terça-feira, setembro 06, 2011

O vil metal



Quando ontem me referia às afirmações do multimilionário americano Warren Buffet que diz pretender pagar mais impostos para ajudar o seu país, a história fez-me recordar (embora com contornos bem diferentes) aquele caso, acontecido há uns anos, de um industrial da Lousã que quis oferecer – pagando do seu bolso – um jipe a cada um dos seus 160 trabalhadores e a mais 27 funcionários de uma firma associada. Uma operação que lhe custaria qualquer coisa como 2,5 milhões de euros.


Jorge Carvalho, de seu nome, solteiro e sem filhos, homem que gostava de ajudar o próximo – por diversas vezes apoiou financeiramente diversas instituições locais, desportivas, humanitárias, culturais e de solidariedade social – achava que se tinha tido sucesso era justo que compensasse quem o tinha ajudado a lá chegar. Só que os sobrinhos assim não o entenderam e trataram de arranjar maneira de não concretizar a sua vontade. E conseguiram-no.


O vil metal, uma vez mais. Perante esta aparente “inevitabilidade”, regressamos à dúvida de sempre: que é feito de valores como a “humildade”, o “reconhecimento” e a “generosidade”?


1 Comments:

At terça-feira, setembro 06, 2011 9:28:00 da manhã, Anonymous Fernando Gomes said...

Olá meu bom Amigo,

De facto, há muito que se assiste a uma autêntica crise de valores na Sociedade Portuguesa. Estamos cada vez mais longe dos valores outrora transmitidos pelos nossos Pais e Avós, que pautavam toda a nossa conduta na relação com os outros. Apenas e mais uma vez só nos podemos queixar de nós próprios. Exemplo disso tem sido a produção e divulgação de algumas novelas Portuguesas, nomeadamente a tão conhecia “Morangos com Açúcar, que apenas transmite aos nossos jovens uma realidade completamente diferente e desprovida de quaisquer valores. Preocupante é a situação, pois já nem as Organizações Juvenis como os Escuteiros, que sempre se preocuparam em formar e moldar a personalidade dos jovens para certos e determinados valores, o estão a conseguir, pois parece que tais valores apenas ficam fechados entre aquelas quatro paredes. De facto, o Senhor Emile Durkheim tinha razão, quando afirmava que o colectivo exerce uma influência muito grande sobre o individual, levando o Homem a agir de forma contrária ás regras sociais. Mas este fenómeno dos valores é algo estranho, pois parece que anda adormecido, esquecido no fundo de uma gaveta, mas quando o colectivo apela à aplicação deles, o individual acede sem olhar para trás, exemplo disso é o Banco Alimentar. Porque será então que as pessoas individualmente, e no seu dia a dia, não pautam a sua conduta nesses valores? Os valores não são mais do que “tudo aquilo que para nós tem valor”, e enquanto continuarmos a transmitir certas e determinadas ideias aos nossos jovens, a sociedade não evoluirá para um patamar superior. Encontrar alguém com os valores do Sr., Jorge Carvalho, é como encontrar uma agulha num palheiro.

 

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