quarta-feira, dezembro 16, 2009

Eles estão para chegar


Não aguento mais. Caramba, é bom que tenhamos consciência do que está a acontecer. Provavelmente mais de setecentos milhões de Pais-Natal pululam por aí - nas ruas, nos centros comerciais, a escalar as paredes dos prédios – e é nossa obrigação chamar a atenção de todos de que o Pai Natal não existe, nada tem a ver com o Natal e que apenas se tornou popular porque a Coca-Cola se lembrou de o inventar um dia.


Mas, como se não bastasse ter que ouvir, vezes sem conta, um homem já de certa idade, barbudo, vestido de vermelho (e às vezes de verde), com grande barba branca e faces rosadas dizer com a voz rouca “Oh! Oh! Oh!”, nós portugueses, que temos a mania de oscilar entre o miserabilismo e a glória suprema, imaginámos que ficaríamos muito mais ricos se o nome do país pudesse figurar no livro dos recordes mundiais.


Daí que, em 2007, no Porto, foi organizado um desfile de Pais-Natal que juntou 5443 pessoas fardadas a rigor e, por isso, entrou para o Guiness Book of Records.


No ano passado juraram que podiam fazer ainda melhor e conseguiram juntar cerca de 9000 participantes. Bateram o seu próprio recorde e entraram, de novo, para o Guiness.


E porque já foi anunciada nova convocatória para o próximo dia 20 é bom que manifestemos a nossa preocupação e que forcemos o Governo a acabar de imediato com toda esta palhaçada (desculpem mas esta do palhaço está na moda) antes que seja tarde, não vá a iniciativa juntar ainda mais Pais e Mães-Natal. Sim porque a “criatividade” de algum desocupado já inventou a figura da Mãe-Natal, como se os “Pais” não fossem suficientes.


Fora com os Pais-Natal e com as árvores de Natal. Comemore-se a quadra à maneira antiga, à volta de um presépio. Pensem nisso, um presépio, por mais simples que seja, só com o S. José e a Virgem Maria, o menino Jesus, o boi e a vaquinha, enfim, os Reis Magos se pretenderem transmitir mais solenidade ao quadro. Reinventem e façam-no mais sofisticado se quiserem. Mas, meus Amigos, o Natal, à séria, o seu espírito, festeja-se com o presépio.


Já agora, e a propósito da quadra, porque não substituir o Bolo-Rei pelo Bolo-Presidente? Portugal é uma República, certo?




8 Comments:

At quarta-feira, dezembro 16, 2009 10:18:00 da tarde, Anonymous vexata said...

Bom, ainda vamos arranjar um Cavaco ou uma Cavaca, claro que em pacotinhos. Pena é que tenham pouco sabor e falta de recheio!

A propósito de república, ainda vamos arranjar um recheio de banana, quem sabe se ficará algo Gourmet?

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 12:15:00 da manhã, Anonymous anocas said...

O Pai Natal é uma figura lendária que, em muitas culturas ocidentais, traz presentes aos lares de crianças bem-comportadas na noite da véspera de Natal ou no Dia de São Nicolau. O personagem do Pai Natal foi inspirado em São Nicolau Taumaturgo, arcebispo de Mira na Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar anonimamente quem estivesse em dificuldades financeiras colocando um saco com moedas de ouro na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalicio aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo inteiro. Existe o mito que a Coca-Cola seria a responsável pelo actual visual do Pai Natal, mas é historicamente comprovado que o responsável por sua roupagem vermelha foi o Cartonista americano Thomas Nast, em 1886, na revista Harper’s Weeklys. O Pai Natal até então era representado com roupas de inverno, porém, na cor verde. O que aconteceu foi que, em 1931, a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo o Pai Natal do mesmo modo de Nast com as cores vermelha e branca. Tal campanha fez um enorme sucesso e a nova imagem do Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a Coca-Cola contribuiu para difundir e padronizar a imagem actual, mas não é responsável por tê-la criado.

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 1:12:00 da manhã, Anonymous demascarenhas said...

Anocas, a história que descreves está correcta mas continuo a dizer que o símbolo do Natal é Jesus e o Presépio. Recordas-te, quando éramos mais pequenos, quem é que nos trazia à meia-noite os presentes que esperavam por nós junto àquele bonito altar que o Tio fazia todos os anos e onde reinava lá no alto o Menino Jesus? Pois então, durante anos e anos vivemos bem sem o Pai-Natal e acreditávamos que as prendas eram trazidas por alguém a mando do Jesus. Muitas outras crianças punham na noite da consoada o sapatinho na chaminé para, na manhã seguinte, muito cedo, irem sofregamente em busca dos presentes deixados pelo Menino Jesus.

Apesar de não discutir a verdade histórica que referiste, para mim o Pai-Natal está ligado à Coca-cola e ao consumismo. E isso é contrário à minha visão do que deve ser o verdadeiro espírito de Natal. E essa é uma tradição de que eu gosto e quero preservar.

Beijo

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 1:31:00 da manhã, Anonymous demascarenhas said...

Anocas

Olha que nem de propósito. Tu própria me enviaste um pequeno filme dos alunos de Aveiro do Curso Superior de Comunicação e Arte.

É um vídeo muito interessante que deixa uma mensagem:

“Ainda se lembra do Espírito de Natal?” e

“Não deixe que o consumismo o destrua”

E lá está o Presépio, sempre ele, a recordar o verdadeiro Espírito de Natal. Do Pai-Natal, nada.



Cliquem em:

http://www.youtube.com/watch?v=nhxf2Xg4xGc

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 11:02:00 da manhã, Anonymous anocas said...

Demascarenhas,

Tudo o que referiste está muito certo mas, na actualidade, a figura do Pai Natal foi completamente interiorizada pelas crianças. Como vamos nós destruir-lhes essa magia ?
Quanto a mim, a lenda do Pai Natal nunca irá destruir a figura do Menino Jesus nem do Presépio, apenas contraria a ideia de quem é que, afinal, traz os presentes. No fundo, é uma mentira contra outra mentira... Todos nós nos recordamos da desilusão que tivemos quando, ainda crianças, descobrimos que quem trazia os presentes eram mesmo os nossos pais...
Sem dúvida que devemos sempre incutir nas crianças o verdadeiro espírito do Natal, tempo de dádiva e de partilha, mas um pouco de magia nunca fez mal a ninguém !

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 1:14:00 da tarde, Anonymous Afilhada (mas não barriguda) said...

Com toda essa teoria que apresentas, quero ver (melhor dizendo, ouvir) o que vais dizer à tua sobrinha de 3 aninhos quando lhe ofereceres o presente de Natal...
Já estou a imaginar.. "Minha querida, este presente foi o Menino Jesus que trouxe para ti. Sabes, o Pai Natal não existe" - LIVRA-TE de destruir esta fantasia à minha filhota! Tem muito tempo pela frente para constatar a cruel realidade que nos rodeia...

FELIZ NATAL e OH! OH! OH!

Bj da Afilhada que te admira (apesar de não acreditares no Pai Natal...)

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 1:24:00 da tarde, Anonymous Afilhada (mas não barriguda) said...

A tua sugestão do Bolo-Presidente numa altura em que temos o Cavaco à frente da nossa República é, no mínimo, inconveniente... até pode causar alguma indigestão estar a degustar o bolinho e vir à memória a imagem de tão alta figura de Estado a comer o bolo de que falamos e a tentar falar ao mesmo tempo... Definitivamente, não é uma boa ideia - e viva o BOLO-REI!

 
At quinta-feira, dezembro 17, 2009 4:28:00 da tarde, Anonymous demascarenhas said...

Oh Afilhada querida

Bons olhos te leiam. Sabes como és bem-vinda a este nosso espaço.

Descansa a tua ansiedade que não vou revelar as crueldades e mentiras deste mundo cão à minha adorada sobrinha. Ela descobrirá isso com o tempo e à medida que for tomando consciência dos políticos que nos governam. Por isso, “dourarei a pílula”, é claro, e para não lhe destruir a fantasia que lhe enche os olhos e a alma de alegria e de ilusão, direi simplesmente um NIM ... acompanhado de uma das minhas habituais palermices. Afinal, como ela diz, “O Tio Mário é muito brincalhão”.

Quanto ao nosso Presidente talvez fosse bom seguir a sugestão do caro Vexata e começar a confeccionar os tais bolos em pacotinhos – o Cavaco e a Cavaca – recheados com banana para lhes dar um pouco de sabor. Tanto mais que a triste figura que ele fez há uns anos já passou à história e não mais se repetirá.

Finalmente, quanto ao Pai-Natal, desculpa não reconhecer na figura toda essa magia mas, se isso te fizer feliz e prometeres que a tua admiração por mim vai aumentar por causa disso, olha que, a partir deste momento, doravante e pr’o futuro aqui está quem afirma com toda a convicção que o Pai-Natal existe mesmo e é bom que ninguém se atreva a dizer o contrário.

OH! OH! OH!

 

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