quinta-feira, maio 15, 2014

A maldição continua ...



Não vou comentar a final da Liga Europa de Futebol que terminou há poucas horas, em que o meu Benfica não foi capaz de levar de vencida a equipa do Sevilha. Uma vez mais, de forma perdulária e com alguma falta de sorte, perdemos a 8ª final europeia depois de, no ano passado, nos ter acontecido o mesmo frente ao Chelsea. A maldição de Béla Guttmann continua a pairar sobre a Luz.

E é exactamente sobre "maldição" de que todos falam, mas de que poucos sabem o que foi, que gostaria de recordar esse episódio. Pois bem, Béla Guttmann, o "feiticeiro húngaro", foi treinador de vários clubes, em vários continentes e, na maioria dos casos, fez desses clubes campeões. Também no Benfica isso aconteceu. Para além de títulos nacionais, em 1961 e 1962 o Benfica foi campeão europeu de clubes, vencendo dois colossos da época (que continuam a ser). Em 61 ganhou ao Barcelona e no ano seguinte ao poderoso Real Madrid. Só que o técnico estava em fim de contrato e, para renová-lo, pediu um aumento salarial para continuar no clube. A direcção não aceitou e o treinador saiu, não sem antes ter proferido a tal praga: “Sem mim, nem daqui a cem anos o Benfica conquistará uma taça continental”. Dito e feito, desde então a nuvem negra sempre pairou sobre o Benfica que disputou oito finais e perdeu-as todas. E eu "não acredito em bruxas, pero que las ay, las ay"!

Ainda que oficialmente ninguém queira assumir que haja um certo mau olhado, em Fevereiro deste ano, o Sport Lisboa e Benfica inaugurou no seu estádio uma estátua de bronze em homenagem a Béla Guttmann. O monumento representa Guttmann em pé, segurando em cada braço um dos troféus de campeão europeu que conquistou pelos encarnados. Ao pé da estátua está uma das mais emblemáticas frases ditas pelo treinador ao longo de sua passagem pelo clube: Só quem está aqui dentro, no Benfica, é que pode saber o que é mística. Não há nenhum clube do mundo com a mística igual à do Benfica.”

Há quem diga que o objectivo simbólico da estátua era o de "quebrar a maldição" lançada pelo ex-treinador húngaro. Porém, como se viu agora, o Benfica (e a sua mística) continua sem conseguir vencer uma final europeia. Se não me falham as contas, a cumprir-se a maldição na íntegra, ainda faltam 48 anos para conseguirmos ser novamente campeões da Europa. É muito, pelo menos para mim é demasiado ...