segunda-feira, abril 29, 2013

Não há almoços grátis ...



Depois das ondas de juristas e economistas que encheram a Assembleia da República e o Governo, o actual executivo apontou agora baterias para a classe jornalística. De uma assentada, foram nomeados 10 jornalistas - todos do Diário de Notícias - para Secretários de Estado. De estranhar, porém, que a escolha tenha recaído em jornalistas todos pertencentes ao mesmo jornal. Mas como não conheço pessoalmente qualquer deles, dou o benefício da dúvida. Quiseram mudar de vida e arranjar um futuro mais risonho e têm todo o direito a isso.

Mas um deles tem merecido críticas muito violentas - Francisco Almeida Leite. Diz quem sabe que o ex-jornalista do DN, que ainda foi vogal no Instituto Camões e é agora o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, é um perito em intriga, nomeadamente dentro do PSD, onde "levou ao colo" Passos Coelho quando este ainda fazia oposição interna a Manuela Ferreira Leite. Um especialista em múltiplos fretes a Coelho, antes e depois de ele chefiar o Governo, um vulgar e ambicioso moço de recados que há muito deixou de ter o pudor de disfarçar. E diz ainda quem o conhece que, tirando estes "méritos", nada mais há para acrescentar sobre os eventuais atributos políticos e técnicos.

Pergunta-se, então, por que foi ele nomeado? Sabendo-se que não há almoços grátis, a resposta parece óbvia: "Pelo pagamento de favores a quem tanto ajudou o Primeiro-Ministro a lá chegar".

Antes dele, e pelos mesmos motivos, já tinha havido Miguel Relvas. Mas esse, felizmente, já saiu. E estando o actual Governo num estado tão periclitante, pode até acontecer que Francisco Almeida Leite não chegue sequer a aquecer o lugar e siga o mesmo rumo que Relvas.