordado, digo eu, muito embora me pareça que a maioria das populações dos vários países que assinaram o acordo, não faça a mínima ideia disso. Eu sei da intenção, mas desde já aviso que não tenciono cumpri-la, pelo menos nos tempos mais próximos. A não ser que qualquer inspecção (aqui já deveria ter escrito “inspeção”) do Ministério da Cultura a tanto me obrigue.


Mas estas mudanças escritas a que eu - felizmente em muito boa e numerosa companhia - tenho manifestado discordância, deviam ter sido iniciadas logo na primeira edição do Diário da República deste ano. Pois não foram. O texto do DR veio, todo ele, em português vernáculo, daquele que se usava no longínquo ano de 2009 e, portanto, cheio de erros ortográficos, face à nova realidade.


Penso que a confusão vai generalizar-se e os erros vão ser mais que muitos. O que, de resto, pode trazer até algum benefício. É que vai ser difícil saber quem é que dá erros de ortografia à luz do novo acordo ou, simplesmente, quem os dá porque nunca soube escrever correctamente.


Ao fim e ao cabo, há males que vêm por bem.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Pobreza e exclusão social


2010 é o Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social. Este é o ano em que, supostamente, vai haver um maior empenhamento dos governos para actuar contra este flagelo que cresce vertiginosamente. Em cada ano, um milhão de novos pobres junta-se aos já existentes. É urgente que sejam tomadas medidas realmente eficazes para dar condições de vida dignas a tantos seres humanos, a começar pela criação de mais e melhor emprego.


No nosso país existem cerca de dois milhões de pobres. Um em cada cinco portugueses é pobre ou vive no limiar da pobreza.


Portugal vai gastar 700 mil euros para colocar o tema na agenda. Temo, porém, que colocar na agenda não baste. É preciso mais, muito mais.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Esperança para 2010


Ora bem, aqui estamos de novo, no início de mais um ano que, temos esperança, nos vai trazer tudo aquilo que mais ansiamos.


E bem necessitamos que nos aconteçam coisas boas. Não basta ouvir o Primeiro-Ministro dizer insistentemente que tem esperança em nós – nos portugueses e no país – que confia nas nossas capacidades e na vontade que nos assiste para vencer os desafios, é preciso algo mais. É urgente que descubramos petróleo algures no país e é imperioso que as políticas consigam vencer a aparente (?) letargia em que nos encontramos e que parece estar a atirar-nos para o abismo.


Enquanto isso não acontece, resta-nos a esperança, a tal que é a última a morrer, que a crise vá ser definitivamente afastada e que a economia comece a crescer a sério. Há já pessoas que acreditam nisso. Um bom exemplo desses crentes é o do Presidente da Câmara de Paredes que se prepara para comemorar condignamente o primeiro centenário da implantação da República e, para isso, vai erigir um mastro gigantesco onde ondulará uma enorme bandeira nacional que seja visível a 30 quilómetros de distância.


O porém, é que essa bandeirinha (que é bastante grande) vai custar aos munícipes qualquer coisa como um milhão de euros.


Dir-se-á que atendendo à data que se pretende comemorar e da visibilidade que dará ao concelho, o investimento até é justificável. Não sei. Apesar de só se ir gastar um reles milhão de euros a dúvida que baila na cabeça de muita gente é a de saber para que é serve realmente uma obra de pura fachada.


A ser verdade que as autarquias se debatem com imensa falta de recursos e a ir por diante o projecto de senhor Presidente, não nos admira mesmo nada que muito em breve o mesmo autarca venha a solicitar a possibilidade de se endividar junto da Banca para fazer face a umas outras despesas com obras de saneamento ou arruamentos.


Enfim, o dinheiro não é tudo e a comemoração de um novo centenário só se realiza daqui a muito tempo.


sexta-feira, dezembro 18, 2009

Boas Festas e Bom Ano Novo



Cumprimento todos os que nos têm feito companhia e, nesta época de festas,

desejo que tenham



SAÚDE


PAZ e


AMOR



E que 2010 vos traga tudo de bom




BOAS FESTAS!
BOM ANO NOVO!





quinta-feira, dezembro 17, 2009

Uma tarde no Chiado



Ontem, numa das portas dos Armazéns do Chiado, uma jovem entregava pequenas brochuras publicitárias a quem entrava. Pela jovem, indolente e desinteressada pelo que estava a fazer, passavam pessoas que apanhavam o papel que lhes era entregue e respondiam “obrigado”. Fui sempre observando a rapariga na esperança de lhe ver um sorriso ou uma qualquer expressão de simpatia. Qual quê? Era ela que tentava “vender” um produto mas eram os passantes, eventuais compradores sem estímulo para tanto, que acabavam por balbuciar o agradecimento.


E pensei, não deveria ser ao contrário?

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Eles estão para chegar


Não aguento mais. Caramba, é bom que tenhamos consciência do que está a acontecer. Provavelmente mais de setecentos milhões de Pais-Natal pululam por aí - nas ruas, nos centros comerciais, a escalar as paredes dos prédios – e é nossa obrigação chamar a atenção de todos de que o Pai Natal não existe, nada tem a ver com o Natal e que apenas se tornou popular porque a Coca-Cola se lembrou de o inventar um dia.


Mas, como se não bastasse ter que ouvir, vezes sem conta, um homem já de certa idade, barbudo, vestido de vermelho (e às vezes de verde), com grande barba branca e faces rosadas dizer com a voz rouca “Oh! Oh! Oh!”, nós portugueses, que temos a mania de oscilar entre o miserabilismo e a glória suprema, imaginámos que ficaríamos muito mais ricos se o nome do país pudesse figurar no livro dos recordes mundiais.


Daí que, em 2007, no Porto, foi organizado um desfile de Pais-Natal que juntou 5443 pessoas fardadas a rigor e, por isso, entrou para o Guiness Book of Records.


No ano passado juraram que podiam fazer ainda melhor e conseguiram juntar cerca de 9000 participantes. Bateram o seu próprio recorde e entraram, de novo, para o Guiness.


E porque já foi anunciada nova convocatória para o próximo dia 20 é bom que manifestemos a nossa preocupação e que forcemos o Governo a acabar de imediato com toda esta palhaçada (desculpem mas esta do palhaço está na moda) antes que seja tarde, não vá a iniciativa juntar ainda mais Pais e Mães-Natal. Sim porque a “criatividade” de algum desocupado já inventou a figura da Mãe-Natal, como se os “Pais” não fossem suficientes.


Fora com os Pais-Natal e com as árvores de Natal. Comemore-se a quadra à maneira antiga, à volta de um presépio. Pensem nisso, um presépio, por mais simples que seja, só com o S. José e a Virgem Maria, o menino Jesus, o boi e a vaquinha, enfim, os Reis Magos se pretenderem transmitir mais solenidade ao quadro. Reinventem e façam-no mais sofisticado se quiserem. Mas, meus Amigos, o Natal, à séria, o seu espírito, festeja-se com o presépio.


Já agora, e a propósito da quadra, porque não substituir o Bolo-Rei pelo Bolo-Presidente? Portugal é uma República, certo?




terça-feira, dezembro 15, 2009

Orçamento rectificativo

Quando ontem me insurgi contra a rebaldaria de como se gastam os dinheiros públicos não podia imaginar que minhas próprias contas estavam à beira do colapso. E de tal modo, que tive que apresentar à família um orçamento rectificativo (ou redistributivo, ou lá o que é).


E não julguem que a situação tem a ver com as compras de Natal. Não, as coisas estavam muito bem controladas e nada fazia prever que houvesse necessidade de alterar fosse o que fosse.


O que veio abalar as minhas finanças foi a notícia do Expresso que me fez saber que a dívida do sector público dos transportes custa 1 400,00 euros a cada português. Dito por outras palavras, cada residente neste belo país deve ao Estado 1 400,00 euros só para pagar os prejuízos dos transportes públicos.


Como nada tenho para vender que constitua um proveito extraordinário que possa fazer face às despesas extraordinárias de que agora tive conhecimento, não tive outro remédio do que elaborar um “rectificativo” orçamental.


O pior – e a acreditar na afirmação da líder do PSD “o grande problema é que não se conhece a verdadeira situação das contas públicas” - é se até ao fim do ano ainda aparecerem outras despesas inesperadas. Aí, não me restará outra alternativa senão apresentar um novo orçamento rectificativo ao rectificativo de agora, tal como faz o Governo. É a vida!


segunda-feira, dezembro 14, 2009

Falta de rigor


Eu sei que é uma coisa de somenos importância. Não passa, aliás, de mera divergência de números a que, noutras circunstâncias, ninguém certamente ligaria. Só que, neste caso, estamos a falar de uma discordância que tem a ver com o dinheiro dos contribuintes e, por isso mesmo, temos o direito de exigir total rigor e transparência.


Em concreto, refiro-me à distribuição de computadores pelas escolas, nomeadamente do “Magalhães”, mas não só.


Segundo o actual Ministro das Obras Públicas, António Mendonça, a operação custou 120 milhões de euros. O anterior Ministro, Mário Lino, afirmou ter custado 116 milhões e o Presidente da Fundação para as Comunicações Móveis, entidade que gere o programa e-escolas, estima que os gastos terão ficado pelos 112 milhões.


Cento e doze ou cento e vinte milhões, a diferença é insignificante. Uns míseros oito milhões de euros que, seguramente, não nos vão tirar o sono. O que nos preocupa, isso sim, é a falta de rigor como se gere a coisa pública, onde ninguém parece saber ao certo quanto, onde e como se gasta o dinheiro de todos nós. E, nesta matéria, deveríamos ser bem mais exigentes.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Uma coisa é uma coisa e uma outra coisa é uma outra coisa


Já devem ter lido ou ouvido a história. Ao que a imprensa divulgou, dois polícias franceses - que não estavam de serviço nesse momento (isto é importante) - assaltaram uma lojeca e roubaram uns quantos telemóveis e mais umas coisitas que estavam ali mesmo à mão de semear. Só por isso o zunzum foi enorme.


Achei a notícia curiosa porque se costuma elogiar quem depois de uma jornada longa e dura de trabalho ainda tem disposição e talento para bulir mais umas horas num segundo emprego. Acontece, por exemplo, com os engenheiros que também são professores, com os fiscais das autarquias que fazem uns biscates como canalizadores, com os carteiros que são taxistas ou com os bancários que têm umas “escritas”. Diz-se deles que são uns tipos muito trabalhadores.


Mas a dupla função de polícias/ladrões não combina lá muito bem. Não só não se reconhece a determinação e o esforço de quem tenta fazer pela vida, como – injustiça das injustiças – acham que os pobres coitados só pelo facto de serem polícias não podem ser também ladrões. Nem sequer se atenta ao facto de que os personagens só vestem a pele de ladrões apenas e só porque estão de folga como polícias.


É que, meus amigos, uma coisa é uma coisa e uma outra coisa é uma outra coisa.


quinta-feira, dezembro 10, 2009

Eu não disse?


Quando há menos de 24 horas aqui escrevi “ … agora, que se sirvam do Parlamento para toda a troca de acusações e insultos sem sentido, é intolerável … “ não podia imaginar a “peixeirada” incrível que desabou na primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde.


Não tarda nada que estejamos ao nível dos Parlamentos da América da Sul e da Ásia em que vale tudo incluindo a agressão física.


Ouçam e façam o vosso próprio juízo.


Palavras para quê?




quarta-feira, dezembro 09, 2009

E é para aquilo que pagamos àqueles senhores?


Já passaram alguns dias mas, ainda assim, não os suficientes para fazer esquecer o que aconteceu. Refiro-me às tristes cenas do debate quinzenal de sexta-feira passada na Assembleia da República.


Sabendo, embora, que aquele tipo de retórica e violência fazem parte da chamada democracia parlamentar, o espectáculo a que se assistiu foi lamentável, chocante mesmo, para quem espera que os políticos que elegemos debatam sobretudo a forma como pretendem resolver os problemas do país.


Que inventem e discutam disparates como a “espionagem política” e as escutas de alegados “crimes políticos” em privado, tudo bem. Agora, que se sirvam do Parlamento para toda a troca de acusações e insultos sem sentido, é intolerável. Seria desejável que se discutissem ideias, que se fizessem alianças, no mínimo que chegassem a consensos, que delineassem políticas capazes de inverter coisas tão banais e tão importantes para os cidadãos como a queda eminente da já débil economia e a escalada imparável do desemprego.


Senhores Governantes e Deputados, pensem um bocadinho que seja naqueles que representam. Nos que votaram em vós e também nos outros. Em todos aqueles que vão assistindo impotentes às discussões sem nexo e à politiquice barata de onde pouco ou nada sai de concreto e de útil para a vida de todos nós.


Perante tudo isto e o número crescente de casos obscuros que vêm a público - os que estão em investigação e os muitos que teimam a aparecer a toda a hora - é cada vez maior o número de portugueses que questiona:


E é para aquilo que pagamos àqueles senhores?


sexta-feira, dezembro 04, 2009

Os agentes voadores


Todos nós sentirmos que a insegurança está a aumentar. Apesar de tudo, ficámos bem mais animados ao saber que a nossa polícia já dispõe de viaturas equipadas com novas tecnologias que permitem detectar carros a circular ilegalmente, nomeadamente no que toca a seguros desactualizados, que têm ordem de apreensão etc.


Mas o mais tranquilizante para o comum dos cidadãos é o facto de sabermos que em breve as polícias vão passar a dispor de agentes que viajarão em ultraleves. De onde poderão ser chamadas a coordenar situações de perseguição a criminosos, em que os agentes no terreno andarão montados em potentes motorizadas de dois lugares.


Embora seja uma boa notícia, não será ainda suficiente. A criminalidade tem aumentado assustadoramente e apesar dos “agentes voadores” a população necessita de mais e melhor protecção.


Mas os tais agentes que viajarão nos ultraleves também têm razões para estar preocupados. Nunca se sabe se vão estar na mira de uns “snipers” de má pontaria que, em vez do tiro aos pombos ou aos pratos, bem podem começar a atirar indiscriminadamente nos polícias, com as suas “potentes” espingardas de pressão de ar.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Porreiro, pá


Há muito que pais e educadores dão um duro danado para meter nas lindas cabecinhas dos nossos educandos que as comemorações de certas datas correspondem a determinados feitos, explicando-lhes o que aconteceu de relevante nesses dias, se possível de uma forma interessante. Tentamos, enfim, enriquecê-los culturalmente.


“Sabes o que foi o 25 de Abril?”


“O que se passou no 5 de Outubro?”


É, afinal, uma obrigação de quem tem a responsabilidade de formar crianças e jovens.


Mas, como se costuma dizer, o óptimo é inimigo do bom. Nada de excessos. O processamento maciço de informação pode produzir um efeito contrário. E hoje, com tantas coisas que nos distraem à nossa volta, é muito mais inteligente fornecermos conhecimentos em doses certas, de forma consistente e procurando não sermos chatos.


Por isso, fico preocupado com o que vou começar a contar sobre o 1 de Dezembro a partir de agora. Até aqui era o dia da Restauração. O momento em que os portugueses, em 1640, decidiram acabar com a dinastia dos Filipes de Espanha para voltarmos a ser independentes e donos do nosso próprio destino.


E daqui para a frente o que é que eu vou dizer? É que para além do dia da Restauração, a partir de agora - 1 de Dezembro de 2009 - começa-se a celebrar o dia do “Tratado de Lisboa”. Tratado europeu esse que, segundo disse há dias António Vitorino, de tão complicado que é ninguém lhe vai mexer nos próximos 10 anos. Pelo menos.


Vamos então ensinar às nossas crianças e adolescentes que no 1º. de Dezembro se comemora a Restauração e o Tratado de Lisboa.


Lá está, com tanta informação junta, temo sinceramente que os nossos jovens venham a reter que o 1º de Dezembro é apenas um dia feriado ou, quando muito, que é o dia do “Porreiro, pá”.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Mais uma vez a solidariedade dos portugueses respondeu presente. E se é verdade que o Banco Alimentar tem conseguido granjear – através da seriedade e transparência da sua acção e do empenhamento de todos os que trabalham por tão nobre causa e nomeadamente os seus voluntários (os da campanha e os de todo o ano) –a confiança dos portugueses também é verdade que esses mesmos portugueses, apesar do clima de profunda crise económica, continuam a aderir à chamada, a favor de quem mais precisa.


A prova disso é que no último fim-de-semana os Bancos Alimentares Contra a Fome angariaram em todo o país 2 498 toneladas de alimentos, mais 30,9% do que o conseguido em Novembro de 2008.


A campanha deste fim-de-semana, cujo lema foi “Dê a melhor parte de si ao Banco Alimentar: a sua solidariedade” foi um êxito. Mais uma vez os pequenos/grandes gestos dados por milhares de pessoas – algumas que se arrastaram até aos supermercados com evidente esforço físico só para contribuírem e tantas outras, também elas a lutarem com muitas dificuldades - conseguiram o “milagre” de dar um pouco mais aos que mais necessitam.


Estamos todos de parabéns.