domingo, julho 12, 2009

O medo é que guarda a vinha

Já aqui tenho manifestado por diversas vezes que devemos ser rigorosos naquilo que escrevemos e dizemos. As palavras têm um significado próprio e quem as escreve ou profere tem que ter o cuidado necessário para não levar as pessoas a pensarem que “a estrada da Beira é o mesmo que a beira da estrada”.



E isto aplica-se a toda a gente e, naturalmente, por motivos óbvios, às figuras públicas que têm que ter um cuidado acrescido para não afirmarem hoje o que ontem juraram ser de outra maneira. Mas isto é uma outra questão, à qual se pode ainda acrescentar o jeito para a coisa ou a falta dele.



Vem isto a propósito das recentes declarações da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, quando pretendia responder às críticas de que apesar dos exames de matemática deste ano terem sido demasiado fáceis as notas se terem quedado por uma média muito modesta. O que, segundo a Ministra, foi culpa da comunicação social.



“os jornalistas dizem que os exames são fáceis, o que leva a um menor empenho dos alunos no estudo e, por sua vez, a piores resultados nos exames”, disse.



Apesar da afirmação poder parecer um tanto ou quanto estapafúrdia, a verdade é que esta situação pode até ser verdadeira. Eu também acho que os exames de matemática têm vindo, sucessivamente, a ser mais fáceis. Porém, se toda a gente começar a adivinhar que os exames vão ser canja, para que é que os estudantes vão necessitar de se aplicar mais? E, porque não fazem grande esforço, as notas só poderão ser más. É a história da “pescadinha de rabo na boca”.



Aliás, lembro bem que quando andava no secundário tínhamos uns quantos professores que eram tão exigentes que o único jeito que nos restava era mesmo estudar e muito. Recordo uma tal “Miss Patrício“ docente de inglês do Liceu de Oeiras que povoava os nossos piores pesadelos, sobretudo antes dos exames.



Como se costuma dizer “O medo é que guarda a vinha”