quarta-feira, abril 15, 2009

Finalmente


Toquem os sinos a rebate e cantem-se aleluias. A boa nova chegou.

Os Obama já têm cão. Melhor, têm um cão de água português.

Bo, o nome (genuinamente português como se percebe) escolhido pela família Obama - Michelle (a mãe e primeira-dama), Malia e Sasha (as filhas) e Barack (o presidente) – já se passeou pelos jardins da residência oficial do presidente americano.

E, é claro, as televisões não deixaram escapar a imagem de Barack Obama a correr atrás de Bo.

A espera de tantos meses acabou. Finalmente a Casa Branca já tem um animal de estimação (que é luso) junto da família presidencial.

É para que vejam. Não fazemos por menos.


segunda-feira, abril 13, 2009

Novos hábitos?

A situação não surpreende. Perante as dificuldades económicas das famílias, que se vão agravando a cada dia, é compreensível que os portugueses tendam a comprar em lojas que vendem mais em conta e produtos de marcas menos conhecidas.

E no que à alimentação diz respeito, os hábitos também têm registado algumas alterações. Muitas pessoas começaram a comer mais sopa, ovos, arroz, atum enlatado, salsichas e peixes mais baratos em vez dos produtos que consumiam até há pouco, nomeadamente o leite e a carne.

Sinal dos tempos, dirão. Mas a verdade é que ninguém passa fome por comer carapau ou cavala e um arrozinho branco com ovos mexidos.

O que me inquieta, isso sim, é pensar naqueles que já sentiam enormíssimas dificuldades antes da crise se instalar. E se já era assim então, agora com maiores apertos, como será que conseguem sobreviver?

O sismo devastador

O violento sismo que, na semana passada, abalou a região de Abruzzo, em Itália, e as réplicas subsequentes, deixaram cidades completamente destruídas, fizeram cerca de 300 mortos, quase 20 000 feridos e milhares de pessoas desalojadas. Uma catástrofe que deixou o mundo em estado de choque.

Perante tamanha tragédia o governo italiano accionou os meios necessários para tentar assegurar aos desalojados as condições mínimas de sobrevivência. Tendas para pernoitar, comida e cuidados médicos. O normal nestas situações.

Mas, para além dos abrigos em tendas ou dos cuidados básicos que lhes são prestados, o que as pessoas que viveram esta desgraça necessitam é de um apoio psicológico eficaz, gestos de solidariedade que lhes reconfortem a alma, quer eles se traduzam por palavras quer por actos concretos de ajuda humanitária.

Como foi o caso de um grupo de palhaços que chegaram à região para distribuir sorrisos, abraços e carinho. Quem é que pensaria que numa situação tão complicada como esta a presença destes palhaços seria tão importante? Dificilmente se acharia que este tipo de acções estaria no topo da lista dos serviços de emergência. E eles têm, de facto, dado apoio a crianças, pais, avós e até às centenas de voluntários que estão no campo de Atletismo de Aquila a dar ajuda às vítimas do sismo, tentando que eles esqueçam a desgraça e a tristeza e que possam, ainda que dificilmente, sorrir de vez em quando.

O que este povo não necessitava certamente é de ter ouvido o primeiro-ministro do seu país, Silvio Berlusconi, dizer que uma vez que os actuais abrigos são provisórios “os sobreviventes devem encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo onde não lhes faltará nada” ou a convidá-los “vão ao litoral, é Páscoa”.

Berlusconi não usa o nariz vermelho dos palhaços nem tem a graça destes. Aliás já demonstrou por diversas vezes que, sempre que tentou ter graça, a ironia e a piada não colaram bem à sua personalidade. Tanto mais que ele é um político com responsabilidades e tem a obrigação de saber usar as palavras nos sítios e nas doses certas. Foi demasiado infeliz e aquela gente, tão carente e assustada, não merecia ouvir tanta baboseira junta. O que precisavam, isso sim, era de uma palavra amiga vinda de um governante que lhes transmitisse a esperança e que lhes assegurasse que o governo iria fazer tudo para que a vida de todos voltasse à normalidade rapidamente.

Uma palavra última para as imagens fortes transmitidas pelas televisões, de uma sobrevivente, uma senhora de 98 anos, que foi resgatada dos escombros 30 horas depois do primeiro sismo. Durante todo este tempo não comeu, não ingeriu líquidos e conseguiu resistir, apenas e só – segundo ela - porque esteve todas estas horas a fazer tricô. Incrível.

terça-feira, abril 07, 2009

Ser feliz

Disse Fernando Pessoa:


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Como vêem Fernando Pessoa também falava em crise. Só que, longe de ignorá-la, não deixava de manifestar a esperança pelo amanhã.

Seria bom que todos nós conseguíssemos guardar as pedras que vamos encontrando pelo caminho. Quem sabe se um dia não iremos também construir um castelo …

Desejo-vos uma PÁSCOA FELIZ!

segunda-feira, abril 06, 2009

Sugestão para uma tarde destas …

Contrariando o princípio de não dar opiniões sobre as diversas formas de arte porque sei bem como os gostos e sensibilidades divergem tanto, arrisco-me, hoje, a sugerir para quem ainda não viu, um filme que está em cartaz há quase três semanas, o último de Clint Eastwood, “Gran Torino”.

É a história de um veterano da guerra da Coreia que vive atormentado pelos seus fantasmas que o martirizam por tudo aquilo a que foi obrigado durante a guerra mas, sobretudo, pelas decisões que nunca lhe foram impostas mas que ele tomou e de que se arrepende amargamente. De tal forma que se tornou um homem azedo perante a vizinhança, a família e a vida.

Um grande filme produzido, realizado e interpretado por Clint Eastwood.

A não perder.

Vá lá perceber-se …

A natureza humana não pára de me surpreender.

Algures no Minho um casal de namorados zangou-se. Dirão os meus amigos que arrufos de apaixonados acontecem e que o melhor das zangas são as reconciliações. Eu sei disso mas este desentendimento não aconteceu por qualquer daqueles motivos normais, os ciúmes, as divergência de opinião ou a incompatibilidade de feitios. Nada disso, o apaixonado casal zangou-se apenas porque … porque ganhou 15 milhões de euros no euromilhões.

Coisa mais estapafúrdia esta. E tudo porque "namorados, namorados, dinheiros à parte" não quiseram dividir a massa. Melhor dizendo, ela queria ficar com o dinheiro todo e ele achava justo ficar com metade.

Não querendo, naturalmente, tomar partido por qualquer deles, acho que seria razoável que cada um ficasse com parte do prémio. Afinal ela fez a chave e entrou com 2,00 euros e ele contribuiu com 4,00 euros e entregou o boletim na agência de apostas. Só que a pequena decidiu que quer ficar com o prémio todo. Resultado: o casal separou-se e o assunto está em tribunal há já dois anos.

Podiam ter tido uma vida milionária mas não quiseram. Vá lá perceber-se porquê, preferiram terminar a relação e continuar a viver pobres.

Não dá para entender. Deve ser por isso que se costuma dizer “que o dinheiro não dá felicidade”.


quinta-feira, abril 02, 2009

O flagelo do desemprego

É verdade que ela existe (e de que maneira), é certo que os nossos bolsos estão cada vez mais vazios e o nosso desânimo maior mas, sinceramente, já estamos um bocado fartos de ouvir falar na C R I S E a toda a hora. Sente-se uma depressão enorme sempre que a palavra maldita aparece, seja na televisão, na imprensa escrita ou em blogues (como é o caso).

De qualquer forma, vou hoje voltar ao tema, para transcrever um excerto de uma crónica de Nicolau Santos publicada há duas semanas no Expresso e que constitui um bom motivo de reflexão.

Nesse texto, que analisava o aumento do desemprego e o número de falências de empresas nos primeiros meses deste ano, Nicolau questionava-se sobre se estaríamos irremediavelmente condenados a que o desemprego disparasse e se estabilizasse acima dos dois dígitos. Ele próprio respondia:

“Não estamos. Mas precisamos de actuar rapidamente … várias coisas estão a ser feitas, mas outras também se podem fazer …

A primeira passa obviamente por o Estado apoiar sem reservas algumas empresas que venham bater-lhe à porta. É recomendável, contudo, que esse apoio seja criterioso …

A segunda implica a responsabilidade de empresários e gestores, cuja primeira decisão perante as dificuldades não pode nem deve ser o despedimento colectivo imediato, tendo antes de esgotar outras possibilidades, como paragens temporárias de produção, redução de horários com redução salarial, etc.

A terceira implica a responsabilidade de todos os trabalhadores, da base até ao topo. Neste momento, o desemprego não é apenas um problema do Estado ou dos patrões … e isso significa, por exemplo, a disponibilidade dos quadros de topo para reduzirem, numa percentagem a definir, os seus salários e o conjunto alargado de benefícios que recebem para evitar despedimentos de colegas que ganham menos.

A quarta é desenvolver programas de formação, que terão de ser frequentados por todos os que se inscrevem nos centros de desemprego. Não faz sentido que a única actividade que se tem quando se está no desemprego seja passar pelo centro para saber se há novidades”.


Estado, empresários, gestores e trabalhadores, todos têm um papel importantíssimo na resolução do problema. Perante um cenário que é, de facto, muito grave e que tem consequências sérias na vida das pessoas e dos países, é urgente que haja soluções rápidas e eficazes. Que terão que ser técnicas, obviamente, mas que terão que ter presentes duas ideias-chave: “Bom senso” e “Solidariedade”.

O mal é quando queremos jogar a sério …

No último domingo, um adepto iraquiano matou a tiro um futebolista da equipa adversária, numa altura em que este estava isolado frente ao guarda-redes e tinha a possibilidade de marcar um golo que empataria o desafio. Faltava um minuto para o jogo acabar.

De vez em quando são noticiadas atitudes irreflectidas e irracionais deste jaez, muitas delas provenientes da América Latina.

Felizmente que os portugueses têm um carácter sereno (“o povo é sereno”, como dizia o Almirante Pinheiro de Azevedo). Não fosse assim, quem sabe se não teria tomado já medidas mais violentas relativamente à actuação da nossa selecção nacional de futebol face aos maus resultados obtidos na campanha em curso.

Apesar dos sucessivos desaires, a equipa de todos nós redimiu-se anteontem na Suíça. Depois de no treino de sábado ter empatado, em jogo oficial (perceberam o trocadilho?), com a Suécia, na terça-feira, num particular com a África do Sul, conseguiu uma brilhante vitória por dois golos sem resposta. Pena foi que este jogo não contasse para o apuramento do campeonato do mundo. E a olhar para o rol de pontos perdidos, não podemos deixar de pensar se ainda iremos a tempo de conquistar a pontuação necessária para nos qualificarmos para o mundial de 2010?

A não ser que Carlos Queiroz acredite na velha frase “Os ciganos não gostam de ver bons princípios aos filhos”.

À bon entendeur …

terça-feira, março 31, 2009

Revoltados

A notícia veiculada pela comunicação social não nos deixou verdadeiramente surpreendidos. No entanto, sabe-nos bem constatar que figuras com responsabilidades públicas têm a mesma capacidade de se revoltar que qualquer cidadão comum.

Desta vez foi a Directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, em entrevista ao Semanário Sol, que afirmou que deveria haver uma lei contra o enriquecimento ilícito.

Para além da imoralidade da coisa, o que nos indigna é que não haja no nosso ordenamento jurídico uma lei que condene o enriquecimento ilícito.

Por isso são conhecidos tantos casos de políticos que pouco têm quando começam e que, ao fim de uns anos, estão milionários.

Daí o esforço inútil dos magistrados, incapazes de punir por falta de suporte legal. Daí o número enorme de inquéritos arquivados. Daí a pulhice que damos conta amiudadamente e cuja “riqueza má” (como dizia Maria José Morgado) é feita à conta do erário público.

E se tantas vezes estamos em desacordo com o que nos chega da América, temos que reconhecer que nos “States”, por haver leis adequadas e sistemas mais ágeis, a maioria dos processos são julgados muito rapidamente. Como é o caso do financeiro Maddof que, ao fim de poucos meses, já está em tribunal.

segunda-feira, março 30, 2009

Agora já não há desculpas


Na verdade a partir de agora já não há desculpas para mantermos no Parlamento políticos pequenininhos. Não de altura, evidentemente, mas de ideias e de princípios.

Depois de oito meses de obras e de quatro milhões de euros gastos, a sala das sessões da Assembleia da República reabriu as suas portas. Mais linda e com todas as tecnologias disponíveis. Até tem um sistema elevatório que permite baixar ou elevar o palanque para que quem suba à tribuna – independentemente do seu tamanho físico – possa ser visto por toda a gente que esteja na sala. A nossa AR transformou-se assim no Parlamento mais moderno do mundo (é o velho e maldito complexo de sermos os mais miseráveis ou os melhores do universo e arredores).

E num Parlamento topo de gama – que até tem luzes anti-sono - não admira que todos os 230 lugares estejam equipados com computadores. Só que os respectivos monitores são tão grandes que a privacidade dos deputados pode vir a ser posta em causa.

Um reparo, apenas, para os dois ecrãs gigantes que foram instalados de ambos os lados da estátua da República. Não gosto de vê-los ali e acho que tiram alguma dignidade ao local.

Então, a partir de agora, já não há desculpas. Os senhores deputados têm todas as condições para trabalharem bem. Provavelmente melhor do que têm feito até aqui.

domingo, março 29, 2009

Polémica


Depois de uns breves dias de ausência, volto com um tema que causou, nos últimos dias, alguma controvérsia entre os católicos portugueses. Refiro-me à posição assumida publicamente pelo Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, quanto ao uso do preservativo.

Ao arrepio da posição oficial da igreja, o Bispo português afirmou que “os portadores do vírus da sida devem usar preservativo durante as relações sexuais, porque são moralmente obrigados a não transmitir a doença”.

Recorde-se que Bento XVI declarou na visita que está a fazer a África, precisamente o continente mais castigado com o flagelo da sida, que “este problema não se pode resolver com a distribuição de preservativos, pelo contrário, isso só irá complicar a situação”.

E porque para a Igreja e para os seus elementos mais ortodoxos o uso do preservativo continua a ser tabu, as palavras de D. Ilídio Leandro, embora só avance um pequeno passo – uso do preservativo sim mas apenas para os portadores do vírus da sida – as suas palavras já constituem uma abertura e uma esperança.

Preservativo, sim ou não? A polémica continua e os milhões de vítimas da sida em todo o mundo também.

sexta-feira, março 20, 2009

Urgentemente

De Eugénio de Andrade, "Urgentemente"




É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.


É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.








Eugénio de Andrade, foi o pseudónimo de José Fontinhas Rato. Poeta português (19.01.1923 – 13.06.2005) foi galardoado com inúmeros prémios em Portugal e no Estrangeiro.

quinta-feira, março 19, 2009

O “empoderamento"

É lá, pensarão os meus amigos, não viemos aqui para ser ofendidos.

Aquietem-se que não há razões para tanta agitação, garanto-vos eu. O título desta crónica mais não é que a palavra quiçá mais ouvida na semana passada e que foi proferida pela Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.

O PGR comentava a Lei de Política Criminal para o biénio 2007-2009, aprovada pelo Parlamento e, num tom crítico e irónico, sublinhou alguns aspectos que deveriam ser repensados no seu texto.

Por exemplo, no que concerne ao artigo que diz “Tutelar os direitos dos trabalhadores que, na relação laboral, sejam vítimas de violência doméstica", Pinto Monteiro afirmou "Não percebo o que é tutelar uma relação laboral de violência doméstica".

Por exemplo, quando apontou o uso e abuso das siglas que geram confusão.

Por exemplo, quanto à utilização de neologismos como "empoderamento", uma importação do inglês "empowerment".

Sem contradizer, no entanto, a figura respeitável do actual Procurador-Geral da República – aliás concordando em absoluto que esta palavra é um evidente neologismo – devo esclarecer que a palavra empoderamento já foi registada como substantivo no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.

Só que estas palavras novas e “esquisitas” levantam algumas dúvidas, justamente por serem novas e pouco usadas. Se bem que com os tempos habituar-nos-emos a elas.

Tal como acontece, e perdoem-me este devaneio linguístico, no caso de palavras como bordel e prostíbulo (que ainda ferem as nossas sensibilidades) e que bem poderemos substituir pelo vocábulo “lupanar”, que significa rigorosamente o mesmo.



quarta-feira, março 18, 2009

Imoral

Em plena crise profunda e depois dos alertas claros e dirigidos do Presidente Barack Obama, mesmo assim, soube-se agora que a seguradora AIG, que recebeu do Estado 173 milhões de dólares vai pagar aos seus executivos prémios de desempenho relativos a 2008 de 165 milhões de dólares.

Que desempenho, pergunta-se? Dar bónus a executivos, os mesmos que causaram a situação de falência e que fez com que a seguradora fosse pedinchar a ajuda do Governo?

Tamanho despautério é inaceitável para Obama, para os contribuintes norte-americanos e para qualquer cidadão de qualquer país onde situações idênticas possam ocorrer (deu para perceber a mensagem?).

O pior, porém, é que, ao que consta, os contratos entre a seguradora e os seus altos quadros foram celebrados antes da AIG se arrastar aos pés do Estado, pelo que é difícil suster os tais pagamentos.

Ganância, falta de ética, sem-vergonha e todos os demais substantivos que achem por bem empregar.

E a suportar todos os truques e aproveitamentos de quem age de má-fé, sempre e sempre os contribuintes.

É urgente pôr cobro a tais e tantos desmandos.

terça-feira, março 17, 2009

A arte do insulto


A crónica que Daniel Oliveira publicou no Expresso do passado sábado referia, a propósito da cena lamentável e indecorosa ocorrida na Assembleia da República entre os deputados José Eduardo Martins (PSD) e Afonso Candal (PS), duas memoráveis histórias que se passaram com Winston Churchill.

Normalmente Churchill é recordado apenas pela sua figura avantajada e pelo inseparável charuto. Mas Churchill foi, acima de tudo, um político hábil que ocupou vários cargos importantes no governo britânico, desempenhou o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial e que, em 1953, recebeu o Prémio Nobel da Literatura pelas suas memórias de guerra e pelo seu trabalho literário e jornalístico.

Mas as histórias que Daniel Oliveira recordava, mostram um Churchill ainda mais surpreendente, um homem de resposta pronta, sofisticada e “venenosa”.

1 – “Quando Bernard Shaw enviou um telegrama jocoso a Churchill - "Tenho o prazer e a honra de convidar o digno primeiro-ministro para primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver." Churchill respondeu: "Agradeço ao ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver."

2 - Disse-lhe Lady Astor, durante uma visita ao Palácio de Blenheim: "Winston, se você fosse meu marido, eu poria veneno no seu café." Ao que ele respondeu, sem nenhum cavalheirismo: "Nancy, se eu fosse seu marido, bebia-o".

Claro que “meter” no mesmo texto pessoas como José Eduardo Martins/Afonso Candal e Churchill é o mesmo que comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. Aos primeiros falta-lhes a classe, a sabedoria e a astúcia de Sir Winston Churchill. Falta-lhes também a ironia do lorde inglês que substituem, como podem, pela argumentação rasca do insulto barato e da ameaça de irem resolver a coisa lá para fora aos murros e pontapés.

Por isso ninguém imagina que daqueles tribunos poderia ter saído algum dia uma frase do estilo “Ele tem todas as virtudes que eu não gosto e nenhum dos vícios que eu admiro” uma das mais conhecidas e citadas tiradas de Churchill.

E por que não há duas sem três, não resisto a contar uma outra história passada com o inesquecível estadista britânico:

“Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você me parece bastante saudável.

segunda-feira, março 16, 2009

Insegurança

Não pretendo, nesta crónica, discutir as políticas de segurança do governo. Independentemente da bondade dessas medidas e do seu efeito prático, temos que reconhecer que o mundo de hoje é mais violento e inseguro do que nos últimos anos, que as condições de vida se têm vindo a agravar muito e que a internacionalização da criminalidade e o seu modo de actuar são hoje completamente diferentes para pior.

Pelo que já ninguém se admira que o número de crimes aumente de ano para ano.

Segundo o Relatório de Segurança Interna de 2008, o ano passado o crime violento aumentou 10,7% e a criminalidade geral subiu 7,5%. O maior crescimento dos últimos dez anos em Portugal.

Bem pode agora o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, dizer que embora 2008 tenha sido, na generalidade, um ano mau, o último trimestre até registou alguma melhoria. Não é por isso que eu me sinto mais seguro.

O que eu verifico, e é isso que me preocupa, é que no ano passado as forças de segurança registaram um total de 421 037 crimes - mais de 1 100 por dia - dos quais 24 313 foram graves e violentos.
Não quero ser mais uma voz alarmista que desperta nos cidadãos uma onda de pânico. Nada disso, apenas estou a referir números oficiais que não podem deixar de ser olhados com inquietação. Para mais, existe na população o sentimento de que o número de agentes nas ruas é manifestamente insuficiente e que os bandos de criminosos são cada vez mais sofisticados e violentos e actuam com demasiado à-vontade.

230 roubos a bancos (108 em 2007), 468 assaltos a postos de abastecimento de combustível (241 em 2007), 143 pessoas assassinadas (mais dez que em 2007) e 761 agredidas violentamente (mais 99 que no ano anterior) são números verdadeiramente assustadores e para os quais não existem palavras ministeriais suficientes para acalmar os cidadãos. Ainda que - reconheçamos também - se tenham realizado nos últimos meses acções notoriamente mais musculadas das forças de segurança.

Mesmo assim, continuamos a sentir-nos demasiado desprotegidos. São necessárias outras medidas de prevenção e mais presença policial nas ruas de forma a dissuadir os criminosos e a transmitir mais tranquilidade à população.

sexta-feira, março 13, 2009

O regresso dos Nobre

Uma declaração de interesses, a começar. Esta crónica não é paga (nem em dinheiro nem em géneros) e, se a escrevo, é apenas porque quero propor-vos um restaurante que tem um espaço moderno, cosmopolita, simpático e agradável e onde a comida é de primeiríssima qualidade.

Refiro-me ao Spazio Buondi, nas traseiras do Campo Pequeno em Lisboa, à esquina da Avenida Sacadura Cabral.

Mas para melhor lhes aguçar o apetite é bom que saibam que este “Spazio” é sobretudo o “Espaço Nobre”, onde pontuam as figuras de José Nobre, mestre do atendimento e da simpatia e de Justa Nobre, senhora de saberes infindáveis de cujas mãos saem iguarias saborosíssimas.

Ambos são grandes profissionais que eu tenho tido o prazer de seguir desde os tempos do restaurante da Ajuda, mais recentemente no espaço que tiveram no Montijo e, desde o final do ano passado, em Lisboa.

Como diria o José Quitério, conhecido comentador de gastronomia, “Tenho andado restaurativamente atrás deles ao longo dos anos”. Porque será?

É só uma sugestão de amigo.

quinta-feira, março 12, 2009

Já agora …

Consta que os sindicatos que representam os trabalhadores da EDP se preparam para umas quantas greves caso não sejam concedidos os 6% de aumento que reivindicam.

É um direito que lhes assiste. Ninguém pode levar a mal que, neste país de salários baixos e que já tem cerca de 10% de desempregados, os trabalhadores lutem por aquilo que acham justo, tanto mais que, segundo dizem, administradores e accionistas vão ser generosamente recompensados pelos lucros que a empresa obteve em 2008. Nada mais do que 1 091 milhões de euros, o resultado líquido mais elevado de sempre atingido por uma empresa cotada em Portugal.

Se for assim, isto é, se houver prémios da importância dos que normalmente são atribuídos aos quadros gestores das grandes empresas, é absolutamente compreensível que os sindicatos peçam um aumento maior, se bem que eu pense que 6% talvez seja um tanto ou quanto desadequado no momento presente.

Já agora, e face aos resultados líquidos da EDP que subiram 28% neste último ano - para os quais nós também contribuímos, é preciso não esquecer – seria inteiramente legítimo que se pensasse também nos consumidores. E, para isso, bastava que houvesse uma redução das taxas de electricidade uma vez que as que pagamos agora são altíssimas.

terça-feira, março 10, 2009

Mais claro do que isto …

“Se a euribor não pára de baixar porque é que os Bancos não acompanham essa descida e continuam a aumentar os spreads?”

A aparente contradição suscita a pergunta que anda na boca da maioria dos portugueses. Afinal, diria o senso comum que à queda das taxas de juro deveria corresponder igual descida dos spreads bancários. Como isso não acontece, o normal é que o povo diga à boca cheia que os bancos se estão a encher, que são uns ladrões e por aí adiante …

Não se julgue, porém, que esta “revolta” se verifica apenas em pessoas menos habituadas a estas matérias. A verdade é que a desconfiança se generalizou e, eu próprio, inúmeras vezes, tenho tentado justificar que uma coisa nada tem a ver com a outra.

A este propósito, no Expresso desta semana, Nicolau Santos dá a explicação ao líder do CDS Paulo Portas que, pelos vistos, também ainda não entendeu a questão. Com o devido respeito e a cordial saudação ao Nicolau, transcrevo uma pequena parte da sua crónica que é bastante esclarecedora:

“… A taxa de juros é o preço do dinheiro. Se há muito e é farto, acontece-lhe o mesmo que às batatas – o seu custo (a taxa de juro) diminui. Se, pelo contrário, há muita procura e pouca oferta, os juros sobem. No caso actual, há pouca oferta mas a procura ainda é menor: o custo do dinheiro desce.

Os spreads são o risco que os bancos atribuem a cada cliente. Um cliente com rendimentos precários, menores garantias e algum incumprimento no currículo é obrigado a pagar spreads maiores. Na actual situação, há um aumento geral dos spreads devido à crise mundial …”.


Mais claro do que isto é impossível.


segunda-feira, março 09, 2009

Magalhães

Mais uma do Magalhães. Nestes últimos tempos têm sido muitas as notícias que têm saído sobre ele e nem todas pelas melhores razões.

Desta vez alguém descobriu que nas instruções dos jogos do computador há erros grosseiros de ortografia, de sintaxe e de gramática. Um festival de asneiras dizem alguns, tanto mais que os destinatários são maioritariamente crianças e jovens.

Realmente, palavras como “gravar-lo, continuar-lo, básicamente, dirijir ou puxando-las”, em conjunto com verbos mal conjugados e virgulas e acentos um pouco ao deus-dará nunca deveriam ter visto a luz do dia.

Os responsáveis pelo software associado à aplicação reconhecem que houve falha humana porque o processo tem uma grande componente de tradução automática (o produto veio de um outro país) que não foi convenientemente validada.

Mas, sabem uma coisa? Tanto erro junto nem sequer me preocupa. Os erros estão a ser corrigidos e, em breve, este “magalhanês” não passará de um episódio que servirá apenas para uma boa risada.

Muito antes do Magalhães aparecer já eu andava deveras apreensivo com a falta de conhecimentos generalizados sobre a matemática e sobre a forma de como escrever (e falar) a nossa língua. Disso mesmo dei aqui conta por diversas vezes.

Miríades de pessoas mostram com frequência que não fazem contas sem uma máquina de calcular à mão e saber a tabuada é coisa que não lhes passa pela cabeça, por muito inteligentes que sejam. Por outro lado, os inúmeros textos que vejo escritos diariamente em jornais, agências noticiosas, blogues e relatórios, são uma autêntica catástrofe. Muitos deles da autoria de gente que tinha a obrigação de escrever correctamente a nossa língua. Frases mal construídas, acentuação imperfeita ou inexistente e os muitos erros de ortografia são motivos bastantes para pensar que, para tanto mal, não há solução possível.

Face a isto, os erros do Magalhães, embora condenáveis, são meras brincadeiras de criança.