quinta-feira, março 15, 2007

Desonestidade!


Eu pasmo-me com o descaramento e a desonestidade de algumas pessoas que, em princípio, por serem tão confiáveis, estariam sempre a cima de qualquer suspeita.

Será que alguém teria a ousadia de desconfiar da honradez de um administrador de uma instituição como o Supremo Tribunal de Justiça que, ao comprar certas “prendas institucionais” destinadas a serem oferecidas, essas mesmas prendas eram, afinal, para seu próprio uso? Ninguém, por certo.

E vejam como se enganaram. O tal administrador comprou dois relógios caríssimos para serem, alegadamente, oferecidos ao Presidente da República e à Primeira Dama, e comprou também pinturas e serigrafias, em número não apurado, de artistas de renome, também, supostamente, para serem oferecidos pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Este jovem jurista, de apenas 32 anos, apesar da idade, provou que, de facto, era tão competente, que o Supremo Tribunal de Justiça não teve dúvidas em lhe atribuir, em acumulação, as funções de chefe de gabinete e de administrador financeiro do Supremo, entre 2002 e 2006.

E o Dr. Ricardo Campos Cunha, assim se chama o burlão, perdão, o administrador, tão apto se mostrou, que entendeu comprar – de forma ilícita – uma enorme série de “ofertas” que se estima possam ter custado ao erário público, qualquer coisa como 250 mil euros.

Como noutros casos, mais uma vez se confiou cegamente nas pessoas e os mecanismos de controlo, se é que existem, voltaram a não funcionar.
Só espero que este competentíssimo jurista e administrador, que se sabe ser muito ligado à religião católica e um frequentador assíduo da Igreja, venha a ser condenado pela lei divina, mas que seja, também, severamente punido pela lei dos homens, pelo uso e abuso do dinheiro dos contribuintes.