quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Azar o meu!

Em 1960, tinha eu uns catorze aninhos muito inconsequentes, havia em Portugal 29,1% de jovens até aos 15 anos de idade e eu, como perceberam, estava incluído nessa percentagem. Era muita juventude junta mas, apesar disso, não havia Institutos nem Ministérios que se preocupassem connosco. Azar o meu! Toda a gente esperava que o processo de crescimento prosseguisse e, depois, logo se veria.


Em 2006, e para a mesma facha etária, a percentagem diminuiu para 15,5%. O número de jovens era substancialmente mais reduzido e, provavelmente por isso, foram criados organismos oficiais para cuidarem deles. Eu já não fazia parte desse número. Azar o meu!


Prevê-se que em 2021 a percentagem de jovens até aos 15 anos se situe nos 13%. Apesar da população até àquela idade vir a ter ainda menor expressão, acredito que para além dos tais organismos oficiais que já existem, possam ser criados mais uns quantos para ajudar os primeiros. Só que, nessa altura, e porque sou bem capaz de estar demasiado velho, já ninguém se vai ralar comigo. Azar o meu!


Moral da história: “Sou capaz de ter nascido uns quantos anos antes do que devia. Azar o meu!”

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Portugal desanimado


Embora nem sempre acompanhe as suas opiniões, reconheço-lhe a inteligência e a prosa brilhante e encanta-me a sua ironia. Refiro-me a João César das Neves, economista e professor catedrático.


Numa sua crónica publicada no Diário de Notícias, dissertou notavelmente sobre um certo país deprimido – Portugal.


É um texto que vem no seguimento do que tem sido escrito neste espaço nestes últimos tempos e que, de alguma forma, deveria despertar a nossa auto-estima mas que – receio bem – é capaz de nos provocar um efeito exactamente contrário.



Transcrevo, então:


“Portugal vive um momento decisivo da sua democracia. Esta é a altura para afirmar claramente o valor do nosso regime, da economia de mercado, da participação na Europa, da cultura lusitana. Esta é a altura para proclamar os valores fundamentais que nos regem e que nos unem como povo. Precisamente porque tudo parece negar essas verdades.

O Governo é cada vez mais incapaz de compreender, quanto mais resolver, a situação nacional. A oposição revela-se inábil para apresentar alternativa credível. Os grupos de pressão fecham-se em egoísmo paralisante e envenenam a vida nacional. A classe política, degradada pela incapacidade da administração e da justiça, embrulha-se em mediocridade, dedicando-se a temas mesquinhos e abstrusos. Até a Europa anda sem rumo e o mundo, mergulhado na crise financeira, não consegue consensos cruciais.

Não admira o desânimo, desinteresse, cinismo dos cidadãos. As novas gerações queixam-se do sistema sem futuro que os pais criaram na revolução e que os condena ao emprego precário. Multiplicam-se as queixas, escândalos, intrigas, fúrias, desconfianças. Apela-se a um Salazar que venha pôr isto na ordem. Portugal está desanimado.

Isso apenas indica que vivemos um momento axial da nossa história. Temos de perceber que o desânimo, desinteresse, cinismo, por muita razão que tenham, são o único verdadeiro problema. Os Governos viram e os ministros mudam. As oposições, grupos de pressão, classe política não passam de folclore. Mesmo a crise financeira e questões internacionais são acidentes menores. Olhando a História vemos que em todas as épocas nos aconteceram coisas muito piores, que foram ultrapassadas e acabaram por desaparecer. Portugal pode vencer todas as dificuldades, menos uma: o povo desanimado.

Temos de ver as coisas como elas são. Somos hoje um país rico. Claro que temos muitos problemas, pobreza, dificuldades. Como todos os países ricos. Os que se lamentam da situação actual já esqueceram os terríveis sofrimentos do tempo da guerra mundial, mesmo sem termos entrado, e da guerra colonial, em que entrámos 13 anos. Já não se lembram das enormes crises de 1970 e 1980 e dos medos na entrada na Europa. Todas essas coisas parecem longínquas, mas as gerações anteriores enfrentaram problemas muito piores e conseguiram trazer-nos até aqui. O nosso sarcasmo e desilusão é simples mediocridade. Queixamo-nos dos políticos que são patéticos. É bom não imitarmos a sua indignidade.

Porque o problema de Portugal não se revolve nas leis e no Parlamento. A dificuldade não está no Orçamento e portarias. A solução não passa pelos programas ministeriais e debates partidários. É através da acção diária de 10 milhões de pessoas, cada uma a tentar melhorar a vida, que o País avança. Não fazendo coisas espantosas, mas simplesmente tratando da vida. Os trabalhadores trabalhando e os desempregados procurando emprego; os empresários criando negócios e os consumidores comprando produtos; os funcionários cumprindo o seu dever e as famílias crescendo. Todos enfrentando os obstáculos que os políticos criam. A vida não se resolve na política; resolve-se na vida. Se os políticos não estragarem, já não é mau.

O nosso único erro foi acreditar quando os dirigentes disseram que iam resolver tudo. Os nossos responsáveis são maus e não cumprem. Olha que novidade! Há mil anos que nunca foram bons. Aliás, comparados com o liberalismo e Primeira República, os nossos incompetentes até parecem óptimos.

Portugal não acredita no futuro. Esse é o único problema de Portugal. Hoje no mundo globalizado, de fronteiras abertas e concorrência feroz, as oportunidades estão abertas a todos os que as quiserem aproveitar. China, Índia, Leste da Europa e tantos outros lutam com confiança e força e ganham espantosamente. Portugal, ao seu nível, pode seguir o mesmo caminho. Só precisa de querer.

Precisa de trabalhar em vez de se endividar; de empreender em vez de reivindicar; de poupar e investir em vez de esperar do Governo. O único real obstáculo é o desânimo”.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Limites


Na verdade, de tanto ter manifestado a minha revolta em crónicas anteriores aqui publicadas, já não fará grande sentido voltar ao assunto. Mas, que querem, às vezes dá-me uma raiva que me tolda a mente e zás. Vá de escrever de novo na tentativa de encontrar outros indignados entre quem me lê.

Desta vez, a minha perturbação foi motivada por notícias que não devem deixar indiferentes quem quer que seja. Ainda mais, num momento em que muitos sentem que o país caminha para o abismo.

Vejam, então, se conseguem ficar apáticos ao saberem que um ex-administrador da PT, sem currículo profissional que o justifique, ganha num só ano o que um técnico superior principal da Administração Pública (que é o topo da carreira) leva a ganhar em 20 anos?

Ou será que conseguem entender porque é que uma novel deputada do nosso Parlamento, que tem a sua casa em Paris mas que foi eleita pelo círculo de Lisboa, está recenseada em Lisboa e a morada que consta no seu Bilhete de Identidade é Lisboa, pretende que o Estado lhe pague 1200 euros todas as semanas, custo do bilhete de avião em executiva Lisboa/Paris/Lisboa?

Será que ficam indiferentes a situações como estas? Não acredito. Há limites que o bom senso, a ética e a justiça recomendam. E, se ultrapassados, eles só podem ser considerados como insultos intencionais e provocatórios aos cidadãos.


sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Justiça célere


Para aqueles que andam sempre a malhar na justiça (e têm razão para isso) porque é lenta (lentíssima, melhor dizendo), digo-lhes, apenas, que não será tanto assim.

É verdade que os processos “Casa Pia”, “Freeport” e outros se têm arrastado para além do que seria desejável e a nossa paciência aguenta mas, pelo contrário, há indícios de que noutros casos a coisa vai bem melhor.

Por exemplo o julgamento que agora começou em Matosinhos, onde um colectivo de três juízes vão ter que decidir a sorte de dois rapazes acusados de roubarem um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky.

Apesar de se tratar de um crime tão grave – não esqueçamos que os larápios tinham surripiado nada menos do que um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky – a investigação foi rápida e em muito menos de um ano o caso já está a ser julgado (por um colectivo de três juízes) e a leitura do acórdão ficou marcada para o próximo dia 22 de Fevereiro.

Dir-me-ão que o “Ganita” e o “Pistolas”, assim são conhecidos os meliantes, estão acusados de um crime de roubo punível com pena de prisão até oito anos, o que de acordo com o Código de Processo Penal deve ser julgado por um colectivo. Tudo bem, é verdade que sim, do ponto de vista formal. Mas, caramba, não houve qualquer homicídio ou outro crime igualmente grave. Está-se tão-só a julgar dois rapazolas que porventura queriam petiscar e a quem lhes faltava justamente o essencial, uns tragos de whisky e umas amêndoas para acompanhar.

Neste caso, como se vê, a justiça funcionou bem e célere. A investigação foi rápida (pudera, foram apanhados em flagrante e presos), o processo andou de forma lesta e a leitura da sentença vai ser proferida em breve. Num Estado de Direito é o que se exige.

O único senão, na minha perspectiva, tem a ver com o do exagero da acusação e da composição do próprio tribunal. O que, de resto, até talvez se compreenda se pensarmos que os réus não são políticos, financeiros, gestores nem alguém suficientemente conhecido na praça. Trata-se apenas do “Ganita” e do “Pistolas”.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ninguém consegue entender

Mais do que com as escutas e do controlo da comunicação social por parte do Governo que, convenhamos, estão um bocado mal contados, o que indigna realmente os portugueses é o facto de em 2009 – quando o pico da crise desabou sobre nós sem piedade - os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal terem lucrado quatro milhões de euros por dia. Nem mais.

Como é que alguém consegue entender que numa altura em que o país atravessa uma situação económico-financeira muito difícil, o desemprego cresce preocupantemente e a generalidade das empresas está em estado lastimoso, a banca atinja lucros de tamanha grandeza?

Vem nos livros que quanto mais profunda é a depressão de um país maiores são os lucros do sector bancário. Ainda assim, é difícil aceitar que – quando a economia mundial está de rastos e, em Portugal, as empresas fecham a um ritmo alucinante e os salários e pensões são insuficientes - o conjunto do BES, BCP, BPI e Santander tenha tido resultados líquidos de 1,4 mil milhões de euros, mais 14% do que no ano anterior.

Todos sabemos que a banca é uma das alavancas da economia e é natural que tenha lucros. Concordarão, no entanto, que a dimensão desses lucros, face à realidade do país, é desajustada e obscena.

E por ser o sector que mais beneficiou dos dinheiros públicos, deveria ser-lhe exigida pelo menos a mesma solidariedade e participação nos sacrifícios que são pedidos aos cidadãos e às restantes empresas.

Quatro milhões de euros por dia de lucro? Como é que se consegue entender uma coisa destas?





quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O país que não existe


Acreditem que já não aguento toda esta polémica à volta do Sócrates e sobre a sua eventual ingerência e manipulação da comunicação social. Ainda ontem ao fazer um zapping em vários canais de televisão, em todos eles se debatia a questão e se opinava se o Primeiro-Ministro tem, ou não, condições para continuar à frente do Governo.

E foi curioso ouvir a vários especialistas, de diversos quadrantes, frases que tinham invariavelmente expressões como “alegadas”, “a ser verdade”, “a confirmar-se”, “presume-se” e quejandas.

Ninguém tem certezas de nada (nem a Justiça, como ouvi a um dos comentadores) mas o veredicto está tomado. Sócrates “pretensamente” concebeu um ardiloso plano para, através dos seus “boys” e das empresas que o Estado controla, manipular a informação em Portugal.

Penso que ninguém põe em causa a liberdade de expressão nem, tão-pouco, a liberdade de imprensa. E se dúvidas houvesse bastava estarmos atentos a todo o tipo de opiniões que são expressas a toda a hora em jornais, rádios, televisões e blogues. O que se questiona, isso sim, é se o Governo através de um “suposto” polvo de enormes tentáculos está a tentar uma manobra de grande envergadura para controlar vários órgãos de informação.

Daí a esconjurar-se o Procurador-geral da República, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, os Gestores de várias Empresas Públicas, o Governo e, principalmente, José Sócrates foi um instante, “pintando-se” deste último, um retrato de (como vi há dias numa revista) “um homem desavindo e vingativo que desencadeia processos ilegítimos para obter fins inconfessáveis”.

Porém, para além das suposições, interpretações, deduções e opiniões baseadas em artigos meticulosa e competentemente trabalhados pelos jornais, pouco mais temos. Os factos, aquilo que a Justiça poderá considerar relevante para um eventual procedimento criminal, quanto a isso, nada.

E Portugal – será que ninguém pensa nele? – continua a afundar-se nos mercados internacionais devido a esta crise política (provocada por políticos cá do burgo) que apenas pensam nas suas estratégias pessoais e, como se fosse necessário, com a ajuda das intervenções públicas (e para que todo o mundo pudesse ouvir) do Comissário Almunia e do agora candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel.

Toda a oposição está em pé de guerra para derrubar Sócrates mas o país não está, por ora, em condições de pensar em novas eleições. Aliás, adivinha-se que a própria oposição também não pretende apresentar no Parlamento uma posição de censura contra o Governo.

Enquanto continuamos a olhar para esta telenovela sem fim à vista, com a ribalta a brilhar todos os dias com o aparecimento de novas e escaldantes notícias sobre a ingovernabilidade do país e a falta de crédito do Primeiro-Ministro, não podemos deixar de nos espantar que José Sócrates (que muitos consideram já um “cadáver político”) continue a subir nas sondagens. Na última que saiu no Expresso desta semana, Sócrates voltou a registar uma subida de dois pontos em relação à sondagem do mês anterior.

E, das duas, três: ou os inquiridos são um bando de idiotas cujas opiniões são absolutamente vazias de conteúdo, ou as sondagens apenas servem para alimentar uns quantos desocupados ou, afinal, este país não existe mesmo.


sexta-feira, fevereiro 12, 2010

“Invictus” – Uma sugestão para o fim-de-semana


Não sei se “Invictus” é um filme magnífico. Mas sei que saí da sala com a sensação de plena satisfação. “Encheu-me”, como costumo dizer.



Trata-se da evocação da vida de um homem absolutamente extraordinário que eu admiro muito – Nelson Mandela –, onde se verifica que a sua inteligência e bom senso conseguiram unir, através do rugby, uma nação profundamente dividida e onde as enormes assimetrias entre os “colonizadores” brancos e os nativos pretos se faziam ainda sentir apesar do apartheid já ter oficialmente terminado.


Uma luta que Mandela teve a coragem de levar a cabo, com perseverança e confiança, contra os maiores obstáculos que tinha pela frente. Sempre fiel a um lema que, aliás, é bem expresso logo no início do filme:


“Agradeço a todos os deuses que possam existir

Por meu espírito invencível

Eu sou o dono do meu destino

Eu sou o capitão da minha alma”


Como disse, gostei do filme embora não o considere “a obra maior” de Clint Eastwood, que o dirigiu. Mesmo assim, um grande filme com magistrais interpretações de Morgan Freeman (na pele de Mandela) e Matt Damon.


Enfim, “Invictus” é o nome do filme que sugiro que não percam.

Para lhes “abrir o apetite” aqui está o endereço onde podem ver o trailer do filme

http://www.youtube.com/watch?v=WV5PhkhUFZI

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Solução: Arrasar com tudo


Desculpem-me se, durante o texto, forem descobrindo aqui e ali troca de letras ou falta delas. É que trago as mãos completamente enregeladas depois de ter estado mais de uma hora na rua a discutir “o estado da Nação” com um amigo. A “luta” foi tal, face a pontos de vista tão diferentes, que acabei por me esquecer que estava um frio dos diabos e que numa das mãos trazia meia dúzia de sacos de supermercado.


E a discussão prolongou-se porque este meu amigo não consegue ver uma única coisa boa que se faça em Portugal. A justiça está mal, a saúde está mal, a educação está mal, a economia está mal, enfim, tudo está péssimo. E não há quem lhe arranque uma pista, uma solução para melhorar as coisas, de uma vez ou por fases. Estava a falar com ele e parecia que tinha diante de mim o Dr. Medina Carreira, a quem ninguém consegue ouvir um projecto de solução para o que quer que seja. Como ele diria, “Está tudo mal, o que era preciso é que todos os políticos se fossem embora e houvesse seriedade, que começasse tudo de novo”. Como e de que forma? Pois, isso é o que ele não adianta.


Não tenho esta postura. Olho a vida e a sociedade em que me insiro tentando analisar as coisas com os dados que tenho disponíveis e procuro ter uma opinião isenta. Claro que muitas coisas estarão bem, outras nem tanto e outras completamente mal. E, para melhorar (porque há sempre a possibilidade disso) tento desenhar soluções. Afinal, aquilo que, na minha perspectiva, julgo ser possível fazer, eu que sou um mero “treinador de bancada” e não estou no meio da confusão, onde todas as corporações se digladiam, tentam sacar o máximo para os seus apaniguados e estão-se nas tintas para aquilo que é o bem comum, isto é, para o País.


Por isso é difícil ouvir ou discutir matérias em que a solução é nenhuma. Para alguns, nunca existem medidas a tomar e raramente se encontra alguém minimamente competente e sério que possa delinear e dar continuidade a políticas sérias, sustentáveis e capazes de vir a beneficiar os cidadãos. Estamos, no seu entender, a braços com a maior corja de incompetentes e ladrões de toda a história e, se virmos bem as coisas, desde o tempo de D. Afonso Henriques.


Esse é o espírito de Medina Carreira no programa dos sábados da SIC-Notícias, “Plano Inclinado”, mas não de outros intervenientes no mesmo programa, caso dos Professores Nuno Crato, João Duque e outros que vão intervalando as críticas com aspectos positivos de determinadas políticas e a sugestão de alternativas para eventuais melhoramentos.


Arrasar com tudo não é nem nunca foi a minha atitude. E era exactamente isso que eu estava a tentar explicar ao meu amigo, apesar da meia dúzia de sacos que tinha na mão pesarem quilos e o fim de tarde ser muito frio e chuvoso.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O seu IRS pode encher o prato de muitos portugueses


A exemplo do que fiz no ano passado venho recordar-lhes que se aproxima o tempo de tratarmos do IRS.

E já que temos que satisfazer esta obrigação fiscal, poderemos fazê-lo de uma forma mais solidária e, ainda por cima, sem que isso nos custe um único cêntimo.


Com apenas 0,5 %do seu IRS liquidado pode ajudar muita gente. E sem grande esforço. É o próprio Estado que transfere essas verbas para a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.


Que fazer, então? Veja como é fácil doar:



- no Modelo 3 - Anexo H - Quadro 9, basta marcar um X onde está escrito


Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública (art. 32, nº. 6)


- a seguir preencha o quadro 9 com o NIPC da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome: 504 335 642


Ajude os Bancos Alimentares com o seu IRS.


Termino, como de costume


"Alimente esta ideia"



terça-feira, fevereiro 09, 2010

A Inveja

"Inveja não é querer o que o outro tem (isso é cobiça), mas querer que ele não tenha. Essa é a grande tragédia do invejoso..."


Esta uma das premissas de Zuenir Carlos Ventura, jornalista e escritor brasileiro entrevistado por Carlos Vaz Marques, na TSF (no seu programa “Pessoal … e transmissível), na qual apresentava o seu novo livro “Inveja – Mal Secreto”.


Numa conversa muito interessante, Zuenir afirmava que se questionasse um número significativo de pessoas sobre se alguma vez já teriam desrespeitado algum dos sete pecados capitais – inveja, luxúria, avareza, preguiça, ira, soberba e gula – a resposta seria afirmativa para quase todos eles. Ou seja, já teriam pecado em todos menos na inveja. Isto porque regra geral o invejoso tem uma percepção distorcida de si mesmo. Invejoso, eu? NÃO!


Embora, como vimos, haja uma fronteira muito ténue entre a inveja e a cobiça, atrever-me-ia a citar uma frase que vi escrita algures e que dizia pouco mais ou menos isto:


a inveja é a primeira amiga do alheio. Afinal, não deixa de, assim como o ladrão, tentar tomar o que é do outro”.


Não conheço a obra de Zuenir Ventura mas, confesso (já que falámos de pecados) que fiquei curioso.


segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Afinal havia outro

Antes que comecem com graçolas de gosto duvidoso, é melhor dizer (para que não restem dúvidas) que não sou particularmente apreciador das cantorias da Mónica Sintra e que só me fui lembrar da canção “Afinal havia outra” para lhe surripiar o título que me apareceu adequado para a crónica de hoje.



Dito isto e depois de, alegadamente, o nosso Primeiro andar a tentar controlar a comunicação social porque, ao que parece, não convive bem com as críticas que ela lhe faz, descobriu-se agora que uma outra personagem, igualmente importante no nosso cantinho à beira-mar plantado, também não gosta lá muito dos comentários alheios sobre a sua pessoa. Daí a ter tomado certas atitudes foi um instante.


Refiro-me, em concreto, à bulha (esta também é uma palavra de que eu gosto e que parece estar a perder-se) entre o seleccionador nacional de futebol, Carlos Queiroz, e o jornalista desportivo da SIC, Jorge Baptista, em plena sala VIP do Aeroporto de Lisboa.


Do que aqui aconteceu só as razões que levaram à trocas de palavras e agressões podem ser consideradas como “alegadas” porque, aquilo a que assistiram as pessoas presentes foi a uma cena de pancadaria à séria, das antigas, que até meteu polícia e tudo.


Uma coisa parece certa e daí temos que tirar as devidas ilações. Certa gente cá do bairro quando não gosta de alguém, ou do que ela diz, não se amofina nada em partir para cima dela com quantas ganas tem. Umas cuspidelas e uns socos, uns mimos para a mãezinha do malandro que o enfrenta ou então, a tentativa de os afastar dos empregos que têm nos jornais ou televisões onde não param de chatear com críticas que podendo ser justas acabam por cair mal à brava. Atenção, a coisa nem sempre resulta mas vale a pena a tentativa, sobretudo se a rapaziada cá fora não vier a saber o que de facto aconteceu. Estão a ver?


Recapitulando a matéria. Então não é que depois dos holofotes estarem dirigidos a Sócrates descobre-se que “Afinal havia outro?”.


sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A Máquina de Fazer Espanhóis


De importante, importante mesmo, o que eu hoje quero dizer-vos é que o Museu Nacional de Arte Antiga vai acolher no próximo dia 10 de Fevereiro o lançamento do quarto romance de valter hugo mãe (isso mesmo, escreve-se com letras minúsculas), o vencedor do prémio Saramago em 2007.


O livro tem um título sugestivo: “A Máquina de Fazer Espanhóis”. Um livro que promete tanto mais que, como afirma Lobo Antunes, “a maior parte dos livros são escritos para o público, este é um livro escrito para os leitores”.



Mas esta referência ao lançamento deste livro “A Máquina de Fazer Espanhóis” não é inocente. Sem conhecer ainda o romance, a simples ideia de uma máquina que pode fabricar espanhóis apavora-me. Claro que nada tenho contra os “nuestros hermanos”. O que me preocupa é se a tal máquina começa a produzir espanhóis do tipo Joaquín Almunia, o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos que é espanhol e que, como bom vizinho que é, acaba de nos dar uma mãozinha para nos afundar ainda mais, como se isso fosse necessário.


Depois das opiniões das agências de rating só nos faltava o Sr. Almunia e as suas declarações sobre a competitividade e o endividamento de Portugal, numa tentativa (bem conseguida) de nos pôr ao mesmo nível dos gregos.


Não necessitávamos dessa ajuda. Já sabíamos que a coisa estava mal mas a intervenção do Comissário teve um efeito de tal modo negativo e imediato nos mercados internacionais que o preço do crédito concedido ao nosso país subiu num ápice.


Bem podem os nossos governantes bradarem que “as declarações de Almunia foram infelizes e enganadoras”. Aliás, a Comissão Europeia já veio esclarecer que, afinal, “nunca pretendeu comparar a situação económica de Portugal com a da Grécia”. Mas o mal está feito e as consequências aí estão.


A desconfiança sobre Portugal está lançada. E, como se não bastasse tudo o que aconteceu, os políticos nacionais, de todos os quadrantes, fizeram questão de demonstrar com arrebatadora irresponsabilidade, que podiam piorar ainda mais a situação com uma inesperada crise política por causa da Lei das Finanças Regionais e, concretamente – sejamos claros – por causa da Região Autónoma da Madeira.


Não merecíamos tanto!



quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Imaginação

Rosa Lobato Faria morreu na última terça-feira. Para além de actriz, escritora, compositora e poetisa de grandes méritos era uma mulher de extrema simpatia e afabilidade.

Em 23 de Janeiro de 2008 tinha aqui sido publicado um poema seu “E de novo a armadilha dos abraços”.

Hoje, e como singela homenagem a Rosa Lobato Faria, um outro lindíssimo poema



“Imaginação”



A imaginação é magia e é arte

que nos faz inventar, sonhar e viajar.

Com imaginação podemos ir a Marte

ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.

Com imaginação nunca estamos sozinhos.

A imaginação é um voo, um lugar

onde temos amigos, onde há outros caminhos

nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.

Inventa uma cantiga, um poema, um desenho

um arco-íris, um rio por entre malmequeres;

esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.

A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.


quarta-feira, fevereiro 03, 2010

As “calhandrices”

Não tivesse o caso contornos que podem revelar-se muito graves e que têm a ver com a liberdade de expressão, diria que esta é mais uma manobra que serve para nos distrair da periclitante situação em que se encontra o país.


Mas o que aconteceu merece a devida reflexão. Um jornalista (Mário Crespo) escreveu um artigo de opinião sobre uma conversa que decorreu num restaurante entre o Primeiro-Ministro, dois outros Ministros e um alto funcionário da SIC em que, alegadamente, terá sido dito que Crespo seria um "débil mental" e que constituiria um "problema" que tem de ter "solução".


Essa crónica devia ter sido publicada na segunda-feira no Jornal de Notícias e não foi. Por censura? Por falta de contraditório? Não sabemos, o curioso, porém, é que o JN não quis publicá-la mas a crónica acabou por ser tornada pública, aparentemente sem o autor saber disso, nos sites do jornal Público e no do Instituto Sá Carneiro que é do PSD. Ele há coincidências …


Coincidências à parte, a verdade é que a conversa decorreu em privado e o que lá foi dito só foi “ouvido” por terceiros. Não existem provas que confirmem o que quer que seja.


Assim, não é de estranhar que as dúvidas surjam de todos os quadrantes.


Por um lado, sabe-se que o prestígio de Mário Crespo foi conquistado por ser um jornalista competente e sério. Eu próprio gosto da maioria dos seus trabalhos e considero-o independente. No entanto, temos que reconhecer que ele tem sido nos últimos tempos muito crítico em relação ao governo socialista e ao seu líder.


Por outro lado, ninguém esquece os casos recentes de alegado silenciamento da comunicação social – dirigidos a Manuela Moura Guedes e José Manuel Fernandes - em que, suspeita-se, tenha havido o dedo de Sócrates que, é voz corrente, lida muito mal com as críticas da comunicação social.


E o Governo a “este processo de intenções” responde simplesmente que “não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices". As tais calhandrices!


Enfim, enquanto se espera pela reunião do organismo regulador dos media (a ERC) que vai discutir hoje, quarta-feira, a posição a tomar face ao artigo de Mário Crespo com acusações ao Governo, a fogueira vai crepitando com alguma intensidade.


terça-feira, fevereiro 02, 2010

As apressadas opiniões das Agências de Rating

Acho que ainda vou a tempo de escrever mais uma coisinha sobre o Orçamento para 2010. Ou melhor, sobre as apressadas opiniões sobre o OE divulgadas pelas agências de rating que foram tão lestas em manifestar-se.


Pouquíssimas horas depois de Teixeira dos Santos ter entregue o cartãozinho electrónico com o OE na Assembleia da República, já os diligentes elementos dessas agências estavam a dar o seu abalizado parecer sobre o mesmo. Sem sequer terem tido a preocupação de considerar o estabelecido no PEC (o Programa de Estabilidade e Crescimento) que o Governo vai entregar em breve em Bruxelas e onde vão ser indicadas as medidas a adoptar para equilibrar as contas públicas portuguesas e, consequentemente, a forma como se pretende baixar o deficit até 2013.

Competente esta gente!


Apesar dessa competência, todos nos lembramos de assistir ao imenso falhanço das suas previsões quando atribuíram notações altas a economias de certos países que, pouco depois, se desmoronaram como castelos de cartas. Apesar disso, continuam a ser tidos em conta pelos investidores e são as suas opiniões que prevalecem e fazem tremer os Estados.


Com o seu apressado juízo sobre o OE acabado de apresentar, sem considerarem as medidas que vão ser propostas no PEC, o que o mais elementar bom senso recomendaria, algumas dessas agências que “não esperaram para ver” começaram desde logo a dificultar as já difíceis condições do nosso país no acesso ao crédito e ao preço que terá que pagar quando o conseguir. É que advertências extemporâneas deste género podem causar danos irreparáveis à nossa economia.





segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Orçamento de Estado para 2010 – A minha contribuição


Nestes últimos dias não se tem falado de outro assunto que não seja o Orçamento de Estado para 2010. Não é, pois, de estranhar que este humilde cidadão queira igualmente dar uns palpites sobre a coisa. Farei isso com todo o gosto mas hoje, dado o adiantado da hora, não alongarei muito as minhas lúcidas teorias de comentador atento e contribuinte venerador e obrigado.


O Orçamento acabou por passar como era óbvio, com a abstenção do PSD e do CDS. Há muito que se adivinhava que a vontade daqueles partidos era mesmo a de deixar passar o orçamento, em nome de uma pretensa responsabilidade para com o país mas afirmando, todavia, a firme discordância com as políticas do Governo. Ou seja, depois de três meses de empatas, os dois partidos de direita disseram que não concordavam com o OE mas, apesar disso, viabilizaram-no com a abstenção de ambos. Com uma “abstenção construtiva” como lhe chamou o CDS.


Embora não me tenham pedido opinião sobre o assunto, e dado que a coisa vai mesmo para frente, patriota como sou, quero estar na primeira linha dos que vão ajudar a que este exercício orçamental se cumpra e seja um sucesso. E desejo que a minha contribuição seja inscrita, naturalmente, do lado da receita.


Assim, nos “Impostos Indirectos” penso alinhar em quase todos: no IVA, sobre os produtos petrolíferos (ISP), sobre o álcool e bebidas e sobre os de circulação. Nos “Impostos Directos” não escaparei ao IRS (com muito gosto, claro) e para os que são incluídos nas “Outras Receitas Correntes” farei um esforço para não defraudar as expectativas que os meus queridos governantes depositam nos seus explorados contribuintes.


Foi por essa razão que paguei ontem uma multa de (mau) estacionamento, de trinta euros que irão integrar os 734,4 milhões de euros previstos neste orçamento. É pouco, eu sei mas, grão a grão, enche a rubrica “Taxas, multas e outras penalidades” o papo.


Paguei a multa, repito, mas apenas e só porque, como disse, sou patriota (ou parvo, como quiserem). É que o Papa em breve estará de visita a Portugal e o mais certo é que haja uma amnistia que “limpe” uma série de multas deste tipo, como costuma acontecer.


Contudo, o curioso da história é que os meus trinta euritos que vão ser contabilizados este ano dizem respeito a uma (possível) infracção ocorrida em 2008. Mas isso é outra questão que poderei voltar a ela em próximo capítulo.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Depois de casa roubada …


Passei há dias por uma rua de Lisboa onde dois trabalhadores sem identificação estavam a abrir um buraco de todo o tamanho. Aliás, nem sequer se via qualquer placa indicativa de quem era o dono da obra e a que é que ela se destinava. Imediatamente me lembrei de uma história que me contaram e que foi publicada recentemente num jornal inglês. Dizia mais ou menos isto:



No exterior do England 's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um simpático cobrador.


Um dia, sem aviso prévio, e sem qualquer falta ao trabalho durante a vida, o cobrador não apareceu.

A administração do Jardim Zoológico escreveu para a Câmara Municipal a solicitar que enviassem um outro cobrador e a resposta veio célere: o estacionamento do Zoo não era, nem nunca tinha sido, da responsabilidade da Câmara que nunca tinha pago a qualquer funcionário para desempenhar aquela tarefa.

Ou seja, durante 25 anos um senhor, como se disse muito simpático, provavelmente munido de um boné de arrumador que lhe conferia uma autenticidade que de facto não tinha, cobrou tranquilamente taxas de estacionamento estimadas em cerca de 560 euros diários.

Só que o afável senhor terá resolvido que era a altura de se retirar e de gozar uma merecida reforma, algures num lugar paradisíaco, bem longe de preferência.

As autoridades ficaram com um problema sério para resolver. Não tanto o saber para onde homem se sumira mas antes como iriam arranjar rapidamente alguém para ocupar o lugar do antigo cobrador. E, já agora, uma pessoa que fosse igualmente simpática.

Tenho a certeza de que a partir desse momento começou a haver a preocupação de controlar o novo funcionário. É que depois de casa roubada …

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Estava a ler quando reparei num homem …


Estava a ler dentro do carro. Distraidamente, enquanto “saboreava” as últimas palavras que acabara de ler, olhei por cima das páginas do livro e reparei num homem que caminhava lentamente não muito longe dali. Teria mais de setenta anos mas ostentava, ainda, uma pose distinta. Alto e direito de postura, espraiava o olhar ao redor como que a chamar silenciosamente o bando de pombos que já o cercava.


Baixei o livro e interessei-me pela figura. Tinha bom aspecto. Vestia uma gabardina que o agasalhava da tarde fria e usava casaco, camisa e gravata. Via-se-lhe o aprumo e a dignidade.


A princípio não entendi porque é que uma das mãos tanto remexia o interior de um saco de plástico de supermercado. Percebi depois que esfarelava pão que ia espalhando com gestos largos na direcção dos pombos.


O jeito de andar dos pombos e o seu ar patusco, distraíram-me por momentos do homem. Quando voltei a olhar para ele, notei que dobrava cuidadosamente o saco como que a guardá-lo para outra utilização.


Enquanto se afastava do local do festim, tão lentamente como chegara, ia olhando para trás na direcção dos pombos, como que a certificar-se de que eles se comportavam direitinho e comiam a refeição que lhes fora dada. Ou, quem sabe, a “dizer-lhes” que voltaria no dia seguinte.


Fui acompanhando com a vista os passos do homem até que dobrou a esquina. Mesmo depois de desaparecer do meu horizonte visual, continuei a “vê-lo”. Quem seria? Que mistérios guardaria?


Prossegui com a minha leitura. Porém, e inexplicavelmente, a figura daquele desconhecido alto, direito de postura e de pose distinta, teimou em sobrepor-se ao amontoado de letras que se alinhavam à minha frente.


quarta-feira, janeiro 27, 2010

Responsabilidade Social


Já repararam no modo como muitas empresas “enchem a boca” ao atirar aos quatro ventos que têm políticas de responsabilidade social? E a verdade é que, muitas delas, têm mesmo (úteis mas ainda incipientes) embora sirvam, sobretudo, outros propósitos, nomeadamente, a visibilidade das próprias marcas. Mas agora não tenho tempo para aprofundar o assunto. Ficará para um outro dia.


O que me interessa hoje abordar é aquilo a que eu chamo a socialização dos centros comerciais. Como sabem, quase todos eles, sobretudo os maiores, têm pequenas ilhotas com bancos e sofás onde se pode descansar um pouco dos afazeres que nos levam lá. Nesses lugares costumam sentar-se pessoas com alguma idade, muitos deles reformados, gente que procura enganar a solidão vendo e sentindo outra gente que passa. Ali estão, a ler os jornais gratuitos que manhã bem cedo estão à disposição, a consultar as brochuras publicitárias dos supermercados e das lojas instaladas no centro e a fazer sonecas tranquilas ou a olhar sem pressa o que gira à sua volta.


E é a essa acção de pôr os tais bancos e sofás em grandes centros comerciais - que proporcionam a “companhia” a tanta gente que está só - que eu considero que bem pode englobar-se na denominada responsabilidade social dessas empresas. Certamente que os Belmiros, os Jerónimos e alguns mais não terão pensado nisso quando ergueram essas grandes catedrais do consumo mas, inconscientemente, fizeram-no. E, provavelmente - digo eu - não tardarão a fazer reflectir essa “responsabilidade” nos respectivos Balanços Sociais.


terça-feira, janeiro 26, 2010

Um erro que persiste

Sempre achei louvável que países e cidades homenageiem aqueles que lá nasceram ou viveram e que, de alguma forma, se destacaram nas suas actividades. É um reconhecimento importante, embora com o passar dos tempos as placas pouco ou nada digam aos mais jovens. Ainda assim, um prémio justo.


Esta semana ao visitar a Guarda, ao passar por uma rua do seu centro histórico, dei de caras com uma placa que indicava que ali tinha nascido um seu muito ilustre filho – Rui de Pina - cronista e diplomata, nascido em 1440 e falecido em 1522.


Só que – e repararem bem na imagem (que não é famosa) – a data da morte inscrita na placa é 1940.


Enalteço o reconhecimento que o Município quis fazer a tão ilustre personagem mas, convenhamos, por muito bom (e saudável) que fosse, Rui de Pina certamente não conseguiu viver 500 anos.


E a placa lá continua, sabe-se lá desde quando, sem que a autarquia tenha tido o cuidado de rectificar o erro. Ainda por cima no centro do Centro Histórico da Cidade da Guarda.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Chamem-lhe milagre …


Isso, se não tiverem outro nome, chamem “milagre” ao facto de, ao fim de onze dias após o terrível sismo que devastou o Haiti, ter sido retirado dos escombros um homem com vida.


Já depois das operações de busca terem sido oficialmente suspensas, a teimosia e a obstinação da família (que disse ter ouvido a sua voz) e da equipa de socorrista que o salvou foram determinantes para o resgate de Wismond Exantus.


Este jovem de 25 anos resistiu onze dias, façanha nada comum neste tipo de tragédias, e sobreviveu, segundo ele, porque bebeu Coca-Cola e cerveja e comeu bolachas a que conseguiu chegar nas ruínas de uma mercearia onde ficou soterrado, num pequeno buraco onde mal se podia mover.


“Não gritei, simplesmente rezei”, disse.


Perante tamanha perseverança e fé não posso deixar de acreditar que, neste caso, realmente aconteceu um milagre.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Distracções


Há dias num restaurante reparei que um senhor sentado perto de mim limpava cuidadosamente o prato, os talheres e o copo com um guardanapo, provavelmente para assegurar que todos os utensílios iriam ficar irrepreensivelmente imaculados antes de começar a almoçar. Só que, pouco depois, vi que limpava a boca ao mesmíssimo guardanapo que tinha utilizado para a loiça. Distracção do senhor, pensei.


Numerosas pessoas ao espirrar colocam a mão em frente do nariz e da boca para proteger quem lhes está próximo. Porém, imediatamente a seguir, essas pessoas tão cuidadosas são capazes de cumprimentar alguém com a mesmíssima mão conspurcada que tinha acabado de receber a saraivada de bactérias provenientes do espirro. Por distracção, digo eu.


Mas para quem pense que as distracções são apanágio das pessoas simples e sem história, recordo uma outra história que se conta de Albert Einstein, o célebre físico alemão (Prémio Nobel da Física em 1921) que ficou conhecido por ter inventado e desenvolvido a teoria da relatividade.


Pois Einstein era, como quase todos os génios, muito distraído. Conta-se que num certo jantar, tinha como sobremesa umas belas cerejas e, para lavá-las, pediu uma taça com água. Einstein lavou demoradamente as cerejas, comeu-as e, uns minutos depois, bebeu toda a água da taça.

Para que vejam. Até os génios não são imunes a estas abstracções.