quarta-feira, julho 11, 2012

“Carta Aberta” à Universidade Lusófona.


Voltamos à “licenciatura de Miguel Relvas”. Desta vez, porém, para, com a devida vénia, transcrever um texto (delicioso e inspirador) escrito no blogue “O voo do Falcão” pelo jornalista João Miguel Tavares. Aqui vai a sua “Carta Aberta” à Universidade Lusófona.

“Exmo. Reitor. Foi com grande satisfação que soube que a Universidade Lusófona conferiu uma licenciatura em Ciência Política ao Dr. Miguel Relvas em apenas 14 meses, reconhecendo dessa forma a sua elevada estatura intelectual. Sempre sonhei com o alargamento das Novas Oportunidades ao Ensino Superior e fiquei muito feliz por terem dado o devido valor à cadeira de Direito que o senhor ministro fez há 27 anos com nota 10. Depois, naturalmente, o processo foi "encurtado por equivalências reconhecidas" (palavras do Dr. Relvas), após análise do seu magnífico currículo profissional.

É dentro desse mesmo espírito que vinha agora solicitar igual tratamento para a minha pessoa. Embora seja licenciado pela Universidade Nova com uns simpáticos 17 valores, a verdade é que o curso levou--me quatro anos a concluir e o Jornalismo anda pela hora da morte. Nesse sentido, e após análise da oferta disponível no site da universidade, venho por este meio requerer a atribuição do grau de licenciado em: Animação Digital (tenho visto muitos desenhos
animados com os meus filhos), Ciência das Religiões (às vezes vou à missa), Ciências Aeronáuticas (já viajei muito de avião), Ciências da Nutrição (como imensa fruta), Direito (fui duas vezes processado), Economia (sustento uma família numerosa), Fotografia (tiro sempre nas férias) e Turismo (visitei 15 países). Já agora, se a Universidade Lusófona vier a ministrar Medicina, não se esqueça de mim. A minha mulher é médica, e tendo em conta que eu durmo com ela há mais de dez anos, estou certo de que em seis meses posso perfeitamente ser doutor.

Respeitosamente,

João Miguel Tavares”

A terminar duas notas:
1 – Os documentos que foram (finalmente) disponibilizados aos jornalistas pela Lusófona não indicam nomes de professores nem têm referências aos exames que terão sido feitos pelo ministro; Esquecimentos, por certo.

2 – A quantidade de créditos conseguidos por Miguel Relvas que facilitaram a sua “licenciatura”, foram conseguidos tendo em conta aspectos absolutamente relevantes à valorização do currículo: Relvas foi presidente da Assembleia-Geral da Associação de Folclore da Região de Turismo dos Templários, em 2001 e 2002 e, consta, que até foram consideradas “cartas de recomendação” (só não se sabe passadas por quem). Brilhante!