segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Gestores de carreira para desempregados


Nestes tempos esquisitos que vivemos, em que se tropeça a cada esquina com ditos infelizes e irreflectidos, proferidos por quem tem a obrigação de medir as palavras antes de as dizer, verifica-se que muitos (cansados e desiludidos) já interiorizaram que é melhor desculpar esses deslizes. E, pior ainda, constata-se que existe um certo acomodamento em relação às medidas tomadas por órgãos responsáveis pelo poder político e legislativo, mesmo as mais impensadas.

Daí que não tenha ficado muito surpreendido quando soube que o Governo ia criar gestores de carreira para desempregados. Ainda assim, achei a ideia uma enormidade. Gestores de carreira para … desempregados? O que é que eles queriam dizer com aquilo? Que raio de carreiras seriam essas destinadas a quem já não tem emprego?

Verifiquei depois que, afinal, o que se pretende é que sejam sempre os mesmos técnicos do IEFP a acompanhar (e orientar, presumo) as mesmas pessoas em situação de desemprego, para que estes não andem de departamento em departamento, de funcionário em funcionário, repetindo vezes sem conta a sua história. Assim sendo, a criação desta nova figura justifica-se. Faz até algum sentido, embora não resolva a situação de fundo, que é, não cria qualquer emprego.

O que parece completamente despropositado é o nome que arranjaram para a função. É que dizer a um desempregado, se calhar já há muito nessa situação, que o seu gestor de carreira o vai atender em seguida, é capaz de não cair lá muito bem …