segunda-feira, março 15, 2010

Não está na altura de estabelecer alguns limites?


Já devem ter reparado que os fins-de-semana parecem não me fazer lá muito bem. Isto porque, nalgumas segundas-feiras, as minhas crónicas transparecem algum azedume, quando não, uma ira profunda.


É que, às vezes, os casos são de arrepiar. Vejam só se alguém pode ficar indiferente perante a atitude intolerante dos pilotos da TAP que querem fazer greve se não lhes derem um aumento acima dos 8%. Mais concretamente, 8,88% para os comandantes e 8,55% para os restantes pilotos.


Tenho muito respeito pelos pilotos e deposito neles toda a confiança quando viajo nos aviões que conduzem. Mas isso não adormece o meu espírito crítico nem me impede de ver que no nosso país, onde a maioria dos trabalhadores não vai ter aumentos este ano (e alguns não os têm há anos), estes senhores querem um “aumentão” claramente desproporcionado relativamente aos demais concidadãos e ao estado das finanças públicas portuguesas. Sim, porque não podemos esquecer que a TAP é uma empresa que é detida integramente pelo Estado.


Perguntar-me-ão, mas os pilotos não deveriam ganhar muito bem porque são profissionais altamente preparados e têm um grande risco e responsabilidade? Respondo com um rotundo SIM. Mas não nos devemos esquecer das outras áreas de actividade onde os respectivos trabalhadores têm igualmente grande risco e responsabilidade e os seus vencimentos não se comparam, em nada, aos dos pilotos.


Já agora, sabem quanto ganham por mês os pilotos da TAP? Ganham, em média, 8.600 euros (os mais novos 5.000 euros e os comandantes seniores 10.000 euros)? E sabem qual é o vencimento médio em Portugal? Qualquer coisa como 894 euros.


Por isso me revolto. É indigno que em Portugal, numa empresa pública onde os restantes trabalhadores da mesmíssima empresa vão ter um aumento de 1,8%, os senhores pilotos ameacem fazer uma greve de seis dias (cirurgicamente na altura da Páscoa) se não forem satisfeitas as suas reivindicações. Uma greve que poderá causar à TAP um prejuízo de 30 milhões de euros.


Será que de empresa tecnicamente falida quererão uma empresa que vá mesmo à falência?