quinta-feira, janeiro 16, 2014

Não sei, não ... o melhor é não confiar demasiado ...





Nos últimos tempos tem-se ouvido com uma certa frequência que "Portugal é um país de brandos costumes" e que "a austeridade trará inevitavelmente confrontos sociais".

No primeiro caso, a frase já vem de longe, dos tempos da propaganda salazarista, mas a nossa História desmente-a. Basta lembrar que só nos séculos XIX e XX, contam-se por milhares os mortos em guerras civis e revoluções. No fim da monarquia, o penúltimo rei de Portugal, D. Carlos e o príncipe Luís Filipe, herdeiro do trono, foram assassinados e já na República, o Presidente Sidónio Pais teve o mesmo fim. Face a estes factos será que Portugal poderá ser mesmo considerado um país de brandos costumes?

Quanto aos confrontos sociais que muitos anunciam, teremos mesmo motivos para nos preocuparmos? Ainda não há muito Mário Soares descreveu a situação do país como “de grande risco”, “a caminho da ditadura" e que “a violência está à porta”. Dois dias depois O Papa Francisco alertou para o perigo de violência devido à actual situação económico-social.


E isto são alertas que têm que ser tomados em devida conta. Não são ameaças, não são incentivos à violência, são, na minha perspectiva, olhares lúcidos sobre o que se pode passar em Portugal e no mundo com as crescentes desigualdades sociais e com as dificuldades por que passam os povos.


Poderemos vir a ter, então, a exemplo do que temos visto noutros países, violência nas ruas? A sensatez que os portugueses têm mostrado apesar do desespero do desemprego, dos aumentos de impostos, da falta de medidas que nos levem para níveis de vida mais dignos não afasta totalmente a ideia de que a desordem, quiçá o caos, poderão chegar. É que "os brandos costumes" poderão não ser eternos.


Para já, e a confiar no que vi expresso nas redes sociais, podemos ficar descansados. Para 2014 a generalidade dos votos dos portugueses vão no sentido de esperar um novo ano com saúde, alegria, amizade, muito amor, menos crise e pouca troika e um jackpot no euromilhões. Até por que, como se costuma dizer, a esperança continua a ser a última a morrer.