segunda-feira, junho 04, 2007

Está bem, não sabem escrever português, mas o que é que isso interessa?


Não pertenço ao grupo que é, vulgarmente, conhecido por “treinadores de bancada”, aqueles que não sendo uns verdadeiros especialistas, não se coibem, contudo, de dar os seus “bitaites” e de afirmar convictamente as suas teorias abalizadas de como as coisas devem ser feitas e quais a estratégias a seguir.

No entanto, e mesmo não sendo um “expert”, é claro que tenho opiniões sobre os assuntos e permito-me muitas vezes discordar das teorias que certos peritos da nossa praça entendem estabelecer como regras. Não por perceber mais do que eles, mas simplesmente porque tenho a mania de pensar e porque tenho todo o direito a não estar de acordo com as suas opiniões.

Foi o que aconteceu quando li que, nos exames de Português do 4º., 6º. e 9º. anos de 2006, os critérios de avaliação não penalizavam os alunos que respondessem à perguntas com erros de ortografia, desde que as respostas estivessem correctas. Ou seja, as respostas correctas pontuavam, mesmo que elas viessem cheias de erros nos planos ortográfico, lexical, morfológico e sintáctico.

O que quer dizer que com esta pedagogia da facilidade, o que os responsáveis do Ministério acham verdadeiramente importante é que os alunos respondam correctamente às questões de interpretação, deixando sem penalização outros aspectos igualmente fundamentais da língua, nomeadamente, a construção das frases e o escrever sem erros ortografia.

Ora aí está, separar as várias avaliações não me parece, a mim que sou um leigo na matéria, uma boa opção. Que necessidade é essa, tão imperiosa, que obriga a que a avaliação da interpretação do texto seja feita separadamente da avaliação da forma como se escreve? Será que a preocupação destes “entendidos” se situa fundamentalmente em saber se o aluno compreendeu ou não o texto e, pronto, ficamos por aí?


Tudo isto me parece um absurdo total. Permite-se que nas provas de português – da língua materna, portanto – que os erros de português não tenham gravidade alguma nem contem para o resultado final.

E assim, os alunos vão passando de ano em ano e chegarão, porventura, à universidade, sem dominarem minimamente a nossa língua.

O que me faz questionar. Afinal, com esta lógica de ensino que permite que nas provas de “língua-pátria” (como dantes se chamava) se escreva mal o português, como queremos que esses alunos venham, um dia, a falar e a escrever correctamente o português?