quarta-feira, janeiro 11, 2012

Catroga e Cª.

É penoso voltar, ciclicamente, a factos que já vimos noutros ciclos políticos. É desinteressante, é cansativo e é injusto para as pessoas que, como eu, cidadãos comuns, estamos longe dos jogos de poder e não temos capacidade de intervir, a não ser pelo comentário de café ou pela crónica escrita num blogue. Resta-nos a resignação de poder exprimir as nossas razões de quatro em quatro anos, aquilo a que vulgarmente chamamos o charme da liberdade de opinião. Em suma, pode-se reclamar à vontade que ninguém vai preso, mas não serve rigorosamente para nada.

Desta vez, refiro-me à notícia veiculada por toda a imprensa sobre os nomes de Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho, propostos à Assembleia-Geral de accionistas para integrar o Conselho Geral de Supervisão da EDP. Todos estes nomes estão ligados aos partidos que estão neste momento no poder. Exactamente da mesma maneira como no passado outros, de outros quadrantes fizeram.


Embora saiba que este Conselho Geral da EDP é um órgão que, desde que foi criado, sempre se destinou à colocação dos “boys”, porque razão é que esta proposta me incomodou tanto, agora que a parte da EDP que era do Estado foi vendida? E a resposta é simples. A falta de ética mexe sempre comigo.


Acho inaceitável esta contínua dança de cadeiras. Pois é, dirão, mas são os accionistas que decidem a gestão da sua empresa e os nomes que querem ver nomeados para os representar. Têm toda a razão. Mas, mesmo assim, existem aspectos que não consigo admitir. Nomeadamente o facto de Eduardo Catroga que até já era conselheiro e que vai ser promovido a conselheiro-mor, ir auferir um ordenado mensal superior a 45 mil euros que irá acumular com uma pensão de mais de 9600 euros. É escandaloso! Sobretudo neste país em risco de ir ao fundo e onde a esmagadora maioria dos portugueses mal consegue sobreviver. Parece uma afronta.


Mas se são os accionistas que devem tomar essas decisões, seria bom não esquecer que somos nós, consumidores, que pagamos – e de que maneira – a factura da Companhia. O que nos leva a questionar se – tirando o valor do consumo da electricidade propriamente dita – não estaremos também a contribuir para tantos vencimentos milionários.


Mas há ainda um pequeno detalhe que me incomodou muito. É que Catroga – e é aqui que a ética entra em acção – esteve envolvido nas negociações com a troika, de que resultou a venda da participação do Estado na EDP aos chineses. Portanto …


Pensava eu que os clientelismos partidários nestas matérias se tinham quedado pelos tempos de Ferreira do Amaral e de Jorge Coelho. Puro engano. Acho que tive mais um ataque de ingenuidade.