sexta-feira, novembro 11, 2011

Eça, de novo – a intemporalidade do escritor e político



Como sabem, não me canso de manifestar a minha admiração por Eça de Queiroz. Sobretudo pela sua escrita fácil e pela contemporaneidade da sua obra. O que, de resto, sentimos facilmente quando espreitamos os seus escritos com mais de 100 anos. Há ideias e frases que permanecem actuais.


Recentemente têm “navegado” na internet excertos de textos que nos fazem recordar a intemporalidade de Eça. Como quando, em 1872, escreveu nas “Farpas”:


"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito".


Então, já Eça “criticava as elites e as suas debilidades, a incapacidade total de sermos respeitados internacionalmente, um desprestígio internacional que só perde para a Grécia". Mais ou menos como acontece agora.


Entre o tempo em que Eça de Queiroz viveu e os dias de hoje quase tudo mudou e poucas coisas são comparáveis. O mundo de Eça era a de um país com profundos atrasos e, hoje, Portugal, mesmo com uma crise financeira e social preocupante, é um país completamente diferente. Contudo …


Contudo, convém recordar as palavras do escritor e político num artigo publicado no “Distrito de Évora”, em 1867, em que dizia “Hoje, que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução".


Era uma mensagem que adivinhava um futuro sem futuro. Porém, cento e tal anos depois, continuamos – melhor ou pior - a sobreviver. E, quem sabe, se durante muitos anos mais.