sexta-feira, janeiro 16, 2015

Os "Bons Negócios"



Esta não é a primeira crónica em que reconheço que já há pouca coisa que me surpreenda. Ainda assim, foi o que aconteceu ao ter conhecimento dos resultados de uma auditoria do Tribunal de Contas, agora divulgados. De facto, deixaram-me de boca aberta. Então não é que o famigerado TGV (o comboio de alta velocidade), apesar de nunca ter passado de um projecto (megalómano, convenhamos) custou 152,9 milhões de euros aos cofres públicos só em sucessivos estudos?

Já se sabia que o TGV não teria viabilidade financeira. Houve até vários alertas nesse sentido. Ana Paula Vitorino, secretária de Estado do Governo de Sócrates chegou a declarar que o TGV não seria rentável. Mas a teimosia de muitos reinou durante vários governos, de vários partidos, e os políticos continuaram a insistir numa empreitada que se adivinhava ruinosa para o país. Apesar disso, num Governo do PSD/CDS liderado por Pedro Santana Lopes, em que António Mexia era Ministro das Obras Públicas, pretendia-se fazer não 3 mas 6 ligações do TGV. Enfim, uma desgraça completa que só agora foi travada mas que ainda não nos permite saber em quanto vai ficar a factura final.

Portugal, aliás os Governantes de Portugal, têm sido uns campeões neste tipo de "super projectos", cujos prejuízos vêm fatalmente cair nos bolsos dos cidadãos. Soube-se, agora, dos 153 milhões com estudos para um (hipotético) TGV. E o que dizer dos 120 milhões (87 milhões em 2011 e 2012 e, em 2014, mais 35 milhões por se ter desistido de os adquirir) que gastámos na compra de helicópteros que nunca iremos receber?

Somos ou não somos bons em fazer maus negócios?