segunda-feira, janeiro 20, 2014

O referendo sobre a co-adopção ... e as crianças, senhor?





A verdade é que não deveríamos ficar admirados pelos resultados obtidos quando se deixam certos assuntos nas mãos de rapazolas que, por iniciativa própria ou a mando de alguém, tomam decisões que vão contra o mais elementar bom-senso. Como esta de querer fazer um referendo sobre a co-adopção de miúdos por casais do mesmo sexo.


Aliás, esta aberração do referendo que se quer fazer vai um pouco mais longe. Não se pretende apenas saber a opinião dos portugueses sobre a questão da co-adopção (uma lei que já tinha sido aprovada em Maio no Parlamento, embora na generalidade) como, no mesmo documento, também pretendem saber o que pensamos sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo (coisa que não é permitida por Lei). Enfim!


Mas a proposta para a realização do referendo foi mesmo aprovada. Foi uma votação tão complicada que até muitos dos deputados do PSD ou não "alinharam" ou, fazendo-o, apresentaram declarações de voto. Isto é, votaram sim mas não estavam nada de acordo com aquilo a que deram o seu aval. Uma coisa que é difícil de entender mas que se percebe bem quando se pensa que defender o "tacho" é mais importante que manter a verticalidade da sua coluna vertebral ... se a tiverem.


Podemos estar, ou não, preparados para as "novas famílias" constituídas por casais do mesmo sexo. A sociedade tomou este rumo e, goste-se ou não, é o que temos e as crianças naturais ou adoptadas não podem ser prejudicadas por isso. E a realização deste referendo (a acontecer) em nada vai beneficiar os "superiores interesses das crianças". O preconceito continuará a esquecer as mais de 17 mil crianças que estão institucionalizadas e que esperam ansiosamente por um lar. Quer tenham dois pais ou duas mães, tanto faz. Tenho grande dificuldade em compreender que se prefira o internamento de uma criança numa instituição social em vez de lhes dar o calor afectivo de uma família, seja ela de que natureza for. Uma família que acolha, eduque e dê amor.


Estou em crer que toda esta lamentável encenação - esta Golpada Política, como lhe chamou Marques Mendes - dê em nada. Cavaco Silva já disse que está contra o referendo e o Tribunal Constitucional, se o assunto lá chegar, terá certamente o bom-senso de o chumbar. Mas houve uma coisa que foi conseguida. É que durante uns dias ninguém falou das medidas muito gravosas que resultam do Orçamento de Estado para 2014 (e já aí vem um rectificativo a caminho). Entretanto, as famílias e as crianças continuam à espera de uma resolução.