quinta-feira, maio 28, 2009
Nova recolha do Banco Alimentar Contra a Fome
Não esqueçam. No próximo fim-de-semana, 30 e 31 de Maio, é tempo de continuarmos a alimentar esta ideia.
Enganos
Aqueles que leram o último texto publicado neste espaço e que, de seguida, se foram apercebendo da minha ausência ao longo dos dias, devem ter imaginado que, pura e simplesmente, eu estaria no Brasil a solidarizar-me com algumas almas destroçadas por falta de namoro. Enganaram-se.
Na verdade, apenas achei que necessitava de uma pausa e rumei até ao sul do país. Queria uns dias de liberdade e de sol, de praia se possível. Enganei-me. Os dias estiveram nublados, algo frios, desagradáveis por vezes.
Mas para além disso queria também aproveitar a escapadela para tentar descobrir quais as propostas apresentadas pelos partidos que estão neste momento a concorrer à Europa. Ao fim e ao cabo, tinha a esperança que - fora da capital – pudesse perceber quais eram, de facto, as ideias que esses partidos e movimentos têm na manga para convencer o eleitor.
Apesar do esforço, devo dizer que nada encontrei, se bem que conseguisse ver alguns cartazes de propaganda, cuja mensagem, de tão má que é, não conseguirá sequer convencer os próprios autores, quanto mais aqueles a quem querem cativar. Slogans e cartazes que não passam, na minha opinião, de mero lixo político, nada mais. Mas, pior do que isso, o que eu vi é que esta campanha mais parece dirigida para as legislativas ou para as autárquicas e não para as europeias, de tanto que se ouve falar da governação e dos problemas do país e nada sobre a Europa. Enganei-me de novo.
Depois desta pequena ausência e de tantos enganos pelo caminho, só espero que os fiéis (e obstinados) leitores deste blogue, não se enganem também e façam, eles próprios, umas férias … permanentes.
Na verdade, apenas achei que necessitava de uma pausa e rumei até ao sul do país. Queria uns dias de liberdade e de sol, de praia se possível. Enganei-me. Os dias estiveram nublados, algo frios, desagradáveis por vezes.
Mas para além disso queria também aproveitar a escapadela para tentar descobrir quais as propostas apresentadas pelos partidos que estão neste momento a concorrer à Europa. Ao fim e ao cabo, tinha a esperança que - fora da capital – pudesse perceber quais eram, de facto, as ideias que esses partidos e movimentos têm na manga para convencer o eleitor.
Apesar do esforço, devo dizer que nada encontrei, se bem que conseguisse ver alguns cartazes de propaganda, cuja mensagem, de tão má que é, não conseguirá sequer convencer os próprios autores, quanto mais aqueles a quem querem cativar. Slogans e cartazes que não passam, na minha opinião, de mero lixo político, nada mais. Mas, pior do que isso, o que eu vi é que esta campanha mais parece dirigida para as legislativas ou para as autárquicas e não para as europeias, de tanto que se ouve falar da governação e dos problemas do país e nada sobre a Europa. Enganei-me de novo.
Depois desta pequena ausência e de tantos enganos pelo caminho, só espero que os fiéis (e obstinados) leitores deste blogue, não se enganem também e façam, eles próprios, umas férias … permanentes.
segunda-feira, maio 18, 2009
Quero namorar
Ora aí está uma bela iniciativa que poderá trazer um bem-estar acrescido a muita gente. Porventura com resultados até bem mais palpáveis do que aqueles que poderão advir das medidas anti-crise levadas a cabo pelos governos.
Um denominado “Movimento dos Sem Namorados” organizou uma manifestação de centenas de solteiros que protestaram no Rio de Janeiro o facto de não terem namorado. Segundo a organização existem no Brasil mais de 50 milhões de adultos que ainda não encontraram uma cara-metade.
Pelas imagens que vimos na televisão, desfilaram muitos “gatos” e “gatinhas” de fazer perder a respiração. O que é que se passa, minha gente? Porque é que tantas pessoas querem partilhar afectos e não encontram as suas almas gémeas?
“Cansei de ser sozinho”, “Quero namorar” ou “Namoro já” eram alguns dos cartazes que os manifestantes erguiam em desespero.
Foi então que pensei – eu que estou sempre pronto a ajudar os mais carentes – que talvez fosse uma boa ideia marcar viagem até ao Brasil.
Temos que ser uns para os outros, “né”?
Um denominado “Movimento dos Sem Namorados” organizou uma manifestação de centenas de solteiros que protestaram no Rio de Janeiro o facto de não terem namorado. Segundo a organização existem no Brasil mais de 50 milhões de adultos que ainda não encontraram uma cara-metade.
Pelas imagens que vimos na televisão, desfilaram muitos “gatos” e “gatinhas” de fazer perder a respiração. O que é que se passa, minha gente? Porque é que tantas pessoas querem partilhar afectos e não encontram as suas almas gémeas?
“Cansei de ser sozinho”, “Quero namorar” ou “Namoro já” eram alguns dos cartazes que os manifestantes erguiam em desespero.
Foi então que pensei – eu que estou sempre pronto a ajudar os mais carentes – que talvez fosse uma boa ideia marcar viagem até ao Brasil.
Temos que ser uns para os outros, “né”?
domingo, maio 17, 2009
“À mulher de César…”
Acredito que Cavaco Silva seja um homem sério. Mas, digo-o com todo o respeito, mostra-se, por vezes, demasiado simplório quando fala.
Agora foi na Turquia. Ao terminar a visita oficial àquele país, deslocou-se à região da Capadócia onde, perante os jornalistas, afirmou:
Agora foi na Turquia. Ao terminar a visita oficial àquele país, deslocou-se à região da Capadócia onde, perante os jornalistas, afirmou:
"Visitar a Capadócia era desde há muito tempo um sonho da minha mulher. E depois de ler alguns livros sobre a Capadócia, eu próprio comecei a sentir-me atraído por esta parte da Turquia que considero extraordinária".
Senhor Presidente, eu sei bem o que sentiu ao fazer essa visita. Já estive também na Capadócia e concordo em absoluto que é uma região extraordinária onde, a cada passo, se respira História.
Mas há um porém. É que eu fiz essa viagem pagando-a do meu bolso. Quanto à visita do casal presidencial (e de mais toda aquela gente que os acompanhava – deputados, empresários e até a fadista Kátia Guerreiro - que nós vimos nas televisões) não estamos seguros de quem é que suportou a despesa. Sobretudo, precisamente, na ida até à Capadócia.
Admito, no entanto, que o acrescento ao roteiro oficial tenha sido oferecido pelo governo turco. Estou certo de que foi, ainda por cima tendo em conta que o apoio de Portugal à entrada da Turquia na União Europeia é precioso.
Mesmo assim, o senhor Presidente deveria ter tido um pouco mais de cuidado com as suas palavras. Provavelmente não terão soado nada bem a quem enfrenta tantas dificuldades no dia-a-dia e que não consegue sequer “matar” as suas necessidades essenciais quanto mais satisfazer sonhos, por mais simples que sejam.
E dizer que "visitar a Capadócia era desde há muito tempo um sonho da sua esposa", poderá ter levado algumas pessoas a pensar que, depois da visita de Estado, a excursão extra estava a ser paga pelo erário público.
É que, como se costuma dizer, “ À mulher de César não basta ser, tem também que parecer”.
É que, como se costuma dizer, “ À mulher de César não basta ser, tem também que parecer”.
quinta-feira, maio 14, 2009
Mais um projecto-lei
Podia, se para aí estivesse virado, publicar uma série de propostas de lei que saem das mãos e das cabecinhas dos nossos ilustres deputados da Assembleia da República. De todos os partidos, sublinhe-se.
Desta vez, quem se aprimorou a imaginar tamanha pérola foi o Partido Ecologista os Verdes, que não se ficou por menos que:
“É proibida a aquisição, venda, troca ou cedência a qualquer título, detenção, manutenção, exibição, apresentação pública ou integração em espectáculos de quaisquer animais não-humanos selvagens, por circos ou outros espectáculos itinerantes em território nacional”.
Pelo que, a proibição exigida pelos “verdes” resume-me aos animais não-humanos selvagens porque quanto aos humanos selvagens (que abundam por aí) poderão ser comprados ou vendidos e exibidos livremente em qualquer lugar.
Discutível o conteúdo, péssima a forma.
Depois não venham queixar-se de que há quem diga por aí que no nosso país existem leis de má qualidade.
Desta vez, quem se aprimorou a imaginar tamanha pérola foi o Partido Ecologista os Verdes, que não se ficou por menos que:
“É proibida a aquisição, venda, troca ou cedência a qualquer título, detenção, manutenção, exibição, apresentação pública ou integração em espectáculos de quaisquer animais não-humanos selvagens, por circos ou outros espectáculos itinerantes em território nacional”.
Pelo que, a proibição exigida pelos “verdes” resume-me aos animais não-humanos selvagens porque quanto aos humanos selvagens (que abundam por aí) poderão ser comprados ou vendidos e exibidos livremente em qualquer lugar.
Discutível o conteúdo, péssima a forma.
Depois não venham queixar-se de que há quem diga por aí que no nosso país existem leis de má qualidade.
quarta-feira, maio 13, 2009
A Lei do Financiamento dos Partidos
Na crónica que escrevi ontem sobre os gastos previstos pelos partidos para as próximas europeias, ficou bem patente que todos eles se estiveram nas tintas para a contenção das despesas e que mostraram uma enorme falta de imaginação e de bom-senso. De forma inaceitável, diga-se.
Se querem brincar às campanhas eleitorais, tudo bem. Mas, pelo menos, façam-no recorrendo às novas tecnologias que são muito mais baratas. Não recriem as velhas receitas de cartazes que nada dizem nem, tão-pouco, utilizem a estafada e pacóvia técnica de distribuir montanhas de aventais, de esferográficas e de abanicos só para conseguirem mais uns votos.
Mas ainda a este respeito, gostaria de acrescentar mais uma coisa. É que a subvenção que o Estado costuma dar para estas “feiras”, aquilo a que se costuma chamar “Lei do Financiamento dos Partidos” foi agora alterada com a aprovação unânime de todos os deputados com excepção, honra lhe seja feita, de António José Seguro do PS.
E o curioso é que embora a lei fosse aprovada por todos (vá lá saber-se porquê …), com a excepção referida, os dois maiores partidos já falam em corrigir as alterações agora introduzidas.
Não é este o fórum próprio para discutir o que é que está na base desta vontade súbita em alterar a alteração. Só lhes digo que se a lei agora aprovada pela quase unanimidade chegasse a ser promulgada pelo Presidente da República, o que duvido, possibilitaria que as campanhas eleitorais pudessem vir a ser um negócio bem lucrativo. Seria a mais completa sem-vergonha.
Ainda assim, resta-me a dúvida. Porque é que essas “cabecinhas pensadoras” não analisaram devidamente e em tempo as alterações à lei? Se o tivessem feito, não necessitariam, agora, de fazer esta triste figura.
Se querem brincar às campanhas eleitorais, tudo bem. Mas, pelo menos, façam-no recorrendo às novas tecnologias que são muito mais baratas. Não recriem as velhas receitas de cartazes que nada dizem nem, tão-pouco, utilizem a estafada e pacóvia técnica de distribuir montanhas de aventais, de esferográficas e de abanicos só para conseguirem mais uns votos.
Mas ainda a este respeito, gostaria de acrescentar mais uma coisa. É que a subvenção que o Estado costuma dar para estas “feiras”, aquilo a que se costuma chamar “Lei do Financiamento dos Partidos” foi agora alterada com a aprovação unânime de todos os deputados com excepção, honra lhe seja feita, de António José Seguro do PS.
E o curioso é que embora a lei fosse aprovada por todos (vá lá saber-se porquê …), com a excepção referida, os dois maiores partidos já falam em corrigir as alterações agora introduzidas.
Não é este o fórum próprio para discutir o que é que está na base desta vontade súbita em alterar a alteração. Só lhes digo que se a lei agora aprovada pela quase unanimidade chegasse a ser promulgada pelo Presidente da República, o que duvido, possibilitaria que as campanhas eleitorais pudessem vir a ser um negócio bem lucrativo. Seria a mais completa sem-vergonha.
Ainda assim, resta-me a dúvida. Porque é que essas “cabecinhas pensadoras” não analisaram devidamente e em tempo as alterações à lei? Se o tivessem feito, não necessitariam, agora, de fazer esta triste figura.
terça-feira, maio 12, 2009
Desperdício
No preciso momento em que somos bombardeados com as piores notícias sobre a crise financeira e económica que nos afecta a todos, em que o desemprego continua a subir desvairadamente, em que a maioria das empresas atravessa dificuldades enormes a ponto de ir estender a mão ao Estado, não é que o próprio Estado está disposto a oferecer, de acordo com a lei, 4,5 milhões de euros para o financiamento das campanhas eleitorais dos partidos e movimentos que concorrem às próximas eleições para o Parlamento Europeu?
Um valor que, calculem, corresponde a qualquer coisa como 10.000 salários mínimos nacionais. Mas será que está tudo doido?
Daí que me sinta horrorizado com o desperdício de tamanha fortuna. É inacreditável que as treze forças políticas que vão concorrer se proponham gastar, entre subvenções estatais e umas quantas angariações de fundos entre os simpatizantes, alguns milhões de euros.
E quando se olha para os números e se dá conta que só o PSD espera gastar 2,2 milhões de euros (mais 95% do que nas últimas europeias), o PS 1 milhão e 520 mil (mais 9%), a CDU 1 milhão e 200 mil (mais 185%), o Bloco 725 mil (mais 301%) e até o Movimento do Partido da Terra 1 milhão e meio de euros, o que é que lhes parece que vai sentir o comum dos cidadãos?
Pode parecer demagogia da minha parte mas considero inaceitável que se gaste tanto dinheiro desta forma e numa altura destas, ainda por cima para falar aos portugueses sobre as europeias que, toda gente tem consciência disso, não interessam grandemente à generalidade dos cidadãos. Aliás, na última sondagem conhecida só 36% dos eleitores já tinha decidido votar. E esses sabem já, e há muito, para onde vão os seus votos.
segunda-feira, maio 11, 2009
Atenção aos levantamentos de dinheiro em ATM
Não costumo servir de veículo à divulgação deste tipo de notícias. Porém, para casos como este, estou sempre disponível para ajudar.

A questão é simples. Não façam levantamentos de dinheiro em caixas automáticas (ATM’s) do Banco Português de Negócios (BPN).
Porquê? Pura e simplesmente porque as máquinas não pertencem à rede Multibanco, da SIBS, mas sim à Netpay que cobra comissões sobre os levantamentos.
De acordo com a DECO um levantamento de 100,00 euros pode custar até 5,83 euros.
Tudo sem darem qualquer explicação a quem quer que seja, cliente ou não do “famigerado BPN”.
Mas para que não restem dúvidas, consultem os sítios que a seguir indico:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=366349&tema=29
e

A questão é simples. Não façam levantamentos de dinheiro em caixas automáticas (ATM’s) do Banco Português de Negócios (BPN).
Porquê? Pura e simplesmente porque as máquinas não pertencem à rede Multibanco, da SIBS, mas sim à Netpay que cobra comissões sobre os levantamentos.
De acordo com a DECO um levantamento de 100,00 euros pode custar até 5,83 euros.
Tudo sem darem qualquer explicação a quem quer que seja, cliente ou não do “famigerado BPN”.
Mas para que não restem dúvidas, consultem os sítios que a seguir indico:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=366349&tema=29
e
http://www.deco.proteste.pt/dinheiro/bancos/comissoes-bancarias-netpay-do-bpn-tem-custos-s540761.htm
domingo, maio 10, 2009
Quero aplaudir
Muita gente recordar-se-á de "Sir Humphrey", uma espécie de director-geral da função pública, na célebre série cómica inglesa “Sim, Senhor Ministro”, passada na televisão com grande êxito no início dos anos 80 do século passado.
Mas, para quem nunca viu a série, lembro que ele simbolizava o grãozinho de areia que emperra qualquer engrenagem. Aquele que tudo complicava para que nada se alterasse. Quando o Ministro dos Assuntos Administrativos queria pôr em prática qualquer medida que visasse a melhoria dos serviços públicos, Sir Humphrey conseguia sempre, com os seus contactos políticos e a argumentação enviesada, que as coisas ficassem rigorosamente na mesma.
Pois em Portugal o Ministro Teixeira dos Santos era bem capaz de ter na Administração uns quantos “Humphrey”. Alguns que muito embora a lei os obrigue a avaliar o desempenho dos seus funcionários em prazos conhecidos de todos, decidiram “ir andando e olhando para o lado” até a coisa ser esquecida.
Só que o Ministro das Finanças estava atento e, perante a negligência de 10 dirigentes a quem incumbia a tarefa, afastou esses dez quadros de topo por incumprimento das suas obrigações.
Em Portugal, não estamos habituados a assistir à punição dos infractores. Por isso mesmo desejo expressar aqui a minha satisfação.
Bravo, quero aplaudir.
Mas, para quem nunca viu a série, lembro que ele simbolizava o grãozinho de areia que emperra qualquer engrenagem. Aquele que tudo complicava para que nada se alterasse. Quando o Ministro dos Assuntos Administrativos queria pôr em prática qualquer medida que visasse a melhoria dos serviços públicos, Sir Humphrey conseguia sempre, com os seus contactos políticos e a argumentação enviesada, que as coisas ficassem rigorosamente na mesma.
Pois em Portugal o Ministro Teixeira dos Santos era bem capaz de ter na Administração uns quantos “Humphrey”. Alguns que muito embora a lei os obrigue a avaliar o desempenho dos seus funcionários em prazos conhecidos de todos, decidiram “ir andando e olhando para o lado” até a coisa ser esquecida.
Só que o Ministro das Finanças estava atento e, perante a negligência de 10 dirigentes a quem incumbia a tarefa, afastou esses dez quadros de topo por incumprimento das suas obrigações.
Em Portugal, não estamos habituados a assistir à punição dos infractores. Por isso mesmo desejo expressar aqui a minha satisfação.
Bravo, quero aplaudir.
sexta-feira, maio 08, 2009
A frase do dia
Perante tantas dificuldades que se avolumam dia após dia, os sonhos e desabafos da maioria dos portugueses bem podem ser expressos na frase:
"O meu grande sonho é ser pobre um dia,
porque ...
ser todos os dias é .... lixado!"
quinta-feira, maio 07, 2009
Quando a acusação é mal formulada
Esta coisa de se andar sempre a falar mal da justiça tem que se lhe diga. Claro que não me refiro, neste momento, ao estado a que chegou a justiça no nosso país, nomeadamente no que concerne à sua morosidade e custo. Não, esses são aspectos que já se entranharam profundamente nos nossos espíritos, e de tal forma que, por força do hábito, nem reclamamos mais. Não gostamos mas acomodámo-nos.
O que eu quero dizer é que quem pensa recorrer à justiça tem que estar preparado para a possibilidade de ter que enfrentar certos enredos da lei que nem sempre são entendíveis por quem não é da especialidade.
Ora vejam este caso verídico:
Uma gatinha, de seu nome Maria, vivia com a sua dona no Bairro dos Anjos em Lisboa. Um dia, vá lá saber-se porquê, saiu de casa sem avisar e foi parar a Carnaxide. A Maria foi encontrada por uma outra senhora que se compadeceu do seu estado – presumivelmente estava ferida e maltratada – recolheu-a e levou-a ao veterinário. Enfim, cuidou dela.
Dado que a Maria era portadora de um chip com informações sobre a própria, o médico que a tratou entrou em contacto com a tal senhora dos Anjos e disse-lhe que a gata só seria devolvida quando estivesse curada.
Tanto bastou para que o verniz estalasse entre a dona inicial e a que se lhe sucedeu e o caso fosse parar a tribunal. O processo teve início há quase três anos.
Enquanto se trocavam razões e os respectivos advogados tentavam acordos impossíveis por recíproca irredutibilidade das partes, a Maria desapareceu de novo. Até hoje.
E é aqui que as coisas se complicam. Enquanto as “duas donas” continuam a disputar a posse da Maria que, entretanto, já vai a caminho de não sei onde, o Ministério Público decidiu que a questão não poderá ser julgada porque a acusação está mal formulada.
E porquê, perguntarão? Porque os factos tal como estão descritos, correspondem não ao crime de furto mas … de aquisição de coisa achada, porque falta o elemento de subtracção".
Ou seja, o juiz não pode decidir sobre um crime de furto precisamente porque o objecto/elemento/coisa roubada não existe. Seria absurdo.
Assim, e para que o julgamento prossiga, é necessário que alguém dê a volta à acusação mal formulada ou que a Maria se digne a aparecer de novo. Se não …
O que eu quero dizer é que quem pensa recorrer à justiça tem que estar preparado para a possibilidade de ter que enfrentar certos enredos da lei que nem sempre são entendíveis por quem não é da especialidade.
Ora vejam este caso verídico:
Uma gatinha, de seu nome Maria, vivia com a sua dona no Bairro dos Anjos em Lisboa. Um dia, vá lá saber-se porquê, saiu de casa sem avisar e foi parar a Carnaxide. A Maria foi encontrada por uma outra senhora que se compadeceu do seu estado – presumivelmente estava ferida e maltratada – recolheu-a e levou-a ao veterinário. Enfim, cuidou dela.
Dado que a Maria era portadora de um chip com informações sobre a própria, o médico que a tratou entrou em contacto com a tal senhora dos Anjos e disse-lhe que a gata só seria devolvida quando estivesse curada.
Tanto bastou para que o verniz estalasse entre a dona inicial e a que se lhe sucedeu e o caso fosse parar a tribunal. O processo teve início há quase três anos.
Enquanto se trocavam razões e os respectivos advogados tentavam acordos impossíveis por recíproca irredutibilidade das partes, a Maria desapareceu de novo. Até hoje.
E é aqui que as coisas se complicam. Enquanto as “duas donas” continuam a disputar a posse da Maria que, entretanto, já vai a caminho de não sei onde, o Ministério Público decidiu que a questão não poderá ser julgada porque a acusação está mal formulada.
E porquê, perguntarão? Porque os factos tal como estão descritos, correspondem não ao crime de furto mas … de aquisição de coisa achada, porque falta o elemento de subtracção".
Ou seja, o juiz não pode decidir sobre um crime de furto precisamente porque o objecto/elemento/coisa roubada não existe. Seria absurdo.
Assim, e para que o julgamento prossiga, é necessário que alguém dê a volta à acusação mal formulada ou que a Maria se digne a aparecer de novo. Se não …
quarta-feira, maio 06, 2009
Juro que é verdade
“Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros”.
Em Março do ano passado, Ricardo Araújo Pereira escreveu um texto engraçadíssimo na Visão, intitulado “IKEA: enlouqueça você mesmo” de que, hoje, reproduzo um extracto.
Logo nessa altura achei que ele abordava apenas um dos conceitos subjacentes ao modelo IKEA. Mas há outros e todos eles me deixam à beira de um ataque de nervos. Ou seja, eu enlouqueço não só por ir comprar umas quantas tábuas que tenho que pagar, carregar e montar para poder vir a ter um móvel decente (se tiver sorte), como também por ter que – obrigatoriamente - percorrer quilómetros e quilómetros atrás de setas “plantadas no chão” até à saída, para conseguir comprar uma “utilidade” que encontrei logo à entrada da loja. Sem que, de resto, haja uma única porta que nos permita fugir dali.
Há ainda uma outra coisa que me deixa deprimido. É que certas pessoas interiorizaram a ideia de que ir ao IKEA obriga a que tenhamos que comer lá, o que pressupõe manducar almôndegas com batatas fritas aos palitos ou, quando muito, salmão à sueca. “Petiscos” a que eu até achei graça nas primeiras vezes mas que, com a continuação, já não os posso ver. Cansei.
Porém, as coisas acontecem quando menos se esperam. Na semana passada, indeciso entre ir fazer passadeira ao ginásio ou esfalfar-me numa das tais caminhadas pelas setas do chão do IKEA, acabei por optar pela segunda hipótese. Então não é que ao passar pelo restaurante eu vi pessoas a comerem favas com entrecosto à portuguesa? A sério, juro que vi!
Em Março do ano passado, Ricardo Araújo Pereira escreveu um texto engraçadíssimo na Visão, intitulado “IKEA: enlouqueça você mesmo” de que, hoje, reproduzo um extracto.
Logo nessa altura achei que ele abordava apenas um dos conceitos subjacentes ao modelo IKEA. Mas há outros e todos eles me deixam à beira de um ataque de nervos. Ou seja, eu enlouqueço não só por ir comprar umas quantas tábuas que tenho que pagar, carregar e montar para poder vir a ter um móvel decente (se tiver sorte), como também por ter que – obrigatoriamente - percorrer quilómetros e quilómetros atrás de setas “plantadas no chão” até à saída, para conseguir comprar uma “utilidade” que encontrei logo à entrada da loja. Sem que, de resto, haja uma única porta que nos permita fugir dali.
Há ainda uma outra coisa que me deixa deprimido. É que certas pessoas interiorizaram a ideia de que ir ao IKEA obriga a que tenhamos que comer lá, o que pressupõe manducar almôndegas com batatas fritas aos palitos ou, quando muito, salmão à sueca. “Petiscos” a que eu até achei graça nas primeiras vezes mas que, com a continuação, já não os posso ver. Cansei.
Porém, as coisas acontecem quando menos se esperam. Na semana passada, indeciso entre ir fazer passadeira ao ginásio ou esfalfar-me numa das tais caminhadas pelas setas do chão do IKEA, acabei por optar pela segunda hipótese. Então não é que ao passar pelo restaurante eu vi pessoas a comerem favas com entrecosto à portuguesa? A sério, juro que vi!
segunda-feira, maio 04, 2009
O Oceanário e Sophia
Há muitos anos que não visitava o Oceanário de Lisboa. Nem sei mesmo se o tinha feito depois de ter encerrado a Expo 98. Já lá vão uns anos e escusado será dizer que adorei voltar.

De uma forma geral quando pensamos no Oceanário imediatamente imaginamos os lindíssimos e multicoloridos peixes que povoam as suas águas. Mas no Oceanário há muito mais para ver. Na verdade, temos ali a possibilidade de mergulhar num universo onde podemos encontrar cerca de 16 000 animais e plantas de mais de 450 espécies, inseridos em ecossistemas naturais.
Cardumes, tubarões, peixe-lua, raias elegantes e um sem número de outras espécies, todas elas a deslizarem num gigantesco aquário central e em quatro outros aquários mais pequenos que nos permitem viajar pelos cinco continentes. Ah, e sem esquecer, naturalmente, as lontras e os pinguins que são sempre motivo da nossa atenção especial. Tudo muito belo e cativante.
Porém, desde 2004 o Oceanário de Lisboa, o maior da Europa, tem um outro motivo de interesse. Por todo o recinto, estão expostos alguns belos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, poemas retirados da “Antologia Mar”.
Pena é que a maioria das pessoas não se detenha uns momentos junto aos acrílicos onde se oferecem tão belas composições. Uns porque a pressa os empurra para o cumprimento de programas rigorosos, outros porque as crianças, passados os momentos de excitação iniciais, pressionam os adultos a apressarem o passo em direcção ou em busca de qualquer outro estímulo, outros ainda porque não entendem a nossa língua e outros, por fim, porque aquilo lhes diz nada.
Por isso, aproveito a ocasião para sugerir que, numa próxima visita ao Oceanário de Lisboa, parem uns breves momentos junto a cada um dos poemas de Sophia.
A começar logo à entrada, onde se pode ler:
“Inscrição
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar”
Ou, num dos vários painéis:
“Os navegadores
Eles habitam entre o mar e o vento
Têm as mãos brancas de sal
E os ombros vermelhos de sol
Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina”
Ou, ainda, mesmo à saída:
“Mar, metade da minha alma
É feita de maresia”

De uma forma geral quando pensamos no Oceanário imediatamente imaginamos os lindíssimos e multicoloridos peixes que povoam as suas águas. Mas no Oceanário há muito mais para ver. Na verdade, temos ali a possibilidade de mergulhar num universo onde podemos encontrar cerca de 16 000 animais e plantas de mais de 450 espécies, inseridos em ecossistemas naturais.
Cardumes, tubarões, peixe-lua, raias elegantes e um sem número de outras espécies, todas elas a deslizarem num gigantesco aquário central e em quatro outros aquários mais pequenos que nos permitem viajar pelos cinco continentes. Ah, e sem esquecer, naturalmente, as lontras e os pinguins que são sempre motivo da nossa atenção especial. Tudo muito belo e cativante.
Porém, desde 2004 o Oceanário de Lisboa, o maior da Europa, tem um outro motivo de interesse. Por todo o recinto, estão expostos alguns belos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, poemas retirados da “Antologia Mar”.
Pena é que a maioria das pessoas não se detenha uns momentos junto aos acrílicos onde se oferecem tão belas composições. Uns porque a pressa os empurra para o cumprimento de programas rigorosos, outros porque as crianças, passados os momentos de excitação iniciais, pressionam os adultos a apressarem o passo em direcção ou em busca de qualquer outro estímulo, outros ainda porque não entendem a nossa língua e outros, por fim, porque aquilo lhes diz nada.
Por isso, aproveito a ocasião para sugerir que, numa próxima visita ao Oceanário de Lisboa, parem uns breves momentos junto a cada um dos poemas de Sophia.
A começar logo à entrada, onde se pode ler:
“Inscrição
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar”
Ou, num dos vários painéis:
“Os navegadores
Eles habitam entre o mar e o vento
Têm as mãos brancas de sal
E os ombros vermelhos de sol
Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina”
Ou, ainda, mesmo à saída:
“Mar, metade da minha alma
É feita de maresia”
domingo, maio 03, 2009
Mais respeito
Esta semana a comunicação social deu o devido destaque a um português - João André - que, com 85 anos, concluiu o 12º ano.
Ribatejano de fibra, este homem simples que não teve a oportunidade de estudar quando era novo, decidiu “vingar-se” agora e voltou à escola apenas com uma única finalidade: a
prender.
A cerimónia da entrega do diploma teve a presença da Ministra da Educação e do Primeiro-Ministro que, já se vê, aproveitou as câmaras de televisão para dizer como estava orgulhoso de ver um português de têmpera conseguir um galardão que tinha sido possível alcançar justamente porque havia um programa “Novas Oportunidades” lançado pelo seu governo.
Percebia-se que Sócrates estava ali em campanha eleitoral e as suas palavras saíam-lhe da boca, a coberto de um sorriso vagamente hipócrita, frias e formais e nunca se notou qualquer sinceridade nem emoção no que dizia. Palavras, apenas palavras.
Mas, e era aqui que eu queria chegar, Sócrates foi mais longe ao dirigir-se por diversas vezes a João André de uma forma grosseira (no mínimo), tratando-o por você quando a idade do homenageado, a sua dignidade e dimensão humana exigiam um tratamento mais respeitoso.
No dia seguinte tivemos o prazer de voltar a ver João André na SIC Notícias numa entrevista que concedeu a Mário Crespo. Uma delícia. Como é habitual, Mário Crespo foi atencioso e delicado, deixou falar o entrevistado e, então, pudemos descobrir não só um “jovem” que conseguiu concluir o seu 12º ano aos 85 anos como o homem experiente que pinta telas e pratos, molda pedra, faz peças em ferro, cerâmica e vitral e escreve poesia popular. Um homem que gosta de viajar e que pedala 50 quilómetros por semana, um excelente conversador e uma experiência de vida que transmite e que encanta e que, apesar da idade, continua a sonhar. O truque é "nunca parar", afirmou. Uma entrevista excelente que deixou muita gente emocionada, incluindo o próprio entrevistador.
João André é bem o exemplo do querer. Estudou agora porque só agora pôde e porque sempre teve vontade de aprender. E dá gosto ver um ser humano tão tranquilo, tão humilde, que quer saber mais e que, ao mesmo tempo, consegue também ensinar aos mais jovens, incluindo os professores, os seus saberes acumulados durante a vida.
O que eu não gostei mesmo nada foi da forma como o primeiro-ministro se dirigiu ao Senhor João André. Seguramente ele merecia mais respeito.
Ribatejano de fibra, este homem simples que não teve a oportunidade de estudar quando era novo, decidiu “vingar-se” agora e voltou à escola apenas com uma única finalidade: a
prender.A cerimónia da entrega do diploma teve a presença da Ministra da Educação e do Primeiro-Ministro que, já se vê, aproveitou as câmaras de televisão para dizer como estava orgulhoso de ver um português de têmpera conseguir um galardão que tinha sido possível alcançar justamente porque havia um programa “Novas Oportunidades” lançado pelo seu governo.
Percebia-se que Sócrates estava ali em campanha eleitoral e as suas palavras saíam-lhe da boca, a coberto de um sorriso vagamente hipócrita, frias e formais e nunca se notou qualquer sinceridade nem emoção no que dizia. Palavras, apenas palavras.
Mas, e era aqui que eu queria chegar, Sócrates foi mais longe ao dirigir-se por diversas vezes a João André de uma forma grosseira (no mínimo), tratando-o por você quando a idade do homenageado, a sua dignidade e dimensão humana exigiam um tratamento mais respeitoso.
No dia seguinte tivemos o prazer de voltar a ver João André na SIC Notícias numa entrevista que concedeu a Mário Crespo. Uma delícia. Como é habitual, Mário Crespo foi atencioso e delicado, deixou falar o entrevistado e, então, pudemos descobrir não só um “jovem” que conseguiu concluir o seu 12º ano aos 85 anos como o homem experiente que pinta telas e pratos, molda pedra, faz peças em ferro, cerâmica e vitral e escreve poesia popular. Um homem que gosta de viajar e que pedala 50 quilómetros por semana, um excelente conversador e uma experiência de vida que transmite e que encanta e que, apesar da idade, continua a sonhar. O truque é "nunca parar", afirmou. Uma entrevista excelente que deixou muita gente emocionada, incluindo o próprio entrevistador.
João André é bem o exemplo do querer. Estudou agora porque só agora pôde e porque sempre teve vontade de aprender. E dá gosto ver um ser humano tão tranquilo, tão humilde, que quer saber mais e que, ao mesmo tempo, consegue também ensinar aos mais jovens, incluindo os professores, os seus saberes acumulados durante a vida.
O que eu não gostei mesmo nada foi da forma como o primeiro-ministro se dirigiu ao Senhor João André. Seguramente ele merecia mais respeito.
quarta-feira, abril 29, 2009
A auto-estima
Está na moda as empresas contratarem especialistas (que estão a “nascer” todos os dias e, muitos deles, norte e sul-americanos) para tentarem convencer os seus quadros e colaboradores de que a auto-estima de cada um pode fazer ultrapassar todas as dificuldades e, dessa maneira, conseguirem melhores performances profissionais e pessoais.
Custa a acreditar como é que pessoas cinzentas, acabrunhadas, desmotivadas e em situação de stress permanente conseguem, depois dessas palestras, ficar motivadas e confiantes quer em relação à sua prestação profissional quer em quanto ao seu estado emocional.
Mas, ao contrário do que se possa pensar, não são só as empresas privadas a tomarem tais iniciativas nem são apenas os ditos “experts de motivação” que são contratados. Lembro-me que, há poucos anos, os CTT “convidaram” Luíz Felipe Scolari. Agora foi a Direcção-Geral dos Impostos que chamou o actual treinador da selecção nacional de râguebi, Tomaz Morais, para uma intervenção sobre liderança, no intuito de motivar os funcionários dos impostos. Motivar, digo eu que sou má-língua, para serem mais eficazes e “inventarem” novos processos de nos arrancarem mais umas massas. Ou, quem sabe, para que esses profissionais da DGI desistam da greve que já anunciaram para breve.
Tenho consciência que a auto-estima é uma das nossas forças secretas. Mas o que me faz alguma confusão é o facto de muitas pessoas só conseguirem reagir quando alguém de fora os vem despertar para as atitudes que, eles próprios, tinham a obrigação de promover.
Custa a acreditar como é que pessoas cinzentas, acabrunhadas, desmotivadas e em situação de stress permanente conseguem, depois dessas palestras, ficar motivadas e confiantes quer em relação à sua prestação profissional quer em quanto ao seu estado emocional.
Mas, ao contrário do que se possa pensar, não são só as empresas privadas a tomarem tais iniciativas nem são apenas os ditos “experts de motivação” que são contratados. Lembro-me que, há poucos anos, os CTT “convidaram” Luíz Felipe Scolari. Agora foi a Direcção-Geral dos Impostos que chamou o actual treinador da selecção nacional de râguebi, Tomaz Morais, para uma intervenção sobre liderança, no intuito de motivar os funcionários dos impostos. Motivar, digo eu que sou má-língua, para serem mais eficazes e “inventarem” novos processos de nos arrancarem mais umas massas. Ou, quem sabe, para que esses profissionais da DGI desistam da greve que já anunciaram para breve.
Tenho consciência que a auto-estima é uma das nossas forças secretas. Mas o que me faz alguma confusão é o facto de muitas pessoas só conseguirem reagir quando alguém de fora os vem despertar para as atitudes que, eles próprios, tinham a obrigação de promover.
Há uns dois anos assisti a uma palestra de uma conferencista famosa, Leila Navarro (brasileira, lá está), que abordava diversos temas, sempre naquela perspectiva de que nós somos capazes, nós é que decidimos o que queremos fazer da nossa vida, e por aí fora. Em suma, um discurso que pretendia incutir aos presentes que a auto-confiança é tudo.
Fui buscar ao You Tube um pequeno vídeo, precisamente de Leila Navarro, sobre Adaptabilidade. Ora vejam
Já sabem, agora adaptem-se.
terça-feira, abril 28, 2009
De pequenino é que …
O ditado é antigo, “De pequenino é que se torce o pepino”. Que é como quem diz, desde cedo é que se devem ensinar valores e princípios às crianças.
Valores, princípios ou intuição, escolham o que acharem mais apropriado para classificarem o vídeo que se segue
Valores, princípios ou intuição, escolham o que acharem mais apropriado para classificarem o vídeo que se segue
Concluindo, a água é um bem inestimável e não se pode desperdiçar porque é escasso.
Fica a mensagem …
segunda-feira, abril 27, 2009
S. Nuno
Vaticano, 26 de Abril de 2009. D. Nuno Álvares Pereira foi proclamado Santo pelo Papa Bento XVI que elogiou a sua generosidade e o considerou um exemplo para a sociedade actual.
Como portugueses a canonização de um insigne lusitano deixa-nos satisfeitos. Mas são sobretudo os católicos que mais sentem esse orgulho legítimo.
Na verdade D. Nuno foi o brilhante comandante das nossas tropas que venceram os castelhanos em Aljubarrota em 1385. Foi um nobre, um estratega militar, um religioso, um beato e, agora, um santo.
Se por um lado, o que mais me impressiona na história do Condestável é o facto de ele ter sido uma pessoa poderosíssima, talvez até o homem mais rico do Portugal de então e que, em determinada altura, voltou as costas a todas as honrarias e riquezas para se tornar um carmelita, por outro, não posso deixar de me admirar com o motivo que foi preponderante para que o Vaticano o viesse a canonizar.
E essa razão teve a ver com uma mulher de 61 anos que estrugia um petisco ao lume quando uns salpicos de óleo lhe queimaram gravemente um olho. Perante tamanhos tormentos, a mulher valeu-se de tudo o que tinha a mão, os remédios prescritos pelos médicos e, fundamentalmente, a sua fé no beato Nuno Álvares Pereira a quem rezou com fervor. E não é que ficou curada?
Os relatórios médicos confirmaram que a ciência não tinha explicação para o caso. A cura da córnea do olho foi de tal modo inesperada que o próprio Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, chegou a considerar que não fazia ideia se o milagre se devia ao resultado dos medicamentos ou à vontade divina.
De qualquer forma, temos a partir de agora mais um santo português, o oitavo desde a fundação da nacionalidade - S. Nuno Álvares Pereira ou o “forte Dom Nuno”, como lhe chamou Camões.
Como portugueses a canonização de um insigne lusitano deixa-nos satisfeitos. Mas são sobretudo os católicos que mais sentem esse orgulho legítimo.

Na verdade D. Nuno foi o brilhante comandante das nossas tropas que venceram os castelhanos em Aljubarrota em 1385. Foi um nobre, um estratega militar, um religioso, um beato e, agora, um santo.
Se por um lado, o que mais me impressiona na história do Condestável é o facto de ele ter sido uma pessoa poderosíssima, talvez até o homem mais rico do Portugal de então e que, em determinada altura, voltou as costas a todas as honrarias e riquezas para se tornar um carmelita, por outro, não posso deixar de me admirar com o motivo que foi preponderante para que o Vaticano o viesse a canonizar.
E essa razão teve a ver com uma mulher de 61 anos que estrugia um petisco ao lume quando uns salpicos de óleo lhe queimaram gravemente um olho. Perante tamanhos tormentos, a mulher valeu-se de tudo o que tinha a mão, os remédios prescritos pelos médicos e, fundamentalmente, a sua fé no beato Nuno Álvares Pereira a quem rezou com fervor. E não é que ficou curada?
Os relatórios médicos confirmaram que a ciência não tinha explicação para o caso. A cura da córnea do olho foi de tal modo inesperada que o próprio Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, chegou a considerar que não fazia ideia se o milagre se devia ao resultado dos medicamentos ou à vontade divina.
De qualquer forma, temos a partir de agora mais um santo português, o oitavo desde a fundação da nacionalidade - S. Nuno Álvares Pereira ou o “forte Dom Nuno”, como lhe chamou Camões.
quinta-feira, abril 23, 2009
Recordando a Crise Académica de 69
O início da chamada “Crise Académica de 1969”, em Coimbra, aconteceu há precisamente 40 anos, feitos na passada sexta-feira, dia 17.
Muito resumidamente, recordo que o mal-estar na Universidade e no país já se vinha sentindo há tempos, reflexo provável do que acontecera em Maio de 68 em França. Mas o que se passou de facto no dia 17 de Abril de 1969 na inauguração do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra foi que, o então Presidente da Direcção-Geral da Associação Académica, Alberto Martins, levantou-se para pedir a palavra e o Presidente da República, Américo Tomás, não lhe ligou peva e encerrou a sessão sem ouvir o que os estudantes tinham para lhe dizer.
O que se passou a seguir foi o que a rapaziada daquele tempo já estava habituada. Nessa mesma noite a PIDE prendeu Alberto Martins, durante a madrugada registaram-se confrontos com a polícia de choque e a “crise” começou. Houve luto estudantil e os jovens universitários começaram a usar as aulas – e não só – para locais onde discutia a situação que se vivia no país. Em 6 de Maio a Universidade foi encerrada por decisão governamental. E tudo porque a vontade dos estudantes era querer uma “Universidade Nova num Portugal Novo”.
Vejam por esta breve descrição como havia uma enorme vontade de mudança e a forma como este Abril (de 1969) prenunciou, também, o Abril que viria poucos anos mais tarde, em 1974.
Mas esta lembrança de um tempo da nossa história recente tem um outro objectivo. É que a efeméride que agora recordei foi aproveitada por uma estação de rádio para fazer um inquérito aos jovens que hoje frequentam a Universidade de Coimbra, em que se pretendia apurar se sabiam o que tinha sido a “crise académica de Coimbra em 69”.
Inquiridos universitários de várias Faculdades, incluindo os de História, ninguém fazia a mais pálida ideia do que é que se estava a falar. Nem um. Perdão, houve um brasileiro, a estudar em Portugal desde o início do ano lectivo, que conseguiu articular o que de mais relevante tinha acontecido naquele longínquo ano de 1969. Saravá meu irmão!
Penso que a culpa desta enorme falha de informação não poderá ser atribuída apenas aos jovens. Provavelmente, a maior quota-parte da responsabilidade deve ser imputada a quem pensa e dirige a educação em Portugal, nomeadamente na elaboração das matérias que fazem parte dos programas escolares oficiais. E quando, no ensino, se passa por cima de factos que foram relevantes na nossa História, ainda por cima contemporânea, então pomo-nos a questionar porque é que, afinal, ficamos tão surpreendidos?
Muito resumidamente, recordo que o mal-estar na Universidade e no país já se vinha sentindo há tempos, reflexo provável do que acontecera em Maio de 68 em França. Mas o que se passou de facto no dia 17 de Abril de 1969 na inauguração do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra foi que, o então Presidente da Direcção-Geral da Associação Académica, Alberto Martins, levantou-se para pedir a palavra e o Presidente da República, Américo Tomás, não lhe ligou peva e encerrou a sessão sem ouvir o que os estudantes tinham para lhe dizer.
O que se passou a seguir foi o que a rapaziada daquele tempo já estava habituada. Nessa mesma noite a PIDE prendeu Alberto Martins, durante a madrugada registaram-se confrontos com a polícia de choque e a “crise” começou. Houve luto estudantil e os jovens universitários começaram a usar as aulas – e não só – para locais onde discutia a situação que se vivia no país. Em 6 de Maio a Universidade foi encerrada por decisão governamental. E tudo porque a vontade dos estudantes era querer uma “Universidade Nova num Portugal Novo”.
Vejam por esta breve descrição como havia uma enorme vontade de mudança e a forma como este Abril (de 1969) prenunciou, também, o Abril que viria poucos anos mais tarde, em 1974.
Mas esta lembrança de um tempo da nossa história recente tem um outro objectivo. É que a efeméride que agora recordei foi aproveitada por uma estação de rádio para fazer um inquérito aos jovens que hoje frequentam a Universidade de Coimbra, em que se pretendia apurar se sabiam o que tinha sido a “crise académica de Coimbra em 69”.
Inquiridos universitários de várias Faculdades, incluindo os de História, ninguém fazia a mais pálida ideia do que é que se estava a falar. Nem um. Perdão, houve um brasileiro, a estudar em Portugal desde o início do ano lectivo, que conseguiu articular o que de mais relevante tinha acontecido naquele longínquo ano de 1969. Saravá meu irmão!
Penso que a culpa desta enorme falha de informação não poderá ser atribuída apenas aos jovens. Provavelmente, a maior quota-parte da responsabilidade deve ser imputada a quem pensa e dirige a educação em Portugal, nomeadamente na elaboração das matérias que fazem parte dos programas escolares oficiais. E quando, no ensino, se passa por cima de factos que foram relevantes na nossa História, ainda por cima contemporânea, então pomo-nos a questionar porque é que, afinal, ficamos tão surpreendidos?
quarta-feira, abril 22, 2009
Medida anti-crise?
Não pretendia comentar a entrevista que o primeiro-ministro concedeu ontem à RTP. Não queria nem vou fazê-lo, mas não resisto à tentação de salientar uma medida anti-crise que o governo pôs em prática e que não deu conta ao país, certamente por não querer que o acusem de eleitoralismo.
Então não é que alguns dos tão propalados e populares computadores Magalhães que os alunos compraram por apenas por 50,00 euros, por iniciativa do Ministério da Educação, foram encontrados à venda em estabelecimentos de produtos informáticos em segunda mão?
É verdade, começaram a aparecer nessas lojas computadores Magalhães (e outros fornecidos no âmbito do programa e-escola) que estão a ser vendidos por 125,00, 160,00 e até por 225,50 euros. E, recorde-se, neste momento, 320 mil crianças já têm o Magalhães.
Ou seja, o governo investiu uma pipa de massa numa ferramenta que se destina a familiarizar os jovens com as novas tecnologias e a dar-lhes melhores meios de aprendizagem e, por outro lado, os progenitores desses jovens apropriam-se dos aparelhos e vão a correr às lojas vendê-los.
É aqui que se dá conta daquela medida anti-crise que vos referia há pouco. Com este sistema das famílias comprarem computadores por 50,00 e vendê-los por 125,00 (no mínimo), ganham nesse pequeno negócio nada mais do que 75,00 euros.
Depois dos apoios às micro e pequenas e médias empresas, às famílias, aos diversos sectores de actividade, aos bancos, enfim, todas aquelas medidas que têm sido sobejamente divulgadas, digam-me cá, esta é ou não é mais uma boa iniciativa do governo para ajudar as famílias?
Então não é que alguns dos tão propalados e populares computadores Magalhães que os alunos compraram por apenas por 50,00 euros, por iniciativa do Ministério da Educação, foram encontrados à venda em estabelecimentos de produtos informáticos em segunda mão?
É verdade, começaram a aparecer nessas lojas computadores Magalhães (e outros fornecidos no âmbito do programa e-escola) que estão a ser vendidos por 125,00, 160,00 e até por 225,50 euros. E, recorde-se, neste momento, 320 mil crianças já têm o Magalhães.
Ou seja, o governo investiu uma pipa de massa numa ferramenta que se destina a familiarizar os jovens com as novas tecnologias e a dar-lhes melhores meios de aprendizagem e, por outro lado, os progenitores desses jovens apropriam-se dos aparelhos e vão a correr às lojas vendê-los.
É aqui que se dá conta daquela medida anti-crise que vos referia há pouco. Com este sistema das famílias comprarem computadores por 50,00 e vendê-los por 125,00 (no mínimo), ganham nesse pequeno negócio nada mais do que 75,00 euros.
Depois dos apoios às micro e pequenas e médias empresas, às famílias, aos diversos sectores de actividade, aos bancos, enfim, todas aquelas medidas que têm sido sobejamente divulgadas, digam-me cá, esta é ou não é mais uma boa iniciativa do governo para ajudar as famílias?
Os pilha-galinhas
Ouviram, por mero acaso, falar daquele homem que roubou duas galinhas e que o Ministério Público entendeu deduzir acusação contra o perigoso malfeitor levando-o, portanto, a julgamento?
Pois é, o famigerado pilha-galinhas já estava com guia de marcha para ir a tribunal mas, no último momento, conseguiu safar-se, apenas e só, porque o dono das galinhas desistiu da queixa mesmo em cima da data do julgamento.
O homem era acusado de roubar um “tesouro” avaliado em 50 euros e, por isso, a justiça preparava-se para actuar.
E ouviram, por acaso, falar daqueles gestores públicos que foram multados a título pessoal e que pagaram as coimas com orçamentos dos próprios serviços?
Ai não? Pois o Tribunal de Contas detectou vários gestores públicos autárquicos, multados pelos tribunais, que estão a pagar as multas com dinheiro público e não do próprio bolso, o que é uma prática ilegal e muito grave.
Apesar de ter sido gasto dinheiro dos contribuintes e dos valores em causa poderem chegar aos milhões de euros, até agora, pelo menos, a justiça ainda não actuou e nem se sabe sequer se vai actuar. Pensa-se que – talvez – esses gestores tenham que vir a devolver o dinheiro usado indevidamente. Quanto aos aspectos criminais, aí a coisa fia mais fino, uma vez que, provavelmente, eles nunca verão a luz do dia.
Coitados dos pilha-galinhas deste mundo.
Pois é, o famigerado pilha-galinhas já estava com guia de marcha para ir a tribunal mas, no último momento, conseguiu safar-se, apenas e só, porque o dono das galinhas desistiu da queixa mesmo em cima da data do julgamento.
O homem era acusado de roubar um “tesouro” avaliado em 50 euros e, por isso, a justiça preparava-se para actuar.
E ouviram, por acaso, falar daqueles gestores públicos que foram multados a título pessoal e que pagaram as coimas com orçamentos dos próprios serviços?
Ai não? Pois o Tribunal de Contas detectou vários gestores públicos autárquicos, multados pelos tribunais, que estão a pagar as multas com dinheiro público e não do próprio bolso, o que é uma prática ilegal e muito grave.
Apesar de ter sido gasto dinheiro dos contribuintes e dos valores em causa poderem chegar aos milhões de euros, até agora, pelo menos, a justiça ainda não actuou e nem se sabe sequer se vai actuar. Pensa-se que – talvez – esses gestores tenham que vir a devolver o dinheiro usado indevidamente. Quanto aos aspectos criminais, aí a coisa fia mais fino, uma vez que, provavelmente, eles nunca verão a luz do dia.
Coitados dos pilha-galinhas deste mundo.
segunda-feira, abril 20, 2009
A questão da mensagem
Digam-me com franqueza, se o cartaz não estivesse escarrapachado e em grande plano aqui no “Por Linhas Tortas” dariam por ele? É claro que não. Apesar de estar “plantado” nas ruas e praças deste país tenho a certeza que os meus amigos têm passado majestaticamente pelo painel sem lhe ligarem a mínima.
Dá até a impressão que os criativos que trabalharam para esta campanha do PSD não se esforçaram lá muito. Para além de, reconheça-se, terem conseguido uma imagem bem retocada e apresentável da Drª. Manuela.
Mas será que o cartaz pretendeu apenas e só projectar a imagem da líder? Porque não foram um pouco mais ambiciosos, porventura optando por cores menos “cinzentas” que o tornam tão-pouco apelativo. Como já vi escrito algures, “de noite não se vê e de dia não dá vontade de ver”.
Para mim, no entanto, o pior do cartaz é a frase que sobressai mais do que a própria figura da líder do PSD, “Política de Verdade”. Mesmo que tivessem pretendido colar a mensagem à seriedade que todos reconhecem a Manuela Ferreira Leite, penso que a iniciativa foi pouco feliz. Primeiro porque não foram nada criativos com um slogan que está demasiado estafado e que em si mesmo pouco significa. Depois, e sobretudo, porque no nosso país já poucos acreditam no casamento entre a política e a verdade. Vá lá saber-se porquê.
Enfim, os publicitários poderão fazer um julgamento mais técnico. Para já, li a opinião de Einhart da Paz, um criativo brasileiro que já trabalhou para o PSD, que disse: “Este é o cartaz que eu pediria a Deus que o meu adversário fizesse”.
quinta-feira, abril 16, 2009
Eles nunca mentem …
Publicado no Diário da República, 1.ª série, nº. 60, de 26 de Março de 2009:
“7 — A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana”.
Claro que não ponho em causa a palavra dos deputados nem a sua boa-fé. Apenas me interrogo sobre o que levou aqueles senhores a aprovarem uma lei que só os abrange a eles e que constituiu uma situação de privilégio relativamente aos outros trabalhadores quer do Estado quer do privado.
Não posso deixar de achar estranho que os empregados da função pública que “metam parte de doente” tenham cinco dias para entregar um atestado médico porque, se não o fizerem, arriscam-se a ter um processo disciplinar às costas, enquanto que para os senhores deputados basta a sua palavra para justificar as faltas até sete dias.
Deputados não são funcionários públicos, dirão. É verdade. Só que ao cidadão comum é difícil perceber porque é que a palavra, a seriedade, que se reconhece aos deputados vale mais do que a palavra e a seriedade dos outros.
“7 — A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana”.
Claro que não ponho em causa a palavra dos deputados nem a sua boa-fé. Apenas me interrogo sobre o que levou aqueles senhores a aprovarem uma lei que só os abrange a eles e que constituiu uma situação de privilégio relativamente aos outros trabalhadores quer do Estado quer do privado.
Não posso deixar de achar estranho que os empregados da função pública que “metam parte de doente” tenham cinco dias para entregar um atestado médico porque, se não o fizerem, arriscam-se a ter um processo disciplinar às costas, enquanto que para os senhores deputados basta a sua palavra para justificar as faltas até sete dias.
Deputados não são funcionários públicos, dirão. É verdade. Só que ao cidadão comum é difícil perceber porque é que a palavra, a seriedade, que se reconhece aos deputados vale mais do que a palavra e a seriedade dos outros.
quarta-feira, abril 15, 2009
Promoções profissionais
Investigadores da Universidade britânica de Warwick ao tentarem saber se uma melhoria do estatuto profissional tornaria as pessoas mais felizes e saudáveis em consequência da subida da sua auto-estima, concluíram que, afinal, as promoções profissionais provocam mais 10% de stress.
“Obter uma promoção no trabalho não é tão fantástico como se poderia julgar", afirmou um dos autores do estudo.
Então, depois de décadas de trabalho intenso, sempre em busca dos melhores desempenhos e não regateando esforços nem disponibilidades para corresponder aos desafios das minhas entidades empregadoras e, naturalmente, para tentar subir na vida, vêm-me agora dizer que, afinal, as promoções no trabalho aumentam o stress mental?
Obrigadinho por só agora me dizerem isso.
Eu bem que desconfiava que o meu cansaço crónico se devia ao trabalho excessivo e à pressão que pousava sobre os meus ombros todos os dias do ano, incluindo uma boa parte dos fins-de-semana e das férias. Mas o que eu não fazia ideia é que 10% desse peso fosse causado pela ânsia de subir numa carreira feita de patamares infindos que sempre aumentavam quando atingíamos mais um.
Afinal, se um melhor estatuto não corresponde a uma melhoria da saúde e da satisfação pessoal, digam-me lá se vale a pena tanto esforço?
Atenção novas gerações, ponham os olhos nos resultados deste estudo e façam o favor de ter um pouco mais de cuidado com os vossos cérebros e os vossos corações.
Um dia agradecer-me-ão este aviso.
Finalmente

Toquem os sinos a rebate e cantem-se aleluias. A boa nova chegou.
Os Obama já têm cão. Melhor, têm um cão de água português.
Bo, o nome (genuinamente português como se percebe) escolhido pela família Obama - Michelle (a mãe e primeira-dama), Malia e Sasha (as filhas) e Barack (o presidente) – já se passeou pelos jardins da residência oficial do presidente americano.
E, é claro, as televisões não deixaram escapar a imagem de Barack Obama a correr atrás de Bo.
A espera de tantos meses acabou. Finalmente a Casa Branca já tem um animal de estimação (que é luso) junto da família presidencial.
É para que vejam. Não fazemos por menos.
Os Obama já têm cão. Melhor, têm um cão de água português.
Bo, o nome (genuinamente português como se percebe) escolhido pela família Obama - Michelle (a mãe e primeira-dama), Malia e Sasha (as filhas) e Barack (o presidente) – já se passeou pelos jardins da residência oficial do presidente americano.
E, é claro, as televisões não deixaram escapar a imagem de Barack Obama a correr atrás de Bo.
A espera de tantos meses acabou. Finalmente a Casa Branca já tem um animal de estimação (que é luso) junto da família presidencial.
É para que vejam. Não fazemos por menos.
segunda-feira, abril 13, 2009
Novos hábitos?
A situação não surpreende. Perante as dificuldades económicas das famílias, que se vão agravando a cada dia, é compreensível que os portugueses tendam a comprar em lojas que vendem mais em conta e produtos de marcas menos conhecidas.
E no que à alimentação diz respeito, os hábitos também têm registado algumas alterações. Muitas pessoas começaram a comer mais sopa, ovos, arroz, atum enlatado, salsichas e peixes mais baratos em vez dos produtos que consumiam até há pouco, nomeadamente o leite e a carne.
Sinal dos tempos, dirão. Mas a verdade é que ninguém passa fome por comer carapau ou cavala e um arrozinho branco com ovos mexidos.
O que me inquieta, isso sim, é pensar naqueles que já sentiam enormíssimas dificuldades antes da crise se instalar. E se já era assim então, agora com maiores apertos, como será que conseguem sobreviver?
E no que à alimentação diz respeito, os hábitos também têm registado algumas alterações. Muitas pessoas começaram a comer mais sopa, ovos, arroz, atum enlatado, salsichas e peixes mais baratos em vez dos produtos que consumiam até há pouco, nomeadamente o leite e a carne.
Sinal dos tempos, dirão. Mas a verdade é que ninguém passa fome por comer carapau ou cavala e um arrozinho branco com ovos mexidos.
O que me inquieta, isso sim, é pensar naqueles que já sentiam enormíssimas dificuldades antes da crise se instalar. E se já era assim então, agora com maiores apertos, como será que conseguem sobreviver?
O sismo devastador
O violento sismo que, na semana passada, abalou a região de Abruzzo, em Itália, e as réplicas subsequentes, deixaram cidades completamente destruídas, fizeram cerca de 300 mortos, quase 20 000 feridos e milhares de pessoas desalojadas. Uma catástrofe que deixou o mundo em estado de choque.
Perante tamanha tragédia o governo italiano accionou os meios necessários para tentar assegurar aos desalojados as condições mínimas de sobrevivência. Tendas para pernoitar, comida e cuidados médicos. O normal nestas situações.
Mas, para além dos abrigos em tendas ou dos cuidados básicos que lhes são prestados, o que as pessoas que viveram esta desgraça necessitam é de um apoio psicológico eficaz, gestos de solidariedade que lhes reconfortem a alma, quer eles se traduzam por palavras quer por actos concretos de ajuda humanitária.
Como foi o caso de um grupo de palhaços que chegaram à região para distribuir sorrisos, abraços e carinho. Quem é que pensaria que numa situação tão complicada como esta a presença destes palhaços seria tão importante? Dificilmente se acharia que este tipo de acções estaria no topo da lista dos serviços de emergência. E eles têm, de facto, dado apoio a crianças, pais, avós e até às centenas de voluntários que estão no campo de Atletismo de Aquila a dar ajuda às vítimas do sismo, tentando que eles esqueçam a desgraça e a tristeza e que possam, ainda que dificilmente, sorrir de vez em quando.
O que este povo não necessitava certamente é de ter ouvido o primeiro-ministro do seu país, Silvio Berlusconi, dizer que uma vez que os actuais abrigos são provisórios “os sobreviventes devem encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo onde não lhes faltará nada” ou a convidá-los “vão ao litoral, é Páscoa”.
Berlusconi não usa o nariz vermelho dos palhaços nem tem a graça destes. Aliás já demonstrou por diversas vezes que, sempre que tentou ter graça, a ironia e a piada não colaram bem à sua personalidade. Tanto mais que ele é um político com responsabilidades e tem a obrigação de saber usar as palavras nos sítios e nas doses certas. Foi demasiado infeliz e aquela gente, tão carente e assustada, não merecia ouvir tanta baboseira junta. O que precisavam, isso sim, era de uma palavra amiga vinda de um governante que lhes transmitisse a esperança e que lhes assegurasse que o governo iria fazer tudo para que a vida de todos voltasse à normalidade rapidamente.
Uma palavra última para as imagens fortes transmitidas pelas televisões, de uma sobrevivente, uma senhora de 98 anos, que foi resgatada dos escombros 30 horas depois do primeiro sismo. Durante todo este tempo não comeu, não ingeriu líquidos e conseguiu resistir, apenas e só – segundo ela - porque esteve todas estas horas a fazer tricô. Incrível.
Perante tamanha tragédia o governo italiano accionou os meios necessários para tentar assegurar aos desalojados as condições mínimas de sobrevivência. Tendas para pernoitar, comida e cuidados médicos. O normal nestas situações.
Mas, para além dos abrigos em tendas ou dos cuidados básicos que lhes são prestados, o que as pessoas que viveram esta desgraça necessitam é de um apoio psicológico eficaz, gestos de solidariedade que lhes reconfortem a alma, quer eles se traduzam por palavras quer por actos concretos de ajuda humanitária.
Como foi o caso de um grupo de palhaços que chegaram à região para distribuir sorrisos, abraços e carinho. Quem é que pensaria que numa situação tão complicada como esta a presença destes palhaços seria tão importante? Dificilmente se acharia que este tipo de acções estaria no topo da lista dos serviços de emergência. E eles têm, de facto, dado apoio a crianças, pais, avós e até às centenas de voluntários que estão no campo de Atletismo de Aquila a dar ajuda às vítimas do sismo, tentando que eles esqueçam a desgraça e a tristeza e que possam, ainda que dificilmente, sorrir de vez em quando.
O que este povo não necessitava certamente é de ter ouvido o primeiro-ministro do seu país, Silvio Berlusconi, dizer que uma vez que os actuais abrigos são provisórios “os sobreviventes devem encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo onde não lhes faltará nada” ou a convidá-los “vão ao litoral, é Páscoa”.
Berlusconi não usa o nariz vermelho dos palhaços nem tem a graça destes. Aliás já demonstrou por diversas vezes que, sempre que tentou ter graça, a ironia e a piada não colaram bem à sua personalidade. Tanto mais que ele é um político com responsabilidades e tem a obrigação de saber usar as palavras nos sítios e nas doses certas. Foi demasiado infeliz e aquela gente, tão carente e assustada, não merecia ouvir tanta baboseira junta. O que precisavam, isso sim, era de uma palavra amiga vinda de um governante que lhes transmitisse a esperança e que lhes assegurasse que o governo iria fazer tudo para que a vida de todos voltasse à normalidade rapidamente.
Uma palavra última para as imagens fortes transmitidas pelas televisões, de uma sobrevivente, uma senhora de 98 anos, que foi resgatada dos escombros 30 horas depois do primeiro sismo. Durante todo este tempo não comeu, não ingeriu líquidos e conseguiu resistir, apenas e só – segundo ela - porque esteve todas estas horas a fazer tricô. Incrível.
terça-feira, abril 07, 2009
Ser feliz
Disse Fernando Pessoa:
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Como vêem Fernando Pessoa também falava em crise. Só que, longe de ignorá-la, não deixava de manifestar a esperança pelo amanhã.
Seria bom que todos nós conseguíssemos guardar as pedras que vamos encontrando pelo caminho. Quem sabe se um dia não iremos também construir um castelo …
Desejo-vos uma PÁSCOA FELIZ!
segunda-feira, abril 06, 2009
Sugestão para uma tarde destas …
Contrariando o princípio de não dar opiniões sobre as diversas formas de arte porque sei bem como os gostos e sensibilidades divergem tanto, arrisco-me, hoje, a sugerir para quem ainda não viu, um filme que está em cartaz há quase três semanas, o último de Clint Eastwood, “Gran Torino”.
É a história de um veterano da guerra da Coreia que vive atormentado pelos seus fantasmas que o martirizam por tudo aquilo a que foi obrigado durante a guerra mas, sobretudo, pelas decisões que nunca lhe foram impostas mas que ele tomou e de que se arrepende amargamente. De tal forma que se tornou um homem azedo perante a vizinhança, a família e a vida.
Um grande filme produzido, realizado e interpretado por Clint Eastwood.
A não perder.
É a história de um veterano da guerra da Coreia que vive atormentado pelos seus fantasmas que o martirizam por tudo aquilo a que foi obrigado durante a guerra mas, sobretudo, pelas decisões que nunca lhe foram impostas mas que ele tomou e de que se arrepende amargamente. De tal forma que se tornou um homem azedo perante a vizinhança, a família e a vida.
Um grande filme produzido, realizado e interpretado por Clint Eastwood.
A não perder.
Vá lá perceber-se …
A natureza humana não pára de me surpreender.
Algures no Minho um casal de namorados zangou-se. Dirão os meus amigos que arrufos de apaixonados acontecem e que o melhor das zangas são as reconciliações. Eu sei disso mas este desentendimento não aconteceu por qualquer daqueles motivos normais, os ciúmes, as divergência de opinião ou a incompatibilidade de feitios. Nada disso, o apaixonado casal zangou-se apenas porque … porque ganhou 15 milhões de euros no euromilhões.
Coisa mais estapafúrdia esta. E tudo porque "namorados, namorados, dinheiros à parte" não quiseram dividir a massa. Melhor dizendo, ela queria ficar com o dinheiro todo e ele achava justo ficar com metade.
Não querendo, naturalmente, tomar partido por qualquer deles, acho que seria razoável que cada um ficasse com parte do prémio. Afinal ela fez a chave e entrou com 2,00 euros e ele contribuiu com 4,00 euros e entregou o boletim na agência de apostas. Só que a pequena decidiu que quer ficar com o prémio todo. Resultado: o casal separou-se e o assunto está em tribunal há já dois anos.
Podiam ter tido uma vida milionária mas não quiseram. Vá lá perceber-se porquê, preferiram terminar a relação e continuar a viver pobres.
Não dá para entender. Deve ser por isso que se costuma dizer “que o dinheiro não dá felicidade”.
Algures no Minho um casal de namorados zangou-se. Dirão os meus amigos que arrufos de apaixonados acontecem e que o melhor das zangas são as reconciliações. Eu sei disso mas este desentendimento não aconteceu por qualquer daqueles motivos normais, os ciúmes, as divergência de opinião ou a incompatibilidade de feitios. Nada disso, o apaixonado casal zangou-se apenas porque … porque ganhou 15 milhões de euros no euromilhões.
Coisa mais estapafúrdia esta. E tudo porque "namorados, namorados, dinheiros à parte" não quiseram dividir a massa. Melhor dizendo, ela queria ficar com o dinheiro todo e ele achava justo ficar com metade.
Não querendo, naturalmente, tomar partido por qualquer deles, acho que seria razoável que cada um ficasse com parte do prémio. Afinal ela fez a chave e entrou com 2,00 euros e ele contribuiu com 4,00 euros e entregou o boletim na agência de apostas. Só que a pequena decidiu que quer ficar com o prémio todo. Resultado: o casal separou-se e o assunto está em tribunal há já dois anos.
Podiam ter tido uma vida milionária mas não quiseram. Vá lá perceber-se porquê, preferiram terminar a relação e continuar a viver pobres.
Não dá para entender. Deve ser por isso que se costuma dizer “que o dinheiro não dá felicidade”.
quinta-feira, abril 02, 2009
O flagelo do desemprego
É verdade que ela existe (e de que maneira), é certo que os nossos bolsos estão cada vez mais vazios e o nosso desânimo maior mas, sinceramente, já estamos um bocado fartos de ouvir falar na C R I S E a toda a hora. Sente-se uma depressão enorme sempre que a palavra maldita aparece, seja na televisão, na imprensa escrita ou em blogues (como é o caso).
De qualquer forma, vou hoje voltar ao tema, para transcrever um excerto de uma crónica de Nicolau Santos publicada há duas semanas no Expresso e que constitui um bom motivo de reflexão.
Nesse texto, que analisava o aumento do desemprego e o número de falências de empresas nos primeiros meses deste ano, Nicolau questionava-se sobre se estaríamos irremediavelmente condenados a que o desemprego disparasse e se estabilizasse acima dos dois dígitos. Ele próprio respondia:
“Não estamos. Mas precisamos de actuar rapidamente … várias coisas estão a ser feitas, mas outras também se podem fazer …
De qualquer forma, vou hoje voltar ao tema, para transcrever um excerto de uma crónica de Nicolau Santos publicada há duas semanas no Expresso e que constitui um bom motivo de reflexão.
Nesse texto, que analisava o aumento do desemprego e o número de falências de empresas nos primeiros meses deste ano, Nicolau questionava-se sobre se estaríamos irremediavelmente condenados a que o desemprego disparasse e se estabilizasse acima dos dois dígitos. Ele próprio respondia:
“Não estamos. Mas precisamos de actuar rapidamente … várias coisas estão a ser feitas, mas outras também se podem fazer …
A primeira passa obviamente por o Estado apoiar sem reservas algumas empresas que venham bater-lhe à porta. É recomendável, contudo, que esse apoio seja criterioso …
A segunda implica a responsabilidade de empresários e gestores, cuja primeira decisão perante as dificuldades não pode nem deve ser o despedimento colectivo imediato, tendo antes de esgotar outras possibilidades, como paragens temporárias de produção, redução de horários com redução salarial, etc.
A terceira implica a responsabilidade de todos os trabalhadores, da base até ao topo. Neste momento, o desemprego não é apenas um problema do Estado ou dos patrões … e isso significa, por exemplo, a disponibilidade dos quadros de topo para reduzirem, numa percentagem a definir, os seus salários e o conjunto alargado de benefícios que recebem para evitar despedimentos de colegas que ganham menos.
A quarta é desenvolver programas de formação, que terão de ser frequentados por todos os que se inscrevem nos centros de desemprego. Não faz sentido que a única actividade que se tem quando se está no desemprego seja passar pelo centro para saber se há novidades”.
Estado, empresários, gestores e trabalhadores, todos têm um papel importantíssimo na resolução do problema. Perante um cenário que é, de facto, muito grave e que tem consequências sérias na vida das pessoas e dos países, é urgente que haja soluções rápidas e eficazes. Que terão que ser técnicas, obviamente, mas que terão que ter presentes duas ideias-chave: “Bom senso” e “Solidariedade”.
O mal é quando queremos jogar a sério …
No último domingo, um adepto iraquiano matou a tiro um futebolista da equipa adversária, numa altura em que este estava isolado frente ao guarda-redes e tinha a possibilidade de marcar um golo que empataria o desafio. Faltava um minuto para o jogo acabar.
De vez em quando são noticiadas atitudes irreflectidas e irracionais deste jaez, muitas delas provenientes da América Latina.
Felizmente que os portugueses têm um carácter sereno (“o povo é sereno”, como dizia o Almirante Pinheiro de Azevedo). Não fosse assim, quem sabe se não teria tomado já medidas mais violentas relativamente à actuação da nossa selecção nacional de futebol face aos maus resultados obtidos na campanha em curso.
Apesar dos sucessivos desaires, a equipa de todos nós redimiu-se anteontem na Suíça. Depois de no treino de sábado ter empatado, em jogo oficial (perceberam o trocadilho?), com a Suécia, na terça-feira, num particular com a África do Sul, conseguiu uma brilhante vitória por dois golos sem resposta. Pena foi que este jogo não contasse para o apuramento do campeonato do mundo. E a olhar para o rol de pontos perdidos, não podemos deixar de pensar se ainda iremos a tempo de conquistar a pontuação necessária para nos qualificarmos para o mundial de 2010?
A não ser que Carlos Queiroz acredite na velha frase “Os ciganos não gostam de ver bons princípios aos filhos”.
À bon entendeur …
De vez em quando são noticiadas atitudes irreflectidas e irracionais deste jaez, muitas delas provenientes da América Latina.
Felizmente que os portugueses têm um carácter sereno (“o povo é sereno”, como dizia o Almirante Pinheiro de Azevedo). Não fosse assim, quem sabe se não teria tomado já medidas mais violentas relativamente à actuação da nossa selecção nacional de futebol face aos maus resultados obtidos na campanha em curso.
Apesar dos sucessivos desaires, a equipa de todos nós redimiu-se anteontem na Suíça. Depois de no treino de sábado ter empatado, em jogo oficial (perceberam o trocadilho?), com a Suécia, na terça-feira, num particular com a África do Sul, conseguiu uma brilhante vitória por dois golos sem resposta. Pena foi que este jogo não contasse para o apuramento do campeonato do mundo. E a olhar para o rol de pontos perdidos, não podemos deixar de pensar se ainda iremos a tempo de conquistar a pontuação necessária para nos qualificarmos para o mundial de 2010?
A não ser que Carlos Queiroz acredite na velha frase “Os ciganos não gostam de ver bons princípios aos filhos”.
À bon entendeur …
terça-feira, março 31, 2009
Revoltados
A notícia veiculada pela comunicação social não nos deixou verdadeiramente surpreendidos. No entanto, sabe-nos bem constatar que figuras com responsabilidades públicas têm a mesma capacidade de se revoltar que qualquer cidadão comum.
Desta vez foi a Directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, em entrevista ao Semanário Sol, que afirmou que deveria haver uma lei contra o enriquecimento ilícito.
Para além da imoralidade da coisa, o que nos indigna é que não haja no nosso ordenamento jurídico uma lei que condene o enriquecimento ilícito.
Por isso são conhecidos tantos casos de políticos que pouco têm quando começam e que, ao fim de uns anos, estão milionários.
Daí o esforço inútil dos magistrados, incapazes de punir por falta de suporte legal. Daí o número enorme de inquéritos arquivados. Daí a pulhice que damos conta amiudadamente e cuja “riqueza má” (como dizia Maria José Morgado) é feita à conta do erário público.
E se tantas vezes estamos em desacordo com o que nos chega da América, temos que reconhecer que nos “States”, por haver leis adequadas e sistemas mais ágeis, a maioria dos processos são julgados muito rapidamente. Como é o caso do financeiro Maddof que, ao fim de poucos meses, já está em tribunal.
Desta vez foi a Directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, em entrevista ao Semanário Sol, que afirmou que deveria haver uma lei contra o enriquecimento ilícito.
Para além da imoralidade da coisa, o que nos indigna é que não haja no nosso ordenamento jurídico uma lei que condene o enriquecimento ilícito.
Por isso são conhecidos tantos casos de políticos que pouco têm quando começam e que, ao fim de uns anos, estão milionários.
Daí o esforço inútil dos magistrados, incapazes de punir por falta de suporte legal. Daí o número enorme de inquéritos arquivados. Daí a pulhice que damos conta amiudadamente e cuja “riqueza má” (como dizia Maria José Morgado) é feita à conta do erário público.
E se tantas vezes estamos em desacordo com o que nos chega da América, temos que reconhecer que nos “States”, por haver leis adequadas e sistemas mais ágeis, a maioria dos processos são julgados muito rapidamente. Como é o caso do financeiro Maddof que, ao fim de poucos meses, já está em tribunal.
segunda-feira, março 30, 2009
Agora já não há desculpas
Na verdade a partir de agora já não há desculpas para mantermos no Parlamento políticos pequenininhos. Não de altura, evidentemente, mas de ideias e de princípios.
Depois de oito meses de obras e de quatro milhões de euros gastos, a sala das sessões da Assembleia da República reabriu as suas portas. Mais linda e com todas as tecnologias disponíveis. Até tem um sistema elevatório que permite baixar ou elevar o palanque para que quem suba à tribuna – independentemente do seu tamanho físico – possa ser visto por toda a gente que esteja na sala. A nossa AR transformou-se assim no Parlamento mais moderno do mundo (é o velho e maldito complexo de sermos os mais miseráveis ou os melhores do universo e arredores).
E num Parlamento topo de gama – que até tem luzes anti-sono - não admira que todos os 230 lugares estejam equipados com computadores. Só que os respectivos monitores são tão grandes que a privacidade dos deputados pode vir a ser posta em causa.
Um reparo, apenas, para os dois ecrãs gigantes que foram instalados de ambos os lados da estátua da República. Não gosto de vê-los ali e acho que tiram alguma dignidade ao local.
Então, a partir de agora, já não há desculpas. Os senhores deputados têm todas as condições para trabalharem bem. Provavelmente melhor do que têm feito até aqui.
Depois de oito meses de obras e de quatro milhões de euros gastos, a sala das sessões da Assembleia da República reabriu as suas portas. Mais linda e com todas as tecnologias disponíveis. Até tem um sistema elevatório que permite baixar ou elevar o palanque para que quem suba à tribuna – independentemente do seu tamanho físico – possa ser visto por toda a gente que esteja na sala. A nossa AR transformou-se assim no Parlamento mais moderno do mundo (é o velho e maldito complexo de sermos os mais miseráveis ou os melhores do universo e arredores).
E num Parlamento topo de gama – que até tem luzes anti-sono - não admira que todos os 230 lugares estejam equipados com computadores. Só que os respectivos monitores são tão grandes que a privacidade dos deputados pode vir a ser posta em causa.
Um reparo, apenas, para os dois ecrãs gigantes que foram instalados de ambos os lados da estátua da República. Não gosto de vê-los ali e acho que tiram alguma dignidade ao local.
Então, a partir de agora, já não há desculpas. Os senhores deputados têm todas as condições para trabalharem bem. Provavelmente melhor do que têm feito até aqui.

domingo, março 29, 2009
Polémica
Depois de uns breves dias de ausência, volto com um tema que causou, nos últimos dias, alguma controvérsia entre os católicos portugueses. Refiro-me à posição assumida publicamente pelo Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, quanto ao uso do preservativo.
Ao arrepio da posição oficial da igreja, o Bispo português afirmou que “os portadores do vírus da sida devem usar preservativo durante as relações sexuais, porque são moralmente obrigados a não transmitir a doença”.
Recorde-se que Bento XVI declarou na visita que está a fazer a África, precisamente o continente mais castigado com o flagelo da sida, que “este problema não se pode resolver com a distribuição de preservativos, pelo contrário, isso só irá complicar a situação”.
E porque para a Igreja e para os seus elementos mais ortodoxos o uso do preservativo continua a ser tabu, as palavras de D. Ilídio Leandro, embora só avance um pequeno passo – uso do preservativo sim mas apenas para os portadores do vírus da sida – as suas palavras já constituem uma abertura e uma esperança.
Preservativo, sim ou não? A polémica continua e os milhões de vítimas da sida em todo o mundo também.
Ao arrepio da posição oficial da igreja, o Bispo português afirmou que “os portadores do vírus da sida devem usar preservativo durante as relações sexuais, porque são moralmente obrigados a não transmitir a doença”.
Recorde-se que Bento XVI declarou na visita que está a fazer a África, precisamente o continente mais castigado com o flagelo da sida, que “este problema não se pode resolver com a distribuição de preservativos, pelo contrário, isso só irá complicar a situação”.
E porque para a Igreja e para os seus elementos mais ortodoxos o uso do preservativo continua a ser tabu, as palavras de D. Ilídio Leandro, embora só avance um pequeno passo – uso do preservativo sim mas apenas para os portadores do vírus da sida – as suas palavras já constituem uma abertura e uma esperança.
Preservativo, sim ou não? A polémica continua e os milhões de vítimas da sida em todo o mundo também.

sexta-feira, março 20, 2009
Urgentemente
De Eugénio de Andrade, "Urgentemente"
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.

Eugénio de Andrade, foi o pseudónimo de José Fontinhas Rato. Poeta português (19.01.1923 – 13.06.2005) foi galardoado com inúmeros prémios em Portugal e no Estrangeiro.
quinta-feira, março 19, 2009
O “empoderamento"
É lá, pensarão os meus amigos, não viemos aqui para ser ofendidos.
Aquietem-se que não há razões para tanta agitação, garanto-vos eu. O título desta crónica mais não é que a palavra quiçá mais ouvida na semana passada e que foi proferida pela Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.
O PGR comentava a Lei de Política Criminal para o biénio 2007-2009, aprovada pelo Parlamento e, num tom crítico e irónico, sublinhou alguns aspectos que deveriam ser repensados no seu texto.
Por exemplo, no que concerne ao artigo que diz “Tutelar os direitos dos trabalhadores que, na relação laboral, sejam vítimas de violência doméstica", Pinto Monteiro afirmou "Não percebo o que é tutelar uma relação laboral de violência doméstica".
Por exemplo, quando apontou o uso e abuso das siglas que geram confusão.
Por exemplo, quanto à utilização de neologismos como "empoderamento", uma importação do inglês "empowerment".
Sem contradizer, no entanto, a figura respeitável do actual Procurador-Geral da República – aliás concordando em absoluto que esta palavra é um evidente neologismo – devo esclarecer que a palavra empoderamento já foi registada como substantivo no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
Só que estas palavras novas e “esquisitas” levantam algumas dúvidas, justamente por serem novas e pouco usadas. Se bem que com os tempos habituar-nos-emos a elas.
Tal como acontece, e perdoem-me este devaneio linguístico, no caso de palavras como bordel e prostíbulo (que ainda ferem as nossas sensibilidades) e que bem poderemos substituir pelo vocábulo “lupanar”, que significa rigorosamente o mesmo.
Aquietem-se que não há razões para tanta agitação, garanto-vos eu. O título desta crónica mais não é que a palavra quiçá mais ouvida na semana passada e que foi proferida pela Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.
O PGR comentava a Lei de Política Criminal para o biénio 2007-2009, aprovada pelo Parlamento e, num tom crítico e irónico, sublinhou alguns aspectos que deveriam ser repensados no seu texto.
Por exemplo, no que concerne ao artigo que diz “Tutelar os direitos dos trabalhadores que, na relação laboral, sejam vítimas de violência doméstica", Pinto Monteiro afirmou "Não percebo o que é tutelar uma relação laboral de violência doméstica".
Por exemplo, quando apontou o uso e abuso das siglas que geram confusão.
Por exemplo, quanto à utilização de neologismos como "empoderamento", uma importação do inglês "empowerment".
Sem contradizer, no entanto, a figura respeitável do actual Procurador-Geral da República – aliás concordando em absoluto que esta palavra é um evidente neologismo – devo esclarecer que a palavra empoderamento já foi registada como substantivo no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
Só que estas palavras novas e “esquisitas” levantam algumas dúvidas, justamente por serem novas e pouco usadas. Se bem que com os tempos habituar-nos-emos a elas.
Tal como acontece, e perdoem-me este devaneio linguístico, no caso de palavras como bordel e prostíbulo (que ainda ferem as nossas sensibilidades) e que bem poderemos substituir pelo vocábulo “lupanar”, que significa rigorosamente o mesmo.
quarta-feira, março 18, 2009
Imoral
Em plena crise profunda e depois dos alertas claros e dirigidos do Presidente Barack Obama, mesmo assim, soube-se agora que a seguradora AIG, que recebeu do Estado 173 milhões de dólares vai pagar aos seus executivos prémios de desempenho relativos a 2008 de 165 milhões de dólares.
Que desempenho, pergunta-se? Dar bónus a executivos, os mesmos que causaram a situação de falência e que fez com que a seguradora fosse pedinchar a ajuda do Governo?
Tamanho despautério é inaceitável para Obama, para os contribuintes norte-americanos e para qualquer cidadão de qualquer país onde situações idênticas possam ocorrer (deu para perceber a mensagem?).
O pior, porém, é que, ao que consta, os contratos entre a seguradora e os seus altos quadros foram celebrados antes da AIG se arrastar aos pés do Estado, pelo que é difícil suster os tais pagamentos.
Ganância, falta de ética, sem-vergonha e todos os demais substantivos que achem por bem empregar.
E a suportar todos os truques e aproveitamentos de quem age de má-fé, sempre e sempre os contribuintes.
É urgente pôr cobro a tais e tantos desmandos.
Que desempenho, pergunta-se? Dar bónus a executivos, os mesmos que causaram a situação de falência e que fez com que a seguradora fosse pedinchar a ajuda do Governo?
Tamanho despautério é inaceitável para Obama, para os contribuintes norte-americanos e para qualquer cidadão de qualquer país onde situações idênticas possam ocorrer (deu para perceber a mensagem?).
O pior, porém, é que, ao que consta, os contratos entre a seguradora e os seus altos quadros foram celebrados antes da AIG se arrastar aos pés do Estado, pelo que é difícil suster os tais pagamentos.
Ganância, falta de ética, sem-vergonha e todos os demais substantivos que achem por bem empregar.
E a suportar todos os truques e aproveitamentos de quem age de má-fé, sempre e sempre os contribuintes.
É urgente pôr cobro a tais e tantos desmandos.
terça-feira, março 17, 2009
A arte do insulto
A crónica que Daniel Oliveira publicou no Expresso do passado sábado referia, a propósito da cena lamentável e indecorosa ocorrida na Assembleia da República entre os deputados José Eduardo Martins (PSD) e Afonso Candal (PS), duas memoráveis histórias que se passaram com Winston Churchill.
Normalmente Churchill é recordado apenas pela sua figura avantajada e pelo inseparável charuto. Mas Churchill foi, acima de tudo, um político hábil que ocupou vários cargos importantes no governo britânico, desempenhou o cargo de primeiro-ministro do Reino Unid
o durante a Segunda Guerra Mundial e que, em 1953, recebeu o Prémio Nobel da Literatura pelas suas memórias de guerra e pelo seu trabalho literário e jornalístico.
Mas as histórias que Daniel Oliveira recordava, mostram um Churchill ainda mais surpreendente, um homem de resposta pronta, sofisticada e “venenosa”.
1 – “Quando Bernard Shaw enviou um telegrama jocoso a Churchill - "Tenho o prazer e a honra de convidar o digno primeiro-ministro para primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver." Churchill respondeu: "Agradeço ao ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver."
2 - Disse-lhe Lady Astor, durante uma visita ao Palácio de Blenheim: "Winston, se você fosse meu marido, eu poria veneno no seu café." Ao que ele respondeu, sem nenhum cavalheirismo: "Nancy, se eu fosse seu marido, bebia-o".
Claro que “meter” no mesmo texto pessoas como José Eduardo Martins/Afonso Candal e Churchill é o mesmo que comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. Aos primeiros falta-lhes a classe, a sabedoria e a astúcia de Sir Winston Churchill. Falta-lhes também a ironia do lorde inglês que substituem, como podem, pela argumentação rasca do insulto barato e da ameaça de irem resolver a coisa lá para fora aos murros e pontapés.
Por isso ninguém imagina que daqueles tribunos poderia ter saído algum dia uma frase do estilo “Ele tem todas as virtudes que eu não gosto e nenhum dos vícios que eu admiro” uma das mais conhecidas e citadas tiradas de Churchill.
E por que não há duas sem três, não resisto a contar uma outra história passada com o inesquecível estadista britânico:
“Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você me parece bastante saudável.
Normalmente Churchill é recordado apenas pela sua figura avantajada e pelo inseparável charuto. Mas Churchill foi, acima de tudo, um político hábil que ocupou vários cargos importantes no governo britânico, desempenhou o cargo de primeiro-ministro do Reino Unid
o durante a Segunda Guerra Mundial e que, em 1953, recebeu o Prémio Nobel da Literatura pelas suas memórias de guerra e pelo seu trabalho literário e jornalístico.Mas as histórias que Daniel Oliveira recordava, mostram um Churchill ainda mais surpreendente, um homem de resposta pronta, sofisticada e “venenosa”.
1 – “Quando Bernard Shaw enviou um telegrama jocoso a Churchill - "Tenho o prazer e a honra de convidar o digno primeiro-ministro para primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver." Churchill respondeu: "Agradeço ao ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver."
2 - Disse-lhe Lady Astor, durante uma visita ao Palácio de Blenheim: "Winston, se você fosse meu marido, eu poria veneno no seu café." Ao que ele respondeu, sem nenhum cavalheirismo: "Nancy, se eu fosse seu marido, bebia-o".
Claro que “meter” no mesmo texto pessoas como José Eduardo Martins/Afonso Candal e Churchill é o mesmo que comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. Aos primeiros falta-lhes a classe, a sabedoria e a astúcia de Sir Winston Churchill. Falta-lhes também a ironia do lorde inglês que substituem, como podem, pela argumentação rasca do insulto barato e da ameaça de irem resolver a coisa lá para fora aos murros e pontapés.
Por isso ninguém imagina que daqueles tribunos poderia ter saído algum dia uma frase do estilo “Ele tem todas as virtudes que eu não gosto e nenhum dos vícios que eu admiro” uma das mais conhecidas e citadas tiradas de Churchill.
E por que não há duas sem três, não resisto a contar uma outra história passada com o inesquecível estadista britânico:
“Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você me parece bastante saudável.
segunda-feira, março 16, 2009
Insegurança
Não pretendo, nesta crónica, discutir as políticas de segurança do governo. Independentemente da bondade dessas medidas e do seu efeito prático, temos que reconhecer que o mundo de hoje é mais violento e inseguro do que nos últimos anos, que as condições de vida se têm vindo a agravar muito e que a internacionalização da criminalidade e o seu modo de actuar são hoje completamente diferentes para pior.
Pelo que já ninguém se admira que o número de crimes aumente de ano para ano.
Segundo o Relatório de Segurança Interna de 2008, o ano passado o crime violento aumentou 10,7% e a criminalidade geral subiu 7,5%. O maior crescimento dos últimos dez anos em Portugal.
Bem pode agora o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, dizer que embora 2008 tenha sido, na generalidade, um ano mau, o último trimestre até registou alguma melhoria. Não é por isso que eu me sinto mais seguro.
O que eu verifico, e é isso que me preocupa, é que no ano passado as forças de segurança registaram um total de 421 037 crimes - mais de 1 100 por dia - dos quais 24 313 foram graves e violentos.
Não quero ser mais uma voz alarmista que desperta nos cidadãos uma onda de pânico. Nada disso, apenas estou a referir números oficiais que não podem deixar de ser olhados com inquietação. Para mais, existe na população o sentimento de que o número de agentes nas ruas é manifestamente insuficiente e que os bandos de criminosos são cada vez mais sofisticados e violentos e actuam com demasiado à-vontade.
230 roubos a bancos (108 em 2007), 468 assaltos a postos de abastecimento de combustível (241 em 2007), 143 pessoas assassinadas (mais dez que em 2007) e 761 agredidas violentamente (mais 99 que no ano anterior) são números verdadeiramente assustadores e para os quais não existem palavras ministeriais suficientes para acalmar os cidadãos. Ainda que - reconheçamos também - se tenham realizado nos últimos meses acções notoriamente mais musculadas das forças de segurança.
Mesmo assim, continuamos a sentir-nos demasiado desprotegidos. São necessárias outras medidas de prevenção e mais presença policial nas ruas de forma a dissuadir os criminosos e a transmitir mais tranquilidade à população.
Pelo que já ninguém se admira que o número de crimes aumente de ano para ano.
Segundo o Relatório de Segurança Interna de 2008, o ano passado o crime violento aumentou 10,7% e a criminalidade geral subiu 7,5%. O maior crescimento dos últimos dez anos em Portugal.
Bem pode agora o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, dizer que embora 2008 tenha sido, na generalidade, um ano mau, o último trimestre até registou alguma melhoria. Não é por isso que eu me sinto mais seguro.
O que eu verifico, e é isso que me preocupa, é que no ano passado as forças de segurança registaram um total de 421 037 crimes - mais de 1 100 por dia - dos quais 24 313 foram graves e violentos.
Não quero ser mais uma voz alarmista que desperta nos cidadãos uma onda de pânico. Nada disso, apenas estou a referir números oficiais que não podem deixar de ser olhados com inquietação. Para mais, existe na população o sentimento de que o número de agentes nas ruas é manifestamente insuficiente e que os bandos de criminosos são cada vez mais sofisticados e violentos e actuam com demasiado à-vontade.
230 roubos a bancos (108 em 2007), 468 assaltos a postos de abastecimento de combustível (241 em 2007), 143 pessoas assassinadas (mais dez que em 2007) e 761 agredidas violentamente (mais 99 que no ano anterior) são números verdadeiramente assustadores e para os quais não existem palavras ministeriais suficientes para acalmar os cidadãos. Ainda que - reconheçamos também - se tenham realizado nos últimos meses acções notoriamente mais musculadas das forças de segurança.
Mesmo assim, continuamos a sentir-nos demasiado desprotegidos. São necessárias outras medidas de prevenção e mais presença policial nas ruas de forma a dissuadir os criminosos e a transmitir mais tranquilidade à população.
sexta-feira, março 13, 2009
O regresso dos Nobre
Uma declaração de interesses, a começar. Esta crónica não é paga (nem em dinheiro nem em géneros) e, se a escrevo, é apenas porque quero propor-vos um restaurante que tem um espaço moderno, cosmopolita, simpático e agradável e onde a comida é de primeiríssima qualidade.
Refiro-me ao Spazio Buondi, nas traseiras do Campo Pequeno em Lisboa, à esquina da Avenida Sacadura Cabral.
Mas para melhor lhes aguçar o apetite é bom que saibam que este “Spazio” é sobretudo o “Espaço Nobre”, onde pontuam as figuras de José Nobre, mestre do atendimento e da simpatia e de Justa Nobre, senhora de saberes infindáveis de cujas mãos saem iguarias saborosíssimas.
Ambos são grandes profissionais que eu tenho tido o prazer de seguir desde os tempos do restaurante da Ajuda, mais recentemente no espaço que tiveram no Montijo e, desde o final do ano passado, em Lisboa.
Como diria o José Quitério, conhecido comentador de gastronomia, “Tenho andado restaurativamente atrás deles ao longo dos anos”. Porque será?
É só uma sugestão de amigo.
Refiro-me ao Spazio Buondi, nas traseiras do Campo Pequeno em Lisboa, à esquina da Avenida Sacadura Cabral.
Mas para melhor lhes aguçar o apetite é bom que saibam que este “Spazio” é sobretudo o “Espaço Nobre”, onde pontuam as figuras de José Nobre, mestre do atendimento e da simpatia e de Justa Nobre, senhora de saberes infindáveis de cujas mãos saem iguarias saborosíssimas.
Ambos são grandes profissionais que eu tenho tido o prazer de seguir desde os tempos do restaurante da Ajuda, mais recentemente no espaço que tiveram no Montijo e, desde o final do ano passado, em Lisboa.
Como diria o José Quitério, conhecido comentador de gastronomia, “Tenho andado restaurativamente atrás deles ao longo dos anos”. Porque será?
É só uma sugestão de amigo.
quinta-feira, março 12, 2009
Já agora …
Consta que os sindicatos que representam os trabalhadores da EDP se preparam para umas quantas greves caso não sejam concedidos os 6% de aumento que reivindicam.
É um direito que lhes assiste. Ninguém pode levar a mal que, neste país de salários baixos e que já tem cerca de 10% de desempregados, os trabalhadores lutem por aquilo que acham justo, tanto mais que, segundo dizem, administradores e accionistas vão ser generosamente recompensados pelos lucros que a empresa obteve em 2008. Nada mais do que 1 091 milhões de euros, o resultado líquido mais elevado de sempre atingido por uma empresa cotada em Portugal.
Se for assim, isto é, se houver prémios da importância dos que normalmente são atribuídos aos quadros gestores das grandes empresas, é absolutamente compreensível que os sindicatos peçam um aumento maior, se bem que eu pense que 6% talvez seja um tanto ou quanto desadequado no momento presente.
Já agora, e face aos resultados líquidos da EDP que subiram 28% neste último ano - para os quais nós também contribuímos, é preciso não esquecer – seria inteiramente legítimo que se pensasse também nos consumidores. E, para isso, bastava que houvesse uma redução das taxas de electricidade uma vez que as que pagamos agora são altíssimas.
É um direito que lhes assiste. Ninguém pode levar a mal que, neste país de salários baixos e que já tem cerca de 10% de desempregados, os trabalhadores lutem por aquilo que acham justo, tanto mais que, segundo dizem, administradores e accionistas vão ser generosamente recompensados pelos lucros que a empresa obteve em 2008. Nada mais do que 1 091 milhões de euros, o resultado líquido mais elevado de sempre atingido por uma empresa cotada em Portugal.
Se for assim, isto é, se houver prémios da importância dos que normalmente são atribuídos aos quadros gestores das grandes empresas, é absolutamente compreensível que os sindicatos peçam um aumento maior, se bem que eu pense que 6% talvez seja um tanto ou quanto desadequado no momento presente.
Já agora, e face aos resultados líquidos da EDP que subiram 28% neste último ano - para os quais nós também contribuímos, é preciso não esquecer – seria inteiramente legítimo que se pensasse também nos consumidores. E, para isso, bastava que houvesse uma redução das taxas de electricidade uma vez que as que pagamos agora são altíssimas.
terça-feira, março 10, 2009
Mais claro do que isto …
“Se a euribor não pára de baixar porque é que os Bancos não acompanham essa descida e continuam a aumentar os spreads?”
A aparente contradição suscita a pergunta que anda na boca da maioria dos portugueses. Afinal, diria o senso comum que à queda das taxas de juro deveria corresponder igual descida dos spreads bancários. Como isso não acontece, o normal é que o povo diga à boca cheia que os bancos se estão a encher, que são uns ladrões e por aí adiante …
Não se julgue, porém, que esta “revolta” se verifica apenas em pessoas menos habituadas a estas matérias. A verdade é que a desconfiança se generalizou e, eu próprio, inúmeras vezes, tenho tentado justificar que uma coisa nada tem a ver com a outra.
A este propósito, no Expresso desta semana, Nicolau Santos dá a explicação ao líder do CDS Paulo Portas que, pelos vistos, também ainda não entendeu a questão. Com o devido respeito e a cordial saudação ao Nicolau, transcrevo uma pequena parte da sua crónica que é bastante esclarecedora:
“… A taxa de juros é o preço do dinheiro. Se há muito e é farto, acontece-lhe o mesmo que às batatas – o seu custo (a taxa de juro) diminui. Se, pelo contrário, há muita procura e pouca oferta, os juros sobem. No caso actual, há pouca oferta mas a procura ainda é menor: o custo do dinheiro desce.
Os spreads são o risco que os bancos atribuem a cada cliente. Um cliente com rendimentos precários, menores garantias e algum incumprimento no currículo é obrigado a pagar spreads maiores. Na actual situação, há um aumento geral dos spreads devido à crise mundial …”.
Mais claro do que isto é impossível.
A aparente contradição suscita a pergunta que anda na boca da maioria dos portugueses. Afinal, diria o senso comum que à queda das taxas de juro deveria corresponder igual descida dos spreads bancários. Como isso não acontece, o normal é que o povo diga à boca cheia que os bancos se estão a encher, que são uns ladrões e por aí adiante …
Não se julgue, porém, que esta “revolta” se verifica apenas em pessoas menos habituadas a estas matérias. A verdade é que a desconfiança se generalizou e, eu próprio, inúmeras vezes, tenho tentado justificar que uma coisa nada tem a ver com a outra.
A este propósito, no Expresso desta semana, Nicolau Santos dá a explicação ao líder do CDS Paulo Portas que, pelos vistos, também ainda não entendeu a questão. Com o devido respeito e a cordial saudação ao Nicolau, transcrevo uma pequena parte da sua crónica que é bastante esclarecedora:
“… A taxa de juros é o preço do dinheiro. Se há muito e é farto, acontece-lhe o mesmo que às batatas – o seu custo (a taxa de juro) diminui. Se, pelo contrário, há muita procura e pouca oferta, os juros sobem. No caso actual, há pouca oferta mas a procura ainda é menor: o custo do dinheiro desce.
Os spreads são o risco que os bancos atribuem a cada cliente. Um cliente com rendimentos precários, menores garantias e algum incumprimento no currículo é obrigado a pagar spreads maiores. Na actual situação, há um aumento geral dos spreads devido à crise mundial …”.
Mais claro do que isto é impossível.
segunda-feira, março 09, 2009
Magalhães
Mais uma do Magalhães. Nestes últimos tempos têm sido muitas as notícias que têm saído sobre ele e nem todas pelas melhores razões.
Desta vez alguém descobriu que nas instruções dos jogos do computador há erros grosseiros de ortografia, de sintaxe e de gramática. Um festival de asneiras dizem alguns, tanto mais que os destinatários são maioritariamente crianças e jovens.
Realmente, palavras como “gravar-lo, continuar-lo, básicamente, dirijir ou puxando-las”, em conjunto com verbos mal conjugados e virgulas e acentos um pouco ao deus-dará nunca deveriam ter visto a luz do dia.
Os responsáveis pelo software associado à aplicação reconhecem que houve falha humana porque o processo tem uma grande componente de tradução automática (o produto veio de um outro país) que não foi convenientemente validada.
Mas, sabem uma coisa? Tanto erro junto nem sequer me preocupa. Os erros estão a ser corrigidos e, em breve, este “magalhanês” não passará de um episódio que servirá apenas para uma boa risada.
Muito antes do Magalhães aparecer já eu andava deveras apreensivo com a falta de conhecimentos generalizados sobre a matemática e sobre a forma de como escrever (e falar) a nossa língua. Disso mesmo dei aqui conta por diversas vezes.
Miríades de pessoas mostram com frequência que não fazem contas sem uma máquina de calcular à mão e saber a tabuada é coisa que não lhes passa pela cabeça, por muito inteligentes que sejam. Por outro lado, os inúmeros textos que vejo escritos diariamente em jornais, agências noticiosas, blogues e relatórios, são uma autêntica catástrofe. Muitos deles da autoria de gente que tinha a obrigação de escrever correctamente a nossa língua. Frases mal construídas, acentuação imperfeita ou inexistente e os muitos erros de ortografia são motivos bastantes para pensar que, para tanto mal, não há solução possível.
Face a isto, os erros do Magalhães, embora condenáveis, são meras brincadeiras de criança.
Desta vez alguém descobriu que nas instruções dos jogos do computador há erros grosseiros de ortografia, de sintaxe e de gramática. Um festival de asneiras dizem alguns, tanto mais que os destinatários são maioritariamente crianças e jovens.
Realmente, palavras como “gravar-lo, continuar-lo, básicamente, dirijir ou puxando-las”, em conjunto com verbos mal conjugados e virgulas e acentos um pouco ao deus-dará nunca deveriam ter visto a luz do dia.
Os responsáveis pelo software associado à aplicação reconhecem que houve falha humana porque o processo tem uma grande componente de tradução automática (o produto veio de um outro país) que não foi convenientemente validada.
Mas, sabem uma coisa? Tanto erro junto nem sequer me preocupa. Os erros estão a ser corrigidos e, em breve, este “magalhanês” não passará de um episódio que servirá apenas para uma boa risada.
Muito antes do Magalhães aparecer já eu andava deveras apreensivo com a falta de conhecimentos generalizados sobre a matemática e sobre a forma de como escrever (e falar) a nossa língua. Disso mesmo dei aqui conta por diversas vezes.
Miríades de pessoas mostram com frequência que não fazem contas sem uma máquina de calcular à mão e saber a tabuada é coisa que não lhes passa pela cabeça, por muito inteligentes que sejam. Por outro lado, os inúmeros textos que vejo escritos diariamente em jornais, agências noticiosas, blogues e relatórios, são uma autêntica catástrofe. Muitos deles da autoria de gente que tinha a obrigação de escrever correctamente a nossa língua. Frases mal construídas, acentuação imperfeita ou inexistente e os muitos erros de ortografia são motivos bastantes para pensar que, para tanto mal, não há solução possível.
Face a isto, os erros do Magalhães, embora condenáveis, são meras brincadeiras de criança.
domingo, março 08, 2009
Reflexão
Só o facto de perceber pouco da política e dos políticos (ou do que é que lhes vai nas cabeças) é que pode, eventualmente, salvar-me de uma execução em praça pública por aquilo que vou escrever.
Mas a verdade é que não consigo perceber o que é que leva um cidadão filiado há séculos num partido político, que se encontra em rota de colisão com as orientações emanadas dos seus órgãos directivos a ponto de, na Assembleia da República onde é deputado, votar sistematicamente às avessas das mesmas orientações, o que é que leva, repito, a que esse senhor continue no partido e não procure um novo rumo mais consentâneo com os seus ideais?
Pensava eu, lá está novamente a minha ignorância política a vir ao de cima, que nos partidos havia debate interno, havia o direito ao contraditório, discutiam-se as estratégias e, findo esse trabalho, a decisão dessas disputas seria a palavra final e única desse partido.
Perguntarão, e o direito à liberdade de expressão onde é que fica? Será que os membros dos partidos não podem manifestar o seu desacordo público perante as decisões oficiais desses mesmos partidos? Em certos casos sim, por isso os partidos costumam - nesses casos - dar liberdade de voto aos seus deputados. Falemos claro, o direito de ter e de difundir opiniões completamente livres está reservado apenas a todos aqueles que não são filiados e que não têm que se sujeitar a uma coisa que se chama disciplina de voto. Os que militam em partidos políticos devem exercer essa faculdade, sim, mas dentro dos partidos, com toda a determinação e aceitando democraticamente a decisão da maioria.
Aliás, e saliento uma vez mais o meu fraco conhecimento da política, então, se não for deste jeito, porque é que os partidos pedem ao povo que nas eleições lhes dêem a maioria se, depois, dentro do Parlamento os seus próprios deputados votam em sintonia com as oposições? Acham que a ser assim as maiorias servem para alguma coisa?
Por muito respeito que tenha pelo Manuel Alegre (é dele que estou a falar, é claro) – e tenho muita, acreditem – penso que não é desta forma que pode ajudar o partido a que pertence, as populações que o elegeram nem, tão-pouco, o país.
Gostaria mais de ver Alegre ao lado de Helena Roseta, onde seria, porventura, mais útil em associações ou movimentos cívicos de cidadãos, lutando tenazmente pelas ideias em que acredita, com a dimensão de um homem livre que todos lhe reconhecem.
Mas isso sou eu a pensar. Afinal, pouco percebo da política e dos políticos.
Mas a verdade é que não consigo perceber o que é que leva um cidadão filiado há séculos num partido político, que se encontra em rota de colisão com as orientações emanadas dos seus órgãos directivos a ponto de, na Assembleia da República onde é deputado, votar sistematicamente às avessas das mesmas orientações, o que é que leva, repito, a que esse senhor continue no partido e não procure um novo rumo mais consentâneo com os seus ideais?
Pensava eu, lá está novamente a minha ignorância política a vir ao de cima, que nos partidos havia debate interno, havia o direito ao contraditório, discutiam-se as estratégias e, findo esse trabalho, a decisão dessas disputas seria a palavra final e única desse partido.
Perguntarão, e o direito à liberdade de expressão onde é que fica? Será que os membros dos partidos não podem manifestar o seu desacordo público perante as decisões oficiais desses mesmos partidos? Em certos casos sim, por isso os partidos costumam - nesses casos - dar liberdade de voto aos seus deputados. Falemos claro, o direito de ter e de difundir opiniões completamente livres está reservado apenas a todos aqueles que não são filiados e que não têm que se sujeitar a uma coisa que se chama disciplina de voto. Os que militam em partidos políticos devem exercer essa faculdade, sim, mas dentro dos partidos, com toda a determinação e aceitando democraticamente a decisão da maioria.
Aliás, e saliento uma vez mais o meu fraco conhecimento da política, então, se não for deste jeito, porque é que os partidos pedem ao povo que nas eleições lhes dêem a maioria se, depois, dentro do Parlamento os seus próprios deputados votam em sintonia com as oposições? Acham que a ser assim as maiorias servem para alguma coisa?
Por muito respeito que tenha pelo Manuel Alegre (é dele que estou a falar, é claro) – e tenho muita, acreditem – penso que não é desta forma que pode ajudar o partido a que pertence, as populações que o elegeram nem, tão-pouco, o país.
Gostaria mais de ver Alegre ao lado de Helena Roseta, onde seria, porventura, mais útil em associações ou movimentos cívicos de cidadãos, lutando tenazmente pelas ideias em que acredita, com a dimensão de um homem livre que todos lhe reconhecem.
Mas isso sou eu a pensar. Afinal, pouco percebo da política e dos políticos.
quinta-feira, março 05, 2009
A tal janela
Últimas notícias: Fábrica fecha em … 400 trabalhadores despedidos em … Retracção no investimento estrangeiro no 2º. semestre de … País com dívida externa excessiva … Famílias altamente endividadas já não pagam luz e …
CRISE! CRISE! CRISE!
Perante tanta desgraça junta virei a minha atenção para os muitos especialistas que afirmam que em todas as crises há sempre janelas de oportunidade que se abrem.
Se calhar vejo mal e por isso é que não tenho conseguido descortinar onde estão essas tais janelas. Até hoje. Porém, quando abri o Diário de Notícias desta manhã dei de caras com a oportunidade que faltava e que eu tanto procurava.
“Eurodeputados portugueses passam a ganhar o dobro”. Tal qual. A partir das próximas eleições europeias, que em Portugal se realizam a 7 de Junho, todos os eurodeputados vão passar a ganhar um vencimento único. No caso dos portugueses, o aumento vai passar para o dobro do que ganhavam até aqui. De 3815 euros passam para os 7665 brutos, ou seja, em valores líquidos, passam de 2525 para 5963 euros. Isto sem esquecer outros subsídios, nomeadamente o chamado “de estadia” que é, actualmente, de 287 euros diários e daquele outro de 143 euros por dia que recebem sempre que a sua presença tenha de ser feita fora da UE.
Ora aí está a janela cheia de oportunidades.
Penso que ainda vou a tempo de me inscrever num partido político. Falo línguas, tenho presença e algum jeito para actor. Quem sabe se ainda consigo alguma coisa.
E se não for para deputado europeu talvez entre, em lugar elegível, numa lista, para deputado do nosso parlamento. É que, face aos aumentos hoje anunciados para os eurodeputados, a deputada europeia do PCP, Ilda Figueiredo, já disse considerar injustificável que "os eurodeputados ganhem mais do que os deputados do seu país".
Não tarda muito que o contágio aconteça. Às vezes o mal é começar a falar …
CRISE! CRISE! CRISE!
Perante tanta desgraça junta virei a minha atenção para os muitos especialistas que afirmam que em todas as crises há sempre janelas de oportunidade que se abrem.
Se calhar vejo mal e por isso é que não tenho conseguido descortinar onde estão essas tais janelas. Até hoje. Porém, quando abri o Diário de Notícias desta manhã dei de caras com a oportunidade que faltava e que eu tanto procurava.
“Eurodeputados portugueses passam a ganhar o dobro”. Tal qual. A partir das próximas eleições europeias, que em Portugal se realizam a 7 de Junho, todos os eurodeputados vão passar a ganhar um vencimento único. No caso dos portugueses, o aumento vai passar para o dobro do que ganhavam até aqui. De 3815 euros passam para os 7665 brutos, ou seja, em valores líquidos, passam de 2525 para 5963 euros. Isto sem esquecer outros subsídios, nomeadamente o chamado “de estadia” que é, actualmente, de 287 euros diários e daquele outro de 143 euros por dia que recebem sempre que a sua presença tenha de ser feita fora da UE.
Ora aí está a janela cheia de oportunidades.
Penso que ainda vou a tempo de me inscrever num partido político. Falo línguas, tenho presença e algum jeito para actor. Quem sabe se ainda consigo alguma coisa.
E se não for para deputado europeu talvez entre, em lugar elegível, numa lista, para deputado do nosso parlamento. É que, face aos aumentos hoje anunciados para os eurodeputados, a deputada europeia do PCP, Ilda Figueiredo, já disse considerar injustificável que "os eurodeputados ganhem mais do que os deputados do seu país".
Não tarda muito que o contágio aconteça. Às vezes o mal é começar a falar …
quarta-feira, março 04, 2009
Quem quer ser bilionário?
Por uma questão de princípio não costumo mostrar um entusiasmo desmedido quando falo com outras pessoas sobre coisas de que gosto muito ou de que não sinto prazer algum. Como admito que possamos ter opiniões diferentes, prefiro não empolar muito as minhas opiniões nem criar expectativas, boas ou más, sobre essas coisas.
Hoje, contudo, faço uma excepção para dizer que gostei muito do filme de Danny Boyle “Quem quer ser Bilionário”. Não por ter conquistado oito óscares (melhores filme, realizador, argumento adaptado, fotografia, canção, montagem, banda sonora original e mistura de som), nada disso, mas porque achei a história do rapaz dos bairros de lata - inculto, lutador e sobrevivente das imensas agruras de um meio tão adverso - jovem concorrente a um conhecido concurso de televisão, deveras comovente e, ao mesmo tempo, inspiradora. Toda ela passada num país, a Índia, em que o filme mostra com enorme crueldade a imensa pobreza das ruas de Bombaim. Diria mesmo, um filme tão forte que enche por completo.
Para quem o viu já, talvez possa compreender que a frase que me ocorreu de imediato, como a possível para uma síntese do filme, fosse “podem transmitir-se todos os conhecimentos mas nunca as experiências”.
Para quem não viu – e sugiro que o façam – inspirem-se na apresentação oficial do filme ou, como diria o boneco do Herman, o “Lauro Dérmio”, “Lets look ata treila”.
Hoje, contudo, faço uma excepção para dizer que gostei muito do filme de Danny Boyle “Quem quer ser Bilionário”. Não por ter conquistado oito óscares (melhores filme, realizador, argumento adaptado, fotografia, canção, montagem, banda sonora original e mistura de som), nada disso, mas porque achei a história do rapaz dos bairros de lata - inculto, lutador e sobrevivente das imensas agruras de um meio tão adverso - jovem concorrente a um conhecido concurso de televisão, deveras comovente e, ao mesmo tempo, inspiradora. Toda ela passada num país, a Índia, em que o filme mostra com enorme crueldade a imensa pobreza das ruas de Bombaim. Diria mesmo, um filme tão forte que enche por completo.
Para quem o viu já, talvez possa compreender que a frase que me ocorreu de imediato, como a possível para uma síntese do filme, fosse “podem transmitir-se todos os conhecimentos mas nunca as experiências”.
Para quem não viu – e sugiro que o façam – inspirem-se na apresentação oficial do filme ou, como diria o boneco do Herman, o “Lauro Dérmio”, “Lets look ata treila”.
terça-feira, março 03, 2009
Palavras leva-as o vento
Uma das principais diferenças entre um cidadão anónimo e uma figura pública é que, enquanto que a primeira passa perfeitamente despercebida no meio da multidão, a figura pública está constantemente exposta e, por isso, tudo o que diz e faz é fatalmente julgado pela opinião pública e por uns quantos comentadores de serviço que estão sempre prontos a cascar forte e feio à menor escorregadela.
Quem é muito conhecido, quem aparece frequentemente nas televisões e nos grandes palcos, não pode dar-se ao luxo de se pôr a jeito de, ao mínimo deslize, ser transformado em saco de pancada.
Mesmo aqueles desconhecidos que pretendem “dar ares”, utilizando conhecimentos que não têm, são muitas vezes desmascarados e, no mínimo, ninguém os livra do ridículo.
No entanto, a esses, é mais fácil dizerem-se eruditos e mencionarem títulos de obras escritas por autores mais ou menos obscuros. Se proclamarem que o livro “A minha aventura em África” foi escrita por um tal Mário Jorge, quem os ouve fica de olhos desmedidamente esbugalhados perante tamanho saber, apenas e só porque não fazem a mínima ideia se aquele escritor existe ou existiu e se há ou houve essa tal obra citada pelo orador.
Com as figuras públicas, porém, tanta eloquência e sapiência (ou falta delas) podem ser facilmente detectáveis, uma vez que o auditório é imensamente mais vasto e, dentro dele, pode haver alguém mais esperto ou mais sabedor do que o farsante. É, pois, necessário ter mais cuidado para não correr riscos inúteis. E não são poucos os casos em que as ditas figuras metem o pé na argola.
Há uns anos Clara Pinto Correia copiou uma boa parte de um texto publicado na revista “The New Yorker” e publicou-o num artigo para a Visão como se ela tivesse sido a autora. Foi descoberta e despedida.
Agora foi Pedro Passos Coelho que deu para tornar público toda a sua vasta cultura, citando nomeadamente os livros e os filmes que influenciaram a sua formação. Às tantas, tropeçou em tanto saber e vá de lembrar a leitura da “Fenomenologia do Ser” de Sartre. Tropeçou e caiu porque Jean-Paul Sartre jamais escreveu tal coisa e Pacheco Pereira, que não perdoa este tipo de falhas, denunciou o caso no seu blogue.
A terminar, e sem querer desculpar o “lapsus Linguae” de Passos Coelho, sempre quero dizer que li (eu li mesmo) “A Oeste Nada de Novo” de Erich Maria Remark numa versão portuguesa intitulada “Nada de Novo na Frente Ocidental”. A mesma obra e o mesmo autor, provavelmente com traduções feitas por diferentes pessoas, o que poderia, se ele nos lesse, incomodar a língua viperina de José Pacheco Pereira.
Quem é muito conhecido, quem aparece frequentemente nas televisões e nos grandes palcos, não pode dar-se ao luxo de se pôr a jeito de, ao mínimo deslize, ser transformado em saco de pancada.
Mesmo aqueles desconhecidos que pretendem “dar ares”, utilizando conhecimentos que não têm, são muitas vezes desmascarados e, no mínimo, ninguém os livra do ridículo.
No entanto, a esses, é mais fácil dizerem-se eruditos e mencionarem títulos de obras escritas por autores mais ou menos obscuros. Se proclamarem que o livro “A minha aventura em África” foi escrita por um tal Mário Jorge, quem os ouve fica de olhos desmedidamente esbugalhados perante tamanho saber, apenas e só porque não fazem a mínima ideia se aquele escritor existe ou existiu e se há ou houve essa tal obra citada pelo orador.
Com as figuras públicas, porém, tanta eloquência e sapiência (ou falta delas) podem ser facilmente detectáveis, uma vez que o auditório é imensamente mais vasto e, dentro dele, pode haver alguém mais esperto ou mais sabedor do que o farsante. É, pois, necessário ter mais cuidado para não correr riscos inúteis. E não são poucos os casos em que as ditas figuras metem o pé na argola.
Há uns anos Clara Pinto Correia copiou uma boa parte de um texto publicado na revista “The New Yorker” e publicou-o num artigo para a Visão como se ela tivesse sido a autora. Foi descoberta e despedida.
Agora foi Pedro Passos Coelho que deu para tornar público toda a sua vasta cultura, citando nomeadamente os livros e os filmes que influenciaram a sua formação. Às tantas, tropeçou em tanto saber e vá de lembrar a leitura da “Fenomenologia do Ser” de Sartre. Tropeçou e caiu porque Jean-Paul Sartre jamais escreveu tal coisa e Pacheco Pereira, que não perdoa este tipo de falhas, denunciou o caso no seu blogue.
A terminar, e sem querer desculpar o “lapsus Linguae” de Passos Coelho, sempre quero dizer que li (eu li mesmo) “A Oeste Nada de Novo” de Erich Maria Remark numa versão portuguesa intitulada “Nada de Novo na Frente Ocidental”. A mesma obra e o mesmo autor, provavelmente com traduções feitas por diferentes pessoas, o que poderia, se ele nos lesse, incomodar a língua viperina de José Pacheco Pereira.
segunda-feira, março 02, 2009
Ainda a propósito de leis
No texto que aqui publiquei ontem escrevi que “há quem garanta que em muitas áreas de actividade existe um vazio legislativo”. E é capaz de haver.
Todos se recordam daquele caso em que a Bragaparques, através do seu administrador e sócio, Domingos Névoa, tentou subornar o vereador lisboeta José Sá Fernandes. Denunciada a marosca pelo próprio Sá Fernandes, o processo entrou na justiça e Névoa foi agora condenado por corrupção a pagar uma multa de cinco mil euros … em prestações suaves.
É inacreditável. A tentativa de suborno foi mais do que provada e o “chico-esperto” que infringiu a lei apanhou uma penalização de somenos importância que revolta toda a gente e que faz aumentar a sensação de que o crime, afinal, compensa e que não vale a pena às pessoas que são assediadas com subornos darem-se ao trabalho e às chatices de denunciarem os corruptores.
E nem sequer nos podemos insurgir contra quem o julgou. Os juízes sentenciaram de acordo com a lei que, vá lá saber-se porquê, distingue a corrupção para actos lícitos da outra que é destinada a actos ilícitos. Como se a corrupção, por si só, não devesse ser fortemente penalizada pela lei, sem quaisquer restrições.
Tudo isto é lamentável. Os cidadãos esperam muito mais do sistema de justiça e dos políticos que têm a obrigação de dotar o Estado com leis bem-feitas, claras, exequíveis e que castiguem a sério os infractores.
É por causa destas e doutras que, há umas semanas, o Presidente da República chamou a atenção para a fraca qualidade das leis que temos. E não é que é capaz de ter razão?
domingo, março 01, 2009
Leis
Li na semana passada no El País que o Congresso peruano pretende eliminar 20 000 leis que consideram actualmente obsoletas, pelo que, apenas cerca de 5 000 leis constarão no seu ordenamento jurídico. E, meus amigos, prevê-se que o Peru fará esta imensa revisão em apenas quatro meses. Fantástico!
Em Portugal isso seria impensável e, desde logo, porque não há consenso quanto ao número e à qualidade das leis. Há quem diga que temos excesso de legislação e há quem garanta que em muitas áreas existe um vazio legislativo.
Admito que haja leis que não sejam absolutamente necessárias e outras que são manifestamente inúteis e que só vieram à luz do dia porque alguém tinha que apresentar serviço. Leis que foram muito bem pensadas, por certo, mas que na realidade para nada servem.
Mas, reparem, este não é um problema exclusivamente português como podem ver a seguir, onde leis aparentemente inúteis permanecem em vigor há anos e anos, não vá o diabo tecê-las.
No Reino Unido
- É proibido morrer-se no Parlamento, sob pena de ser detido;
- É permitido matar um escocês nos muros da antiga cidade de York. Mas somente com arco e flechas!
Nos Estados Unidos
- Em Nova Orleans, Louisiana, é ilegal amarrar um jacaré a uma bomba de incêndio;
- No Kansas, se dois comboios se encontrarem na mesma linha devem parar e nenhum deles pode prosseguir sem que o outro tenha passado;
Em França
- A cidade de Chateauneuf-du-Pape, famosa por seus vinhos, proibiu, em 1954, que discos voadores pousassem sobre suas vinhas. Caso isso acontecesse, o "veículo" deveria ser imediatamente recolhido para um depósito. A medida, que obteve sucesso em afastar os OVNIs, foi revogada poucos anos depois.
São apenas alguns exemplos de leis completamente absurdas, excêntricas e ridículas que fazem ou fizeram parte da legislação de alguns países. Leis que não têm qualquer utilidade e que, na maioria dos casos, não são nem nunca foram exequíveis.
E depois não digam, como tantas vezes se ouve, frases do género “Uma lei como esta, só em Portugal!”
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