terça-feira, outubro 07, 2014

Como não ficar revoltado?



Acho que este caso não foi suficientemente noticiado. E é apenas um dos muitos que estarão a acontecer no país e que mostra bem o claro desrespeito pelos cidadãos. Conta-se em poucas palavras:

Estando o início das aulas para o ano lectivo 2014/2015 agendado para a semana de 11 a 15 de Setembro de 2014, uma professora do ensino especial de Bragança foi colocada a 12 de Setembro (já no período em que se deviam iniciar as aulas) em Constância, uma vila do Distrito de Santarém, a uns curtos 362 quilómetros de distância de casa ou, em alternativa, em Vila Real de Santo António, no Algarve. Por ser mais perto escolheu Constância e para ali se mudou à pressa com a filha, aluna do 11º ano. Procurou casa para arrendar e escola para a filha, acabando por encontrar ambas em Abrantes (a 15 quilómetros de Constância). Em 15 de Setembro (2ª feira) apresentou-se no Agrupamento de Escolas de Constância, onde começou a trabalhar.

Porém, na sexta-feira seguinte, dia 19 (uns escassos quatro dias depois de começar a trabalhar), já depois das cinco da tarde recebeu um e-mail informando-a da desvinculação da colocação em Constância e do lugar disponível em Vila Real de Santo António, a que se seguiu outro e-mail, perto das 19 horas, com a opção de Portimão. Teria que decidir até à segunda-feira seguinte qual das duas escolas escolheria. Recordo que a professora já tinha casa arrendada e a filha matriculada na escola.


"Sinto-me revoltada. Arrastar a minha filha nisto é angustiante. A mudança já foi complicada. Ela está no 11.º ano, essencial para a média de entrada na Universidade, tem testes marcados. Agora é obrigada a ir para Vila Real de Santo António, no outro extremo do país", desabafou a professora. E como não ficar revoltada perante uma situação completamente inaceitável, com todos os transtornos - económicos e emocionais - que daí advêm. Parece que se anda a brincar com a vida das pessoas. É inacreditável e desumano.

E perante situações como estas qual é a posição de Nuno Crato e do seu Ministério? A da completa negação do problema que toda esta salganhada da colocação de professores provocou. Pior, o resultado é ainda mais absurdo porque o Ministério não quer assumir o ónus da anulação do concurso, imputando essa responsabilidade aos directores das escolas. O que não parece ser legítimo.

É inadmissível que aconteçam casos como o desta professora de Bragança. Como não ficar revoltado com tamanho desrespeito?