sexta-feira, julho 13, 2012

E a nós, quando é que nos convidam?


Uma coisa que me incomoda são as festas promovidas pelas várias empresas e revistas cor-de-rosa que convidam sistematicamente as figuras públicas de sempre: os modelos, as estrelas, as quase estrelas e as que já foram estrelas da televisão, alguns políticos e outras caras larocas que quase ninguém conhece, que fizeram rigorosamente nada de útil pela sociedade mas que compõem muito bem o cenário porque são magros, têm sorrisos lindos e vão muito bem vestidos e, às vezes, muito bem despidos.

Os outros, a D. Ermelinda, o Sr. José, o Sr. Raimundo, a D. Maria e os demais, os muitos milhares de gente anónima que compram e sustentam essas grandes empresas e revistas, népia, ninguém se lembram de convidá-los.

Por isso, já há alguns anos, deixaram de entrar lá em casa esse tipo de revistas que dão conta de “gente importante” a passar férias em sítios idílicos, distantes e exóticos.

É a minha vingança. Já que não me deixam ter voz activa em quase nada e que não tenho sequer um Dia Mundial do Homem que eleve a minha auto-estima, tomei-me de fúria súbita e decidi pôr um ponto final na leitura daquelas páginas que mostram ares felizes e corpos esbeltos a pousarem em praias de sonho com muitas palmeiras, águas transparentes e areias claras. Basta, gritei determinado. Não sei quem é essa gente, não sei por que é que são sempre os mesmos a gozar o bem-bom, enquanto que a mim (e aos outros todos) que compravamos as revistas e os produtos que vendem, nem sequer se dignam convidar-nos para um copo de tinto.

Acabou-se. Querem viajar e passar férias inesquecíveis? Óptimo, mas não contem comigo.