segunda-feira, março 16, 2015

Os troca-tintas



Ainda não há muito o Governo incitava aqueles que não conseguiam encontrar emprego em Portugal a sair da sua zona de conforto e a emigrar. Ideia, aliás, que foi reforçada várias vezes, chegando até a relativizar-se os efeitos negativos da ida de portugueses para o estrangeiro.

Contudo, na semana passada, ouvimos outro discurso bem diferente. Na quinta-feira, foi aprovado em Conselho de Ministros o Plano Estratégico para as Migrações 2020, com o intuito de estimular o regresso de emigrantes a Portugal. Uma contradição ou uma mudança de estratégia? Nada disso, segundo a explicação esfarrapada de um elemento do actual executivo "quando as pessoas saem do país - seja em mobilidade estudantil ou profissional, de forma livre ou forçada -, o que precisam é de condições para poder voltar. A mobilidade é positiva, mas não é apenas sair. Também é poder regressar". Tretas!

E qual é (qual vai ser) o fabuloso plano que irá ser posto em prática para fazer regressar os portugueses? De entre as medidas que estão previstas no tal Plano Estratégico, destaca-se o programa VEM - Valorização do Empreendedorismo Emigrante (bolas, que já não posso com a palavra empreendedorismo ...), que procura apoiar o regresso dos emigrantes através da possibilidade de estes concorrerem a projectos de criação do próprio emprego ou empresa. E será que vai ser acessível a todos os que queiram voltar à Pátria? Não, numa primeira fase, serão apoiados 40 ou 50 projectos que serão apreciados (com que critérios, ninguém sabe ainda) e consta que a cada um dos seleccionados será atribuída a fantástica verba de dez mil euros que - seguramente - será mais do que suficiente para se montar qualquer negócio. É só uma questão dos tais "empreendedores" serem criativos.

Resumindo, no início o Governo disse vai, agora diz vem. Ou seja, um vaivém de políticas contraditórias "pensadas" por governantes inconsequentes. No fundo, uns troca-tintas em que já poucos confiam.