sexta-feira, maio 11, 2007

É uma estrada, apenas uma estrada ...

Se, por vezes, penso que já nada me consegue surpreender, nem sequer os insultos e as grosserias vindos de Alberto João Jardim, confesso que, apesar de tudo, ainda vou ficando boquiaberto com notícias que nos chegam do Reino da Madeira.

Todos assistimos nas televisões Alberto João inaugurar uma estradita de uns escassos dois quilómetros, que se destina a servir uma população de menos de uma centena de pessoas, mas que foi construída, apenas e só, porque naquele lugar mora uma senhora que, em tempos, o ajudou a tomar conta dos filhos.

"a Maria cuidou dos meus filhos, não conseguiria dizer-lhe que não faria a estrada", declarou Jardim com o maior dos descaramentos e imensamente comovido, digo eu, com a nossa generosidade, com a generosidade dos contribuintes portugueses.

E acredito que ficámos todos muito satisfeitos por ter contribuído com o nosso dinheiro para que fossem pagos os favores do senhor Alberto à senhora Maria. É bom saber-se que neste país, ainda há pessoas que pagam as suas dívidas.

Não foi, como se percebe, o interesse da região, tão pouco o interesse de servir os cidadãos anónimos (quaisquer que eles fossem) que levou à construção da tal estrada. O interesse foi, única e exclusivamente, o de pagar uma promessa feita em tempos à tal senhora com quem Jardim tem um dever de gratidão.

Mas como se isto não fosse o suficiente, o que me deixou completamente “abazurdido”, incrédulo, desnorteado e completamente sem palavras, foi o facto da tal pequena estrada de cerca de dois quilómetros e que vai servir menos de uma centena de pessoas, ter custado à volta de dois milhões de contos por cada quilómetro, mais do que custou o Túnel do Marquês, com a mesma extensão, mas feito debaixo da terra e com um trabalho de engenharia infinitamente mais complexo.

Como contribuinte não posso deixar de ficar indignado.

Alberto João sabe bem que esta e muitas outras obras com que modernizou a Madeira, têm sido suportadas, fundamentalmente, pelas transferências feitas pela Governo da República, aquele mesmo Governo da República que está instalada no rectângulo com que ele tanto goza. E essas verbas absolutamente extraordinárias que obteve, aos gritos com Lisboa e a zurzir todo o mundo com uma falta de respeito e de educação imperdoáveis, vão acabar quer ele queira ou não.

Alberto João bem pode espernear à vontade. A teta que o alimentou durante três décadas, secou de vez. Chegou a hora de vermos como é que ele vai governar e como é que vai continuar a modernizar a Madeira, sem os milhões a que estava habituado.