quinta-feira, janeiro 17, 2013

Esse grande actor chamado Paulo Futre ...

 
Numa mensagem deixada no Facebook e citada pelo Diário de Notícias a actriz e directora do teatro "A Barraca", Maria do Céu Guerra, criticou a escolha de Paulo Futre para a dobragem do filme "Hotel Transilvânia, que chegou recentemente às salas portuguesas.

Disse Maria Do Céu Guerra:

"Vi agora na Televisão que o Paulo Futre acaba de dobrar um filme para crianças .É extraordinário. Num país onde os actores profissionais precisam de contratos e de trabalho, qualquer pessoa que se notabilize em qualquer área pode substitui-los num trabalho que eles sabem fazer, estudaram e treinaram-se para isso e é a sua área profissional. A Lili Caneças já fez Tenessee Williams. Não sei quantas actrizes nesses meses estavam desempregadas. Ou a fazer papelinhos na TV para sobreviverem .Os ex-politicos ocupam cargos da área da Cultura, nas Fundações, etc., etc. Será que não há pessoas de Cultura para esses cargos? Por que é que um Reitor quando se reforma vai para casa e um banqueiro vai para administrador da Gulbenkian? Os criadores, os actores são uma espécie de ursos que vão para o circo presos por uma corda e quem ganha o dinheiro é o dono do circo, o dono do urso e o dono da corda. E se algum deles souber dar cambalhotas manda-o abater. Não será altura de dizermos que assim não vale. Eu estou farta. Não quero que nos dêem emprego, quero que não nos tirem os nossos."

Maria do Céu Guerra considera insultuosa a escolha do antigo jogador de futebol para este tipo de trabalho. Acolho a sua revolta como que um desabafo. Sentido e justo (digo eu). Mas que corresponde ao que acontece no dia-a-dia em muitas áreas de actividade. A sobrevivência a qualquer custo, o salve-se como puder. E, neste caso, Futre, mais uma vez aplicou o "drible" (desta vez não futebolístico) de que ele sempre foi um praticante exímio.