quarta-feira, abril 21, 2010

O “ponto da impaciência”


A fazer fé no resultado de um estudo – mais um – sobre a menor ou a maior intolerância apresentada pelos jovens que usam e abusam da internet, estamos perante uma constatação muito preocupante. Segundo esse estudo mais de metade dos entrevistados admitiu que se irrita com mais facilidade agora que utilizam a net do que antes. A conclusão parece fazer sentido se atendermos a que a velocidade de resposta da net não tem correspondência à da vida real. Daí a impaciência e a intolerância que geram muitas vezes comportamentos agressivos, quando não violentos. Para além de outros aspectos mais banais que têm a ver, por exemplo, com o alheamento das próprias pessoas.

A internet agiliza a vida de quem a utiliza, as consultas e as respostas são rápidas, estamos ligados a várias coisas ao mesmo tempo e a todas elas estamos atentos em tempo real. O mundo da realidade é mais vagaroso, as conversas são mais demoradas e a exposição verbal de certos raciocínios são enfadonhamente lentos. Quem é que consegue acompanhá-los? Ao fim de poucos minutos, as mentes habituadas a outras velocidades dão um clique e desligam. Ficam as pessoas, permanecem os olhares um tanto perdidos mas os pensamentos foram-se. Já não estão lá.

Curiosamente, e quase ao mesmo tempo, surgiu um outro estudo que aponta no sentido que tanta impaciência se pode dever também ao consumo da chamada “comida plástica”. O “fast food é uma das muitas tecnologias que nos permitem poupar tempo”. O que levou, de resto, um dos investigadores a questionar “o irónico é que, lembrando-nos constantemente da eficiência do tempo, essas tecnologias podem levar-nos a sentir muito mais impaciência”.

E as duas conclusões remetem-nos fatalmente para a velha dúvida “afinal, para que é que corremos tanto e com tanta velocidade? Para chegar aonde e para fazer o quê?

1 Comments:

At sexta-feira, abril 23, 2010 9:52:00 da tarde, Blogger Minhoca said...

Uma duvida que tb tenho, pq corremos nós tanto??? Acho deviamos mesmos parar e pensar se vale a pena levar a vida assim a correr, sera que a chegamos a aproveitar assim??

 

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