Os Barões e o Justiceiro
“A vida dos advogados mudou. Os senhores de elegantes fatos às riscas, que entravam nos tribunais com óculos de armação em ouro, de brilhantes pastas de cabedal castanho e beca dobrada sobre o braço direito foram substituídos por jovens clientes de pronto-a-vestir barato e mochila de lona às costas. Os primeiros ainda existem, talvez até estejam mais ricos e poderosos, mas contam cada vez menos no universo da profissão; os segundos são cada vez mais.
A advocacia deixou de ser, para a maioria, uma profissão liberal. Hoje, os advogados são, em regra, trabalhadores dependentes (mal) pagos a recibos verdes.
Não é de estranhar, portanto, que o Bastonário dos Advogados tenha deixado de ser um sócio fundador de uma das grandes sociedades e tenha passado a ser o candidato dos “sem-terra” da profissão – sem poder nos escritórios, mas com valioso voto na Ordem.
Passa por aqui a guerra que está instalada: o justiceiro Marinho tem pela frente os barões da advocacia”.
Goste-se, ou não, do jeito como Marinho Pinto efectua as suas intervenções, a verdade é que muita gente se reconhece nas acusações do Bastonário.
Pode condenar-se a forma mas não, seguramente, o conteúdo.
A frontalidade e a clareza (polémicas quase sempre) e a coragem como denuncia situações, órgãos e cargos fazem-nos acreditar que ainda há esperança de, um dia, virmos a ter uma justiça justa, servida por pessoas sérias. A bem dos cidadãos.



