segunda-feira, janeiro 14, 2013

O Relatório do FMI

 
Todos sabemos que o país está numa situação muito difícil e que os portugueses estão a viver (sem esperança) no limite do suportável.
 
Porém, qual D. Sebastião (cujo regresso muitos portugueses continuam a desejar), foi agora conhecido um relatório elaborado pelo FMI (certamente encomendado pelo nosso Governo) que propõe, entre outras coisas, um corte de até 20% nas pensões e uma redução permanente de até 7% nos salários da Função Pública, bem como a dispensa de 50 mil professores. Nada de muito grave, portanto, e tudo em nome do famigerado corte dos 4 mil milhões na despesa do Estado.
 
Claro que o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas (parte activa da trupe composta por Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Passos Coelho), aplaudiu o trabalho, dele dizendo que estava muito bem feito ("um relatório muito completo, muito bem feito, muito trabalhado") e que o Governo não descartava a aplicação de nenhuma dessas medidas. Para que conste!
 
Mas o relatório em inglês (nem sequer houve a consideração de apresentar uma versão em português), para além do rude golpe que - a ser aplicado - irá provocar nas vidas de milhares de cidadãos, suscita-nos muitas dúvidas, sobretudo porque é elaborado por um organismo (o FMI) que já reconheceu ter-se enganado nas previsões dos efeitos das medidas de austeridade.
 
Dúvidas e críticas que, aliás, temos ouvido a outras pessoas que fazem parte do próprio Governo. "o FMI partiu de premissas erradas para elaborar a receita" (Ministro Pedro Mota Soares) ou "o relatório do FMI tem coisas boas, coisas discutíveis e outras inaceitáveis" (Ministro Paulo Portas).
 
Contudo, para mim, o dito "relatório técnico" não passa de um conjunto de propostas políticas de matriz ideológica que visam atingir determinadas metas. Que são, objectivamente, conseguir o dinheiro que o Governo necessita.

 

1 Comments:

At segunda-feira, janeiro 14, 2013 12:36:00 da tarde, Anonymous olavretni said...


Na versão on-line do DN de hoje, Pedro Marques Lopes comenta:

"Com mais de ano e meio de atraso Passos Coelho apresentou o seu manifesto eleitoral. Está finalmente perante nós, mascarado de relatório do FMI, o que Vítor Gaspar, Passos Coelho e Relvas querem para o País"

 

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