As várias manifestações de estudantes que tenho visto desfilar pela Baixa nas últimas semanas, com jovens divertidos e compenetrados na realização das suas praxes, deram-me, ao contrário do que seria de esperar, uma sensação de desconforto. Ao olhar para eles não pude deixar de pensar que muitos dos seus sonhos que agora começam a despontar com a entrada para a Universidade poderão vir a constituir verdadeiros pesadelos. Desconforto por eles, pelas dificuldades que a maior parte vai enfrentar nas suas vidas mas também por reconhecer que sucessivas gerações, a minha incluída, não foram capazes de preparar melhores caminhos para o futuro.
É certo que a crise por que passamos veio piorar significativamente a incerteza dos jovens. Com a falta e a precariedade do emprego não é de estranhar que possam vir a estar desmoralizados mas, principalmente, desesperados.
As condições que lhes foram proporcionadas deram-lhes um nível de formação que lhes permitia acalentar um futuro promissor. Estão (em princípio) mais preparados mas, em contrapartida, mais vulneráveis e perdidos. Os empregos escasseiam e uma boa parte dos jovens, para se conseguirem manter, trabalham em actividades para as quais não estudaram e onde ganham miseravelmente. Por isso não existem projectos de vida em que sintam especialmente interessados ou entusiasmados. Mas quando alguns pretendem abrir um negócio, uma empresa que os faça sair do marasmo dominante para dar um rumo à vida, para criar riqueza para si e para o país, aí, surgem todo o tipo de entraves, de burocracias e de desinformação que os faz pensar duas vezes e os convida a desistir.
Esta é a geração dos “nem-nem”. Nem trabalho nem perspectivas. Uma geração que, desorientada e entristecida, já percebeu que a qualidade de vida que a espera será irremediavelmente inferior à que tiveram os seus pais.





