sexta-feira, outubro 21, 2011

Discretamente ...



Sempre gostei de pessoas discretas. Admiro aqueles que, sendo bons naquilo que fazem, não se põem em bicos de pés, à espera dos aplausos. Como acontece com a Elvira Fortunato, a cientista portuguesa de micro-electrónica, uma das melhores do mundo. Ou com o arquitecto Souto Moura que recebeu há pouco o “Nobel” da Arquitectura. Percebem o quero dizer? Vêm de mansinho e são verdadeiras sumidades.

Mas também há dos outros. Os que – discretamente – tentam driblar as leis esquecendo-se que ainda existem auditorias independentes que, mais dia, menos dia, vão pôr a nu as irregularidades que cometeram.

Foi o que sucedeu com o Director-Nacional da PSP, três Directores-Adjuntos e o Inspector Nacional que decidiram aumentar as suas próprias remunerações. No ano passado estes directores de topo da PSP passaram a vencer pelo novo regime remuneratório da corporação enquanto que a esmagadora maioria dos efectivos desta força de segurança, passado mais de um ano, ainda não conseguiu transitar para a nova tabela. E, em segredo (não existe forma mais discreta), autorizaram a sua “promoção” que custou ao Estado mais uns míseros 24 mil euros.

A auditoria da Inspecção Geral de Finanças apurou ainda, para além destas apressadas promoções, outros procedimentos irregulares e ilegalidades relacionados com abonos salariais e contratações.

Não sei se, neste caso, podemos falar de desonestidade pura e dura. Mas houve, claramente, falta de ética. A não ser que estes quadros superiores da PSP tivessem querido demonstrar aos seus subordinados que as promoções – tal como os exemplos - começam por cima.