sexta-feira, janeiro 17, 2014

A costumada "confusão entre a política e os negócios"





O assunto não é novo mas voltou agora à ribalta quando se soube que o super-Ministro de Passos Coelho, Vítor Gaspar, quer ir (e seguramente irá com o apoio do nosso Governo e da Chanceler Merkel e do seu Ministro Schauble) para o FMI e que o simpático ex-Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira será o economista número 2 da OCDE. É um filme que já vimos, protagonizado por outros intérpretes, que depois de prestações duvidosas ao serviço do nosso país, deram o salto para cargos importantes lá fora. E estou a lembrar-me, vá lá saber-se porquê, de Vítor Constâncio e de Durão Barroso, só para citar dois deles.

Mas a "promoção" que mais me chocou e, certamente a muitos portugueses, foi a de José Luís Arnaut. O advogado e político, que foi Ministro no executivo de Santana Lopes, foi convidado para um alto cargo no banco norte-americano Goldman Sachs, o mesmo banco que detém, após privatização, a maior participação accionista nos CTT e em que Arnaut trabalhou, simultaneamente, como consultor do Banco e do Estado Português.

De resto, José Luís Arnaut está intimamente ligado a um conjunto de privatizações levadas a cabo pelo actual Governo, nomeadamente a ANA, a REN e os CTT. E esteve também presente (embora não se tivesse concretizado) na pretendida privatização da TAP. Umas vezes trabalhando para o Estado, outras para as empresas vendidas, outras ainda para as empresas compradoras. Um verdadeiro super-homem!

É a costumada confusão entre a política e os negócios, o habitual jogo de influências, em que uns quantos se saem muito bem (à custa de operações pouco transparentes), e em que os interesses de Portugal e dos portugueses saem invariavelmente lesados.