sexta-feira, fevereiro 14, 2014

E os sacrifícios são suportados por quem?



Na sequência do texto que aqui publiquei ontem, recordo o recente relatório do Banco de Portugal que afirma, inequivocamente, que "no combate ao despesismo e ao excesso de dívida iniciado em 2010, apenas as famílias apertaram verdadeiramente o cinto".

Esta é a verdade nua e crua. Enquanto o Estado e as empresas aumentaram a dívida - a Administração Pública aumentou a dívida em 99,5 mil milhões de euros e as empresas em 7,4 mil milhões - os particulares cortaram 19,4 mil milhões de euros, dos quais 11,7 mil milhões em crédito ao consumo e outros fins que não habitação.

E é incrível como o tão falado "ajustamento" - certamente necessário num país onde (diziam) se vivia muito acima das possibilidades - se tenha feito por via do esforço das pessoas, das famílias e, também, de muitas empresas, enquanto que a contribuição do Estado foi nula, apesar do brutal aumento de impostos e das medidas altamente penalizadoras para os cidadãos, sobretudo com o corte de salários e pensões.

Todos sabemos isto mas não é demais lembrá-lo.