quarta-feira, março 16, 2011

Onde está a racionalidade?

Na situação actual do país e dos seus desesperados cidadãos gostaria de saber se por acaso se justifica que:

- todas as actividades desportivas – incluindo as desenvolvidas nos ginásios - estejam sujeitas à taxa máxima do IVA (23%), quando os praticantes de golfe apenas pagam 6% de imposto? Ou que

- os proprietários dos iates de luxo paguem o gasóleo a 80 cêntimos o litro enquanto que a generalidade dos outros utilizadores têm que suportar o combustível a 1 euro e quarenta cêntimos?

São perguntas a que ninguém quer responder. O que sabemos, isso sim, é que pela fruta e pelos produtos hortícolas desembolsamos 23% de IVA e o congelamento das pensões baixas vai vigorar em 2011, 2012 e 2013 (até ver).

Por acaso percebem isto? Que raio de racionalidade é esta?

terça-feira, março 15, 2011

Camionistas, o “Déjà Vu”

Andamos sempre à volta da velha questão: Será que é possível que alguns (sempre os mesmos) consigam arranjar “argumentos tão convincentes” que derrotem sistematicamente quem se lhes opõe? Que forças são essas? É que, enquanto idosos e desempregados não têm forma de se fazerem ouvir (a não ser por umas quantas arruadas que, na prática, de pouco valem), existem corporações que são tão poderosas que os efeitos dos seus protestos podem afectar seriamente o país.

Como perceberam estou a falar concretamente dos camionistas (dos patrões dos camionistas, melhor dito) que pararam na primeira hora de segunda-feira, e por tempo indeterminado, por não terem ainda sido aceites as suas reivindicações, nomeadamente, as compensações pela subida do preço dos combustíveis e pelo pagamento das ex-SCUTS.

Depois dos bloqueios que fizeram em 2008 que quase fizeram parar o país, e por acharem pouco o que então lhes foi concedido pelo Governo – aumento das deduções fiscais no custo dos combustíveis e redução das portagens no período nocturno - voltam agora à luta ameaçando (de novo) paralisar o país.

Aí está o efeito das decisões (mal) tomadas a partir de 1986 (recordo que Cavaco Silva era na altura o primeiro-ministro). Ou seja, investiu-se sobretudo nas estradas em detrimento do transporte ferroviário e marítimo. Resultado? Ficámos na mão de quem controla o comércio de transportes rodoviários em Portugal. E, como de costume, eles exigem e o Estado - nós contribuintes - paga.

segunda-feira, março 14, 2011

“Geração em Luta”

Não me juntei aos muitos mil que desfilaram na Avenida da Liberdade em Lisboa no último sábado mas, provavelmente, fiz mal. Como o apelo tinha sido feito em nome da “Geração à Rasca”, entendi que, pela idade que tenho, já não faria parte dessa Geração. Ainda assim, devia ter ido. Se bem que ache o “À Rasca” uma expressão um tanto ou quanto grosseira. Mas isso são detalhes.

A verdade, meus Amigos, é que pertenço a uma geração que está perfeitamente enquadrada no espírito dos que agora se sentem à rasca. É certo que quando entrámos no mercado de trabalho não havia nem falta de empregos nem precariedade laboral mas, em compensação, havia uma guerra que matava e deixava muitos jovens destruídos quer física quer psicologicamente e que desfazia as perspectivas de vida de famílias inteiras. E o que dizer de quem viveu as agruras de uma ditadura que, ao menor sinal de contestação, encarcerava e torturava sem qualquer apelo? Quanto à exploração, não é fenómeno novo. Passámos por isso e sofremos também.

E chegámos aqui, a um tempo em que julgávamos ser de tranquilidade. Mas não, voltaram muitas das “velhas” preocupações e inquietudes pela nosso futuro e pelo dos nossos filhos. Afinal, estudaram, preparam-se melhor e estão diante de um buraco de que não se consegue avaliar a profundidade. Um desespero tamanho e sem soluções à vista.

A minha Geração sente-se, pois, atingida pelo corte das pensões, pelo aumento dos impostos e, sobretudo, pela frustração de ver os nossos filhos sem trabalho e sem esperança. Como não havemos de nos rever na “Geração em Luta” (gosto mais desta designação, deixem lá o “à rasca”)?

Tenho, porém, uma outra preocupação. No sábado houve manifestações e desfiles que mostraram o descontentamento reinante. Mas eu pergunto, acham que isso basta? Pensam mesmo que, pelo facto de protestarem, os governantes vão ser substituídos de imediato e que todas as políticas vão mudar de repente de maneira a fazerem “chover” empregos bem remunerados? Sabemos que as coisas não funcionam assim.

Depois do último sábado toda aquela energia, bem patenteada por jovens de várias gerações, deveria ser aproveitada para continuar a lutar – dentro e no respeito das normas democráticas - por um futuro melhor. Como? É uma questão que nos compete decidir.


sexta-feira, março 11, 2011

Fala!



“Fala!” de Alexandre O' Neill

Fala a sério e fala no gozo
fa-la p'la calada e fala claro
fala deveras saboroso
fala barato e fala caro

Fala ao ouvido fala ao coração
falinhas mansas ou palavrão

Fala a miúda mas fala bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe

Fala franciú fala béu-béu

Fala fininho e fala grosso
desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar
fala com elegância muita e devagar.

quinta-feira, março 10, 2011

A Paródia

Foi, no mínimo, inesperado. Eu que nos últimos anos não tenho assistido aos Festivais da Canção por que os achava enfadonhos e falhos da qualidade mínima exigível, a este, e por mero acaso, vi-o todinho, de uma ponta à outra. E quando, no meio de bocejos, deparei com uns tipos que eu conheço vagamente porque costumam gozar com tudo e com todos, despertei definitivamente e prestei a atenção devida.

Os “Homens da Luta”, Neto e Falâncio (e mais uns quantos amigos), saltaram a terreiro para, no seu jeito habitual, interpretarem “A Luta é Alegria”, uma canção que bem poderia (poderá) ser de intervenção, muito ao jeito do saudoso PREC e que se destinava simplesmente (ou talvez não) a animar a malta e a acordar as plateias da sonolência provocada pelas outras canções concorrentes mais ou menos chochas e descoloridas.

E cumpria-se o programa. Analisadas as formas estéticas e musicais pelo júri nacional, a “A Luta é Alegria” quedava-se algures pelo lado de baixo da tabela, com a dita alegria entregue apenas aos seus intérpretes. A certa altura porém …ouviu-se a voz de um povo que em troca de chamadas a 0.60€ mais IVA votou massivamente no grupo que empunhava um megafone e uns cartazes mais ou menos “revolucionários”. E porque o povo é quem mais ordena, a canção ganhou.

Apesar da vontade popular, de imediato surgiram as críticas e os temores. “Parece mentira, eles vão representar Portugal na Alemanha, o que é que a Europa vai pensar de nós?” Sosseguem que ninguém vai pensar pior de nós do que já pensa agora. A verdade é que já não nos têm em grande conta e aquilo é só um concurso. Quanto ao que for dito, eles não vão entender patavina, quanto à performance podem pensar que nós até somos uns tipos alegres apesar de estarmos à beira da bancarrota.

A canção pode não ter uma qualidade musical por aí além, mas a verdade é que há anos que nos queixamos dessa mesma falta de qualidade. Ou será que ficámos incomodados por alguém ter tido o desplante de nos apresentar uma canção política, quando muito de protesto? Não creio em nada disso, acho-a mais uma canção de mera irreverência, de contestação à política (à política de uma forma geral, tanto a feita pela direita como pela esquerda) em que já ninguém acredita e ao desespero dos cidadãos pelo sentimento de tantas promessas falhadas desde a revolução dos cravos. Ou até, talvez, uma contestação ao próprio festival. Acima de tudo é uma canção bem-disposta e até razoavelmente construída do ponto de vista musical. Mas é sobretudo uma canção de troça, de gozo, de paródia interpretada pela dupla humorista e rebelde que nasceu, faz tempo, na SIC Radical. Nada mais!

quarta-feira, março 09, 2011

O Carnaval das tolerâncias


Não sei se já vos aconteceu mas comigo sucede muitas vezes sentir-me bem-disposto num momento e, logo de seguida, completamente “em baixo”. Se calhar é da idade ou … das aberrações desta vida.

Então não é que ouço os políticos dizerem, nomeadamente os que nos governam, que o país tem que ter maior produtividade para ser mais competitivo e, por outro lado, quando se vislumbra a possibilidade de haver uns dias de folga adicionais, vá de fazer uma “ponte” e lá vamos nós cantando e rindo? Claro que me passo. Sobretudo quando é o próprio Governo que promove esses diazinhos de férias a mais.

Para além da gracinha de vermos as crianças mascaradas (que muitas vezes satisfazem mais os pais do que os próprios rebentos) digam-me lá o que é que justifica que se conceda uma tolerância de ponto aos trabalhadores da função pública e dos institutos públicos, tanto mais que a terça-feira de carnaval até nem consta na lista dos feriados obrigatórios estipulados por lei?

Eu sei que a folga sabe muito bem mas, meus caros, ouçam o que os distintos economistas se fartam de avisar: estamos num país que tem uma economia tão débil que só uma ajuda divina será capaz de salvá-lo.

Porém, nós que somos crentes mas acima de tudo folgazões, achamos que é melhor não ligar a esses dois dias seguidos de trabalho que se perdem - a terça (devido à tal tolerância) e a segunda (porque se fez uma ponte que é para isso que elas servem). Depois logo se vê.

Será que estamos a pensar em direitos adquiridos ou em estratégia política? É que – dizem - há eleições à vista … e não convém facilitar. Lembrem-se do que aconteceu há alguns anos com Cavaco Silva, quando quis acabar com a terça de Entrudo e empurrar os feriados para os fins-de-semana mais próximos. Por “coincidência” nas eleições que se realizaram a seguir, foi apeado.

sexta-feira, março 04, 2011

Bica e pastel de nata sujeitos a factura. Agora é que vai ser …

Há muito que defendo que os prestadores de serviços devem passar facturas. E faço-o naturalmente em nome da equidade que deve existir entre os cidadãos. Fará algum sentido que eu tenha que pagar todos os impostos possíveis e imaginários e um restaurante, por exemplo, só os pague pelas 50 refeições que, presumivelmente, serviu num dia quando, na verdade, foram servidas 150? Daí que, mesmo não necessitando das facturas, não prescinda nunca de as pedir em qualquer estabelecimento. É verdade que muitos deles já as fornecem espontaneamente mas ainda se ouve com frequência aquela pergunta irritante “E vai desejar factura?”. E eu desejo sempre porque acho que toda a gente deve pagar os impostos devidos.

Como o país necessita desesperadamente de aumentar as receitas, do IVA neste caso, foi avançado agora pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que o Governo pretende avançar rapidamente com a obrigatoriedade de todos os sectores de actividade passarem facturas". Até que enfim. Só tenho dúvidas se o controlo a aplicar será exequível. Há uns anos, lembro-me que as facturas da restauração apresentadas pelos cidadãos eram dedutíveis em sede de IRS mas parece-me que o Governo não irá abrir mão dessa receita na totalidade.

Restaurantes e cafés estão agora na mira da factura obrigatória. E o que acontecerá com os técnicos das reparações de automóveis ou de electrodomésticos quando fazem os orçamentos e levantam a questão “Quer com ou sem IVA”? Bem, aí há que ponderar. É que, por exemplo, num arranjo de 500 euros, 115 euros de IVA já pesa um bocado e, se o não pagarmos, já dá para ir jantar a um bom restaurante onde – fatalmente – iremos pedir factura.
Deu para perceber?

quarta-feira, março 02, 2011

É urgente! Queremos mais e mais canções de protesto


Para aqueles que não são muito amigos de ouvir música é bom que (pelo menos) tenham consciência que ela serve para alguma coisa além, naturalmente, de poder fazer estremecer as paredes da casa ou pôr os vizinhos à beira de um ataque de nervos quando o som tem uns quantos decibéis a mais.

A música alimenta e enriquece o espírito, faz-nos sonhar e, quantas vezes, tem o condão de nos despertar para certas realidades da vida. Como no caso das chamadas músicas de intervenção, que parecem ter voltado à ribalta e que julgávamos terem sido arquivadas após os tempos da ditadura e da gloriosa época do PREC. Já aqui nos referimos aos Deolinda e àquela super-super “canção de protesto” – “Parva que sou” - que se tornou o hino da geração actual. Pois parece que resultou (e não levou muito tempo … convenhamos). Apesar dos versos apenas expressarem “Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar” o Governo já anunciou a interdição dos estágios profissionais não remunerados.
Acho muitíssimo bem. A exploração da rapaziada é chocante e é inaceitável. Há muito que medidas deste tipo deveriam ter sido tomadas. Porém …

Porém, há a necessidade urgentíssima de ecoar pelas salas e pelas praças deste país e, também, pela Assembleia da República, outras canções de protesto e de desespero que lembrem aqueles que são menos jovens mas que são igualmente ignorados ao perderem prematuramente os seus empregos e lançados numa situação que não desejaram e sem qualquer tipo de apoio.

E, já agora, para os idosos e para os pensionistas, cuja luz ao fundo do túnel jamais verão e que não têm associações nem sindicatos que defendam os seus direitos e acalmem as suas angústias. Também para esses é necessário que se soltem canções de protesto, murmuradas/interpretadas pelos Deolinda, pelos Manuela ou pelo Chico dos Anzóis. Tanto me faz.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A qualidade dos deputados

Li há dias num jornal que aquele palhaço brasileiro que foi eleito em Dezembro passado deputado federal por São Paulo, que dá pelo nome (artístico) de Tiririca, se enganou na votação sobre as propostas sobre o salário mínimo e acabou por votar a favor da oposição. Votou e … acabou por marcar um golo na sua própria baliza. Só que Tiririca não desarmou e, ao reconhecer que se tinha enganado, até afirmou com humor “Ih, então eu votei não e saiu sim …”

Pois é, lá como cá, muitas vezes o que se questiona é a qualidade dos deputados. Que se traduz, basicamente, na sua preparação, sensatez, habilidade política e honestidade. E numa altura em que tanto se fala na redução do número de deputados na nossa Assembleia, talvez fosse boa ideia sermos mais exigentes na escolha dos nossos representantes, que podem até ser em menor número mas têm que ser os melhores. O que acham?

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Quando o feitiço se vira contra o ...

A crónica publicada ontem, encaixa-se bem na galeria de “bonecos” que tantas vezes encontramos no nosso quotidiano.

Na história narrada, o protagonista é um taxista (já descobri grandes filósofos nesta classe profissional), mas a personagem bem poderia ser desempenhada por um “barman”, um cabeleireiro ou outra pessoa com profissão diversa.

É que, às vezes, por força das circunstâncias ou das características dos indivíduos que temos pela frente, os serviços que deles esperávamos, traduzem-se, afinal, em saber ouvir-nos, opinar e aconselhar. Nada mais (e não é pouco).

E há ainda aqueles que em vez de nos prestarem determinado serviço, acabam por usar a nossa experiência e saber, deixando-nos não na situação de utilizadores, mas de prestadores de serviços que não esperávamos executar.

Foi o que me aconteceu, há uns anos, numa consulta com o urologista que me acompanhava na época. A determinada altura, o médico considerou que a minha profissão não era susceptível de me provocar um “stress” causador de outras maleitas, ao que eu lhe respondi que não era bem assim, uma vez que a minha função de auditor me provocava um ...

Já nem ouviu o que eu ainda tinha para dizer. “Ah, você é auditor, ora ainda bem que conheço um porque tenho um problema financeiro para resolver e gostaria que me desse um parecer”.

Mais de uma hora depois, quando a consulta terminou, saí deixando-o satisfeito, com a resolução do seu problema encaminhada. E o curioso é que, ao deixar o consultório, paguei qualquer coisa como 85,00 euros por meia dúzia de minutos de confabulações sobre o que me levara lá, enquanto que o “meu parecer financeiro” ao senhor professor foi completamente gratuito.

É aquilo a que eu chamo o “virar-se o feitiço contra o feiticeiro”.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

A filosofia do taxista

Trago-vos hoje um texto de humor (e não só), do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo. Espero que gostem.


"Entrou no táxi parado no ponto e pediu:
- Rua tal, número tal.
O motorista virou-se para encará-lo e perguntou:
- Tem a certeza?
-Como “tem a certeza”? Tenho sim. Vamos lá.
- O senhor sabe como está o trânsito naquela zona?
- Muito ruim, é?
- Péssimo. E não é só naquela zona. É em toda a cidade. Tudo parado.
- Eu sei, eu sei. Mas eu preciso ir.
- Precisa mesmo?
- Olha aqui, meu amigo, se você não quer me levar...
- Não, pense bem. Precisa mesmo? Certeza absoluta?
- Claro. Tenho uma reunião importantíssima.
- Importantíssima?
- Bom... Importante.
- Importante?
- Está certo. Não é questão de vida ou morte. Pensando bem, nada é uma questão de vida ou morte. A não ser a morte.
- E a vida.
- Como assim?
- A única coisa vital da nossa vida é a nossa vida. O senhor concorda?
- Não sei se eu...
- Tome o seu caso. Correndo para ir a uma reunião importante que não é tão importante assim. Enfrentando trânsito que não anda, se irritando, enfim, se matando. Transformando uma questão que não é vital numa questão de vida e morte. É ou não é?
- É, mas...
- Eu sei. O senhor precisa ganhar dinheiro. Tem que sustentar a família. É casado?
- Estou me separando...
- Então. Precisa de dinheiro. Eu também. Não posso ficar parado. Mas o dinheiro não compra a vida. Pelo contrário, a gente gasta a vida para ter dinheiro. É uma troca em que sempre se sai perdendo. Qual foi o problema?
- Como?
- A separação.
- Ah. Pois é. Foi isso. Eu vivo irritado com essa loucura toda, ela vive irritada, nós acabamos só nos irritando mais um ao outro. Mas foi ela que quis se separar.
- E não tem jeito mesmo?
- Sei lá. Por mim, teria. Mas ela diz que eu não consigo me desligar do meu trabalho e das minhas preocupações. Que eu estou sempre ligado, que viver comigo é como viver com uma caixa 24 horas.
- Faça o seguinte. Quando chegar em casa hoje, gire um botão imaginário, ou torça o seu próprio nariz, e diga que está se desligando. Que nada é mais importante na sua vida do que o amor dela, e do que ficar com ela.
-É, pode dar certo.
- Eu sei que vai dar.
- De onde você tirou tanta sabedoria?
- Dos engarrafamentos. Trancados no trânsito o dia inteiro, temos duas opções. Ou nos transformamos em neuróticos com fantasias assassinas, ou aproveitamos o tempo parado para filosofar. Eu escolhi a filosofia.
- Talvez você possa me ajudar com outro problema...
- Só um instante. Se o senhor não se importar, vou ligar o taxímetro durante a sessão.
- Tudo bem".

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Já naqueles tempos os cigarros “queimavam”


Em Portugal, entre Novembro de 1937 e 1970, qualquer cidadão que usasse um isqueiro para acender o tabaco tinha que ter uma licença.

Uma licença de utilização, passada pelas Finanças, todos os anos, nada barata e, para cúmulo, era passada nominalmente. Ou seja, um isqueiro não podia ser utilizado por outra pessoa que não aquela cujo nome estava na licença. E para controlar a sua utilização havia a polícia e uma caricata “profissão” denominada de “fiscal de isqueiros” que, em caso de prevaricação, aplicavam uma multa e apreendiam o isqueiro.

Recordo-me, a propósito, de uma tarde em que o meu pai me levou ao futebol, quando ele pretendia fumar um cigarro, e porque estava vento, acendeu o isqueiro levantando o cotovelo para proteger a chama. Como por acaso, apareceu do nada um fiscal que interpretando o gesto como estar a querer esconder a acção, logo perguntou pela famigerada licença.

Dado que a imagem não é suficientemente nítida, reproduzo o texto da “Licença Anual Para Uso de Acendedores e Isqueiros” em que gostaria de chamar a vossa atenção para uma palavra lá existente: delinquente. Nem mais!

“É proibido o uso ou simples detenção de acendedores ou isqueiros que estejam em condições de funcionar quando os seus portadores não se achem munidos da licença fiscal.
Os infractores serão punidos com a multa de 250$00 além da perda dos acendedores ou isqueiros, que serão apreendidos, salvo as excepções reguladas pelo respectivo decreto-lei.
Se o delinquente for funcionário do Estado, civil ou militar, ou dos corpos administrativos, a multa será elevada ao dobro e o facto comunicado à entidade que sobre ele tiver competência disciplinar.
Das multas pertencerão 70 por cento ao Estado e 30 por cento ao autuante ou participante.
Havendo denunciante, pertencerá a este metade da parte que compete ao autuante.
Outras disposições consultar os respectivos decretos”.

Para quem não sabia ou já não se lembrava, aqui está a memória não muito longínqua de uma prática existente no nosso país. De repressão, sim, mas também de caça a mais um imposto.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

E o vencedor é …

Na noite chuvosa de sexta-feira passada decidi duas coisas: fui ao cinema e, na sequência, atribuí o meu voto a um filme concorrente aos Óscares de Hollywood do próximo dia 27. É certo que não faço parte do júri nem sequer sou especialista em cinema e é também verdade que não vi ainda todos os filmes que estão nomeados, mas a minha resolução está tomada.

O “Discurso do Rei” encheu-me as medidas, como se costuma dizer. Baseado na história verídica do Rei Jorge VI, um monarca tímido que lutava contra a gaguez, o filme tem uma óptima realização e está extraordinariamente interpretado. Colin Firth (o rei) e Geoffrey Rush (o terapeuta) são magistrais e os diálogos estão muito bem construídos.

Não se trata de uma reconstituição de época nem, tão-pouco, pretende mostrar uma visão detalhada sobre os meandros da governação de um reinado que ocorreu num período difícil, no início da II Guerra Mundial, mas assisti a uma história comum (que por acaso se passou com a família real inglesa), comovente e tocante. Uma história de pessoas muito diferentes que se encontraram pelos caprichos do acaso e acabaram ligados por laços de amizade que duraram até à morte.

Não é por acaso que o filme está nomeado para 11 estatuetas, entre as quais o de melhor filme, o de melhor actor principal (Colin Firth) e o de melhor actor secundário (Geoffrey Rush).

Eu gostei. Daí que eu diga “... and the winner is”: “The King’s Speech”, “O Discurso do Rei”.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Perguntas para reflectir no fim-de-semana

Dado que hoje é sexta-feira e estamos à beira de um fim-de-semana (que se espera com menos chuva), é bom que comecemos, desde já, a relaxar. Desde logo com algumas das perguntas cujas respostas nunca ouvi alguém dar até hoje.

Por exemplo:

Se depois do banho estamos limpos porque é que lavamos a toalha? ou
Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto ? ou

Porque é que a palavra 'Grande' é menor do que a palavra 'Pequeno'? ou

Porque é que 'Separado' se escreve tudo junto e 'Tudo junto' se escreve separado? ou

Se o vinho é líquido, como pode existir vinho seco? ou ainda

Quando inventaram o relógio como sabiam que horas eram para poder acertá- lo?

Vão pensando nisso. Bom fim-de-semana.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Apesar de tudo na província é capaz de ser mais fácil

A onda de choque resultante da notícia da morte da idosa da Rinchoa, a que nos referimos na passada Segunda-Feira, para além da comoção que provocou, gerou um alerta sobre a situação dos que vivem sozinhos e nomeadamente dos mais velhos. Familiares, vizinhos, comerciantes e até autoridades ficaram mais sensibilizados para o acompanhamento dessas pessoas.

Temo, porém, que com o passar do tempo, estes cuidados possam diminuir e tudo volte à estaca zero.

Há que reconhecer, no entanto, que muitas autarquias da província já têm dispositivos de apoio a idosos isolados, com programas específicos criados para o efeito. Só que, como costumo dizer, há província e província. O número de pessoas e a dispersão geográfica duma concelho como Guimarães não é o mesmo de um concelho como Alcoutim. Nos meios maiores é muito mais difícil conseguir o acompanhamento das pessoas que vivem sozinhas.

Na tentativa de ultrapassar essas dificuldades, o Instituto da Segurança Social vai apresentar uma proposta ao Governo que, basicamente, pretende acompanhar as pessoas à distância, por exemplo, através de uma chamada telefónica diária. O problema é que nem todos estarão interessados em aderir, tanto mais que, embora de pouca monta, haverá custos para os utilizadores.

Em Portugal estão sinalizados cerca de 25 mil idosos em risco. Mas quererão todos eles ter alguém que lhes controle os movimentos, ainda que seja para o seu bem? Não podemos esquecer que há pessoas pouco sociáveis, com feitios difíceis e extremamente independentes que querem manter a sua “liberdade”a todo o custo. E embora possamos não compreender as suas motivações, temos que as respeitar.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A aula de hidroginástica

A crónica de hoje poderia ser dedicada a gente de todas as idades dado que, julgo, todos se reveriam, de uma maneira ou de outra, no que vou contar.

A cena passa-se num dos melhores ginásios da capital e no início de uma aula de hidroginástica.

Desde já gostaria de dizer que esta era a minha primeira aula e que só acedi “alinhar” nesta actividade depois de grandes esforços de familiares para me convencer. Embora a “Hidro” seja aconselhada pelos médicos por ser um bom exercício que visa melhorar a qualidade de vida, confesso, eu que sempre pratiquei desporto de competição, que sempre olhei para aquelas classes como reuniões de pessoas idosas que se juntam para se divertir e para conviver.

É claro que esta actividade é também isso, ou seja, também serve para aumentar a interacção social, para diminuir o isolamento, para melhorar os níveis de independência e autonomia, para ocupar os tempos livres de forma saudável, enfim, para promover o bem-estar geral.

Mas é mais do que isso, é um exercício físico exigente, que faz mexer todas as partes do corpo e que apenas por estarmos dentro de água não nos deixa suar da forma habitual. Ah, e quanto àquela ideia da reunião de pessoas desocupadas e com idade avançada esqueçam, não é nada disso. Comparecem às aulas pessoas de todas as idades que têm um fim comum – fazer exercício.

Mas voltemos à minha primeira aula de “Hidro”. Normalmente, as sessões são acompanhadas de música mexida, cujo ritmo ajuda a execução dos exercícios ministrados pelo professor.

Ora, desta vez, logo no início da aula o aparelho de som avariou. A jovem monitora, impotente para resolver o falhanço da máquina, tratou de “puxar” pelos alunos, começando a entoar canções mais ou menos conhecidas e, claro está, mais ou menos actuais. Como a classe não respondeu a contento, provavelmente por desconhecimento das letras, a jovem recorreu às suas memórias de infância e foi buscar músicas populares e de artistas também populares – do género “atirei o pau ao gato” ou “eu tenho dois amores” - para angariar novas energias e para que a aula decorresse normalmente dentro da anormalidade, o que conseguiu.

Foi então que dei conta que a maioria das minhas companheiras (os participantes são maioritariamente senhoras) entoava com entusiasmo as canções propostas (ou eram elas próprias a sugeri-las) a ponto de se transformar uma aula de “Hidro” num grupo coral a roçar o folclórico.

E, quando olhei ao redor e vi uma boa parte do grupo a entoar de forma entusiástica as canções populares, esquecendo o que os levara ali, percebi que tinha apanhado o comboio errado. Aquilo não era uma aula de hidroginástica mas um autocarro de excursão de seniores animados.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A decisão é sua …

Não fossem as idiossincrasias (bem, como eu gosto de dizer esta palavra) dos portugueses e até era capaz de acreditar que esta história tinha tudo para dar certo. Mas a nossa cultura e as nossas características bem conhecidas, fazem-me pensar que esta iniciativa não durará muito.
Mas, afinal, do que é que estamos a falar?

Pois bem, um restaurante lisboeta recentemente inaugurado, apresenta como novidade a possibilidade dos clientes pagarem as suas refeições de acordo com o seu grau de satisfação. Ou seja, os fregueses podem pagar o preço que acharem mais justo pelo que comeram. O critério é deles. Vou exemplificar: os preços das sopas variam entre os dois euros e cinquenta e os cinco euros, as carnes entre os seis e os doze euros e as sobremesas vão dos dois aos seis euros. É ainda o cliente que decide se deve deixar, ou não, entre dois a quatro euros de gratificação pelo serviço de atendimento.

Os responsáveis da “Cantina da Estrela”, assim se chama o novo espaço, confiam que este novo conceito pode resultar. Aliás, dizem os psicólogos que as pessoas são mais razoáveis quando lhes é dada a responsabilidade de avaliar. Noutros países a coisa funcionou. Noutros … nem tanto.

As características dos portugueses, e se calhar dos povos latinos, não são iguais às dos da Europa Central ou dos Nórdicos. Ao contrário destes, provavelmente não nos comportaríamos lá muito bem se tivéssemos que deixar umas moedinhas em troca de um exemplar de um jornal colocado numa caixa aberta. O mais certo, digo eu, é que desaparecessem os jornais e … o dinheiro. E no tempo em que os bolos-reis traziam uma fava, quantos é que a engoliam para que não fossem “obrigados” a pagar o próximo?

Pode ser que resulte, vamos ver. Mas tenho dúvidas que a maioria das pessoas, perante a escolha de poder pagar entre seis e doze euros, seja de tal forma séria que pague os doze euros. Ou dez … ou oito …


segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Uma idosa chamada Augusta

A notícia da descoberta do cadáver de uma senhora que morreu há nove anos na sua casa, comoveu toda a gente. Comoveu, chocou e levantou toda uma série de questões.

E a primeira é a de percebermos que tipo de sociedade é esta em que vivemos, sobretudo nas grandes urbes, em que a desumanização é total. Ninguém sabe e ninguém quer saber quem são e como vivem as pessoas que moram no andar do lado, no de cima ou no debaixo porque todos estão demasiado preocupados apenas com a sua vidinha. Como ouvi alguém dizer “esta é uma sociedade porco-espinho, em que vivemos enrolados sobre nós próprios”.

Mas neste caso (que tomámos conhecimento pela comunicação social), houve pessoas que se preocuparam com a ausência da senhora. Uma vizinha tentou várias vezes junto da GNR que investigassem o caso mas riram-se-lhe na cara como se estivesse louca. Não havia cheiro a cadáver, portanto … Um primo da senhora deslocou-se treze vezes ao Tribunal de Sintra para que alguém entrasse na habitação na tentativa de saber se a prima estaria lá. Em vão, responderam com um argumento idêntico e … nada fizeram.

E o que me revolta é que quer a GNR quer o Tribunal, aparentemente por não haver indícios de morte ou por não haver leis explícitas para este tipo de casos, descurou a possibilidade de acudir a tempo uma pessoa e, quem sabe, salvá-la. Tão-pouco a Segurança Social investigou porque razão os vales da sua reforma foram devolvidos. Todos esses serviços públicos que, supostamente, deviam estar atentos, se alhearam pura e simplesmente.

Mal vai um país em que tenha que existir legislação que contemple todas as situações. As leis devem ser entendidas como referenciais e, como tal, não é por se registar a falta de alguma que se deve deixar de actuar. Falharam, pois, as entidades que deveriam fazer diligências para descobrir o que tinha acontecido à senhora. Só não falhou o Fisco que, face a uma dívida existente, cuidou diligentemente de penhorar a casa e vendê-la. Só foi pena de não ter tido a curiosidade de saber o porquê do não pagamento.

A senhora chamava-se Augusta, teria hoje 96 anos, morreu em sua casa há 9 anos e morava na Rinchoa.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

E a história repete-se


Hoje vou partilhar convosco uma história que me contaram - um diálogo - que se teria passado em França, no tempo de Luís XIV, entre o Cardeal Mazarino e Colbert. Não tenho a certeza da sua veracidade mas, face ao que se tem observado ao longo dos tempos, não me custa acreditar que tivesse acontecido.

No século dezassete, o Cardeal Mazarino, embora nascido em Itália, foi primeiro-ministro de França no tempo do Rei Luís XIV e Colbert seu ministro do Estado e da Economia.

Então, o alegado diálogo terá sido mais ou menos assim:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.


Não acham que entre este “diálogo provável” e o que temos assistido na governação de há muitos anos a esta parte existem muitas “coincidências”? E são tão óbvias que não teríamos dificuldade em substituir os nomes de Mazarino e de Colbert por outros políticos bem mais recentes. Curioso, não é?

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Tudo como dantes …


Ao longo dos anos a vida foi-me mostrando que os mais novos têm sempre a sensação de que a maioria dos males que os afligem, e à sua geração, apareceram de repente, vindos sei lá de onde, única e exclusivamente para os prejudicar. Como se não tivessem já acontecido anteriormente. Mas não é assim.

Parece, portanto, que aquilo a que passámos a chamar de mercados e agências de notação, são os tais agentes do demónio que opinam, tratam de números e estudam dossiers de países que não conhecem e estabelecem critérios que são aplicados cegamente. Tudo com um único propósito, o de lesar esses países e os seus habitantes.

Mas, como referi, o fenómeno não é de agora. Lembro-me, por exemplo, de que há uns anos uma das maiores firmas de consultoria do mundo foi contratada pelo grupo financeiro onde eu trabalhava para, segundo eles, reestruturar (palavra adocicada que esconde as verdadeiras intenções) as nossas empresas. Dito de outro modo, a sua missão era emagrecer essas empresas, ou seja, eles estavam lá para mandar embora pessoas. E, como se isso não fosse suficientemente trágico, utilizavam um método assaz eficaz e perverso. Instigavam os empregados a sugerir melhorias nos seus serviços para que fossem mais eficientes. Pretendiam, portanto, mais e melhor produção com menores recursos. Tão simples como isso, com a ajuda das sugestões dos próprios empregados das empresas, os serviços tenderiam a melhorar e o número de postos de trabalho a diminuir. E o curioso (tristemente curioso) é que muitos embarcaram no engodo e os objectivos foram alcançados. As mirabolantes ideias que apareceram fizeram com que, na prática, colegas de trabalho despedissem os seus companheiros.
Aliás, em muitos casos, eram as próprias chefias intermédias, desejosas de “ficar bem na fotografia”, que sugeriam alterações espantosas em que antes nunca tinham pensado e de que resultaram o afastamento de mais uns quantos empregados.

Isto aconteceu há uns bons anos, numa altura em que ninguém falava em globalização, em mercados e ainda menos em agências de rating. Podem, por isso, imaginar como o processo foi doloroso para os trabalhadores e muitos não aguentaram tamanha instabilidade. Vi homens maduros e dedicados às empresas onde laboravam há décadas chorarem como crianças quando souberam da extinção dos seus postos de trabalho e a consequente passagem à reforma. Afinal, era a primeira vaga de um mundo novo que ninguém estava preparado para receber.

Seguindo a máxima de Lavoisier “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, temos que admitir que muitos dos problemas com que nos confrontamos hoje podem ter novas roupagens e novas designações, mas o cerne das questões é exactamente o mesmo daqueles outros problemas que aconteceram no passado. E, curiosamente, os que mais são atingidos também são os mesmos.