sexta-feira, setembro 24, 2010

Um país mais elegante


Não é a primeira vez que nas minhas crónicas levanto questões de ordem comportamental para as quais, invariavelmente, procuro respostas. Embora possam parecer meras questões de somenos, a verdade é que ao lançar essas interrogações acalento sempre a esperança de que alguém me consiga aquietar as apoquentações que me vão na (i)alma. E, hoje, volto a fazê-lo.

Agora que o Verão acabou e a praia já não tem o encanto de quando começou o tempo quente, interrogo-me por que é que as pessoas teimam em regressar da praia com a areia agarrada aos pés (às vezes até meio da perna), envergando apenas o biquíni ou os calções (daqueles que são pródigos em realçar os ventres avolumados). E mais ainda porque se passeiam alegremente nesses trajes pelas ruas, pelas lojas e até pelos restaurantes, mesmo os que já estão longe do perímetro das praias.

Será que essa gente não consegue perceber o ridículo das figuras que fazem? É que seria bem mais apropriado que eles envergassem uma t-shirt (não daquelas de alças à camionista, por favor) ou um pólo e elas se cobrissem com um simples “pareo” ou um vestidinho de alças. Também lhes ficaria melhor calçarem umas sandálias ou até umas havaianas (mesmo de contrafacção) depois de sacudidas as areias semi-molhadas dos pés. Ficariam bem melhor fossem eles para onde fossem. E, notem, não estou sequer a sugerir que usem outras toilettes, essas mais adequadas a lugares nocturnos.

Ao fim e ao cabo podemos e devemos andar à vontade, nomeadamente quando estamos em férias. Mas andar à vontade não significa desleixo. A nossa terra mereceria melhor. Embora com montes de dificuldades para resolver, seria certamente um país mais elegante e agradável.