terça-feira, dezembro 02, 2014

Coisas que acontecem quando "andamos" em cima da passadeira de um ginásio ...



Ontem, enquanto fazia exercício na passadeira do ginásio, ia pensando nas notícias dos últimos dias.

Lembrei-me, por exemplo, da Presidente da Câmara de Palmela que cumpre o terceiro e último mandato e que com 46 anos já pediu a reforma. Demasiado cedo, não?

Pensei no julgamento de Duarte Lima para quem o Ministério Público pediu 5 anos de prisão e a juíza condenou-o a 10. Uma invulgar duplicação de pena que deixou muita gente perplexa.

Claro que também pensei no "caso Sócrates" de que se sabe tão pouco mas sobre o qual se opina muito. Mas há factos que se vão conhecendo a conta gotas e que nos deixam ainda com mais dúvidas. Por exemplo, porque razão a casa onde mora o filho do ex-Primeiro-Ministro (cuja conexão com os alegados actos do pai parece não existir) foi invadida e ele viu levarem-lhe o computador pessoal? Será que isto é legal? Será que a lei permite a devassa do conteúdo de um computador pertencente a alguém só porque é familiar próximo de um eventual implicado em ilícitos?

E, a propósito deste caso, não pude deixar de pensar que José Sócrates foi detido - presumivelmente - para que não destruísse provas que o incriminassem na investigação em curso. Então o homem não faz outra coisas há meses que não seja viajar e só agora é que - mesmo sabendo que estavam à sua espera no aeroporto - vinha para destruir uma série de papéis comprometedores? Exactamente o mesmo que aconteceu a Ricardo Salgado que sabia estar a ser investigado há muito e só há dias se lembraram de fazer uma mega operação de busca para obterem documentos suspeitos. Não sejamos ingénuos, eles podem até ser culpados do que os acusam mas burros eles não são certamente. E se havia coisas para destruir, há muito que eles se devem ter encarregue disso.

Ao sentir um abanão no braço voltei à realidade. Um rapaz com uma braçadeira vermelha com um "C" e com a inscrição "Coach" na T-shirt perguntou se me sentia bem. A passadeira tinha parado há um bocado e eu estava com uma expressão muito carregada. Sosseguei-o e saí da sala. Antes, porém, ainda passei por uma jovem que ostentava no fato de treino a inscrição "Personal Trainer". "Estrangeirices", achei eu. Foi aí que desconfiei que a minha tensão arterial devia ter subido um bocado ...