quarta-feira, junho 27, 2012

A Hungria


Temos andado demasiado preocupados com o grave problema da Grécia (cada vez mais difícil de resolver), com o que vai dar a aparente alteração de política em França, com a evolução das economias espanhola, italiana e até da holandesa que não andam nada famosas e com a escalada da extrema-direita por essa Europa. Daí que poucos tenham estado atentos ao que se passa na Hungria.

Ora a Hungria, que faz parte da União Europeia desde 2004, é um país muito bonito e Budapeste, a sua capital, que se estende por ambas as margens do Rio Danúbio, possui um património cultural e histórico muito rico. Para além disso, a Hungria é um país com grande tradição musical. A sua música popular serviu de inspiração a grandes compositores, desde Liszt a Bartók.

Mas nem a música nem a grandeza das belas pontes (a mais conhecida das quais é a magnífica Ponte das Correntes), nem os edifícios como o Castelo de Buda e o Parlamento e todos os demais cartões-postais da capital magiar conseguem “apagar” aquilo em que a Hungria se está a transformar. Num Estado absolutista que tem como pano de fundo uma crise e a negociação de um resgate com o FMI, e a tornar-se num país onde a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa e política, a independência judicial e os direitos das minorias estão a ser varridos. A crise e as ameaças dos credores são, como sempre acontece, um terreno fértil para o populismo de políticos como o Primeiro-Ministro e líder do Fidesz, o partido conservador de centro-direita, Viktor Orbán.

E é uma pena que tudo isto esteja a acontecer. A Hungria, os seus cidadãos e a Europa não necessitavam de mais esta preocupação.