quarta-feira, março 18, 2015

Coincidências?



Sabe-se que a confiança dos cidadãos nas Instituições, nos Governos e nos órgãos de decisão traduz-se em democracias mais fortes e saudáveis. Como acontece, reconhecidamente, nos países do norte da Europa. Cá no nosso cantinho, pelo contrário, a crescente abstenção às eleições (sejam elas para o que forem) e a crença generalizada que os políticos e os partidos são todos iguais, demonstram a fragilidade da nossa democracia.

Porém, às vezes, vê-se brilhar uma luzinha de esperança e ficamos com a sensação de que, afinal, nem tudo está perdido. Foi essa a convicção com que eu (e muitos mais, certamente) ficámos quando foi criada a "Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CReSAP)" destinada a escolher os melhores dirigentes para o Estado. Pensámos, então, que os "boys" e os amigalhaços do costume jamais ascenderiam a lugares de topo porque, "a partir de agora, doravante e p'ro futuro", a selecção de candidatos seria pautada pelo rigor, isenção e competência para os cargos. Enganei-me, quero dizer, enganámo-nos.

Segundo o jornal "Público", desde que a Comissão foi criada foram apresentadas às diferentes tutelas 339 propostas. Coincidência, ou não, das que foram rejeitadas registou-se um ponto comum: quase todos os candidatos têm uma ligação ao Partido Socialista. Curiosamente, de todos os três melhores classificados em cada concurso, o Governo escolheu maioritariamente o candidato que está próximo ou filiado no PSD e no CDS. Como é bem patente nas últimas 14 nomeações para as direcções dos centros distritais da Segurança Social em que todos os escolhidos tinham (por mero acaso) um cartão de militante dos partidos que estão actualmente no poder.

"Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay". E o que parecia ser um bom princípio para a administração, nomeadamente no que à transparência e competência dizem respeito, manifestou-se uma completa intrujice. Depois queixem-se que os portugueses estão completamente alheados da política. Pudera ...