segunda-feira, maio 14, 2012

Insensibilidade


Nos últimos tempos, quer nas entrevistas que concede quer nos debates na Assembleia da República ou nos lugares onde bota discurso, o Primeiro-Ministro não pára de surpreender os portugueses com declarações infelizes. Umas atrás das outras.

Ainda na última sexta-feira, Pedro Passos Coelho teve este notável desanrincanço: “o desemprego pode ser uma oportunidade para mudar de vida e não tem de ser visto como negativo”. Mais: “Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade».
Tal qual! E não me venham com a velha história de que não foi bem isso que ele queria dizer …

Já é grave que o PM pense assim mas, dizê-lo publicamente, é irresponsável e um acto de profunda insensibilidade. Saberá, por acaso, Passos Coelho o desespero por que passam muitas centenas de milhares de portugueses que querem trabalhar e não conseguem arranjar onde? E terá ideia qual será o sentimento de pais, avós mulheres/maridos que “vivem” também a angústia da procura incessante de emprego sem o conseguir? E o que pensará dos jovens à procura do primeiro emprego ou dos jovens que saltam de trabalho em trabalho sem a mínima segurança do dia seguinte e sem poderem sonhar com uma vida minimamente estável? E será que faz ideia do que sentem homens e mulheres de quarenta ou cinquenta anos que sentiram na pele a restruturação das suas empresas e o despedimento que não esperavam? Terá Passos Coelho a coragem de lhes dizer, olhos nos olhos, que o “desemprego pode ser uma oportunidade para mudar de vida e não tem de ser visto como negativo”?

Mas Pedro Passos Coelho não foi apenas leviano nas suas afirmações. Ele realmente pensa o que disse, tanto assim que, no dia seguinte, voltou a sublinhar “que o desemprego é também uma oportunidade. É preciso retirar o estigma do desemprego”.

Passos Coelho já em tempos nos tinha chamado piegas mas eu acho que, longe de sermos piegas, o que somos mesmo é revoltados. Indignados com um Primeiro-Ministro que – recordo - ainda há um ano considerava que uma taxa de desemprego de 12,4% era um valor extremamente elevado e que vai ver em 2012, segundo as previsões de Bruxelas, passar para os 15,5%. Será que é esta tragédia nacional que Passos Coelho considera uma oportunidade?

sexta-feira, maio 11, 2012

Injustificável


A falta de um anexo do DEO – Documento de Estratégia Orçamental (um novo PEC, mais coisa menos coisa) - suscitou um burburinho danado na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública da Assembleia da República, onde o Ministro das Finanças estava a ser ouvido.
 

O bruaá justificava-se porque, sem esses documentos onde são feitas as previsões dos números do desemprego, não valia a pena continuar. E vá de pedir a suspensão dos trabalhos até que chegassem os documentos. Que chegaram algum tempo depois mas … em inglês.
 

Gerou-se nova confusão. De forma veemente o Deputado Comunista Honório Novo protestou: "Vou devolver-lhe estes quadros. Sabe porquê? Porque este documento vem em inglês. Não aceito, não reconheço, recuso que a Assembleia da República aceite como válido um documento em inglês". E zás, devolveu-os mesmo à funcionária do Parlamento.      
 
Vítor Gaspar, no seu tom habitual, educado e lento, ainda pediu desculpa pela situação. E atirou como justificação (esfarrapada, convenhamos) que os quadros estavam a ser traduzidos e que logo, logo, haveria uma versão em português. De resto, disse ainda que os documentos em causa poderiam ser consultados on-line.

Pelos vistos, a moda de comunicar em inglês, tão presente entre os “Amigos” do Facebook, também já se estendeu aos documentos oficiais. Dá até a impressão de que nos esquecemos que a nossa língua oficial é o português. “A minha pátria é a língua portuguesa”, como dizia Fernando Pessoa. Por isso achei fantástica (e eu assino por baixo) a atitude assumida por Honório Novo. Não há documentos em português, então, não há discussão.

Tal como não me convence a mania que se instalou em muito boa gente de remeter para os sítios da internet todos os que pretendem uma informação. Estilo “vá ao nosso site, está lá tudo”.

Não se tratasse de Vítor Gaspar e eu quase que apostava que qualquer outro apaniguado dos partidos do poder afirmaria que a culpa de tudo isto é de José Sócrates e das suas manias de querer ensinar às criancinhas o inglês e a informática.

Há limites para tudo e tem que haver bom senso. Porém, parece que ambos andam arredios …

quinta-feira, maio 10, 2012

Já suspeitávamos …


A frase que achei mais curiosa nos últimos tempos veio da boca de Bagão Félix, o antigo ministro da Segurança Social e do Trabalho e, mais tarde, Ministro das Finanças e da Administração Pública:


“Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior”.


Bagão Félix é um homem inteligente mas, agora, só disse aquilo que quase todos já sabem (e sentem) há muito. Embora eu desconfie que o país não estará assim tão bem como ele refere …

quarta-feira, maio 09, 2012

O Bodo II – Então não é que afinal (quase) todos ganharam com o “descontão”?


Ainda sobre a mega campanha de marketing do Pingo Doce, que poderá ter novos desenvolvimentos em breve, uma informação adicional. É que para além dos clientes que se esgadanharam todos naquele dia em busca de produtos a metade do preço, também os funcionários do Pingo Doce, segundo o comunicado da Jerónimo Martins, vão ter um desconto idêntico ao dos “bravos guerreiros” do 1º. De Maio. E por terem sido submetidos a um volume anormal de trabalho ainda irão receber o pagamento desse dia a 500%, só não se sabendo se esse pagamento será integralmente feito em dinheiro ou se inclui uma parte em tempo de descanso, como previsto no contrato coletivo de trabalho do grupo.

Esta foi sem dúvida uma acção em que todos ganharam: o Pingo Doce pela publicidade da marca, os clientes pela baixa dos preços e os empregados das lojas pelos merecidos pagamentos adicionais.

Acho que só os polícias que tiveram que intervir nalguns estabelecimentos onde se registaram incidentes foram esquecidos. E não se sabe ainda se os produtores e fornecedores da grande distribuição (que há muito se queixam do esmagamento das suas margens comerciais) poderão vir a suportar alguns dos custos deste desconto. Finalmente, parece que se esqueceram de cumprir uma lei que trata de uma coisa conhecida por dumping. Mas também não se pode pensar em tudo, não é?

terça-feira, maio 08, 2012

O bodo


Uma semana depois da tão badalada iniciativa dos 50% de desconto do Pingo Doce, continuam no ar as interrogações sobre o que, de facto, se passou. 

Apesar do patrão Alexandre Soares dos Santos ter afirmado que não tinha tido conhecimento da campanha (?), a verdade é que ela aconteceu e exactamente num dia em que, em princípio, não deveria ter ocorrido. Mas isso são contas de um outro rosário que poderemos discutir outro dia. 

A aparente irracionalidade de uma campanha deste tipo (eu achei que o aconteceu foi um tanto ao quanto degradante) puxou pela racionalidade dos cidadãos que viram a oportunidade de, num só dia, poderem equilibrar os seus parcos orçamentos. E para quem não se importou de passar largas horas em filas, em ir de madrugada para as portas dos supermercados ou em enfrentar uns quantos empurrões, ter a possibilidade de comprar por metade do preço foi como uma dádiva dos céus. Também poderemos discutir outro dia se toda esta “bondade” não será paga mais tarde. 

Contudo, muitas perguntas continuam sem resposta. Por exemplo, quem vai suportar o prejuízo dos 11 milhões de euros respeitantes aos 50% do desconto, se o Pingo Doce ou os produtores? Ou se vai haver mesmo uma condenação, se for provado (e parece que já ninguém terá dúvidas sobre isso), que muitos dos produtos foram vendidos abaixo do preço de custo, o que é crime. 

Portanto, das duas, uma. Ou os produtos foram vendidos abaixo do custo ou as margens de lucro não são compatíveis com as declarações fiscais apresentadas. Facto que parece não ter incomodado o Ministro da Economia que disse compreender a situação que, de resto, é comum noutros países. Pois é, Álvaro, mas estamos em Portugal e, aqui, a lei da concorrência estabelece que isso é ilegal.

segunda-feira, maio 07, 2012

Uma fotografia desfocada da justiça …


Como se recordam, o denominado “gangue do multibanco” foi julgado em 2010 e 11 dos 12 arguidos foram absolvidos. Porém, em finais do mesmo ano o Tribunal da Relação mandou repetir o julgamento por entender que o primeiro "foi gravemente lesivo dos interesses e expectativas das vítimas e corrosivo para a imagem de uma Justiça que tem vivido um dos seus piores momentos".
 

Pois bem, repetido agora o julgamento, só quatro dos tais 12 arguidos foram absolvidos de todos os crimes. Os restantes arguidos foram condenados a penas de um ano e tal a mais de oito anos de prisão efectiva.


E o que deixa perplexo qualquer cidadão é que, nos dois julgamentos, os factos imputados aos elementos do gangue serem exactamente os mesmos – roubo de mais de dois milhões de euros em caixas ATM, associação criminosa para roubo e furto de máquinas ATM, com recurso a veículos de alta cilindrada previamente furtados para o efeito – e as provas e os argumentos apresentados também serem os mesmos.
 

Se os juízes desembargadores da Relação consideraram "errado o julgamento de parte significativa das provas levadas a tribunal” e expressaram "incompreensão e perplexidade pela decisão tomada em julho de 2010 por um coletivo de juízes das Varas Criminais, ante a evidência e irrefutabilidade de algumas das provas apresentadas pela acusação feita pelo DIAP”, então, quais as consequências que daí podem resultar?


Os juízes não estão imunes a situações de incompetência, tal qual acontece com os profissionais de outras actividades. Ora, se até os juízes da Relação ficaram estupefactos perante as decisões dos seus colegas no primeiro julgamento, o cidadão comum só pode esperar que sejam imputadas as devidas responsabilidades a quem tomou decisões que os próprios juízes desembargadores acham “incompreensíveis”. Ou não será?

sexta-feira, maio 04, 2012

Monteiro ??? … estás a falar daquele jogador que …


A pergunta que serve de título a esta crónica foi-me feita por um amigo, um tipo que continua a comprar quase todos os diários desportivos que quase só escrevem sobre futebol e a seguir os programas de desporto das televisões que – tal qual os jornais - pouco destaque dão a outras modalidades, mesmo quando os resultados internacionais dos nossos representantes o justificariam.

Mas não, o Monteiro de que falava o meu amigo não é um mas uma Monteiro – a Telma Monteiro – a judoca portuguesa que acaba de ganhar a medalha de ouro, na categoria de 57 Kg, no Campeonato da Europa realizado na Rússia. A mesma atleta que nas anteriores sete participações na prova tinha conseguido três medalhas de ouro, duas de prata e mais duas de bronze. É obra!

É que Portugal, para além da via verde e dos cartões pré-pagos, referidos pelo Presidente da República no discurso do 25 de Abril (um discurso a puxar pela auto-estima dos portugueses já tão em baixo, a auto-estima e os portugueses), tem outros feitos de que se orgulhar. E as oito medalhas europeias de Telma Monteira (em oito campeonatos) é, seguramente, um deles. Parabéns à Telma.

quinta-feira, maio 03, 2012

Ignorância preocupante


Na “Única” desta semana, Clara Ferreira Alves escrevia:
 
 “ … Para a gente que hoje manda em Portugal, o 25 de Abril é uma data que começa a fazer tanto sentido como o 1º. De Dezembro ou o 5 de Outubro. E o salazarismo é um período tão distante da nossa História como as Descobertas e o tempo imperial. A queda de Salazar da cadeira ou de Caetano no Carmo interessam tanto como a tomada de Ceuta ou a construção da fortaleza de Ormuz … “

 Embora estas palavras tenham sido escritas para um contexto diferente, elas bem podiam aplicar-se aos jovens deputados (futuros governantes?) inquiridos por um canal de televisão no dia da comemoração do 38º aniversário da Revolução dos Cravos. A demonstração da falta de cultura geral, nomeadamente, da História Política contemporânea, em que a ignorância é tanta que nem sequer sabiam, menos de quatro décadas depois, quem foram o primeiro Primeiro-Ministro depois de 25 de Abril ou o último Primeiro-Ministro antes dessa data.

Admito até que pensem que isso não será relevante para que venham a ser políticos capazes. Eu não sou dessa opinião e preocupa-me muito que tamanha ignorância (não foi esquecimento, foi mesmo ignorância pura) se manifeste até sobre factos recentes do próprio regime que lhes permitiu ascenderem à condição de protagonistas políticos.

Como refere – e bem - Clara Ferreira Alves no mesmo artigo: “A História de um país é a memória de um país e conhecer a História pode ajudar a não repetir os mesmos erros …”


quarta-feira, maio 02, 2012

O “Primeiro de Maio”





No primeiro “Primeiro de Maio”, em 1974 (o primeiro “Dia do Trabalhor” vivido em liberdade), tivemos alegria e esperança, muita esperança no país novo que despertava.

38 anos depois, existe uma desconfiança generalizada nos políticos, nas políticas e nas instituições.

No primeiro caso houve um 1º de Maio, este ano vivemos apenas o 1º de maio. E a diferença é enorme …

sexta-feira, abril 27, 2012

Ah, pensavam que não era possível? Pois bem, é!


De há muito que as boas práticas mandam que, para se mexer nas nossas contas bancárias (a débito), é necessário que haja a autorização dos clientes. Pela assinatura dos titulares necessários ou pela digitação de uma senha associada ao cliente e à conta. É uma condição assumida quer pelos clientes quer pelos bancos como segurança do normal funcionamento das operações e que expressa a confiança entre os cidadãos e o sistema bancário. Assim, temos a certeza de que as nossas contas só são debitadas quando nós autorizamos, certo? Sim … em princípio. Com excepção do pagamento de portagens e alguns outros (poucos) serviços, para nos “tirarem” dinheiro da conta só com a nossa autorização.
Mas há casos que, às vezes, fogem a essa obrigatoriedade. Como aconteceu na situação que passo a contar:

“uma senhora comprou na Zara uma peça que estava marcada por 9,90 euros. Dias depois reparou que no seu extracto, além da referida importância, a Zara tinha debitado também (sem a sua autorização) outros 3,00€. Contactada a loja recebeu como explicação que, afinal, tinha havido um erro de marcação e que a referida peça custava não 9,90 mas 12,90. Daí que tenham dado ordem à Unicre (a gestora dos cartões) para debitar os tais 3,00 euros. Resta dizer que o Millenium-BCP (o banco da senhora) aceitou o débito. Tudo se passou sem a autorização da cliente”.
O procedimento da Zara parece ser usual. Quando há enganos regularizam mais tarde e a Unicre e o Banco (pelo menos o BCP) aceitam sem discussão, independentemente das verbas em causa. Neste caso foram 3 euros mas podiam ter sido muitos mais.

Como afirmei, a nossa relação com o sistema é baseada na confiança. Acreditamos que as transacções são secretas e a nossa conta só é movimentada a débito quando nós autorizamos. Por isso me indigno quando oiço relatos como este que vos contei em que esses princípios são esquecidos sem qualquer escrúpulo.

Incomoda-me a ideia de ver uma marca (de uma empresa, de alguém) alijar a responsabilidade por um erro que cometeu e de não assumir os respectivos custos. Não me parece que seja uma boa prática comercial nem séria. Incomoda-me também que a gestora de cartões, com um simples telefonema de uma loja, vá à conta de qualquer de nós e retire dinheiro sem que o cliente seja ouvido ou achado. E incomoda-me, ainda, que um banco tenha um sistema informático que permita situações como esta.
A partir de agora teremos que pensar duas vezes se podemos, ou não, ter confiança na Zara, na Unicre e em alguns bancos.

quinta-feira, abril 26, 2012

Na Assembleia da República come-se bem e barato


Não devo ter reparado numa notícia que foi publicada por um matutino no início do ano. Felizmente que, por estes dias, um programa de televisão de um dos canais generalistas, voltou a falar no assunto e, agora sim, eu tomei conhecimento de mais esta escandaleira que subsiste à custa dos impostos dos contribuintes. Eu explico:

Na Assembleia da República existem dois restaurantes de luxo reservados a deputados e aos seus convidados, bares e uma cantina onde vão sobretudo os funcionários da casa. Até aqui não há problema, quem ali trabalha tem mesmo que comer. Nem mesmo o facto de haver dois restaurantes de luxo suscita qualquer questão. Os deputados (que não ganham propriamente uma miséria) são livres de gastar o seu dinheiro onde e como muito bem entendem.

Onde a coisa já cheira a esturro (já que estamos a falar em comida) é no preço que os senhores deputados pagam para se banquetearem nesses restaurantes. Para perceber melhor do que estou a falar, vejamos como é constituído um menu de um almoço buffet de um dos dias da semana:

sopa de cebola, arroz de tamboril com gambas e salsichas em couve lombarda. Mesa de fritos, uma outra vegetariana, mais uma de doces e frutas e outra de queijos”.

Tudo isto por uns módicos 10 euros por pessoa. Suponho que não estarão incluídos os vinhos e espumantes de marca nem os cafés de exóticos aromas. Só faltava essa … Por este preço o cidadão comum só conseguirá comer uma refeição normalíssima num tasco banal sem quaisquer requintes.

E a minha indignação é exactamente essa. Numa altura em que os sacrifícios são pedidos constantemente a uma população já tão castigada, faz algum sentido que os contribuintes continuem a subsidiar as refeições de restaurantes de luxo para pessoas que, de certo modo, já são privilegiadas?

Será que o Conselho de Administração da Assembleia da República, e os deputados que tanto se preocuparam com os custos da Parque Escolar na modernização das escolas, já ouviram falar em equidade de sacrifícios e justiça social?

Estamos em Abril. Talvez seja uma boa altura de recordar ao nosso Parlamento e a quem lá manda, uma das promessas do Abril de 1974: “mais igualdade e melhor repartição dos bens”. E isso, ao que parece não está a acontecer …

terça-feira, abril 24, 2012

Canção tão simples


“Canção tão simples”, um poema de Manuel Alegre




Quem poderá domar os cavalos do vento

quem poderá domar este tropel

do pensamento

à flor da pele?
 

Quem poderá calar a voz do sino triste

que diz por dentro do que não se diz

a fúria em riste

do meu país?


Quem poderá proibir estas letras de chuva

que gota a gota escrevem nas vidraças

pátria viúva

a dor que passa?
 

Quem poderá prender os dedos farpas

que dentro da canção fazem das brisas

as armas harpas

que são precisas?

segunda-feira, abril 23, 2012

O “Movimento Zero Desperdício”


Não podia deixar de mencionar uma iniciativa apresentada na semana passada – o “Movimento Zero Desperdício” - um projecto da Associação Dariacordar que tem por objetivo principal a luta contra o desperdício alimentar. Segundo os responsáveis deste Movimento todos os dias sobram mais de 50 mil refeições (que ninguém aproveita) confecionadas em refeitórios de empresas, supermercados, restaurantes ou escolas que, a partir de agora e progressivamente, vão ser entregues a famílias carenciadas.

Mas se a iniciativa é altamente louvável, o hino (chamemos-lhe assim) que a promove tem que se lhe diga. Interpretado por figuras públicas como Sérgio Godinho, Jorge Palma, Camané e muitas outras, que admiro como pessoas e como músicos, tem uma letra que, no mínimo, é infeliz.

Como considerar, por exemplo, a frase lá cantada

  “O que eu não aproveito ao almoço e ao jantar a ti deve dar jeito, temos de nos encontrar”.

 Entendamo-nos: as palavras têm a sua força, o seu sentido. E estas, escritas, certamente, sem o cuidado devido, fazem-me recuar a tempos ainda não muito longínquos em que a “caridadezinha” e a “esmola” eram características da sociedade em que vivíamos.

Parece um pormenor mas não é. É uma questão de dignidade.

Mas, como costumo dizer, “uma coisa é uma coisa e uma outra coisa é uma outra coisa”. Saudemos, portanto, o novo Movimento. Alguém escreveu algures “Há movimentos que começam com a revolta, com a revolução …”. Este nasceu da vontade, da perseverança e do trabalho de gente concreta que quis dar-se a pessoas concretas.

sexta-feira, abril 20, 2012

O cumprimento salvador

A recente tragédia ocorrida em Armamar em que dois jovens operários entraram numa câmara frigorífica e lá morreram, lembrou-me uma outra história – ao que parece verdadeira – e que se conta desta forma:

“Certo dia, no fim do expediente, um trabalhador da empresa foi inspeccionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta fechou-se e ele ficou preso lá dentro. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu. Todos já tinham saído e era impossível que alguém pudesse escutá-lo.
Já estava há quase cinco horas preso e debilitado com a temperatura insuportável. Até que, de repente a porta abriu-se e o vigia entrou na câmara e resgatou-o com vida.

Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia:

- Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?
Ele explicou: Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair.
Hoje pela manhã disse “Bom dia” quando chegou. Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei..."

Mesmo que a história não seja verdadeira, é um bom momento para reflectirmos …


quinta-feira, abril 19, 2012

Vai haver subida dos salários?


Desde há algum tempo que Pedro Passos Coelho vem defendendo que os subsídios de Férias e de Natal sejam distribuídos ao longo dos 12 meses do ano. Isto, claro, quando voltarem a ser pagos.

Pessoalmente, não me faz grande transtorno. Se ganhar – e isto é um “supônhamos” – 14 000 mil euros num ano (1 000,00 mensais) ou 1 166,66 em cada mês, o dinheiro de que disponho é rigorosamente o mesmo, sem tirar nem pôr. Mas isso é para mim que sou um tipo organizadinho e que sei fazer contas. Contudo, se tal vier a acontecer, acredito que a maioria das pessoas - e das empresas – possam ficar em transe. Porquê? Genericamente porque estão organizados de uma determinada forma e vai ser difícil alterar o padrão adoptado há muito. E existem razões que o justifiquem. Vejamos:

Relativamente aos particulares, se é facto que o salário mensal pode subir (ficticiamente como se viu), a verdade é que quando chegarem os grandes meses – aqueles em que receberiam os subsídios – não têm os tais ordenados a mais que dava para fazer turismo, pagar uns seguros, o IMI, a revisão do automóvel ou as propinas dos colégios dos filhos, de comprar uns presentes para oferecer ou umas peças de roupa ou, ainda, para resolver umas dívidas pendentes. Claro que, “subindo” os rendimentos mensais, as retenções na fonte de IRS também subiriam mas, no final, tudo seria pouco mais ou menos o mesmo.

Quanto às empresas, aparentemente ficariam com uma gestão facilitada porque o pagamento dos 13º e do 14º meses deixaria de criar os malfadados picos de tesouraria e, este faseamento, permitiria uma gestão de caixa mais equilibrada, com a possibilidade até de poderem fazer algumas aplicações financeiras sempre que chegasse dinheiro fresco proveniente das vendas.

Só que, como referi, era necessário alterar toda a estrutura mental de trabalhadores e empresários e arranjar novos mecanismos de gestão quer das famílias quer das empresas. Implicaria também novos hábitos de consumo e de poupança e a preocupação da retenção de provisões que pudessem suster custos inesperados ou já programados. Mas isso (o que já é muito) não bastará. É necessário não esquecer que há complementos salariais que estão indexados ao vencimento mensal como, por exemplo, os subsídios de turno ou nocturnos, e não me parece que as empresas estejam receptivas à subida dos custos.

O Primeiro-Ministro vai sistematicamente insistindo mas o consenso tarda. Porém, se a coisa for para a frente, não nos resta outra alternativa do que dizer como o Dr. António Vitorino: HABITUEM-SE!

quarta-feira, abril 18, 2012

O conflito de interesses




Quando ouvi a notícia nem queria acreditar. O presidente da Caixa Geral de Depósitos foi nomeado para a presidência da Associação Portuguesa de Bancos. E o que é que isso tem de mal, perguntarão. Nada, respondo. Nada, a não ser o facto da mesma pessoa vir a ser o presidente da Caixa e, simultaneamente, o presidente da APB que, como se sabe, é um lóbi do sector privado. E mais, ao que veio a público, o Eng.º. Faria de Oliveira resolveu optar pelo salário que lhe vai pagar a APB (que é três ou quatro vezes maior do que ganha actualmente) e prescindir, portanto, do salário que aufere como presidente da Caixa. Ou seja, o vencimento de um presidente da Caixa Geral de Depósitos (cujo acionista único é o Estado) vai ser pago pela Associação da banca privada!

Aqui se regista a novidade. É que, no passado, pessoas como João Salgueiro ou António de Sousa, por exemplo, também foram presidentes da CGD e passaram a ser – depois - presidentes da APB. Sublinho: depois, não ao mesmo tempo.

No caso presente, o que me inquieta é o conflito de interesses que a questão suscita. Sentir que, num primeiro momento, o presidente da Caixa está a representar o Banco do Estado e, num momento seguinte, pode estar a defender a Banca privada, cujos interesses não são, regra geral, coincidentes.

E, naturalmente, sem me estar a referir em concreto a Faria de Oliveira, esta simultaneidade de funções pode proporcionar situações mais nublosas como sejam o tráfico de influências, corrupção ou outras. Mas mesmo que isso não aconteça há sempre o problema da ética (ou da falta dela).

Como dizia o João Cravinho há dias: “O simples facto de existir esta situação é em si mesmo prova da existência de uma enorme menoridade moral à frente do País …”


terça-feira, abril 17, 2012

O fumo que incomoda …


Sinto-me perfeitamente à-vontade para comentar o assunto de hoje porque NÂO SOU FUMADOR. Durante muitos anos tive que suportar (muitas vezes sem direito a indignar-me) o fumo dos outros em espaços fechados. Mas eram espaços públicos - restaurantes, aeroportos, locais de trabalho, transportes, onde não se podia fugir à tirania (tantas vezes arrogante) de quem tinha o vício. Por isso rejubilei quando foi decretada a proibição de fumar em espaços fechados. Contudo, e repito, eram ESPAÇOS PÚBLICOS.

Agora esta vontade abstrusa de legislar para que não se possa fumar em automóveis PRIVADOS, desde que neles viagem crianças, parece-me completamente inaceitável. É uma medida que irá intrometer-se na esfera mais privada das famílias. E logo vinda de um Governo que se tem mostrado tão liberal e que quer tirar o Estado de tudo o que é actividade económica. Em contrapartida, acha-se com o direito de intervir num caso como este.

O assunto é polémico, já se vê. Sabe-se que a lei em preparação pelo Executivo é rejeitada até por muitos deputados da maioria. Mas a ser aprovada, tenho muitas dúvidas que seja exequível. Como é que irão montar o sistema de fiscalização? Será que vai haver um agente à esquina da cada rua? O que está em causa, porém, é o modo (e eu não duvido da bondade das intenções) como querem defender as crianças e a sua saúde. Eu acho que esse desiderato se alcançaria mais eficazmente se houvesse adequadas campanhas de informação (sobre os eventuais malefícios do tabaco para a saúde dos fumadores passivos) em vez de se restringir as liberdades de cada um.

Fala-se muitas vezes na Finlândia como exemplo de uma Nação modelo. Pois em 2009 na Finlândia, a população mostrou-se favorável à proposta do Governo para proibir o fumo dentro dos carros em que viajassem menores de 18 anos mas, em Maio de 2010, um comité do Parlamento acabou por travar o projecto, argumentando: “a decisão de fumar no interior de uma viatura é um assunto da esfera pessoal de cada cidadão e por isso não deveria ser regulamentada por uma lei”. Talvez fosse boa altura de olhar para o exemplo daquele país escandinavo.

segunda-feira, abril 16, 2012

A verdadeira explicação da crise


Tenho-me por bem informado. Leio muitos jornais e revistas, não perco programas de debate e de comentário mas, mesmo assim, sou muitas vezes surpreendido por ir encontrar respostas onde menos espero.

Foi o que aconteceu recentemente quando descobri a verdadeira razão do despedimento de um primo meu. É que a justificação que a fábrica onde ele trabalhava tinha falido por causa da crise não me convencia, tão-pouco a que apontava para uma gestão altamente danosa. O certo é que a fábrica faliu mesmo e o meu primo foi para a rua.

A resposta, porém, achei-a numa conferência a que assisti, da boca de um jovem engenheiro. E era esta:

“quando o Lehman Brothers faliu, ele era o dono de um banco no norte da Alemanha, que tinha uma sociedade financeira na Baviera, que, por sua vez comprara uma corretora em Turim, que tinha uma sociedade francesa que adquiriu a maioria do capital de uma sociedade madrilena, que comprou uma fábrica de têxteis em Vila do Conde.

O Lehman Brothers faliu e, com ele, faliu tudo o resto e o meu primo foi despedido a semana passada. O que, diga-se de passagem, é injusto porque ele fazia casacos muito bem”.

Pois é, agora que já sei a verdade, queria encontrar uma solução para ajudar o meu primo. E a única que eu vejo é … comprar o Lehman Brothers …

A partir desta história façam as extrapolações que quiserem para os problemas da crise real …

sexta-feira, abril 13, 2012

Simpático … só isso?


Miguel Sousa Tavares escrevia há dias sobre Pedro Passos Coelho “a grande e visível diferença de Pedro Passos Coelho para José Sócrates é a calma afável do actual primeiro-ministro perante a crispação do anterior … onde Sócrates se irritava Passos Coelho sorri, apenas pedindo que o deixem responder à pergunta … aliás não é difícil simpatizar com PPC: o seu tom nunca é afectado nem grandiloquente, não tem tiques de importância deslocada e, pelo contrário, transmite uma ideia de homem sério, humilde mas seguro de si, repetindo, se necessário, as mesmíssimas coisas, entrevista após entrevista.”

Sou capaz de concordar com MST. Mas, meus amigos, da mesma forma que eu procuro num médico um profissional competente que trate da minha saúde, dum primeiro-ministro (e do seu governo) eu espero que governe de forma eficaz e que consiga escolher as melhores políticas para o país e para os cidadãos.

De que me serve ter um primeiro-ministro simpático, aparentemente humilde, sério e seguro de si se, depois, os resultados são os que sabemos. E, provavelmente, só sabemos da missa a metade …

quinta-feira, abril 12, 2012

O 28 da Carris


Quando ontem me referia à falta de soluções (óbvias) para muitos problemas que existem por aí, estava também a pensar no conhecido eléctrico da carreira 28, aquele que é considerado como um passeio obrigatório pelas ruas da capital. Uma volta desde as colinas à baixa, através das casas pombalinas, das igrejas, das ruas da Lisboa antiga e, sempre que possível, com um olhar sobre o Tejo, sobretudo nos dias de maior luminosidade. Um passeio fundamental para os nacionais e para os estrangeiros que já trazem no seu roteiro de visita uma viagem no “28 da Carris”.

O pior é que nessas viagens também vão outros “passageiros” que não estão ali propriamente para admirar a paisagem - são os carteiristas. Todos os dias são apresentadas queixas de roubos verificados naquele eléctrico. TODOS OS DIAS, repito. E as autoridades já identificaram muitos desses ladrões mas tudo continua na mesma. Porquê?

Não haverá a possibilidade de viajarem ali dois ou três polícias fardados para dissuadir os meliantes? Ou dois polícias à paisana que consigam apanhá-los em flagrante? Ou uma equipa com agentes fardados e à paisana que acabem de vez com a situação?

Como é possível que não se consiga acabar com um esquema que se verifica há anos, com todos os prejuízos daí decorrentes? É absolutamente necessário que a Câmara Municipal de Lisboa, a PSP ou a Polícia Municipal, o exército, o Governo, eu sei lá quem, façam alguma coisa para acabar com os carteiristas do 28.

Se o problema está identificado, se já sabem que os “artistas” são portugueses, romenos e russos e se em muitos casos até se conhecem as personagens, do que é que estão à espera?

quarta-feira, abril 11, 2012

Quando os neurónios não funcionam



Há situações que parecem incontornáveis (e que se arrastam no tempo) mas cujas soluções são aparentemente óbvias. O que nos faz questionar se não seremos os únicos a pensar que a tal solução tão fácil está mesmo ali à mão de semear. E mais, se são tão fáceis de resolver por que é que não se resolvem?
Vem isto a propósito das SCUTS e dos automobilistas que entram no nosso país e que não possuem os identificadores electrónicos para fazer o pagamento automático. Ainda agora, na Páscoa, época em que os nossos vizinhos espanhóis costumam “invadir” as nossas cidades, ninguém se lembrou de criar as condições para que pudessem pagar as portagens de forma natural e simples. E vimos turistas que, nas fronteiras, tiveram que sair dos carros e estar numa fila para utilizar a única máquina existente para poder efectuar o pagamento.
E isto passou-se na Páscoa mas acontece todo o ano, apesar das queixas insistentes do comércio que vê diminuir sistematicamente o número de clientes que vêm sobretudo de Espanha e a quem não é proporcionado um modo fácil de pagar as portagens.
Não consigo perceber como com tantos técnicos, assessores e conselheiros no Governo e nos Ministérios, ainda ninguém conseguiu pensar em facilitar a vida a quem vem até nós usufruir de uns dias de férias (ou em negócios) e deixar por cá uns bons milhares de euros que tanto jeito dão à nossa economia. Como é que, apesar dos avisos insistentes das confederações do comércio e do turismo e das próprias autarquias, ninguém pensou numa solução?
Nós, portugueses, que até inventámos a “via verde”, ficamos com uma estranha sensação que andam por aí muitos neurónios que não funcionam.

terça-feira, abril 10, 2012

O orçamento rectificativo

Alguns amigos que me conhecem bem e que sabem que vou aos arames com “certas coisas” ficaram admirados por eu não ter ainda falado no assunto. E essa “certa coisa” que eu não tinha comentado foi o orçamento rectificativo que o Governo se viu na necessidade de anunciar … três meses depois de ter apresentado o OE para 2012. E, fatalmente, surgem as perguntas:

Então, apenas noventa dias passados e já é necessário apresentar um rectificativo? O Primeiro-Ministro não tem dito que as receitas estão dentro do previsto e as despesas a cair? O que é que se passa, afinal? Será que se esqueceram que as pensões dos bancários agora têm que ser suportadas pela Segurança Social ou, pior (e tememos que o busílis seja mesmo esse), isto está mesmo a descambar e não nos querem dizer a verdade?
O que acho curioso é que esta coligação que nos governa, desancava o ex-Primeiro Ministro José Sócrates porque em Novembro (quase um ano depois da apresentação do OE inicial) apresentou um orçamento rectificativo. Nessa altura, a então oposição, reclamava que o Governo socialista tinha perdido o norte e que o descontrolo das contas era total. Mas tinha passado quase um ano. Enquanto que agora …

segunda-feira, abril 09, 2012

Já está confirmado: a seguir a 2014 virá 2015


Passei uma Páscoa desconfortável. O tempo até esteve bom mas fiquei muito inquieto nos últimos dias com as sucessivas trapalhadas em que o Governo se mete. Aquilo que os governantes dizem mas que (ao que parece) não queriam dizer, os enganos (uns atrás dos outros), as contradições e as nossas más-interpretações (!) do que escutamos das bocas de ministros e secretários de Estado parecem fazer-nos passar por tolos.

Não viram como a decisão de suspender os subsídios de férias e de Natal em 2012 e 2013 já foi revogada e está previsto que a reposição desses subsídios (diz-se que apenas 20% deles) só venha a acontecer em 2015? E ainda assim de forma gradual (???), como admitiu Passos Coelho.

 Isto para já por que, lá mais para a frente, voltarão a pensar no assunto. Dá até a impressão que 2015 será o ano de todas as soluções. Lembro, porém, que em 2015 há eleições.

 Foi, de facto, uma Páscoa desconfortável. Amenizada, contudo, pelo convívio com a família, pela excelente borrego assado no forno à moda do Alentejo e, principalmente, pela frase profética e assertiva de Vítor Gaspar, proferida no Parlamento:

“… o ano de 2015 é o ano imediatamente consecutivo a 2014 ...”

quinta-feira, abril 05, 2012

Rivalidades regionais













Se bem que na maior parte dos casos as razões sejam difíceis de entender, a verdade é que as rivalidades entre cidades continuam a existir e em vários países. Umas vezes por causa do futebol, outras por coisas antigas, tão antigas que já poucos recordam os motivos, outras ainda porque há interesses e poderes que se pretendem manter ou mesmo potenciar. No fundo, todas querem ser a “cidade especial”.

No caso de Braga e de Guimarães, julgava eu que o problema tinha a ver com o futebol. A equipa do Braga disputa este ano o título de campeão da 1ª liga e os vimaranenses, mais arredados dos primeiros lugares, sentem, como dizer, alguma dor de cotovelo quanto se fala em futebóis. Afinal, foi em Guimarães que “nasceu Portugal” mas isso nada tem a ver com a classificação do campeonato. E, a verdade histórica é que esta rivalidade que por vezes roça a violência verbal, quando não física, tem quase mil anos sem que se perceba ao certo os porquês. Uma coisa, porém, estas duas cidades têm em comum: o seu feriado municipal, que se comemora no dia 24 de Julho.

Este ano têm uma outra coisa em comum. Ambas são Capitais Europeias. Guimarães, da cultura e Braga, da juventude. Duas cidades que distam entre si pouco mais de 20 quilómetros, as duas tão cheias de atractivos e potencialidades e que, por coincidência (?), são, em 2012, Capitais Europeias. Um luxo!

Será que alguém pensa que o facto se deve a rivalidades regionais? Quero crer que não.


quarta-feira, abril 04, 2012

Condecorações


Já aqui escrevi uma vez que, um dia, gostaria de ser condecorado. Ainda não sei que razões poderiam estar na base dessa distinção, mas isso é o de menos. Acho que uma condecoraçãozita (a de comendador, por exemplo) me assentaria como uma luva.
Temo, porém, que esse dia não chegue. Tanto mais que se soube agora que José Sócrates se arrisca a ser o único primeiro-ministro (dos 19 governos institucionais em Democracia) a não receber a máxima condecoração (a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo) atribuída por destacados serviços prestados ao país.
Independentemente de se saber se ele prestou, ou não, alguns serviços ao país, e se os mesmos foram bons ou maus, e destacados ou não, parece-me injusto - agora que o homem já perdeu eleições e está exilado (!!!) em Paris – dizer-se que foi ele o culpado de tudo o que nos está a cair em cima da cabeça. Creiam que não é minha intenção promover aqui uma discussão política mas, pelo menos, gostaria que considerassem duas possibilidades:
- que o Governo de Sócrates  possa ter feito algumas coisas boas; e
- que as responsabilidades de todas as eventuais malfeitorias possam ser imputadas a vários Governos e aos respectivos Primeiros-Ministros. PM’s esses que, apesar de tudo, receberam (exceptuando Sócrates) as suas Grã-Cruz, incluindo Santana Lopes que só esteve à frente do Governo uns escassos meses.
A situação preocupa-me, naturalmente. É que não sendo cumprida a tradição de décadas de condecorar (todos) os Chefes do Governo, como vou, então, - eu, um ilustre anónimo e pagador de impostos a horas – acalentar a esperança de um dia poder ser agraciado com uma condecoração?