sexta-feira, maio 20, 2011

O recado



"Todos temos de fazer um esforço, isso é importante, não podemos ter a mesmo moeda, e uns terem muitas férias e outros poucas". Esta foi a advertência da chanceler alemã Angela Merkel aos países que já recorreram à ajuda internacional, a Grécia, a Irlanda e Portugal.


E não se ficou pela crítica ao excesso de férias destes países. Não, também opinou, em jeito de aviso, que a idade da reforma também deveria ser aumentada.


Gostemos ou não da senhora Merkel (ainda por cima uma senhora a quem nunca lhe vimos uma malinha na mão) e gostemos ou não de estar a ser feita mais esta tentativa de ingerência na nossa soberania, o facto é que a Alemanha é o motor da economia europeia e é um dos países que mais contribui para “ajudar” os que agora estão em dificuldade. Claro que aqui também poderíamos lembrar que a Alemanha é um dos principais beneficiários desta conjuntura económica mas, o que interessa recordar neste momento é o que contribuintes alemães pensam sobre nós: que trabalhamos pouco e durante menos anos e que nos fartamos de gozar férias. E desse ponto de vista, acabamos por perceber os seus argumentos.


Porém, bem podem pensar os alemães o que quiserem que a verdade é um pouco diferente e não houve, quanto a mim, razões para nos puxaram as orelhas. Se é verdade que nós temos férias de 22 ou 25 dias úteis, na Alemanha a lei impõe que as empresas concedam aos trabalhadores um mínimo de 20 dias de férias por ano, podendo este período, mercê de acordos colectivos, ser alargado para 30 dias úteis (ou mais) em muitas empresas, quer do sector privado, quer do público.
E quanto à idade da reforma? Em Portugal a reforma está nos 65 anos e na Alemanha … também. O que está previsto é que, naquele país, a idade da reforma passe gradualmente dos 65 para os 67 anos, entre 2012 e 2029. Mas, actualmente, mantém-se nos 65 anos.


Advertências que, certamente, foram injustas. Mas o recado ficou dado.


1 Comments:

At sexta-feira, maio 20, 2011 11:58:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

E ainda assim... ainda que a Alemanhã tivesse menos dias de férias e menos anos de reforma... o argumento "(...)não podemos ter a mesmo moeda, e uns terem muitas férias e outros poucas" só serve para o que "lhes" interessa! Querem pôr os valores dos salários iguais também? Só interessa igualar os deveres, as obrigações?

 

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