terça-feira, março 13, 2012

Quando se abre um precedente …

Lembram-se de uma canção da Mónica Sintra intitulada “Afinal, havia outra”? Pois neste caso, “afinal, havia outras”. Ou seja, afinal, para além do Governo ter aberto uma excepção para a TAP para que os salários não sofressem cortes, teve que abrir uma nova excepção para a Caixa Geral de Depósitos. E, aberto um precedente, aliás dois, outras empresas públicas – fala-se da ANA, da NAV, dos CTT entre outras - se preparam para pedir que também sejam consideradas no rol.

Bem pode agora o Governo “dourar a pílula” com o argumento que não houve excepções mas sim adaptações. Pode, mas é difícil que o cidadão comum perceba que quando são pedidos sacrifícios enormes à população, não atendendo ao princípio da equidade, deixe de fora desses mesmos sacrifícios milhares de outros cidadãos.

Até pode haver razões para não cortar os salários da TAP e da CGD (para já). Talvez por isso, os membros do Governo andam num corrupio a dar explicações e mais explicações, mas o argumento mais forte que consigo ouvir é que – para aquelas excepções – os trabalhadores não vão ter cortes de salários. Apenas vão sofrer adaptações, isto é, vão ter efectivamente cortes mas só nas remunerações complementares. Portanto, o desígnio de poupança na empresa vai ser o mesmo.

Mas eu pergunto: e os milhares de trabalhadores que só auferem o salário-base e não têm quaisquer alcavalas? Também vão ficar imunes ao corte dos salários?