segunda-feira, janeiro 16, 2012

“As acções ficam com quem as pratica”













Se calhar vão achar que estou a embirrar outra vez com o Dr. Eduardo Catroga mas não é, de todo, verdade. É certo que na última quarta-feira disse aqui que a proposta da sua nomeação para Presidente do Conselho Geral de Supervisão da EDP me pareceu o “pagamento” da sua dedicação ao PSD (ele que nem é filiado no partido), uma espécie de prémio de carreira. Mas o que me incomodou mesmo neste processo foi o facto de ele ir ganhar um ordenado mensal superior a 45 mil euros que acumula com uma pensão de mais de 9600 euros. E incomodou-me também – e principalmente - a arrogância que evidenciou ao defender que isso se deve ao seu valor de mercado e que, ganhando mais, pagará mais impostos. Conversa! Foi uma cena grotesca e triste.


Ao invés de Catroga, o banqueiro português António Horta Osório, presidente do colosso britânico Lloyds Bank, não quis ganhar ainda mais ao muito que já factura. Invocando a ausência a que foi obrigado por dois meses de doença, abdicou do bónus de 2,3 milhões de euros a que tinha direito. E podem até dizer que a Horta Osório nem lhe fazem falta aqueles trocos de 2,3 milhões e que não foi grande o sacrifício. Pois é, mas podia perfeitamente embolsá-los que ninguém lhe atiraria pedras.


As comparações são inevitáveis e, inevitavelmente, acabamos por pensar no velho adágio “as acções ficam com quem as pratica”. O pior, porém, é continuarmos a assistir ao despudor e ao clientelismo a que, infelizmente, os vários governos nos habituaram.