segunda-feira, dezembro 19, 2011

“Ou se põem finos ou …”



Quando vi na televisão a notícia de que um vice-presidente da bancada do PS, Pedro Nuno Santos, afirmou que “Portugal devia marimbar-se para os credores”, julguei não ter percebido. Só depois de ter ouvido a repetição é que fiquei com a certeza que as palavras daquele senhor tinham sido exactamente aquelas. E mais disse, ”que o país deve suspender o pagamento da sua dívida para deixar as pernas dos banqueiros alemães a tremer”.


Inacreditável. É que este dirigente partidário pertence a um país que tem as suas contas descontroladas e que deve muito dinheiro ao exterior. Um país que teve que pedir a "ajuda" internacional e está, por isso, a ser fiscalizado ao pormenor e em permanência. Para cúmulo, trata-se de um dirigente de um partido que assinou o memorando de entendimento justamente com quem nos financiou e está a controlar-nos. Será que ele enlouqueceu?


Percebo que as declarações do dirigente socialista foram feitas durante um jantar com militantes do partido e que o calor partidário leva muitas vezes a dizer aquilo que não se quer ou não se pode. Mas há um limite que é ditado pelo bom senso. Fica-lhe bem dizer que “os interesses dos portugueses estão à frente do dos credores”. Pode até pensar, e isso é legítimo, que deveríamos, juntamente com outros países em dificuldades, tentar renegociar a dívida mas, convenhamos, o homem excedeu-se. Frases como “Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos”, ou “ os senhores ou se põem finos ou nós não pagamos” são, no mínimo, desajustadas.


Imagino como os banqueiros alemães terão ficado com as pernas a tremer ao saber da ameaça do deputado português: “ Ou se põem finos ou …”. Deu-me até um certo gozo pensar na aflição que sentiram e no movimento que, de imediato, se terá gerado.


Mas, perante o ridículo da situação (que não passa disso mesmo), o que se espera é que àquele dirigente lhe seja indicada a porta de saída. Porque, tal como ele mencionou, isto é como um jogo de póquer em que o bluff é uma arma. Mas nos jogos ganha-se e perde-se e ele, manifestamente, exagerou e perdeu esta jogada.