terça-feira, setembro 01, 2009

Irresponsabilidades


A recente tragédia ocorrida na praia Maria Luísa, no Algarve, em que morreram cinco pessoas e três ficaram feridas, deixou-me perfeitamente perplexo.


É que toda a gente sabe que as praias com arribas apresentam um risco potencial de derrocadas. E esse conhecimento não veio apenas de agora, que aconteceu um acidente, há anos que se tem consciência disso. Ou seja, sabe-se mas ninguém liga.


As autoridades, o Ministério do Ambiente, as Câmaras Municipais, as Capitanias, os Institutos, enfim, quem quer que tenha a responsabilidade de zelar pela segurança nas praias “esqueceram-se” de o fazer. No caso da Maria Luísa, desde 2007 que os concessionários da praia alertavam essas tais autoridades para o perigo de desabamento. Debalde! Tiveram que morrer pessoas para que todos despertassem da letargia em que se encontravam. Pura irresponsabilidade.


Mas os utilizadores das praias também não estão isentos de culpas. Indiferentes ao perigo de lhes começarem a cair em cima umas toneladas de pedras e de terra, acolhem-se à sombra traiçoeira de uns penedos sujeitos a anos e anos de erosão e, mais grave ainda, chegam a tapar com toalhas os avisos que dão conta da possibilidade das derrocadas. Poucos dias depois da tragédia ter acontecido uma reportagem televisiva dava conta de umas dezenas de banhistas que, imprudente, continuavam a abrigar-se junto às falésias, dizendo que por ter acontecido uma derrocada não era motivo para se preocuparem, não iria começar tudo a cair. Inconsciência. Irresponsabilidade.


Mas esta falta de cultura de segurança, regista-se nas mais diferentes áreas e todos parecem ficar imunes às responsabilidades que cabem a cada um. Pior, quando se lhes pedem contas sobre as eventuais faltas cometidas, são ligeiros a sacudir a água do capote.


Como aconteceu recentemente em Vila Franca de Xira onde uma pessoa foi electrocutada porque se encostou a um cabo que supostamente não ofereceria perigo. Imediatamente a EDP e a PT trocaram acusações sobre quem tem a responsabilidade do sucedido. Os cabos estão espalhados por todo o espaço público, deveriam ser vistoriados periodicamente e não são e quando um percalço acontece a culpa é de ninguém. Mais uma vez, pura irresponsabilidade.


E eu começo a estar farto de ouvir dizer que “a culpa não deve morrer solteira”. O facto é que continua a morrer gente, apenas e só, porque o desleixo e a irresponsabilidade persistem.