sexta-feira, março 09, 2012

Então, porquê?

Sempre me fizeram impressão as pessoas que persistem em cometer os mesmos erros apesar de saberem que isso acaba, inevitavelmente, por as magoar. Então, e as experiências anteriores mal-sucedidas e o sofrimento que tiveram não servem para arrepiar caminho, para alterar o que antes não resultou?

O mesmo acontece com a importância que se continua a dar às agências de rating, apesar dos estragos que elas têm provocado. Por acaso alguém esqueceu os sucessivos erros cometidos por essas entidades? Lembro-lhes alguns: A Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s falharam, por exemplo, na avaliação da Enron (com um rating de “BBB+”, faliram seis meses depois) ou com a bancarrota da Islândia (com um confortável “A” e que pouco depois também faliu).

Para já não falar no gigantesco erro de avaliação do famoso (pelo que aconteceu depois) banco norte-americano Lehman Brothers que abriu falência quando uns meses antes as três agências o tinham premiado com um rating de “A+”.

Dizem que Fitch, a Moody's e a Standard & Poor's controlam 95% do Mercado e dizem também que são agentes indispensáveis para o equilíbrio do mesmo. Pode ser que sim. Mas continua a fazer-me muita impressão o facto de – face aos casos conhecidos de falta de ética profissional e dos clamorosos erros de avaliação – se continuar a dar demasiada importância ao que pensam estas companhias, cujos palpites fazem reagir de imediato os mercados e penalizam fortemente os Estados e os seus cidadãos. E a interrogação para qual não tenho resposta é a de sempre: Por que carga de água continuamos a dar ouvidos às empresas de rating?