quarta-feira, abril 22, 2015

O PS já mexe ... resta-nos esperar



Sempre acreditei naquela "teimosia" do António Costa que afirmava insistentemente que há um tempo para tudo e, a seu tempo, o programa económico com que o PS se apresentaria às legislativas, seria divulgado. Quando, perguntavam os jornalistas? A seu tempo, respondia Costa.

Pois foi ontem o tal dia. Um grupo de prestigiados economistas liderado por Mário Centeno, um economista muito respeitado no Banco de Portugal mas que é muito menos de esquerda do que muitos socialistas julgam, apresentou um conjunto de propostas económicas que correspondem a políticas bem diferentes das que temos tido nestes últimos anos. Aparentemente políticas de esquerda, anti-troika e centrada nos trabalhadores.

É uma proposta (em que os custos do Estado disparam, o PIB sobe e, como o PIB sobe, as receitas também sobem) que muitas pessoas têm defendido por acreditarem ser a chave da mudança. A fórmula parece simples:

"com mais PIB há mais transacções, logo cobra-se mais IVA. Há mais salários, logo há mais IRS. Há menos desempregados, logo há mais gente a descontar e menos gente a receber subsídios; etc.)"

Mas a grande dúvida é: irá resultar? Claro que não há certezas. Pelo menos por agora ficamos sem saber como se vai conseguir a desejada sustentabilidade da Segurança Social e como, na realidade, se vai estabelecer o balanço entre a subida (certa) da despesa e a subida (provável, mas incerta) da receita.

Estão, pois, definidos os princípios - a base - da política macro-económica do PS mas, como disse António Costa na apresentação deste trabalho, o relatório não é uma Bíblia nem os distintos economistas que integraram o grupo de trabalho os Apóstolos. Resta-nos esperar pelo programa de governo com que o Partido Socialista se apresentará a eleições. Para já, temos um projecto de política económica diferente da que tem sido aplicada, a esperança de que tudo isso resulte e a certeza de que o PSD/CDS começarão a dizer que com políticas como estas em breve estaremos de novo na bancarrota.

Mas esta apresentação mostrou-nos duas coisas: a primeira é que António Costa afinal está vivo e começa a dar sinais daquilo que pretende fazer. A segunda é que existe uma alternativa (boas ou más, em democracia há sempre alternativas) às políticas levadas a cabo por este Governo. Que até podem não resultar, que até podem irritar o Governo, a troika, a senhora Merkel e Bruxelas. Mas, pelo menos, os cidadãos vão ter a possibilidade de escolher e voltar a ter esperança.