sexta-feira, janeiro 24, 2014

Suécia: Jogos Olímpicos? Não, obrigado!





Os grandes acontecimentos desportivos costumam ser uma montra fantástica para os países que os organizam. Tanta visibilidade, em todo o mundo, pode, na verdade, potenciar mais e melhores negócios e um aumento significativo das receitas com o turismo. Mesmo que o tremendo esforço financeiro não seja, muitas vezes, recuperado.

Foi assim em Portugal com o Europeu de Futebol de 2004. O país engalanou-se de bandeiras nacionais e quase ganhou o título de campeão europeu. Só que, passados dez anos, ainda não recuperámos das dívidas contraídas para a construção e manutenção de tantos estádios, equipamentos esses que, nalguns casos, estão quase ao abandono.

O mesmo está a acontecer no Brasil que este ano vai acolher o Mundial de Futebol e em 2016 vai organizar os Jogos Olímpicos. À euforia por ter conquistado a honra de organizar tão importantes eventos, passou-se à construção e remodelação de estádios e de infra-estruturas que estão a custar rios de dinheiro aos cofres do Estado. E num país em que a má qualidade dos serviços públicos e os sistemas de educação e de saúde estão longe de ser satisfatórios, a indignação popular tem vindo a aumentar perante os custos astronómicos que estão a ser alocados para a "Copa" e "Jogos Olímpicos".

Mas o deslumbramento que ocorreu em Portugal e no Brasil não se verifica em todo o lado. O exemplo da Suécia é paradigmático. Ao invés dos dois países de língua portuguesa, a capital sueca rejeitou organizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Apesar dos eventuais ganhos, Estocolmo não aprovou a organização da competição, decisão que teve o apoio do próprio governo. E porquê? Porque na lista das prioridades daquela autarquia havia outras necessidades como, por exemplo, construir mais casas na cidade. Em vez de gastar muitos milhões de euros com os Jogos, os custos com a construção das novas casas andarão pelos 1,13 milhões de euros. Uma verba bem mais reduzida, uma poupança que os contribuintes suecos agradecem. Não é por acaso que a Suécia é considerada como um dos países mais justos socialmente e com mais baixos níveis de desigualdade.